Ana Rita Maria: "Esperamos uma melhoria na decisão partilhada sobre a realização de exames de rastreio do cancro de mama e próstata"
DATA
26/10/2022 10:16:33
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Jornal Médico
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Ana Rita Maria: "Esperamos uma melhoria na decisão partilhada sobre a realização de exames de rastreio do cancro de mama e próstata"

Leia o artigo de opinião da autoria de Ana Rita Maria, especialista de Medicina Geral e Familiar e investigadora da NOVA Medical School, acerca do seu projeto SumMed: helping patients to understand medical information in the prevention of breast and prostate cancer, um dos seis trabalhos distinguidos com uma bolsa de investigação clínica em Oncologia nos Cuidados de Saúde Primários. As bolsas de investigação clínica em Oncologia nos Cuidados de Saúde Primários, que resultaram de uma iniciativa conjunta da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) e da Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica (AICIB), foram entregues no dia 5 de julho, durante uma cerimónia oficial, que teve lugar no Auditório do Centro de Saúde de Sete Rios, em Lisboa. Saiba mais aqui.

Existe um imperativo social para um maior envolvimento dos cidadãos nas decisões relativas à sua saúde, o que é particularmente relevante quando há efeitos adversos ou mais do que uma opção válida para uma intervenção em saúde.

Com o surgimento da pandemia, estima-se que 100 milhões de testes de rastreio de cancro ficaram por realizar em toda a Europa, o que previsivelmente levará ao diagnóstico de cancro em estadios avançados. Os programas de rastreio podem ter efeitos benéficos e prejudiciais, pelo que é crucial que os utentes estejam bem informados no seu processo de decisão. A plataforma SumMed fornece várias ferramentas que ajudam os pacientes a obter informações médicas de fontes credíveis ​​e a compreendê-las melhor. 

Pretendemos realizar um estudo qualitativo para conhecer as perceções dos utentes sobre a plataforma SumMed, para os ajudar a compreender a informação médica na prevenção do cancro de mama e da próstata. Os utentes serão recrutados em unidades de cuidados de saúde primários para entrevistas semiestruturadas. Esperamos uma melhoria na decisão partilhada sobre a realização de exames de rastreio do cancro de mama e próstata, com base no conhecimento adquirido em relação aos seus benefícios e malefícios.

Parece haver um desconhecimento sobre os benefícios e malefícios dos programas de rastreio do cancro de próstata e da mama, e não há dados sobre o conhecimento da população portuguesa.

No caso do rastreio do cancro, os exames utilizados geralmente são inofensivos, mas podem ter implicações físicas, psicológicas ou económicas. Para o rastreio do cancro da próstata com o antigénio específico da próstata (PSA), o exame está associado apenas ao desconforto da colheita de sangue. Contudo, com a obtenção de um valor elevado de PSA, uma biópsia prostática para excluir cancro pode trazer complicações. Também o tratamento de cancros de próstata que não iriam causar nenhum problema se não tivessem sido identificados apresenta potenciais complicações como distúrbios gastrointestinais, urinários e sexuais, como incontinência urinária e disfunção erétil.

Em Portugal, cerca de 77% das mulheres portuguesas consideraram necessário fazer mamografia e ecografia mamária de 15 em 15 meses. Em relação aos homens, 67% consideraram que deveriam realizar a triagem de PSA a cada 15 meses. 62% também consideraram necessário realizar uma ultrassonografia da próstata a cada 16 meses.

A perceção de danos tem sido menos investigada, mas é provável que sejam subestimados, pois diferentes fontes de informação privilegiam a comunicação de benefícios em detrimento de danos. Além disso, em ensaios clínicos sobre o rastreio, os benefícios são apresentados com mais frequência do que os malefícios.

Este estudo, até onde sabemos, é o primeiro a avaliar, entre o público, as perceções sobre os benefícios e malefícios relacionados ao rastreio do cancro da mama e próstata, através de uma ferramenta digital.

You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade
Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
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No ano de 2021, foram realizadas 36 milhões de consultas médicas nos cuidados de saúde primários, mais 10,7% do que em 2020 e mais 14,2% do que em 2019. Ou seja, aproximadamente, a cada segundo foi realizada uma consulta médica.

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