Inês Almeida: Impacto do treino de força na insónia
DATA
21/11/2022 10:14:29
AUTOR
Jornal Médico
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Inês Almeida: Impacto do treino de força na insónia

Leia o artigo de opinião da autoria de Inês Almeida, da USF Moliceiro, e de Paulo Barreto Augusto, da USF Esgueira Mais, a propósito do treino de força aplicado a pessoas com insónias.  

A insónia é um problema do sono prevalente e engloba queixas como dificuldade em iniciar ou manter o sono, despertar precoce e incapacidade de voltar a dormir e sensação de sono não reparador. Afeta cerca de 15 % da população, e compromete o funcionamento diurno e as funções cognitivas, causando decréscimo da qualidade de vida. Apesar da evidência demonstrar um papel importante do exercício como alternativa não farmacológica para o tratamento da insónia, a relação entre o treino de força e a melhoria da insónia não está definida de forma clara.

Alguns estudos mostram que tanto o treino de força como o exercício aeróbio contribuem para o aumento significativo da duração total do sono, melhoria da sensação de sono reparador e redução do período de latência do sono. A prática regular de exercício físico pode ainda conduzir à diminuição do uso de medicação para a insónia.

O treino de força pode ser realizado com diferentes tipos de resistência, como máquinas de musculação, halteres, pesos, discos, elásticos, ou até mesmo recorrendo única e exclusivamente ao peso do próprio corpo. Há vários aspetos a ter em consideração na sua prática, nomeadamente a escolha dos exercícios, a ordem em que estes são executados, a intensidade, o número de repetições, a velocidade de execução, o tempo de descanso, entre outros. Além disso, devem sempre respeitar-se os princípios básicos de treino: adaptação, continuidade, especificidade, individualidade, sobrecarga, reversibilidade e variabilidade.

A prática regular de treino de força está associada a uma melhoria na qualidade global do sono e, consequentemente, na qualidade de vida dos indivíduos. Este efeito benéfico do treino de força poderá ser igualmente verificado em doentes com insuficiência cardíaca, doença de Parkinson, leucemia aguda sob quimioterapia, cancro da mama ou cancro do pâncreas. Ainda assim, importa realçar que a maioria dos estudos publicados dizem respeito a subpopulações com patologias específicas e não apresentam consistência entre o tipo de treino de força realizado.

Com a evolução da Medicina e a maior disponibilidade de fármacos, cada vez com um melhor perfil de segurança e menor risco de dependência e de eventuais efeitos adversos, poderá ser uma tentação recorrer a medicação ansiolítica, ou novos indutores do sono, para o tratamento dos transtornos do sono. Contudo, é fundamental não esquecer as medidas de tratamento não farmacológico, reforçando, em primeira linha, as alterações do estilo de vida e a correta higiene do sono.

Assim sendo, e, dado que o treino de força pode ser praticado por qualquer pessoa, desde que com o acompanhamento correto e respeitando as limitações e o condicionamento físico de cada um, este poderá ser uma excelente abordagem terapêutica não farmacológica para a insónia.

You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade
Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
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