sexta-feira, 24 abril 2020 09:44

Vacine(-se)

A evidência não é de hoje, mas tem-se acentuado nas últimas semanas: grupos de risco como pessoas a partir dos 65 anos e quem, independentemente da idade, sofre de doenças crónicas, devem ser protegidos.

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Proibir fumar nicotina em todos os locais fechados, multar o “prevaricador” que fume em sítios proibidos, aumentar “exponencialmente” o preço do tabaco e comparticipar as drogas para desabituação tabágica são medidas hoje defendidas pela Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP).

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A gripe aumenta o risco de pneumonia pneumocócica dezenas de vezes. Embora não seja sazonal, e se registem casos de Pneumonia ao longo dos 365 dias do ano, é na época de incidência da gripe que se dá o maior número de episódios. A vacinação antipneumocócica é a melhor forma de prevenir a pneumonia, doença que, todos os dias, leva à morte de 16 pessoas. 

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Observatorio Nacional Doencas Respiratorias
O Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR) divulga hoje, 4 de Abril, na sede da Fundação Portuguesa do Pulmão, o Relatório de 2016 referente aos dados da situação atual e evolução das últimas décadas relacionado com as doenças respiratórias.

Na 11.ª edição do Relatório destacam-se as debilidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) face ao diagnóstico e internamentos na área respiratória, nomeadamente no que concerne às Pneumonias e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).

Artur Teles de Araújo, presidente do ONDR e da Fundação Portuguesa do Pulmão indica que “existem acentuadas assimetrias regionais cujas causas têm de se caraterizar, de forma a podermos melhorar a qualidade e o acesso à saúde respiratória dos portugueses.

É na Região de Lisboa e Vale do Tejo que se verificam as maiores taxas percentuais de internamentos por Pneumonia, seguidas das regiões Norte e Centro. Existe uma clara lacuna de acesso a estes cuidados nas outras regiões, como é o caso do Algarve e das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

Relativamente aos motivos e fatores que condicionam a acessibilidade dos doentes respiratórios a estes cuidados foram referenciados fatores como a distância aos hospitais, o número de dias de internamento e a existência de patologias responsáveis pela gravidade das situações clínicas, e necessidade de monitorização dos doentes.”

O Relatório ONDR 2016 indica ainda que num período de 10 anos, considerando dados entre 2005 e 2014, houve um aumento de 12% da mortalidade global por doenças respiratórias, sendo as doenças mais impactantes para a população a nível da mortalidade os tumores malignos respiratórios, que registaram um aumento de 21% e as pneumonias, que aumentaram em 28%.

“As despesas com a saúde em percentagem do PIB representam 9,5%, ligeiramente acima da média da OCDE. Cerca de 65% desta despesa com a saúde é feita pelo Estado Português, bastante inferior ao que é registado lá fora (72%). Entre 2000 e 2012 a percentagem do PIB decresceu ligeiramente (0,2%) o que trará constrangimentos na prestação de cuidados de saúde. Alguns já temos vindo a sentir, nomeadamente no menor número de enfermeiros e número de camas hospitalares comparativamente com outros países da OCDE. Também existe uma falta de desenvolvimento positiva dos cuidados continuados e paliativos relacionados com esta falta de investimento na saúde” conclui Teles de Araújo.

O relatório mostra que os números das despesas com a saúde aliados à pobreza são um aliado das doenças respiratórias e das doenças, no geral. Em 2014 a percentagem da população em risco de pobreza, antes de pensões e transferências sociais, atingiu os 48%, o que representou um aumento de 29% em relação a 1995.

Em 2014 foram internados por doenças do foro respiratório (Asma, DPOC, Pneumonia, Fibroses, Tumores, Bronquiectasias, Patologia Pleural, Tuberculose e Gripe) 69.384 doentes (12,1% do total de internamentos da área médica). Este número representa um aumento de 2,4% num período de 10 anos (2005 – 2014).

Nem todas as doenças mostraram uma evolução negativa. Foi registada clara melhoria na área dos internamentos por DPOC, que caíram mais de 30% nos últimos 10 anos e, por isso, acrescentaram uma evolução positiva na saúde respiratória que deverá estar associada à melhoria da resposta ao SNS a estes doentes, capazes de controlar a doença maioritariamente em ambulatório.

O Relatório ONDR 2015 acrescenta e propõe ainda várias medidas à promoção da saúde e prevenção nas doenças respiratórias, alertando para a importância da aposta na educação para a saúde como a criação de Redes Nacionais de Espirometria, de Cuidados Respiratórios e de Reabilitação Respiratória, acabando assim com lacunas existentes em todas as fases da doença, desde o diagnóstico, ao acompanhamento e tratamento. Uma outra proposta apresentada é a criação da Via Verde das Pneumonias nos hospitais que acreditam que ajudará no problema das pneumonias, a doença que maior impacto tem a nível dos internamentos hospitalares (40% dos internamento hospitalares associados às doenças respiratórias). Também a manutenção ou criação, em todos os serviços hospitalares de Pneumologia de Consultas de Doenças do Interstício Pulmonar, doenças que têm tido uma prevalência crescente na população portuguesa, são uma recomendação do ONDR bem como a continuidade na aposta em programas de reabilitação respiratória.

O Relatório continua a desmistificar a ideia de que existem médicos em excesso em Portugal e reforça a carência do número de pneumologistas a prestarem serviço nos Hospitais Públicos em Portugal.

O Relatório do ONDR conta, este ano, com a colaboração de 21 especialistas de renome da área da pneumologia e do sector da saúde em Portugal.

O relatório está disponível no seguinte link https://we.tl/szelkikpJ9

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Araujo, Dr. Teles (ONDR) (2)
A Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP) realizou entre os dias 23 e 24 de outubro, o seu VI Congresso, que este ano teve como palco o Auditório dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa. À semelhanças de anteriores edições, a iniciativa contou com a participação de centenas de profissionais de saúde. Ao logo de dois dias, médicos de diversas especialidades, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêuticos, cardiopneumologistas e outros técnicos de saúde participaram nos diferentes painéis, que este ano se centraram na abordagem de quatro temas relevantes da atualidade: a qualidade do ar e a saúde respiratória, as infeções respiratórias em Portugal, a oxigenoterapia de longa duração e a reabilitação respiratória. Em entrevista ao nosso jornal, Artur Teles de Araújo, presidente da FPP, fez o balanço de mais uma edição de um congresso que já conquistou um lugar de destaque no calendário de eventos científicos nacionais.

A sessão inaugural do VI Congresso da Fundação Portuguesa do Pulmão ficou marcada pela conferência proferida pela Professora Cristina Bárbara, sobre os principais desafios que se colocam à saúde respiratória em Portugal.

Na sua intervenção, a coordenadora do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias recordou as metas preconizadas pelo Programa, entre as quais se destacam a redução em 10% da taxa de internamento por doenças respiratórias crónicas até 2016 e a diminuição em 2% da morbilidade e mortalidade associadas a estas patologias.

Outro dos objetivos do Programa, sublinhou ao nosso jornal Artur Teles de Araújo, presidente da SPP, é a melhoria da acessibilidade dos doentes respiratórios crónicos à prestação de cuidados de saúde, meta que segundo o pneumologista passa pela elaboração e implementação de uma rede de referenciação para estas doenças. Em simultâneo, defende-se no documento disponível na página na internet da Direção-Geral da Saúde, será necessário intervir no sentido de se aumentar o diagnóstico através do aumento em cerca de 30% da acessibilidade às espirometrias efetuadas nos cuidados de saúde primários e “promover a prevenção secundária e terciária das doenças respiratórias crónicas, mediamente a elaboração de planos específicos em 100% das regiões de saúde”.

A qualidade do ar que respiramos

“A promoção da saúde respiratória através da intervenção em fatores determinantes da mesma é uma das prioridades da Fundação Portuguesa do Pulmão, tendo sido, pois, um dos temas dominantes do programa da VI edição do Congresso. A qualidade do ar que respiramos no interior e exterior dos edifícios foi o tema de um dos painéis que contou com a participação do Professor Carlos Borrego, da Universidade de Aveiro, que abordou os fatores que interferem na qualidade do ar exterior e da Dra. Ana Margarida Costa, também da Universidade de Aveiro, que falou sobre os agentes de poluição nos ambientes interiores”. O objetivo, explicou ao nosso jornal Artur Teles de Araújo, foi encontrar pistas de como “podemos melhorar a qualidade do ar que respiramos quer no exterior quer no interior dos edifícios”.

Na sua intervenção, Carlos Borrego enumerou os fatores que interferem na qualidade do ar exterior, salientando o papel poluidor do tráfego e também outras fontes de poluição que embora com menor peso devem ser combatidas, como a queima de biomassa em lareiras, entre outras.

Outro dos temas abordados no VI Congresso, “muito em colaboração com a Quercus, é um problema que tem também de alguma forma a ver com a qualidade do ar que respiramos e que é o problema do amianto, presente em muitos edifícios em Portugal”, referiu ao nosso jornal o também presidente do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias. Para falar abordar o tema, a organização do Congresso convidou a Professora Ema Sacadura Leite, da Escola Nacional de saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa que destacou as repercussões na saúde respiratória da inalação de fibras de amianto, designadamente a fibrose pulmonar por exposição prolongada ao abesto, que embora pouco frequente, tem registado um aumento do número de casos e o mesotelioma, um tumor raro quase sempre relacionado com a exposição a amianto. No painel foram também salientados os cuidados que devem ser tidos em conta na remoção do amianto. Uma tarefa que de acordo com Teles de Araújo, “só pode ser realizada por empresas certificadas, sob pena de ser maior o risco associado à remoção do que o de nada fazer”.

A evolução das doenças do pulmão em Portugal foram abordadas no VI Congresso em dois grandes grupos: “o das doenças infeciosas, que é um problema que em Portugal é muito mais prevalente do que noutros países europeus que nos servem de comparadores, nomeadamente no que respeita à pneumonia, que entre nós está associada a uma elevada mortalidade. O envelhecimento da população será, certamente, um dos fatores que influencia esta mortalidade, mas poderão existir outros, que importa identificar”, aponta Teles de Araújo.

O segundo grupo abordado foi o da tuberculose, relativamente ao qual “estamos um bocadinho melhor do que há alguns anos atrás. Este ano entrámos, pela primeira vez, no grupo de países com baixa incidência”, destaca o presidente da SPP, para logo acrescentar: “temos que ver se essa meta se consolida e prestar particular atenção aos núcleos que ainda não atingiram esse patamar, como as regiões de Lisboa e do Porto, que apresentam incidências ainda elevadas”.

Acompanhamento do insuficiente respiratório crónico: uma prioridade!

Outro dos temas em destaque no Congresso foi o do acompanhamento do insuficiente respiratório crónico, área considerada prioritária pela Fundação Portuguesa do Pulmão e em que o nosso país registou progressos assinaláveis no que toca aos cuidados respiratórios domiciliários. Segundo Teles de Araújo, nesta área, “estamos ao nível dos países mais desenvolvidos da Europa”, pesem embora alguns «problemas logísticos» que vão surgindo aqui e ali e que é preciso resolver.

Uma outra vertente relevante dos cuidados respiratórios é a da reabilitação respiratória, relativamente à qual, muito embora exista evidência de que melhora a qualidade de vida dos doentes e constitui um fator decisivo para um curso mais favorável da doença, com diminuição das agudizações e dos internamentos, praticamente não é praticada em Portugal. Segundo o presidente da FPP, “apenas 0,1% dos doentes que deles poderiam beneficiar têm de facto acesso aos mesmos, o que coloca o nosso país num patamar muito mau”.

Mais a mais, aponta o pneumologista, estamos a falar de tratamentos custo/efetivos, que permitem reduzir a mortalidade e os custos associados às agudizações e aos internamentos. Isto para já não falar nos custos de absentismo que se poderiam evitar com a estabilização dos doentes.

As razões para a lacuna resumem-se, segundo Teles de Araújo, a uma realidade: não há serviços de reabilitação respiratória nos hospitais. Dos cerca de 11 centros que existiam, restam cinco ou seis. Não há resposta nem no sector público, nem no privado, insiste o especialista que defende uma aposta forte nesta vertente.

Outra área a merecer cuidados redobrados é a dos cuidados respiratórios domiciliários, relativamente aos quais começam a sentir-se algumas tentativas de restrição com o objetivo de reduzir despesa. “A pressão é muita, mas devemos ter em consideração que de modo algum se deve diminuir a qualidade dos cuidados. O preço não pode ser tudo… Temos que chamar a atenção das autoridades para a necessidade de se manter a qualidade destes cuidados, que são essenciais”, conclui Teles de Araújo.

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fundacaoportuguesadopulmaoA Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP) esteve ontem numa audição com a Comissão de Saúde para debater os dados do relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR) e apresentar propostas concretas que visem melhorar a saúde respiratória em Portugal. Dados do Relatório mostram que saúde respiratória dos portugueses está a piorar.

Aos deputados, os dirigentes da FPP apresentaram medidas concretas, desde logo, a criação de uma rede de cuidados respiratórios que inclua todos os profissionais de saúde envolvidos na prevenção e controle das doenças respiratórias em qualquer nível de cuidados, com a inclusão de unidades, fora do contexto hospitalar, de apoio a doentes com insuficiência respiratória que necessitam de ventilação.

Uma necessidade urgente, sustentado por números: em 5 anos tiveram de ser submetidos a ventilação em unidades de cuidados intensivos, por períodos superiores a 30 dias, 6.426 doentes com um custo superior a 84 milhões de euros.

Para Teles de Araújo, presidente do ONDR e da Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP) “desta realidade ressalta a necessidade de serem encontradas novas formas organizativas de resposta às necessidades destes doentes, fora dos hospitais, que permitam encurtar os períodos de internamento destes doentes, libertando camas de cuidados intensivos, cuja escassez é notória.”

Existem projectos privados, como o projecto REMEO, um programa de natureza privada, testado em países como a Alemanha e os Estados Unidos, que pode ser integrado na resposta a esta necessidade. Estas unidades permitiriam diminuir custos, fornecer aos doentes e familiares cuidados mais adequados e diminuir o risco de complicações inerentes aos espaços hospitalares.

Outra das medidas apresentadas pelos especialistas do Observatório na Comissão de Saúde passa pela criação de uma rede de reabilitação respiratória em Portugal. Uma vez que em Portugal apenas 0,1% dos doentes têm acesso a esta parte essencial da terapêutica de doenças respiratórias crónicas que é custo-efectiva. Estes programas assentam em 3 pilares: apoio clínico, educação e exercício.

Para Teles de Araújo “torna-se premente o desenvolvimento duma rede de reabilitação respiratória com componente hospitalar e de proximidade, de forma a tratar os doentes com impacto positivo na sua qualidade de vida e redução efectiva dos custos directos e indirectos, associados à doença”.

Para Teles de Araújo, as dificuldades no acesso aos cuidados de saúde primários e hospitalares, “torna essencial uma reflexão conjunta para implementação de medidas, como as sugeridas por nós – criação de uma rede de cuidados respiratórios e criação de uma rede de reabilitação respiratória, que visem melhorar esta condição com soluções custo-efectivas para o Estado e que não comprometem a saúde dos doentes.”

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conceitos_doençasrespiratoriasA Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP) vai amanhã ao Parlamento debater o aumento do número de internamentos e de mortes por doenças respiratórias e apresentar propostas para diminuir estes números.

Na base da audição da FPP na Comissão de Saúde está o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR), segundo o qual as doenças do foro respiratório foram responsáveis, em 2012, pela morte de 50 portugueses por dia, um aumento de 17% face ao ano anterior.

Os dados indicam que “houve um aumento do número de internamentos e um aumento da mortalidade” devidos a estas doenças, disse hoje à agência Lusa o presidente da Federação Portuguesa do Pulmão.

“São aspectos que, obviamente, nos preocupam e para os quais teremos de encontrar soluções”, adiantou Teles de Araújo.

Nesse sentido, adiantou, além do debate dos dados do ONDR, a FPP irá apresentar, na comissão parlamentar, algumas propostas, que passam por “uma aposta muito forte nas áreas da prevenção” e pelo diagnóstico precoce de algumas doenças crónicas.

“Quanto mais precoce for o diagnóstico, por exemplo, de uma doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), melhor será o prognóstico e melhor será a qualidade de vida do doente respiratório crónico”, sustentou.

Teles de Araújo defendeu que, apesar da situação de crise que o país atravessa e de não poder haver "um grande aumento da despesa”, é necessário “encontrar soluções que permitam diminuir” o número de internamentos e de mortes.

O pneumologista lembrou que, em situações de crise, “as doenças aumentam e as doenças respiratórias são muito sensíveis a isso, não só pelos aspectos que a crise possa dificultar, como o acesso à medicação”, mas também pela degradação das condições sociais: “Maior pobreza e situações de stress mais acentuado são factores que facilitam as doenças”.

No entanto, o responsável ressalvou que não há indicadores que refiram que a dificuldade no acesso à medicação “seja um problema ainda muito sério em Portugal, mas ter-se-á que ter em conta”.

“Pensamos que em Portugal não tem havido uma redução na área de prevenção relacionada com a crise, mas pensamos que há muito mais a fazer nessa área”, sustentou. Segundo o relatório, elaborado pela Fundação Portuguesa do Pulmão, morreram, em 2012, 13.908 portugueses por doenças respiratórias.

A este número acrescem 4.012 óbitos por cancros da traqueia, brônquios e pulmão, o que representa um aumento de 16,58% em relação a 2011 e de 24,07% em relação a 2005. No documento lê-se que houve um aumento da mortalidade em todas as patologias, à excepção da tuberculose, e uma relativa estabilização em relação aos cancros. Nesse ano, foram internados 70.546 doentes (64.122 em 2011) por motivos de asma, DPOC, pneumonias, fibroses, neoplasias, bronquiectasias, patologia pleural, tuberculose e gripe. As três principais causas de internamento foram as pneumonias (43.275 casos, 61,4%), a DPOC (8,967 casos, 12,7%) e as neoplasias (6.322 casos, 9%).

Por insuficiência respiratória foram internadas 51.322 pessoas (45.395 em 2011).

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[caption id="attachment_6249" align="alignleft" width="300"]dpoc Em matéria de mortalidade, “assistiu-se a uma subida abrupta, praticamente em todos os grupos nosológicos das doenças respiratórias, tanto nas doenças não transmissíveis como a asma e a DPOC, como nas doenças infecciosas, nomeadamente nas pneumonias”. São dados de “preocupantes”, dizem os relatores do relatório.[/caption]

As doenças do foro respiratório foram responsáveis pela morte de 50 portugueses por dia, em 2012, um aumento de 17 por cento em relação ao ano anterior, segundo o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR).

Este documento de 2013, elaborado pela Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP), indica que, em 2012, morreram por doenças respiratórias 13.908 portugueses.

A este número acrescem 4.012 óbitos por cancros da traqueia, brônquios e pulmão.

Os autores referem que estes números representam um aumento de 16,58% em relação a 2011 e de 24,07% em relação a 2005.

“Estes valores são muito superiores aos óbitos por todas as outras causas que, praticamente, não variam desde 2005”.

Em relação às pneumonias e os cancros do aparelho respiratório, estes representam 60,29% dos óbitos por doenças do foro respiratório (10.805 em 17.920).

No documento lê-se que houve um aumento da mortalidade em todas as patologias, à excepção da tuberculose, e uma relativa estabilização em relação aos cancros.

Os autores do documento ressalvam que, se se comprovar esta tendência, é necessário “procurar as razões”.

“Além do frio e das infecções virais, teremos de estar alertados para o facto de, em épocas de crise e de significativa diminuição do poder de compra, haver uma tendência, geralmente reconhecida, para o aumento das doenças respiratórias”, lê-se no relatório.

Os autores classificam estes dados de “preocupantes”, sublinhando que, em matéria de mortalidade, “assistiu-se a uma subida abrupta, praticamente em todos os grupos nosológicos das doenças respiratórias, tanto nas doenças não transmissíveis como a asma e a DPOC, como nas doenças infecciosas, nomeadamente nas pneumonias”.

Em matéria de internamentos por doenças respiratórias - asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), pneumonias, fibroses, neoplasias, bronquiectasias, patologia pleural, tuberculose e gripe - em 2012 foram internados 70.546 doentes (64.122 em 2011).

Em 2012, as três principais causas de internamento por doenças respiratórias foram as pneumonias (43.275 casos, 61,4%), a DPOC (8,967 casos, 12,7%) e as neoplasias (6.322 casos, 9%).

Por insuficiência respiratória foram internadas 51.322 pessoas em 2012 (45.395 em 2011).

Os autores consideram que “a gravidade destas doenças pode traduzir-se pela sua mortalidade intra-hospitalar, a qual é, em geral, superior à doutras doenças”.

A mortalidade intra-hospitalar foi de 0,8% na asma, 8,0% na DPOC, 16,7% na insuficiência respiratória, 21,7% nas pneumonias e 28,9% nas neoplasias, aumentando significativamente nos doentes ventilados: 5,3% na asma, 12,0% na DPOC, 31,4% na insuficiência respiratória, 35,7% nas pneumonias e 51,3% nas neoplasias.

No relatório lê-se que “todos os indicadores disponíveis sugerem que muitos dos doentes respiratórios continuam a estar sub-diagnosticados e sub-tratados”.

“Em tempos de crise certamente que esta realidade tenderá a agravar-se”, alertam os autores.

Artur Teles de Araújo, relator do documento e da direcção da FPP, destacou à agência Lusa o aumento das mortes e internamentos causados por doenças respiratórias e defendeu a articulação entre serviços para dar uma melhor resposta, principalmente num cenário de crise, como o actual.

Para justificar o lema deste relatório – “Prevenir a Doença, Acompanhar e Reabilitar o Doente” - a FPP considera que há "grandes lacunas: educação para a saúde insuficiente, escassa literacia em saúde, insuficiência de apoios no combate ao tabagismo, incompleta implementação da Rede de Espirometria, escassa sensibilização para as vantagens do exercício físico e erros na área da nutrição”.

No acompanhamento do doente, a Fundação identifica também falhas: “Falta de estratégias para promoção do diagnóstico precoce, insuficiências na acessibilidade e equidade nos cuidados de saúde, dificuldades no acesso aos medicamentos (roturas de stocks, elevado valor monetário desembolsado pelos doentes)”.

“Particularmente vulneráveis estão os doentes respiratórios crónicos para os quais não existe uma verdadeira rede de cuidados respiratórios domiciliários e aos quais não estão garantidos alguns direitos fundamentais”, prossegue o documento.

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DESconfinar sem DISconfinar: Um desafio para inovar e aproveitar a oportunidade
Editorial | Rui Nogueira, Médico de Família e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
DESconfinar sem DISconfinar: Um desafio para inovar e aproveitar a oportunidade
Depois de três meses de confinamento é necessário aceitarmos a prudência de DES”confinar sem DISconfinar. Não vamos querer “morrer na praia”! As aprendizagens da pandemia Covid-19 são uma ótima oportunidade para acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência e o estado de calamidade ensinaram-nos muito! É necessário desconfinar o centro de saúde com uma nova visão e reinventar o conceito com unidades de saúde aprendentes e inovadoras.

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