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conceitos-terapia cardiovascularO consumo de medicamentos cardiovasculares quase duplicou numa década e, em 2011, representou uma despesa diária para o Estado de quase 1,8 milhões de euros, revela um estudo da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed).

O estudo “Medicamentos do Aparelho Cardiovascular: Uma análise dos padrões de utilização e despesa em Portugal Continental entre 2000 e 2011” indica que, nesse período, o consumo destes fármacos subiu 94%.

Calculado em Doses Diárias Definidas por 1.000 habitantes, o consumo passou de 288,4 doses diárias em 2000 para 558,7 em 2011, tendo sido o aumento “mais evidente” nos antihipertensores (99%) e antidislipidémicos.

Os cuidados de saúde primários foram responsáveis, em 2011, por 76% da prescrição destes fármacos a utentes do Serviço Nacional de Saúde em ambulatório, seguindo-se os cuidados privados (14%), os hospitais públicos (8%) e outras entidades (2%).

“Independentemente do local de prescrição a comparticipação dos medicamentos foi efectuada pelo SNS”, sublinha o estudo divulgado no site do Infarmed.

Em 2011, a despesa com estes medicamentos foi de 649,3 milhões de euros, refere a análise, adiantando que “o aumento da despesa a Preço de Venda ao Publico (+58%) foi consequência do aumento do consumo, mas também de uma utilização elevada de substâncias activas para as quais não existiam genéricos comercializados”.

Neste período, acrescenta, verificou-se um aumento, embora mais ligeiro, dos encargos do SNS (35%).

Já os encargos dos utentes aumentaram até 2008, com taxas de crescimento de dois dígitos, mas a partir desse ano apresentaram uma tendência de decréscimo.

Quanto à prescrição de medicamentos genéricos verificou-se um aumento em todos os locais de prescrição, mas o valor permanece inferior nos cuidados de saúde privados (35%) comparativamente aos cuidados primários ou hospitalares (45%).

O Observatório do Medicamentos e Produtos de Saúde, do Infarmed, refere que “a análise aos valores dos indicadores, e as diferenças entre práticas médicas, indiciam a existência de oportunidades de melhoria dos padrões de prescrição”.

“As diferenças no nível de utilização, padrão de prescrição e custo de tratamento dia devem ser analisadas pelas entidades competentes com o objectivo de diminuir assimetrias regionais, que resultem de barreiras no acesso ao tratamento, e identificar oportunidades de melhoria dos padrões de prescrição, incentivando a utilização das opções terapêuticas mais custo-efectivas”, acrescenta.

Em Portugal, a área dos medicamentos cardiovasculares é a que apresenta um maior nível de consumo, tendo representando, em 2010, 27% da despesa total com medicamentos.

“Estes dados reflectem, em parte, a prevalência das doenças cardiovasculares, as quais constituem a principal causa de morte em Portugal, contando-se, também, entre as principais causas de morbilidade, invalidez e anos potenciais de vida perdidos na população portuguesa”, salienta o estudo.

Apesar do aumento da acessibilidade a estes medicamentos e das inovações terapêuticas terem sido responsáveis pela melhoria dos resultados em saúde, ”parece existir ainda um elevado potencial para obtenção de ganhos em saúde na população portuguesa”.

Dados da Fundação Portuguesa de Cardiologia referem que, em 2012, ocorreram em Portugal 23 mil mortes por doenças cardiovasculares, das quais 16 mil por AVC e 7.000 por enfarte do miocárdio.

 

 

 

 

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terça-feira, 18 fevereiro 2014 16:43

Pramipexol Wynn novamente disponível… Amanhã

infarmedEm nota de imprensa, o Infarmed informa que o medicamento Pramipexol Wynn, indicado para o tratamento dos sinais e sintomas da doença de Parkinson voltará a ser comercializado já a partir de amanhã, nas dosagens de 0,088 mg, 0,18 mg e 0,7 mg. Na mesma nota, o Infarmed prevê a rápida normalização do abastecimento do mercado, justificando a ruptura de fornecimento com o encerramento e transferência para novo local da unidade fabril responsável pela produção do medicamento.

Ainda segundo o Infarmed, a ruptura de stock não colocou em causa a saúde pública, atendendo à existência de outros medicamentos no mercado para a mesma indicação terapêutica (por exemplo, o ropirinol)”.

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VimpatO INFARMED acaba de aprovar a comparticipação de Vimpat (lacosamida), medicamento da UCB, para o mercado português, informa a companhia em comunicado. Vimpat é um fármaco de prescrição médica, adjuvante de outros medicamentos anticonvulsivos, utilizado no tratamento de crises parciais não controladas, em pessoas epilépticas com idade superior a 16 anos, inclusive.

A aprovação agora anunciada baseou-se em dados de três ensaios clínicos multicêntricos, aleatorizados, controlados com placebo, que avaliaram a eficácia e segurança de Vimpat enquanto tratamento adjuvante em 1.300 pacientes com convulsões parciais, de idade igual ou superior a 16 anos, que não estavam adequadamente controlados com a medicação entre 1 a 3 epilépticos, e com ou sem estimulação adicional do nervo vago. Os pacientes que participaram nos ensaios possuíam, em média, 10-15 crises por mês e a grande maioria (84%) não conseguiam controlá-las com 2 a 3 epilépticos.

"A comparticipação de Vimpat é uma excelente notícia para profissionais de saúde e doentes. Na minha prática clínica, tive conhecimento de histórias dramáticas de familiares de doentes que necessitaram de fazer um esforço enorme para adquirir o medicamento, antes de estar comparticipado. Estamos a falar de doentes com formas de epilepsia refractária, que já tentaram inúmeros fármacos sem sucesso, existindo sempre a esperança de que algum dos novos fármacos pudesse vir a fazer alguma diferença. A introdução desta nova terapêutica é um marco em Portugal e serve dois propósitos que andam interligados: aumento das possibilidades de alguns doentes verem a sua doença mais controlada e maior experiencia com o fármaco por parte dos clínicos, o que resulta numa melhoria do tratamento dos doentes”, afirma o Dr. Francisco Sales, Neurologista e ex-presidente da Liga Portuguesa contra a Epilepsia.

Nos ensaios clínicos, Vimpat melhorou o controlo das crises, quando adicionado a uma ampla gama de medicamentos antiepilépticos de primeira e segunda geração. A análise conjunta mostra que o tratamento com Vimpat 200 mg/dia e 400 mg/dia reduziu as crises para metade, em 34% e 40% de pacientes com crises epilépticas parciais, respectivamente, em comparação com 23% no grupo do placebo.

Estudos pré-clínicos indicam que Vimpat tem um novo modo de acção, conseguindo modular a actividade do canal de sódio de modo diferente, em comparação com o outro canal de sódio que bloqueia os antiepilépticos. Os canais de sódio desempenham um papel crucial na regulação da actividade do sistema nervoso, ajudando as células nervosas a comunicarem entre si. Por vezes, os canais de sódio tornam-se hiperactivos de forma anormal e podem produzir uma convulsão. O modo de acção Vimpat foi pensado para reduzir a actividade anormal deste canal de sódio. A regulação da actividade das células nervosas pode contribuir para o controlo de ataques.

Num outro estudo de longo prazo, os pacientes tratados com Vimpat conseguiram reduções sustentadas nas crises parciais. Setenta e sete por cento dos 370 pacientes que participaram neste estudo aberto completaram 12 meses de tratamento com Vimpat, 61% concluíram, pelo menos, 24 meses, e 56% completaram, pelo menos, 30 meses de tratamento. Vimpat foi aprovado como comprimido oral (50 mg, 100 mg, 150 mg, 200 mg), e para permitir a de opções de dosagem adicionais.

A epilepsia é um distúrbio neurológico crónico, causado por descargas eléctricas excessivas anormais das células nervosas ou neurónios no cérebro, que afecta 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, estima-se que existam cerca de 50 mil pessoas a viver com a doença. Aproximadamente 20-30% das pessoas que vivem com epilepsia têm convulsões não controladas ou efeitos colaterais significativos secundários da medicação, destacando assim a necessidade permanente de desenvolvimento de novas terapêuticas antiepilépticas.

 

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brindesCerca de quatro mil entidades ligadas à saúde receberam no último ano subsídios, patrocínios ou outros bens, cujos valores variam entre os 25 e os 166.050 euros, segundo a autoridade do medicamento.

O balanço é feito pelo Infarmed, um ano depois da entrada em vigor do diploma (decreto-lei 20/2013) que dá aos profissionais de saúde, aos laboratórios farmacêuticos e às associações de doentes o prazo de 30 dias para declarar o recebimento e a oferta de subsídios, patrocínios, subvenções e bens avaliáveis em dinheiro.

“Na presente data, encontram-se registadas na Plataforma de Comunicações - Transparência e Publicidade, cerca de 4.000 entidades, que incluem Pessoas Coletivas e Pessoas Singulares”, disse à Lusa fonte do Infarmed.

Os valores declarados encontram-se compreendidos entre €25,00 e os €166.050,00, acrescentou.

De acordo com o diploma legal, 25 euros é o valor mínimo a partir do qual são obrigatórias as comunicações ao Infarmed.

Este limite mínimo foi introduzido através de um despacho, publicado cerca de um mês depois da publicação do artigo 159 do decreto-lei nº 20/2013, que estabelece as regras relativas à transparência e publicidade relacionada com os profissionais, pessoas ou entidades ligadas à saúde.

Antes disso, a página do Infarmed chegou a incluir, numa lista de perguntas e respostas, a obrigatoriedade de os profissionais de saúde declararem publicamente as canetas, lápis e artigos semelhantes recebidos dos delegados de informação médica, ou os almoços oferecidos pela indústria farmacêutica.

 

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[caption id="attachment_6025" align="alignleft" width="300"]infarmed Comparativamente aos três países de referência, Espanha, França e Eslovénia, os custos de tratamento analisados em Portugal estão alinhados com os custos de tratamento nestes países[/caption]

Os preços dos medicamentos têm baixado desde 2010, permitindo uma poupança ao Estado e aos utentes que chega a ultrapassar os 50%, e colocando Portugal abaixo da média de oito países europeus no custo dos tratamentos, segundo o Infarmed.

De acordo com um estudo hoje divulgado, na base desta descida estão as revisões anuais de preços de medicamentos de marca, ocorridas entre 2010 e 2014, bem como as regras de comparticipação de medicamentos genéricos – que provocam uma rápida redução de preços máximos – e a entrada no mercado de genéricos comparticipados com preços mais baixos.

Para levar a cabo este estudo, o Infarmed pegou em quatro casos clínicos diferentes - uma criança com asma e rinite alérgica, uma grávida com infecção urinária, um homem de meia-idade com diabetes 2 e hipertensão arterial e uma idosa com doença pulmonar obstrutiva crónica, hipertensão arterial, fibrilação auricular, insuficiência cardíaca, apneia do sono, obesidade e depressão - e analisou a evolução dos custos dos tratamentos de cada um deles.

Depois comparou esses custos com os custos de tratamento dos mesmos casos em Espanha, França, Eslováquia, Noruega, Itália, Reino Unido, Dinamarca e Eslovénia.

A conclusão é que “o custo médio de tratamento diário em Portugal baixou bastante desde 2010 nos quatro casos clínicos apresentados” e que os seus custos de tratamento estão abaixo da média daqueles oito países.

Segundo o Infarmed, entre 2010 e 2014 houve, nos casos clínicos estudados, uma diminuição de encargos, que variou entre os 18,48% e os 51,22% para o Estado e os 27,02% e os 56,32% para o utente.

Comparativamente aos três países de referência, Espanha, França e Eslovénia, os custos de tratamento analisados em Portugal estão alinhados com os custos de tratamento nestes países.

O país que apresenta custos mais baixos é a Eslováquia, enquanto a Noruega e a Itália se encontram entre os mais caros.

O Infarmed salvaguarda que a falta de acesso a informação fidedigna relativamente às taxas de comparticipação noutros países não permitiu apurar qual o encargo real dos doentes na compra dos medicamentos nas farmácias.

Além disso, alguns medicamentos estavam indisponíveis nas bases de dados dos países analisados, pelo que não se incluíram os respectivos custos.

Para o estudo também não foi considerada a existência de comparticipação especial para os pensionistas, nem a comparticipação com base nos preços de referência de grupos homogéneos.

 

 

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[caption id="attachment_6262" align="alignleft" width="300"]asma O relatório de 2013 do ONDR refere dados da autoridade que regula o sector do medicamento (Infarmed) que “não parecem demonstrar retracção ao consumo de medicamentos broncodilatadores e antiasmáticos no ambulatório em 2012”[/caption]

O Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONSA) considera que o número de embalagens de medicamentos vendidas para a asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) em 2012 é “francamente baixo” para o número estimado de doentes.

O relatório de 2013 do ONDR refere dados da autoridade que regula o sector do medicamento (Infarmed) que “não parecem demonstrar retracção ao consumo de medicamentos broncodilatadores e antiasmáticos no ambulatório em 2012”.

“Todavia”, lê-se no documento que será hoje apresentado, o número total de embalagens vendidas foi de 1.188.375 em 2012, número que parece francamente baixo, para o número estimado de doentes com Asma e DPOC”.

Estão registados 1.794,27 doentes com asma por 100 mil habitantes e estima-se a existência de 800 mil portugueses com DPOC.

Os autores consideram que estes valores sugerem “subutilização desses medicamentos”.

“Para esta realidade poderão haver várias explicações, devendo ser avaliada a possibilidade de a situação financeira dos doentes ser um factor dissuasor do uso de medicamentos que, sendo essenciais ao controle da doença, são dispendiosos”, indica o documento.

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[caption id="attachment_6025" align="alignleft" width="300"]infarmed a investigação do Infarmed tem como foco as vacinas da gripe, mas acabou por se estender ao circuito de todas as vacinas, numa altura em que as farmácias portuguesas junto à fronteira com Espanha esgotaram as vacinas da varicela devido às novas regras no país vizinho que proibiu a venda nos canais farmacêuticos, restringindo o seu uso aos hospitais e centros de saúde.
Por isso, sem acesso à vacina, muitos espanhóis atravessaram a fronteira para comprar a vacina da varicela em Portugal[/caption]

A Autoridade Nacional do Medicamento alargou a todas as vacinas a investigação que teve início na semana passada após a descoberta de importação ilegal de vacinas da gripe, disse à agência Lusa uma fonte do Infarmed.

O Diário Económico avançou na sua edição de hoje que o Infarmed está a investigar o circuito de todas as vacinas, incluindo a da varicela.

Em declarações à Lusa, fonte do Infarmed confirmou o alargamento da investigação e fiscalização a farmácias e distribuidores, adiantando que na quarta-feira a autoridade do medicamento deverá fazer um balanço da operação.

A mesma fonte sublinhou, no entanto, que “o circuito legal das vacinas está assegurado” e que até ao momento não foi encontrado nenhum indício que ponha em risco a saúde pública.

O Diário Económico adianta que a investigação do Infarmed tem como foco as vacinas da gripe, mas acabou por se estender ao circuito de todas as vacinas, numa altura em que as farmácias portuguesas junto à fronteira com Espanha esgotaram as vacinas da varicela devido às novas regras no país vizinho que proibiu a venda nos canais farmacêuticos, restringindo o seu uso aos hospitais e centros de saúde.

Por isso, sem acesso à vacina, muitos espanhóis atravessaram a fronteira para comprar a vacina da varicela em Portugal.

Questionada sobre este assunto, fonte do Infarmed disse que a autoridade do medicamento não tem conhecimento da situação.

Na semana passada, o presidente do Infarmed alertou para o risco de vacinas que entraram ilegalmente no país serem falsificadas e adiantou que chegaram a ser vendidas e administradas a utentes, tendo sido pedida a comparticipação do Estado.

Eurico Castro Alves disse haver “indicadores inegáveis da entrada ilegal [das vacinas] no país”, sendo agora necessário descobrir se há mais, quais os circuitos que seguem, quem as fabrica e se são falsificadas, razão por que foi lançada de imediato uma “operação à escala nacional para garantir que tal não acontece”.

O responsável adiantou ainda que a farmácia onde foram detectadas estas vacinas situa-se em Aljezur e que o Infarmed estava a averiguar quem foram e onde estão os utentes que as compraram.

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[caption id="attachment_6102" align="alignleft" width="300"]biberon “O cumprimento da legislação sobre o marketing de substitutos de leite materno não é monitorizado, as violações à lei estão disseminadas e são comuns”, refere o relatório da rede International Baby Food Action Network (IBFAN, na sigla inglesa) sobre Portugal, que está a ser discutido no Comité dos Direitos das Crianças, das Nações Unidas[/caption]

A indústria do leite infantil em Portugal viola a legislação sobre publicidade aos substitutos do leite materno, sem que haja controlo das autoridades, segundo um relatório da rede internacional pró-alimentação infantil apresentado hoje.

“O cumprimento da legislação sobre o marketing de substitutos de leite materno não é monitorizado, as violações à lei estão disseminadas e são comuns”, refere o relatório da rede International Baby Food Action Network (IBFAN, na sigla inglesa) sobre Portugal, que está a ser discutido no Comité dos Direitos das Crianças, das Nações Unidas.

Segundo a coordenadora da IBFAN em Portugal, Jacqueline Montaigne, durante cerca de dois anos a organização esteve atenta ao comportamento da indústria dos leites artificiais e das fórmulas infantis (leite em pó).

“Vamos expor práticas chocantes, ilegais e com grande falta de ética que estão a ser usadas pelas companhias de leites artificiais”, afirmou à agência Lusa.

Distribuição de amostras gratuitas de fórmulas e de leites de transição (a partir dos seis meses) em unidades de saúde ou de presentes gratuitos e material promocional a mães e grávidas são algumas das violações detectadas pela IBFAN ao Código Internacional de Substitutos de Leite Materno.

“Não há monitorização da lei a nível nacional, apesar de haver estruturas a quem reportar essas violações”, como a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica e a Direcção-Geral do Consumidor, refere o relatório que é hoje discutido.

Sobre a legislação portuguesa no que respeita ao marketing e publicidade destes leites, que resultou da transposição de uma directiva comunitária, a IBFAN recomenda que seja “reforçada”, de forma a estar mais alinhada com o Código Internacional, de que Portugal é signatário.

“Há uma cultura de marketing agressiva e sistemática para vender e distribuir leites de transição e infantis que tem desempenhado um papel importante no consistente declínio da amamentação a partir dos seis meses”, critica o relatório.

Aliás, a rede IBFAN considera que a influência da indústria alimentar para crianças nas linhas de orientação em Portugal e nos profissionais de saúde ligados à nutrição “continuam a minar a amamentação”.

Um exemplo dado no relatório é o do financiamento pela empresa Milupa ao Estudo do Padrão Alimentar e de Crescimento da Infância, divulgado no ano passado, que “promoveu e justificou o uso de leites de fórmula em crianças a partir dos 12 meses.

A IBFAN considera que também as recomendações da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) na área da nutrição infantil podem encorajar ao uso de leites de transição até aos três anos.

Jacqueline Montaigne refere que a Organização Mundial da Saúde indica que os leites de crescimento não são necessários para crianças a partir dos 12 meses e critica que as recomendações da SPP tenham tido patrocínio de uma empresa de leite artificial.

Num editorial escrito em Outubro de 2012, após a publicação do texto “Alimentação do Lactente” na Acta Pediátrica, a direcção da SPP esclarecia que o artigo era “ totalmente independente”, tendo sido “elaborado com o maior rigor científico”, e considerava não haver nele “algo que possa levantar qualquer tipo de dúvida quanto à sua isenção”.

Após alguns pediatras terem manifestado dúvidas ou reservas relativamente à utilização do logótipo do Nestlé Nutrition Institute (NNI) no suplemento da Acta Pediátrica, a SPP justificava que todos os números da publicação contêm publicidade de empresas ligadas a produtos farmacêuticos, nutricionais ou de cosmética, “em páginas separadas das relativas aos conteúdos científicos”.

“Como em qualquer publicação que sustente os seus custos de impressão e distribuição por via de inserções publicitárias, estas inserções publicitárias em nada se relacionam ou condicionam a idoneidade do conteúdo dos artigos da publicação”, garantia ainda a direcção da Sociedade.

No relatório do IBFAN que é hoje discutido no Comité dos Direitos das Crianças mostra-se uma “significativa quebra” nas taxas de amamentação entre os quatro e os seis meses em Portugal, que é em parte atribuída às recomendações para iniciar a alimentação complementar.

Enquanto entre os dois e três meses de vida de um bebé ainda são mais de 50% as mães que amamentam em exclusividade, entre os cinco e os seis meses essa percentagem desce para os 22,4%.

Em Portugal, desde Junho do ano passado, a rede IBFAN pretende “melhorar a saúda das crianças e bebés, através da promoção, suporte e protecção do aleitamento materno”.

Segundo Jacqueline Montaigne, o trabalho desta rede não pretende ser “uma guerra entre mães que amamentam e mães que dão leite artificial”.

“Nós também lutamos e defendemos as mães que dão leite artificial, porque têm o direito de ter informação correta baseada em ciência e evidência sobre leite artificial”, argumenta.

 

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Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.