terça-feira, 27 dezembro 2016 15:27

Concursos, Convites & Cia

Ao ler-se o “Diário Íntimo”, de Manuel Laranjeira, escrito por este médico e escritor a exercer clínica no Porto e em Espinho e publicado em 1957, por Alberto Serra, deparamo-nos com a insistência dos seus amigos para que este concorra a Professor da Escola Médica do Porto, após os 19 valores na tese de doutoramento, sobre a Doença da Santidade.

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  • Serviço Presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos
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A lista que venceu as últimas eleições dos órgãos regionais do Sul da Ordem dos Médicos (OMSUL) foi renovada e recandidata-se ao mandato de 2017-2019.

A juntar-se a Jaime Teixeira Mendes estrá João Álvaro Correio da Cunha enquantoo Presidente da Mesa da Assembleia Geral, o Prof. Doutor Luís Sobrinho como mandatário, Delgado Martins no Conselho Fiscal Regional, Paolo Maria Casella no Conselho Superior e Schäller Dias no conselho Disciplinar Regional.

De acordo com a opinião de Teixeira Mendes, enviada através de comunicado de imprensa à nossa redação, a recandidatura é um continuum do processo de mudança iniciado no mandato anterior, “conscientes de que em três anos não é possível fazer tudo ou modificar a estrutura de uma secção que tem consigo onze distritais”, avançando que “o Conselho Regional do Sul manifestou sempre fortes posições públicas relativas à redignificação do trabalho médico e da oferta de saúde à população. Simultaneamente, iniciou um trabalho permanente de auditoria aos serviços”.

A denúncia da destruição das carreiras médicas, “que põe em causa a continuidade da qualidade do Serviço Nacional de Saúde”, continuará a ser um dos temas prioritários do trabalho deste organismo.

“A defesa dos valores éticos e deontológicos da profissão médica e o direito constitucional à saúde são, entre outras razões, a força impulsionadora da minha candidatura. A equipa que vou ter a honra de presidir conta com a honestidade, integridade e competência profissional dos seus membros.  Estaremos de novo presentes para servir a Ordem, os médicos, a Medicina e a saúde das populações”, defendeu.

Descentralização, implementação do voto eletrónico para os Colégios, do regulamento de contratação, das carreiras e das retribuições dos funcionários da OM são alguns dos projetos que pretendem inovar e revitalizar o setor.

Surgem ainda como novidades o desejo de separar fisicamente as instalações do Conselho Regional do Sul, do Bastonário e do Conselho Nacional e a criação de condições para a construção da Casa do Médico de Lisboa.

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[caption id="attachment_18608" align="alignnone" width="300"]Jaime Mendes OM1 Jaime Teixeira Mendes, Presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos[/caption]

O Dia Mundial da Tuberculose celebra-se a 24 de março. Nesse dia, no longínquo ano de 1882, Robert Koch, um dos pais da medicina moderna, anuncia, em reunião da Sociedade de Fisiologia de Berlim, a descoberta da bactéria causadora da doença, o Mycobacterium tuberculosis. Logo na altura, Koch preveniu também para a possível sobrevivência a longo prazo de formas infetantes após a cura clínica, alertando que os portadores sãos representam uma ameaça para a sociedade.

Robert Koch recebeu o prémio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1905.

Anos depois rebenta na Europa a 1.ª Guerra Mundial e o aviso deste sábio bacteriologista confirma-se da pior maneira: a tuberculose espalhou-se nas trincheiras e os mais afetados e com maior gravidade foram os soldados negros do Sudão e do Senegal a combaterem em França.

Borrel, médico e bacteriologista, estudou esta epidemia e chamou a atenção para a gravidade da primoinfeção do adulto, população que até ao serviço militar não havia sido infetada pelo bacilo de Koch (ao contrário dos soldados europeus). Pertenciam a raças que nunca, ou só episodicamente, tinham estado sujeitas à infeção, e sobre as quais nunca se havia exercido a ação seletiva da endemia tuberculosa.

Muito mais recentemente, Sebastien Gagneux e colaboradores sequenciaram o genoma completo de 259 cepas da bactéria Mycobacterium tuberculosis, colhidas em diversas partes do mundo, em estudo realizado no Instituto de Saúde Pública e Tropical Suíço, publicado na Nature Genetics, revista internacional de alto nível científico reconhecido.

Ao compararem a árvore evolutiva da bactéria com a do ser humano, os pesquisadores descobriram semelhanças que indicam uma relação próxima entre eles: ambos surgiram em África, emigraram juntos e expandiram-se por todo o mundo. O Homo sapiens transporta o bacilo há 70.000 anos, ainda antes da sua saída de África para se espalhar pelo planeta.

Ainda hoje as grandes aglomerações em locais com pouca higiene são pasto fácil para o bacilo da tuberculose.

Em 2011, a tuberculose matou 1,4 milhão de pessoas, segundo a Organização Mundial de Saúde. Podemos especular que o aparecimento do bacilo se deveu a um desequilíbrio ecológico, uma erupção vulcânica que provocou uma redução da temperatura causada por cinzas vulcânicas e ácido sulfúrico, obscurecendo o Sol e diminuindo o albedo, levando a um muito grande arrefecimento.

Analisemos então como se propagaram os vírus mais virulentos destes últimos anos: Vírus da Imunodeficiência Humana, Ébola, Zika.

A SIDA, com 15 milhões de pessoas em tratamento antirretroviral em 2015, é uma das grandes epidemias do século XX, cujo vírus teve origem na floresta, escapou-se dela e só se mantém pela transmissão humana independente das florestas.

O Ébola (África Ocidental) ou Zika são também provocados por vírus cuja emergência é diretamente associada às florestas, representando cerca de 15% das doenças infecciosas emergentes, como explica um relatório das Nações Unidas publicado em 2005.

O Zika, que calcula-se atingirá 3 a 4 milhões de pessoas no mundo este ano, tem o nome da floresta ugandesa onde foi identificado pela primeira vez.

A destruição das florestas virgens provocada pelos seres humanos, hoje de forma muito diferente da catástrofe ambiental de há 70 000 anos e seja por que motivo for, liberta verdadeiros reservatórios de bactérias e vírus.

Exemplo disso é o que se passou em Dezembro de 2013, quando um morcego acossado do seu meio privado de recursos naturais se aproximou das habitações mais próximas, infetando a primeira vítima do Ébola, uma criança de 2 anos.

Será que Rousseau tinha razão? Ou, sem romantismo, devemos dizer que a natureza primária não passa de um ninho de vírus e bactérias?

A verdade é que somente quando quebramos o seu equilíbrio, ou seja, quando destruímos o ecossistema das florestas é que a natureza se torna hostil e incontrolável.

O alerta já foi dado em 2015 na Conferência de Paris sobre o Clima: as mudanças climáticas continuam a representar um papel significativo na destruição do ecossistema. O aquecimento global leva ao aumento da temperatura, dos níveis dos mares e de acidez do oceano, rompendo o equilíbrio natural do ecossistema. Que perigos e novos vírus vamos ainda conhecer?

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estudo OM
João Álvaro Correia da Cunha, médico atualmente reformado, antigo Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Secção Regional Sul da Ordem dos Médicos (OM Sul), apresentou recentemente o estudo “O que fazer de tantos médicos?”, de sua autoria, abordando assim "a grande contradição da classe médica na atualidade".

“Nunca se formaram tantos licenciados em Medicina, mas temos cada vez menos médicos no Serviço Nacional de Saúde”, afirmou.

Desenvolvido com o intuito de analisar a evolução demográfica dos profissionais de medicina em Portugal, este estudo assinala alguns desequilíbrios no acesso à profissão: se a política restritiva de numerus clausus que marcou os anos 80 provocou uma carência de médicos no setor etário intermédio, a liberalização do acesso nos anos mais recentes levou a um aumento exponencial de novos médicos, desde 1992.

A este respeito torna-se urgente rever e planear a longo prazo o sistema de ensino e de acesso à profissão. “A revisão do numerus clausus é uma necessidade, já ambicionada há muito tempo pela Associação Nacional dos Estudantes de Medicina e pela própria Ordem dos Médicos.

Este cenário deve-se ao facto de este ano ter começado a não haver vaga para todos os médicos de acesso ao internato”, refere Correia da Cunha. “É importante garantir, ao mesmo tempo, o acesso à formação pós-graduada, com orientadores de formação do setor etário intermédio e a qualidade na prestação de cuidados de saúde”, avança.

A feminização do setor é uma das características demográficas analisadas. É particularmente marcante nas camadas mais jovens, onde as mulheres representam o dobro dos homens em várias especialidades.

“Entre 1996 e 2014, verificou-se uma gradual imersão de mulheres na classe médica, um pouco por todas as especialidades existentes, ascendendo a 51% face aos homens no mesmo grupo profissional. Inclusive nos escalões etários até aos 40 anos as profissionais do género feminino são quase o dobro dos seus colegas do género masculino”, afirma o antigo Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte.

O estudo denuncia, ainda, fortes assimetrias regionais, sugerindo para a sua resolução a formação pós-graduada nas regiões e o incentivo à fixação de médicos ao nível regional.

Aponta igualmente desigualdades na renovação das especialidades, mais uma vez enfatizando a necessidade de planeamento a médio-prazo da profissão. Especialidades como a saúde pública encontram-se especialmente fragilizadas.

Finalmente, salienta que o SNS tem ainda uma posição nuclear no sistema de saúde, isto do ponto de vista dos profissionais médicos, porquanto a larga maioria está integrada no mesmo. Contudo, os números têm vindo a diminuir, o que é "motivo para preocupação".

“O excelente estudo de demografia médica apresentado pelo Dr. Correia da Cunha terminou com um apelo: planeamento! Planeamento das necessidades assistenciais das populações, planeamento dos recursos humanos. Isto porque o aumento do número de médicos ao nível nacional tem tido como consequência a existência de cada vez mais médicos sem especialização, a 'proletarização da classe' ou a sua saída para o estrangeiro. Esta reflexão leva-nos a repensar todo este setor”, concluiu Jaime Teixeira Mendes, Presidente da Secção Regional Sul da Ordem dos Médicos.

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Medicina & Justiça

Dois doentes morreram enquanto esperavam por uma intervenção no Hospital Santa Cruz, alegadamente por falta de dispositivos médicos devida a “limitações administrativas”, denunciou hoje a Ordem dos Médicos, com base na denúncia de clínicos da unidade de saúde.

Na conferência de imprensa que a Ordem realizou para denunciar casos graves relacionados com os constrangimentos financeiros, o presidente do conselho regional do Sul deste organismo, Jaime Teixeira Mendes, admitiu levar o caso aos tribunais.

Os dois doentes terão morrido enquanto se encontravam em lista de espera para receber dispositivos médicos para tratar por via percutânea uma estenose aórtica de alto risco.

Jaime Teixeira Mendes admitiu que a Ordem pode levar o caso aos tribunais, nomeadamente contra o conselho de administração da unidade hospitalar, que tem conhecimento da situação, e até o próprio ministro da Saúde, enquanto alegado responsável pelos constrangimentos financeiros que terão estado na base desta falta de material.

Além destas duas mortes, os médicos do Hospital de Santa Cruz que efectuaram a denúncia à Ordem garantem que a Unidade de Intervenção Cardiovascular “ficou sem capacidade de resposta desde o dia quatro de Julho por falta de manutenção e material”.

“Trata-se da unidade de hemodinâmica que realiza angioplastia coronária há mais tempo em Portugal e, desde essa altura, ambas as salas ficaram incapazes de funcionar em condições de segurança para os doentes por avaria no equipamento de angiologia”, prossegue a denúncia.

Os clínicos afirmam que “há mais de dois anos que não há manutenções preventivas destes equipamentos nem controlo da radiação por eles emitidas”.

“Num dos casos está inoperacional por aquecer excessivamente, pois desde há um mês que não há ar condicionado e a sala atinge temperaturas superiores a 30 graus centígrados, com prejuízo e risco dos doentes e profissionais, enquanto no outro caso trata-se de uma peça”.

Jaime Teixeira Mendes adiantou que a Ordem vai questionar o conselho de administração sobre esta situação, tendo já confirmado que as denúncias dos clínicos da unidade de saúde chegaram à administração deste hospital, que pertence ao Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental.

No encontro com os jornalistas, que contou com a presença de duas doentes que dizem ser “a prova” de legislação avulso e os constrangimentos que têm ocorrido no sector, conforme Jaime Teixeira Mendes referiu, foram igualmente denunciados casos de desvios de utentes do litoral alentejano de Setúbal, “para onde têm bons transportes”, para Évora, “onde chegam a ter de pernoitar por falta de soluções de transporte”.

“Além dos milhares de utentes que não têm médico de família – só no concelho de Sines estima-se que sejam à volta de 3.000 e no de Santiago de Cacém, um cifra que pode atingir os 10 mil – os médicos debatem-se com novidades absurdas na referenciação de doentes para especialidades que não existem no Hospital do Litoral Alentejano”.

Segundo a Ordem dos Médicos, a situação traduziu-se em casos como o de uma doente que padece de um problema neurológico grave e que vai esperar um ano por uma consulta.

Outro caso refere-se a uma utente de Sines – hoje presente na conferência de imprensa – cuja filha grávida e com uma complicação que precisava de seguimento, foi referenciada para consulta de obstetrícia, em Setúbal, onde já tinha estado.

O hospital terá recusado a consulta, alegando que a utente não era daquela área. Foi então referenciada para Évora, onde a resposta foi igual. Quando a marcação da consulta chegou, já a criança tinha nascido, denunciam.

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Uma oportunidade de ouro
Editorial | Nuno Jacinto
Uma oportunidade de ouro

O ano que agora terminou foi sem dúvida atípico, fora do normal e certamente ficará para sempre na nossa memória individual e coletiva. Mas porque, apesar de tudo, há tradições que se mantêm, é chegada a hora de fazer um balanço de 2020 e perspetivar 2021.

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