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“O novo gastrenterologista é o novo João Semana”. É assim que responde o presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), Rui Tato Marinho, a propósito do título da sua intervenção no GastroDigest2020 – “O novo gastrenterologista e o novo médico de família”. 

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A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) acaba de atingir o marco dos 60 anos. Por entre celebrações, o presidente da SPG e diretor do Serviço de Gastrenterologia e Hepatologia do Hospital de Santa Maria, Rui Tato Marinho, partilha, em entrevista ao Jornal Médico, algumas das principais mudanças no panorama da saúde, em geral, e da especialidade, em particular. Sublinha ainda os feitos, desafios e objetivos da associação científica que, com peso institucional, se quer moderna.

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[caption id="attachment_17712" align="alignnone" width="300"]Marinho, Prof. Rui Tato Rui Tato Marinho - Professor Agregado em Gastrenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa - Vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia[/caption]

As doenças hepatobiliares estão no “top ten” da mortalidade europeia, constituindo a sétima causa de morte no “Velho Continente”. Estima-se que em Portugal ocupem uma posição semelhante. No nosso país, as doenças do fígado e vias biliares são responsáveis por cerca de 2.500 mortes anuais, das quais mil são devidas a tumores malignos.

Quando se fala em morte por doença hepática deve ser considerado um trio constituído por cirrose hepática, carcinoma hepatocelular e o contexto da coinfecção Vírus da imunodeficiência Humana (VIH) com o vírus da hepatite C (VHC), entre outras causas.

Embora a etiologia principal de cirrose hepática em Portugal seja a alcoólica (~70-80%), as atenções estão hoje mais centradas na hepatite C, devido à forte inovação disruptiva, que resulta de uma linha de desenvolvimento de fármacos capazes de eliminar o vírus de forma definitiva em cerca de 90-95% dos casos.

Uma nova era na abordagem da infeção por VHC

O VHC é classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um vírus oncogénico afetando cerca de 3% da população mundial, ou seja, aproximadamente 170 milhões de habitantes.

A prevalência de anti-VHC oscila na Europa entre os 0,5 e os 2%, estimando-se que em Portugal possam existir 70 mil pessoas infetadas. O mais importante será cuidar dos que foram identificados por inquérito, realizado pelo Infarmed aos diversos hospitais e centros hospitalares, que quantificou em cerca de 13 mil o número de doentes diagnosticados. No entanto, sabemos que existem mais infetados: os que, por um lado, ainda desconhecem o seu estado e, por outro, os doentes localizados em algumas “bolsas” sociais, como sejam as prisões ou os centros de atendimento a utilizadores de drogas injetáveis. Defendemos que se deve promover a identificação dos casos não conhecidos, que por via de rastreio ou outra designação. Só assim será possível eliminar o “burden” ou o impacto futuro da hepatite C, que será crescente caso não se intervenha. Sabe-se que quase metade dos infetados (~45%) evoluiu já para cirrose, uma das situações médicas com maior risco oncogénico. De facto, a probabilidade de surgir carcinoma hepatocelular é de cerca de 10 a 40% ao fim de 10 anos em quem tem cirrose. Na Europa, 60% dos casos de carcinoma hepatocelular estão relacionados com o VHC.

Dada a importância social, morbilidade e mortalidade das doenças hepatobiliares, a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) está a organizar uma reunião monotemática de âmbito internacional, cujo tema principal é “Da cirrose ao Cancro”. Este encontro irá realizar-se em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, no dia 6 de fevereiro de 2016. Iremos abordar a inovação dos vários temas da hepatologia moderna, mas o foco principal será a hepatite C e toda a sequência da infeção crónica, cirrose hepática e carcinoma hepatocelular. Os dados portugueses e a visão europeia da epidemiologia da hepatite C, bem como os dados da vida real com os novos tratamentos orais da hepatite C serão os temas com maior destaque nesta reunião.

Portugal é o único país do mundo, a seguir ao Egito, em que este tratamento é comparticipado integralmente pelo Estado. Os tratamentos têm na generalidade a duração de 12 semanas com eficácia na eliminação definitiva do VHC em 90-95% dos casos.

Na reunião estarão presentes elementos do Infarmed e dos centros hospitalares com maior experiência em Portugal que darão conta dos dados da vida real dos cerca de seis mil doentes em tratamento, principalmente com o Sofosbuvir/Ledipasvir. Estarão também presentes seis convidados estrangeiros que darão conta da experiência espanhola e da forte e continuada inovação terapêutica na área da hepatite C.

Os benefícios da eliminação definitiva VHC são muitos: eliminação do risco de contágio (sexual, materno-infantil, outros), regressão da cirrose hepática, quase anulação do risco de evolução para carcinoma hepatocelular, redução do “pool” social de portadores do VHC.

Ideias-Chave - Hepatite C

  1. A hepatite C crónica é uma entidade que decorre, habitualmente, sem sintomatologia (astenia, fadiga, eventualmente);
  2. Recomendamos que se faça o teste da hepatite C (anti-VHC) pelo menos uma vez na vida;
  3. A hepatite C é palco, hoje em dia, de um ambiente de inovação disruptiva, com a chegada ao mercado de vários antivíricos orais de ação direta, inibidores de vários segmentos do VHC: Sofosbuvir, Sofosbuvir + Ledipasvir, Daclatasvir, Simeprevir, Ombitasvir, Paritaprevir/ritonavir, Dasabuvir e dentro em breve Grazoprevir, Elbasvir. Estes fármacos estão considerados pela OMS como devendo fazer parte da “Lista de Medicamentos Essenciais”;
  4. A eficácia na eliminação definitiva do VHC ronda os 95%, de forma exclusivamente oral e muito poucas reações adversas;
  5. A infeção crónica pelo VHC é a primeira infeção vírica crónica e oncogénica em que o Homem consegue a cura definitiva.
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Um total de 107 doentes com hepatite C ficaram totalmente curados através do programa de tratamento lançado em fevereiro, após meses de negociações entre o Governo e a indústria e de reivindicações de doentes e familiares, anunciou o Infarmed.

De acordo com uma nota do organismo que regula o setor do medicamento em Portugal, foram autorizados 6.815 tratamentos, dos quais 4.060 foram já iniciados pelos hospitais.

“Dos tratamentos finalizados, e após a necessária análise virológica efetuada 12 semanas depois, constatou-se que 107 doentes estavam curados e apenas dois foram reportados como não curados”, lê-se na informação do Infarmed.

Estes dados constam de uma página com as estatísticas do programa da hepatite C que a partir de hoje está disponível no site do Infarmed, a qual visa “dar resposta aos pedidos dos profissionais de saúde e dos media acerca da evolução dos tratamentos realizados”.

O programa para o tratamento da hepatite C foi anunciado pelo ministro da Saúde a 6 de fevereiro. O acordo com a indústria farmacêutica, conseguido após meses de negociações e de exigências dos doentes, inclusivamente no interior do parlamento, prevê “o pagamento por doente tratado, e não por embalagem dispensada, e contempla todos os cerca de 13 mil doentes de hepatite C inscritos no Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

“Com vista a assegurar o acesso equitativo dos doentes a estes novos tratamentos foi desenvolvido o programa da hepatite C, tendo sido criado no seu âmbito um portal para o registo anónimo de doentes e para a tramitação do tratamento, o qual está a permitir acompanhar e estudar a evolução de todos os casos”, prossegue o Infarmed.

"Uma história de sucesso", diz hepatologista

O hepatologista Rui Tato Marinho considerou hoje que os 107 doentes com hepatite C curados através do novo programa de tratamento “são os primeiros a chegar à linha da meta” e uma "história de sucesso".

Rui Tato Marinho, hepatologista do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, comentava assim em declarações à agência Lusa os dados revelados pelo Infarmed.

“No meu entender, isto é uma história de sucesso porque se conseguiu em seis meses pedir um medicamento para mais de seis mil pessoas com hepatite C. É quase único no mundo e em países com a nossa dimensão. Estamos a falar de mil pessoas por mês, entre médicos, Infarmed, ministério. Está tudo a fazer um esforço grande”, salientou o clínico.

Segundo Rui Tato Marinho, estes resultados só foram possíveis graças à aprovação rápida do medicamento, que permitiu começar e tratar os doentes.

“Estes mais de cem são os primeiros a chegar à linha da meta. Já temos resultados. Depois de três meses de acabarem o tratamento ficaram com o vírus negativo e para toda a vida. Estes foram os primeiros, mas acredito que dentro de quatro, cinco ou seis meses vamos ter alguns milhares curados. Calculamos que sejam à volta de 90%”, declarou à Lusa.

De acordo com o especialista em Hepatologia, os resultados correspondem ao que se conhecia dos casos clínicos e dos ensaios clínicos.

“Claro que vai haver sempre gente que não se cura, estamos a falar de 10 a 15%, por causa dos efeitos secundários que não estávamos à espera”, admitiu Rui Tato Marinho, lembrando que os doentes sujeitos a tratamento têm a doença há 20 ou 30 anos e a média de idade situa-se nos 50 a 55 anos.

“Alguns já tinham feito tratamentos com imensos efeitos secundários e sem eficácia. Haver 5 a 10% que não curam é espantoso. A investigação não parou”, sublinhou.

O especialista disse ainda que este programa é um modelo que pode servir para outras doenças a nível da organização dos sistemas de saúde.

“Contudo, as histórias não se repetem. É difícil aparecer um medicamento com uma eficácia deste teor para uma doença crónica. É difícil voltar a acontecer”, concluiu.

Lusa/Jornal Médico

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Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.