Parasitas intestinais: Terapêutica e profilaxia em crianças e adultos
DATA
05/07/2018 10:23:35
AUTOR
Jornal Médico
Parasitas intestinais: Terapêutica e profilaxia em crianças e adultos

A incidência de parasitoses intestinais em Portugal tem vindo a diminuir, fruto da melhoria em termos de medidas de higiene e de cuidados sanitários, refere a Dr.ª Paula Garcia. Ainda assim, a tendência crescente a nível nacional para o consumo de sushi, a presença de animais domésticos nas casas de muitos portugueses ou o número elevado de crianças oriundas de países tropicais lusófonos – onde a incidência de parasitoses intestinais chega a ser 10% superior à do território português – são fatores de risco que não devem ser subestimados, alerta a pediatra, apologista da desparasitação pós-férias das crianças mais pequenas.

As principais formas de contágio por parasito­ses intestinais são através de água ou alimen­tos contaminados, por via fecal-oral.

Assim, as crianças tornam-se um dos principais alvos destes parasitas, “nomeadamente as que frequentam infantários/creches e as que ainda usam fralda, já que o contágio acontece mais fa­cilmente através das mãos das cuidadoras, caso não se verifiquem os cuidados de higienização das mãos adequados”.

Quem o diz é a Dr.ª Paula Garcia que, atendendo às vias de contágio, acrescenta que “o facto de ter animais domésticos também potencia a pos­sibilidade de contágio”. Para além disso, “a moda do sushi trouxe mais um fator agravante relativa­mente ao aparecimento de parasitas intestinais”, alerta a pediatra, explicando que “o peixe cru tem muitas vezes o Anisakis simplex, que só pode ser destruído pelo seu congelamento ou fervura, hábito que os nossos sushimen não têm, porque dizem que retira o sabor ao peixe”.

Outro fator a ter em conta, de acordo com a es­pecialista, é o facto de termos, em Portugal, um elevado número de crianças oriundas de países tropicais lusófonos, onde a taxa de parasitismo chega a ser 10% superior que em Portugal. Ainda segundo a médica, importa não esquecer que, “no caso dos viajantes que apareçam com sintomas, teremos sempre de ponderar outros agentes, que não os parasitas mais prevalentes em Portugal”.

ALBENDAZOL É EFICAZ CONTRA  O PARASITA MAIS PREVALENTE EM PORTUGAL

A prevalência de parasitoses intestinais em ter­ritório nacional é marcada pela falta de estudos recentes. De acordo com a Dr.ª Paula Garcia, “parece detetar-se uma progressiva diminuição da prevalência de helmintíases (enterobius ver­micularis, ascaris lumbricoides), mantendo-se a giardia lambdia como o parasita mais prevalen­te em Portugal”.

Em termos de sintomatologia, pode ser muito variável, sendo a forma de apresentação mais frequente a diarreia, cólicas, perda de peso, as­tenia, prurido anal e vulvovaginites (em crian­ças do sexo feminino), refere a pediatra, adian­tando que “por vezes, o quadro é mais difícil de diagnosticar, com sintomas mais subtis de fezes normais, alternando com fezes diarreicas, perda de peso e cólicas”.

No que concerne ao diagnóstico, a médica sa­lienta que no caso de existirem sintomas suges­tivos – prurido anal, vulvovaginites, agitação no­turna, diarreia, cólicas – deve fazer-se colheita de fezes para exame parasitológico (três amos­tras de preferência em dias alternados). Caso seja positivo, “deve tratar-se de acordo com o parasita isolado”; em caso negativo, “mas clínica sugestiva, deve tratar-se igualmente a criança e familiares, de modo a evitar as reinfestações”, esclarece a especialista.

Relativamente à terapêutica, a Dr.ª Paula Gar­cia sublinha que albendazol e mebendazol são ambos eficazes, nomeadamente em casos de ascaris lumbricoides ou de entamoeba. “Ainda que inicialmente só indicados a partir dos dois anos de idade, alguns estudos permitem garan­tir a sua segurança entre os 12 e os 24 meses”, adianta, sendo que “no caso do albendazol, a dose deve ser ajustada para metade”.

De acordo com a pediatra, apologista da des­parasitação pós-férias em crianças pequenas, “o albendazol tem a vantagem de ser administra­do em toma única, sendo igualmente eficaz na giardia”. No entender da médica, “o albendazol parece ser o melhor medicamento a utilizar como empírico, uma vez que é ativo contra a maioria dos parasitas intestinais”.

  • Profilaxia: para evitar reinfestações, os cuidados de higiene pessoal e a la­vagem dos legumes e frutas são a me­lhor forma de proteção. É fundamental o controlo das águas e a fertilização adequada dos solos, bem como cuida­dos com os animais domésticos.
  • No caso de crianças com Giarda devem manter-se fora dos infantários enquanto tiverem diarreia e todos os contactos sin­tomáticos deverão ser tratados.
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.