PEA em idade pediátrica: “Os problemas de sono não são transitórios, e têm um enorme impacto nos doentes e nas suas famílias”

26 Mar 2026

Núria Madureira,

“Cerca de 50 a 80% das crianças e adolescentes com perturbação do espectro do autismo [PEA] tem problemas de sono”, sendo o mais frequente “a insónia crónica”, indica Núria Madureira, assistente hospitalar graduada de Pediatria, com subespecialidade em Pneumologia Pediátrica e competência em Medicina do Sono. A especialista, responsável pela Consulta do Sono do Hospital Pediátrico da ULS de Coimbra, explica que “a relação entre a PEA e as perturbações do sono é multifatorial” e que “vários estudos mostraram diminuição dos níveis de melatonina em crianças com PEA”, “condicionando a regulação do ciclo sono-vigília”, com “claro compromisso na qualidade de vida” dos doentes e das suas famílias. Medidas de higiene do sono estão na primeira linha de abordagem, mas podem ser insuficientes quando a insónia já está estabelecida e a dificuldade em instituí-las leva a que, em muitos casos, a terapêutica farmacológica se torne imprescindível. Nesta entrevista, Núria Madureira partilha a sua boa experiência clínica com a administração de melatonina, em particular, com a mais recente formulação em libertação prolongada e a única que tem indicação formal para estes doentes.

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