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O estudo que coloca a Faculdade de Medicina de Coimbra (FMUC) como a pior do território continental no rácio entre estudantes e tutores médicos não põe em causa a qualidade do ensino, diz o diretor da instituição.

"É um estudo que faz a avaliação do índice de satisfação pedagógica, não de qualidade pedagógica, que é uma coisa diferente. Em termos de qualidade pedagógica e sucesso profissional dos licenciados pela Faculdade de Medicina de Coimbra eles estão na linha da frente", disse Duarte Nuno Vieira à agência Lusa.

O alerta sobre o número de estudantes nos hospitais que põe em risco a formação e a falta de tutores médicos para quem estuda em Coimbra dominaram ontem (8 de novembro) o encerramento do Congresso Nacional de Estudantes de Medicina, que decorreu naquela cidade.

As conclusões do estudo, promovido pela Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), revelam que os doentes que recorrem a hospitais afiliados de sete escolas médicas existentes no território continental (em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Covilhã) "podem encontrar, juntamente com o seu médico, em média, cerca de 08 estudantes".

O melhor rácio médio estudante-tutor, envolvendo estudantes do 3.º, 4.º e 5.º anos, ocorre na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (2,55 estudantes por tutor) e o pior na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), com 18,5 em média, mais de sete vezes o rácio do primeiro classificado e mais do dobro do sexto e penúltimo classificado.

Duarte Nuno Vieira sublinhou que os dados do estudo referem-se aos anos de 2011 a 2013, numa altura em que a FMUC estava já sem parte do seu espaço no velho edifício [polo I] e sem a totalidade das novas instalações [no polo III] construídas.

"O que está aqui em causa não é a qualidade pedagógica, é apenas a satisfação em termos das condições pedagógicas", frisou.

Duarte Nuno Vieira sublinhou que, sendo Coimbra das faculdades "que tem mais alunos a escolhê-la anualmente", o número de docentes assistentes para as aulas práticas "obviamente não é o desejável".

Questionado sobre o porquê da diferença de rácio para escolas em Lisboa ou Porto com números de estudantes de Medicina similares a Coimbra, apontou "constrangimentos económicos", frisando que, "porventura, a Universidade de Coimbra não tem tido o reforço orçamental que deveria ter para poder dar mais resposta e mais apoio" à FMUC, impedindo esta de contratar mais docentes.

Já o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, disse na sessão que "há gente a mais, batas brancas a mais nas instituições de saúde" em redor dos doentes.

"E isso colide com o direito dos doentes à tranquilidade e também com uma boa formação dos estudantes", afirmou.

Questionado sobre se em 40 anos nada mudou na FMUC em relação ao número de alunos que rodeiam um doente nas aulas práticas, José Manuel Silva admitiu que a situação "não melhorou rigorosamente nada", apontando como causa o aumento do ‘numerus clausus' que levou a que mais alunos tenham entrado nas faculdades de Medicina.

"A redução do ‘numerus clausus' também deve ser vista para beneficio do doente que está internado. É evidente que os alunos aprendem nos doentes, a aprendizagem nos doentes é absolutamente essencial. Ora, se não precisamos de formar tantos médicos, também devemos considerar a necessidade de redução de ‘numerus clausus' para não massacrar os doentes", alegou.

Para o bastonário a questão "tem a ver com a quantidade imensa de alunos que estão nas instituições de saúde" e não só com a falta de tutores médicos que se verifica, de acordo com o estudo, maioritariamente em Coimbra.

No entanto, disse desconhecer "o que se passa" na FMUC, remetendo a questão da falta de tutores médicos para a direção da faculdade "que está atenta, está preocupada, como o seu diretor disse, e quer resolvê-la", frisando que o estudo mostra "a necessidade de reduzir o número de alunos por tutor em Coimbra".

Lusa/Jornal Médico

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Vieira, Duarte Nuno

O catedrático Duarte Nuno Vieira, ex-presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal, foi distinguido com o prémio mundial Douglas Lucas Medal 2014, anunciou hoje a Universidade de Coimbra (UC).

Tratando-se da “mais alta distinção” no domínio das ciências forenses, o prémio vai ser entregue a Duarte Nuno Vieira durante o “20th World Meeting of the International Association of Forensic Sciences”, que decorrerá em Seul, na Coreia do Sul, em Outubro, segundo uma nota da Reitoria da UC.

Criado em 1999 pela Academia Americana de Ciências Forenses, o Prémio Douglas Lucas Medal é atribuído, de três em três anos, “a um especialista forense que se tenha destacado particularmente pela contribuição dada para o desenvolvimento das ciências forenses a nível internacional”, adianta.

Na sua decisão, aprovada por unanimidade, o júri realçou “o valioso trabalho desenvolvido pelo galardoado em diversos domínios das ciências forenses – e muito particularmente no âmbito da patologia e clínica forense – especialmente na defesa dos direitos humanos, bem como na organização de serviços médico-legais e forenses em vários países do mundo, e o forte impacto que o trabalho que concretizou até hoje teve na comunidade forense internacional”.

Citado na nota, Duarte Nuno Vieira, professor da Faculdade de Medicina de Coimbra, recebeu com “enorme surpresa e profunda emoção” a notícia da sua distinção “por um júri constituído pelos mais reputados e reconhecidos cientistas forenses internacionais”.

Entre os galardoados com o Prémio Douglas Lucas Medal, contam-se o britânico Alec Jeffreys (que descobriu a utilização do ADN para fins forenses), o norte-americano Clyde Snow (criador da antropologia forense e da sua aplicação aos direitos humanos) e o suíço Pierre Margot (considerado “a maior autoridade mundial no domínio da criminologia”).

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[caption id="attachment_5842" align="alignleft" width="300"]duaretenunovieira O também catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) foi presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) durante 13 anos, tendo contribuído para "a elevação da medicina legal e das ciências forenses a nível nacional e internacional", refere a deliberação da distinção, segundo um comunicado enviado pela reitoria da UC[/caption]

O Instituto Nacional de Medicina Legal distinguiu Duarte Nuno Vieira, presidente da instituição até Novembro de 2013, com a medalha de ouro pelo trabalho desenvolvido enquanto dirigiu a instituição.

O também catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) foi presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) durante 13 anos, tendo contribuído para "a elevação da medicina legal e das ciências forenses a nível nacional e internacional", refere a deliberação da distinção, segundo um comunicado enviado pela reitoria da UC.

A deliberação destaca a actividade de Duarte Nuno Vieira "nas áreas periciais, de formação e de investigação científica", assim como no âmbito da "protecção e promoção dos direitos humanos".

Duarte Nuno Vieira foi também "reconhecido com um voto de louvor pelo Conselho Médico-Legal" - um órgão de consultadoria técnico-científica -, refere a nota de imprensa.

O catedrático da FMUC encontra-se, de momento, no México, onde irá participar, a 17 de Janeiro, na "avaliação da qualidade dos relatórios periciais forenses produzidos aquando de alegações de tortura e de outros tratamentos", em conjunto com peritos do Reino Unido, num acordo entre a Procuradoria-Geral do México e a Amnistia Internacional.

O antigo presidente do INML Duarte Nuno Vieira cessou funções em Novembro, por decisão comunicada ao próprio pela ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz.

O INML tem a natureza de laboratório do Estado e está dotado de autonomia administrativa e financeira e de património próprio, tendo jurisdição sobre todo o território nacional.

Nos últimos anos, responsáveis do sector judiciário alertaram para atrasos na realização de perícias e exames por parte do INML, o que foi contestado pelo seu presidente, apesar do reconhecimento da falta de especialistas médicos em algumas zonas do país.

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Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.