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A investigadora irano-americana Mina Jahan Bissel, conhecida por ter revolucionado a forma como a comunidade científica entende actualmente o cancro, afirmou hoje no Porto que “não há maneira de erradicar o cancro por ser, sobretudo, uma doença ligada ao envelhecimento”.

“Podemos curar o cancro, mas não o conseguimos erradicar. Se conseguíssemos travar o envelhecimento, conseguiríamos erradicar o cancro”, afirmou.

A investigadora falava no simpósio “Understand cancer as a systemic disease: cancer is not just the tumour”, inserido no Módulo de Oncobiologia do Programa Graduado em Áreas de Biologia Básica e Aplicada, e realizado no âmbito dos 25 anos do Ipatimup. No encontro foi entregue o Mina Jahan Bissel Award – 2014 ao cientista norte-americano David Lyden.

Mina Bissel, que tem sido apontada como candidata ao Prémio Nobel da Medicina, lembrou que “à medida que homens e mulheres envelhecem começam a ter cada vez mais elevados risco de cancro da mama ou da próstata e a partir dos 50 anos a taxa de incidência aumenta muito mais”.

Especialista em cancro da mama, concentrou a sua investigação na chamada matrix extracelular (o complexo ambiente que está à volta de um tecido vivo) e na estrutura tridimensional das células, reconhecendo que “foi uma tese polémica” porque surgiu numa altura em que as atenções estavam focadas nos genes.

“Devido a esta tridimensionalidade descobrimos muitos medicamentos e muitas moléculas que as pessoas não sabiam que existiam” mas, na altura, “todos acharam que era maluca, por defender que o exterior da célula tem um papel dominante sobre o genoma, que o fenótipo é dominante sobre o genótipo”, disse.

Com essa descoberta, “agora sabemos que se quisermos compreender como é que o cancro evolui num determinado tecido face a outro é preciso compreender e questionar como é que eles se integram, porque o cancro resulta da falta de integração, que leva a mutações sucessivas”.

Segundo a investigadora, as células ‘conversam’ entre si, mas também com o seu ambiente exterior e vice-versa, num modelo que se faz mediante a troca de variados sinais, bioquímicos e mecânicos.

“Todos os genes têm um receptor de informação na sua matrix extracelular, por isso é que apesar de termos a mesma informação genética (genótipo) numa célula que encontramos no nariz, na boca ou num dedo, elas adquirem funções diferentes (fenótipo)”, explicou.

De acordo com a sua teoria, à medida que se vão tornando malignas as moléculas extracelulares perdem a sua forma e crescem desordenadamente, mas “se lhe juntarmos algumas moléculas saudáveis que inibem este mau desenvolvimento elas assumem a forma correcta mesmo mantendo-se o genoma maligno”.

Questionada sobre o facto de ser apontada como candidata ao Nobel da Medicina, Mina J. Bissel considerou que “aos comités do Prémio Nobel em geral é-lhes difícil premiar mulheres. Isso é certo, mas além disso, normalmente, vão atrás de uma descoberta isolada e eu fiz muitas descobertas ao longo do trabalho de uma vida”.

“Se o comité do Prémio Nobel quiser pensar nisso, teriam que pensar em tudo o que a pessoa fez, é um trabalho de uma vida que mudou o campo de investigação”, sublinhou.

E acrescentou: “Lutei durante muitos anos contra uma comunidade que não acreditava no que eu estava a dizer, mas agora quase todos o aceitam, alguns dizem até que era bastante óbvio, o que para mim é um grande elogio”.

O Prémio Mina J. Bissell foi instituído e atribuído à própria cientista irano-americana, especialista em cancro da mama, em 2008. Nesse mesmo ano, o prémio foi atribuído a Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud. Na sua segunda edição (2011) o distinguido foi Judah Folkman.

Em 2014 a escolha recaiu em David Lyden, um neuro-oncologista pediátrico, especialista em tumores cerebrais, e que tem centrado a sua investigação nos mecanismos através dos quais os tumores metastizam para diferentes partes do corpo, incluindo o cérebro.

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O neuro-oncologista pediátrico norte-americano David Lyden, especializado em tumores cerebrais, foi o vencedor da edição 2014 do Prémio Mina J. Bissell, atribuído pelo Ipatimup e pelo Programa Graduado em Áreas de biologia Básica e Aplicada da Universidade do Porto.

O prémio de excelência de carreira será entregue quarta-feira, no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup), durante o Simpósio “Understand cancer as a systemic disease: cancer is not just the tumour”, que contará com a participação de Lyden e da própria Mina Bissell.

A investigação de David Lyden, grande parte da qual desenvolvida enquanto investigador do Weill Cornell Medical College, tem-se centrado nos mecanismos através dos quais os tumores crescem e disseminam (metastizam) para diferentes partes do corpo, incluindo o cérebro.

Recentemente, Lyden descobriu que os tumores cerebrais podem enviar sinais, transportados por exossomas (nano-vesículas produzidas por todas as células do corpo humano), que levam certas células da medula óssea a multiplicarem-se e a migrarem até ao cérebro onde induzem a formação de novos vasos sanguíneos que alimentam o tumor.

O investigador está, por isso, a desenvolver anticorpos que interferem com essas células procurando perceber como será possível torná-las alvos terapêuticos.

David Lyden terá a oportunidade de explicar estes progressos na palestra – intitulada “What are exosomes and how they are changing our concepts of cancer and metastasis?” – que vai protagonizar durante o simpósio.

Destinado a figuras da Ciência que se tenham distinguido pelas suas carreiras de excelência, o Prémio Mina J. Bissell foi instituído e atribuído à própria cientista irano-americana, especialista em cancro da mama, em 2008. Nesse mesmo ano, o prémio foi atribuído também a Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud.

Mina J. Bissell é conhecida por ter revolucionado a forma como a comunidade científica entende o cancro. Já em 2008, quando recebeu o prémio com o seu nome deixou uma mensagem especial aos jovens estudantes e investigadores: “Confiem em vocês. Pensem sempre ‘out of the box’. Não ouçam os vossos professores, não liguem ao que eles dizem, ao que eu digo, ao sistema. Confiem no vosso instinto. Se não conseguirem financiamento – como eu não consegui durante 15 anos –, não se preocupem. Mais tarde ou mais cedo, verão que vale a pena. Têm só uma vida, aproveitem-na bem”.

A entrega do prémio está marcada para as 12H30 de quarta-feira.

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As autoridades de saúde francesas alertaram para o risco de cancro associado ao uso de próteses mamárias, depois de terem surgido no país vários casos de cancro em mulheres com implantes, noticiou hoje o jornal Le Parisien.

Segundo o diário francês, a Agência Nacional de Segurança do Medicamento (ANSM) vai promover uma reunião de especialistas nos próximos 10 dias para determinar se há necessidade de alterar a regulamentação do uso destes implantes, admitindo mesmo a sua proibição.

"Se tivermos que proibi-las, é o que faremos", adiantou o director-geral-adjunto da ANSM, François Hébert, que, numa entrevista ao Le Parisien, explicou que nos últimos três anos foram detectados 18 casos de linfoma anaplásico de células grandes (LACG) em mulheres com implantes, tendo uma das doentes morrido.

Em todo o mundo há conhecimento de 173 casos deste tipo de linfoma, que, segundo Hébert, "parece associado às próteses mamárias" e que não se declarou em mulheres que não as têm.

Ainda que se trate de um risco aparentemente reduzido, tendo em conta as 400 mil mulheres que têm implantes em França, os responsáveis de saúde decidiram como primeira medida obrigar os médicos a alertarem as mulheres para este novo risco, enquanto esperam pelo relatório dos especialistas da ANSM sobre o assunto.

A partir da análise dos 18 casos de LACG detectados em França, foi possível perceber que os cancros foram diagnosticados em média entre 11 a 15 anos depois da colocação dos implantes, ainda que num dos casos tenha sido diagnosticado apenas dois anos depois da colocação.

As mulheres afectadas tinham idades entre os 42 e os 83 anos e 14 das 18 tinham próteses do fabricante norte-americano Allergan, que tem uma quota de 30 por cento do mercado francês de próteses mamárias.

Os responsáveis da Allergan, que confirmam estar a participar em discussões com a ANSM sobre este assunto, sublinham a transparência do procedimento, adiantando que o número de casos é muito reduzido para poder tirar conclusões.

Segundo Hébert, não foi detectada qualquer anomalia nas inspecções dessa marca feitas no período 2012-2013, ressalvando que há que "analisar os dados com cuidado" porque muitas mulheres usaram ao longo dos anos próteses de vários fabricantes.

Numa nota de 4 de Março, o Instituto Nacional do Cancro de França (INCA) pede aos médicos que façam um rastreio a este linfoma ao menor sinal, pois, "existe claramente uma ligação entre esta patologia e o uso de um implante".

Os especialistas suspeitam que o problema não está no conteúdo, mas no revestimento do implante.

Hébert recordou o escândalo das próteses do fabricante francês PIP, que trocava o gel autorizado para os implantes por outro mais barato, o que frequentemente causava a ruptura dos implantes.

O fabricante francês foi condenado judicialmente em 2013.

"O escândalo Poly Implant Prothèse mostrou que podia haver perigo. Por isso estamos muito atentos a este tema", assinalou Hérbert.

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Cientistas identificaram 15 novas variações genéticas que aumentam o risco de cancro da mama, revelou ontem um estudo publicado na revista Nature Genetics.

O estudo eleva para 90 a quantidade de "pontos quentes" do ADN humano, em que a variação do código genético está ligada ao desenvolvimento da doença.

Equipas do Instituto para a Investigação do Cancro, de Londres e da Universidade de Cambridge, ambos no Reino Unido, analisaram o material genético de mais de 120 mil mulheres descendentes de europeus, das quais algumas tiveram cancro da mama.

Os dados recolhidos permitiram identificar 15 novos polimorfismos de nucleotídeo simples, variações de uma só base de ADN (material genético) que aumentam o risco de cancro da mama.

"Estamos perto do momento em que podemos começar a estabelecer qual o risco de uma mulher herdar cancro da mama, a partir de testes para diversas variações genéticas", afirmou um dos co-autores do estudo, Montserrat García-Closas, professora no Instituto para a Investigação do Cancro.

Segundo a investigadora, a descoberta pode facilitar o desenvolvimento de novos testes de avaliação do risco de cancro, ao acrescentar um novo painel de marcadores genéticos.

"Cada um dos marcadores tem um pequeno efeito sobre o risco de se ter a doença, mas, combinando a informação de muitos, poderemos identificar com precisão que mulheres podem desenvolver cancro da mama e adoptar estratégias para preveni-lo", defendeu Montserrat García-Closas.

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O Centro de Radioterapia dos Açores, que começou a ser construído hoje em Ponta Delgada, estará a funcionar a 31 de Dezembro, com capacidade para tratar 500 doentes por ano, evitando a deslocação de pacientes oncológicos para o continente.

Instalada nos terrenos junto ao hospital de Ponta Delgada, em São Miguel, a unidade terá uma área de implantação de mais de mil metros quadrados, com zona de exames de planeamento dos doentes, área da física e 'bunkers' de radioterapia onde serão colocados os equipamentos, num investimento de cerca de sete milhões de euros.

A empreitada de construção do edifício tem como prazo para conclusão da obra 31 de Dezembro de 2015 e, segundo anunciou hoje o secretário regional da Saúde, o Centro de Radioterapia vai ter um pólo na ilha Terceira.

Na cerimónia de lançamento da primeira pedra do Centro de Radioterapia dos Açores, Joaquim José Chaves, responsável pela empresa projectista (Joaquim Chaves Saúde), disse que a unidade "terá capacidade para tratar numa fase inicial cerca de 500 novos doentes por ano" e vai criar "20 postos de trabalho directos numa primeira fase".

O Centro de Radioterapia dos Açores estava inicialmente previsto como parceria público-privada, mas depois de ter sido recusado por duas vezes o visto do Tribunal de Contas, o executivo regional abandonou esta ideia, passando o projecto a ser um investimento privado.

“Entre avanços e recuos, entre notícias e pressões, entre concursos falhados e explicações difíceis de aceitar mantivemos o nosso rumo e a nossa vontade sem que nunca, em momento algum, nos possa ser atribuída qualquer responsabilidade pelo calvário que foi chegar até aqui”, disse Joaquim José Chaves.

O secretário regional da Saúde, Luís Cabral, sublinhou que se trata de "um projecto de interesse regional", porque irá "corrigir uma falha de oferta nos cuidados de saúde" nos Açores e é "um passo decisivo para servir melhor os açorianos e reforçar as condições do Serviço Regional de Saúde".

Apesar dos “avanços” e “recuos” do processo de construção do centro, o titular pela pasta da Saúde no Governo dos Açores destacou que a unidade “vai permitir aos açorianos dispor de infra-estruturas adaptadas à prestação e cuidados de saúde modernos de elevada componente tecnológica e de grande diferenciação médica" e permitindo aos doentes oncológicos realizar tratamentos "mais perto de casa e das suas famílias".

"É um projecto privado que é reconhecido como projecto de interesse regional e que conta com o apoio do Governo dos Açores no âmbito do sistema de incentivos ao investimento privado", indicou, acrescentando que o empreendimento "será comparticipado pelo Governo Regional com 2,7 milhões de euros, de acordo com o programa SIDER [Sistema de Incentivos para o Desenvolvimento Regional dos Açores] dos quais cerca de 500 mil euros são reembolsáveis".

Em Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, Luís Cabral adiantou ainda que a ilha Terceira terá um polo do Centro de Radioterapia dos Açores no Hospital de Santo Espirito, onde será instalado o serviço de braquiterapia, uma das técnicas de radioterapia.

“Nas situações de braquiterapia serão feitos os tratamentos a nível local na ilha Terceira, sem ter que haver essa deslocação”, acrescentou, aos jornalistas, Luís Cabral, adiantando que vão também beneficiar deste tratamento "os habitantes dos outros grupos" de ilhas abrangidos pelo hospital da Terceira, um desdobramento do projecto que "já estava previsto no Projecto de Interesse Regional que tinha sido aprovado pelo Governo Regional".

Quanto aos valores do tratamento, já convencionados, Luís Cabral disse, em declarações aos jornalistas, que depende do tipo da terapia, “simples ou complexas" e que se "aproximam dos nacionais".

 

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doentecancro

O Governo anunciou hoje um investimento de 40 milhões de euros para tratamento de doentes oncológicos nos Institutos Portugueses de Oncologia (IPO) de Lisboa, Porto e Coimbra, sendo metade do valor fornecido pela tutela e a outra por fundos comunitários.

O anúncio foi feito hoje, Dia Mundial do Cancro, em comunicado, pelo Ministério da Saúde, no qual lembra que esta doença é a principal causa de morte prematura antes dos 70 anos e, no conjunto das causas de mortalidade em todas as idades, ocupa o segundo lugar depois das doenças cérebro-cardiovasculares.

Para assinalar a efeméride, o Ministério da Saúde anunciou que este ano estão previstos investimentos para a área oncológica, designadamente para as unidades dos IPO de Lisboa, Coimbra e Porto superiores a 40 milhões de euros.

“Uma parte deste investimento já será realizado graças à capacidade de autofinanciamento das unidades, outra, por candidatura a fundos comunitários, e outra parte, ainda, através da injecção de capital do Estado, até 20 milhões de euros a realizar este ano”, indica a tutela.

O ministério lembrou que, em 2014, os principais investimentos nos três IPO rondaram os oito milhões de euros.

Em comunicado, o ministério realça que o Programa Nacional para as doenças Oncológicas é considerado prioritário e os principais programas de prevenção primária, a luta contra o tabagismo a a promoção de alimentação saudável, estão actualmente organizados em programas autónomos.

O ministério lembra também que várias acções vão ser levadas a cabo com o financiamento pelos jogos sociais no valor global de 350.000 euros.

De acordo com o ministério, as previsões para Portugal apontam para um acréscimo de 12,6% de novos casos, estimando-se que, à semelhança de 2014, este ano morram por cancro mais de 20.000 pessoas.

Liga satisfeita com investimento anunciado pelo Governo no cancro, mas alerta que verbas não chegam

O presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro manifestou-se hoje satisfeito com o anúncio do governo de um investimento de 40 milhões de euros para o tratamento oncológico, apesar de considerar que as verbas nunca são suficientes.

“As verbas nunca são suficientes para a luta contra o cancro, mas é muito bom saber que há um investimento adicional de 40 milhões de euros, vemos isso com muita satisfação”, disse Francisco Cavaleiro Ferreira, em declarações à agência Lusa.

No dia Mundial do Cancro, o presidente da Liga adiantou que a luta contra a doença em Portugal “está difícil”, lembrando que se trata de uma patologia “muito difícil, que tem vindo a aumentar nos últimos anos e que, tudo indica, continuará a aumentar no futuro”.

De acordo com Francisco Cavaleiro Ferreira, actualmente, “um em cada quatro portugueses tem ou vai ter a doença”, prevendo-se que em 2030 os dados sejam de “um em cada três”.

Segundo o responsável, estes dados têm a ver com hábitos de vida, com a longevidade das pessoas, que vivem cada vez mais anos.

Cavaleiro Ferreira lembrou que em Portugal são detectados 50 mil casos por ano e morrem cerca de 25 mil pessoas.

Francisco Cavaleiro Ferreira considerou que a dificuldade na prevenção da doença é o facto de “não existir cura”, embora reconheça que as “taxas de sobrevivência já são assinaláveis”.

“É preciso as pessoas estarem informadas e cientes do que é a doença e não a recearem. Há que desmistificar a doença, e a Liga faz um esforço grande na prevenção primária de informação e esclarecimentos”, explicou.

Para o presidente da Liga, as pessoas devem estar “alertadas para certos sinais no seu corpo”, além de terem cuidados de hábitos de vida, como a alimentação e o desporto, relembrando que sempre que puderem façam rastreios, já que se trata de “pequenos passos importantes na luta contra o cancro”.

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Oito em cada 10 mulheres fazem rastreios regulares do cancro do colo do útero, segundo uma sondagem hoje divulgada, que alerta contudo para o facto de cerca de 16,8 por cento das mulheres nunca ter feito uma citologia.

Das 800 mulheres inquiridas, com idades entre os 30 e os 60 anos, 83,1 por cento responderam fazer citologias, e destas 93,5% dizem fazê-lo de forma regular.

A maioria (59,8%) afirmaram fazer o exame uma vez por ano e 24,8% de dois em dois anos.

O estudo global foi promovido pelo Programa Nacional de Doenças Oncológicas, decisão tomada depois de dados terem revelado uma diminuição da adesão das mulheres aos rastreios do cancro do colo do útero realizados pelas administrações regionais de saúde, em que a população alvo é convidada a fazer o rastreio.

O director do Programa Nacional de Doenças Oncológicas, Nuno Miranda, que hoje apresentou os dados no Instituto Português de Oncologia, no âmbito da Semana Europeia da Luta Contra o Cancro do Colo do Útero, considera "muito positivos" os dados obtidos com o estudo global, que inclui também os rastreios feitos nas consultas privadas.

"São dados que explicam e justificam a diminuição da mortalidade" por este tipo de cancro, cuja taxa caiu de 3,30 em 2011, para 2,80 em 2012, disse Nuno Miranda aos jornalistas.

A sondagem revela ainda que 16,8% das inquiridas nunca fez uma citologia, sendo que destas 18% aponta como motivo para a não realização do exame "não saber como proceder".

"Temos alguma população ainda para cobrir e preocupa-nos a população mais desfavorecida do ponto de vista social porque essas serão as que terão mais dificuldade em chegar a meios fora do rastreio organizado", disse Nuno Miranda.

Os principais locais apontados para a realização do rastreio foram sobretudo os centros de saúde (53,8%), mas o estudo não conseguiu estabelecer se o maior número de respostas afirmativas está relacionado com a existência de médico de família.

Os médicos privados foram responsáveis pela realização de 39,5% dos rastreios.

"Podemos dizer que na região onde consideramos que há menos população com médico de família, o Algarve, existe também menor taxa de cobertura, mas quando vamos ver todas as regiões não encontramos uma relação directa", disse Nuno Miranda.

Por regiões, é no Algarve que as mulheres menos afirmam ter realizado citologias (61%) e na região norte onde mais dizem fazer o exame (89,8%).

Em Lisboa, onde ainda não foi implementado um rastreio organizado, a percentagem de mulheres que afirmou ter realizado rastreio atinge os 85%, sendo a segunda maior a nível nacional.

Questionado sobre a influência da vacina contra o HPV [Vírus do Papiloma Humano], contemplada no Plano Nacional de Vacinação em Portugal desde 2008, na diminuição da mortalidade por cancro do colo do útero, Nuno Miranda adiantou que esses resultados ainda não são visíveis.

"A vacinação ainda não é responsável por esta redução. Esperamos ver isso dentro de cinco anos, mas não consideramos que a vacinação seja uma alternativa ao rastreio. As mulheres vacinadas também têm que ser rastreadas", sublinhou.

Nuno Miranda adiantou que o cancro do colo do útero já não é dos que mais mata em Portugal e, segundo o especialista, a mortalidade pode ser "reduzida quase a zero".

Anualmente são diagnosticados em média mil novos casos de cancro do colo do útero em Portugal.

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DATA: 27 a 28 de Março

LOCAL: Porto

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É urgente desburocratizar os Cuidados de Saúde Primários
Editorial | Jornal Médico
É urgente desburocratizar os Cuidados de Saúde Primários

Neste momento os CSP encontram-se sobrecarregados de processos burocráticos inúteis, duplicados, desnecessários, que comprometem a relação médico-doente e que retiram tempo para a atividade assistencial.