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quinta-feira, 26 junho 2014 11:55

O cancro “nunca será completamente erradicado”

Células Cancro

Uma equipa internacional liderada por um investigador da Universidade de Kiel, na Alemanha, admitiu a possibilidade de o cancro “nunca ser completamente erradicado”.

Citado pela revista Nature Communications, Thomas Bosch, cuja equipa apresentou os mais recentes resultados de uma pesquisa sobre a origem do cancro, afirmou que “o cancro é tão antigo quanto a vida multicelular na Terra e provavelmente nunca será completamente erradicado".

Segundo a publicação, há anos que Thomas Bosch e os seus colegas fazem investigações à volta do tema e agora fornecem provas de que “os tumores, de facto, existem em animais primitivos e evolutivos”.

"Agora nós descobrimos pólipos portadores de tumor em duas espécies diferentes de hidra, um organismo muito semelhante aos corais", afirmou Thomas Bosch, que estuda as células estaminais e da regulação do crescimento de tecidos em Hidra, um pólipo de idade filogenética.

Utilizando métodos e bases de dados bio informacional, os cientistas Tomislav Domazet-loso e Diethard Tautz do Instituto Max Planck de Biologia Evolutiva em Plön, que há anos também têm investigado a origem do gene do cancro, e que participaram no estudo.

"Os nossos dados previam que os primeiros animais multicelulares já tinham a maior parte dos genes que podem causar cancro em seres humanos", disse Tomislav Domazet-loso, embora a publicação científica considere que, até agora, não há evidências de que estes animais possam, na verdade, sofrer de tumores.

Segundo a publicação, não há evidências de que a compreensão dos mecanismos moleculares de formação de tumores nestes animais seja simples.

A equipa de investigadores também fez o rastreio da causa celular dos tumores ao longo de todo o eixo do corpo e, pela primeira vez, foi capaz de demonstrar que as células estaminais, que são programadas para a diferenciação sexual, acumulam-se em grandes quantidades e não são removidas, naturalmente, com a morte celular programada.

Segundo a Nature Communications, estes tumores afectam apenas a hidra feminina e lembram cancros de ovário em seres humanos.

“Quando realizamos análises moleculares mais detalhados dos tumores encontramos um gene que se torna activo no tecido tumoral e que normalmente impede a morte programada da célula”, explicou Alexander Klimovich da Universidade de Kiel e co-autor do estudo.

Os cientistas demonstraram igualmente que as células tumorais são invasivas, ou seja, se forem introduzidas num organismo saudável podem provocar o crescimento do tumor. "A característica invasiva das células cancerosas é também uma característica de idade evolutiva", considerou Alexander Klimovich.

“A nossa pesquisa reconfirma que os animais primordiais como pólipos Hidra fornecem uma enorme quantidade de informações para nos ajudar a entender os problemas tão complexos como o cancro. O nosso estudo também faz com que seja improvável que ´a guerra contra o cancro' proclamada em 1970 possa jamais ser vencida. No entanto, conhecer as origens do seu inimigo é a melhor maneira de combatê-lo e ganhar muitas batalhas", disse Thomas Bosch.

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INE

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), hoje divulgados, mais de metade das mortes em Portugal são causadas por patologia de foro oncológico e por doenças cardiovasculares, com os tumores malignos a registarem um aumento nos últimos anos.

Divulgado no âmbito do Dia Mundial da Saúde, que hoje se comemora, o relatório do INE, mostra que, entre 2002 e 2012, os casos de cancro aumentaram e ultrapassaram os 23% no total das causas de morte.

De acordo com os mesmos dados, só em 2012, morreram uma média de 70 pessoas por dia em Portugal por tumores malignos e, em 10 anos, a taxa bruta de mortalidade aumentou 14,1%.

Já as doenças do aparelho circulatório representaram no último ano analisado mais de 30% do total dos óbitos no país. Ainda assim, a taxa bruta de mortalidade destas doenças diminuiu 21%.

Com peso relevante no total de mortes surgem também as doenças respiratórias e a diabetes, que representam, respectivamente, 13% e 4,5% do total de óbitos registados, onde o nosso país regista uma “situação mais grave do que a observada ao nível da União Europeia a 28”. Na década estudada, as doenças respiratórias apresentaram um crescimento continuado no total de óbitos: 8,6% entre 2002 e 2004 e 11% entre 2005 e 2010.

Comparativamente, ao nível europeu verificou-se uma estabilização da proporção destas mortes entre 2002-2010, numa variação entre 7,5% das mortes e os 8%.

Os dados do INE revelam ainda que o atendimento em serviço de urgência quase duplicou numa década nos hospitais privados, que registaram também um reforço do número de camas de internamento, ao contrário dos hospitais públicos que perderam três mil camas.

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Leucemia

Uma equipa internacional de investigadores descobriu que uma determinada alteração cromossómica aumenta em 2.700 vezes o risco de um subtipo de leucemia aguda com mau prognóstico.

O estudo publicado na revista Nature, a que a Lusa teve hoje acesso, descreve os mecanismos cromossómicos que estão subjacentes a um subtipo de leucemia aguda com mau prognóstico, caracterizada pelo aumento do número de cópias (amplificação) de genes do cromossoma 21.

Esta investigação internacional teve a participação do Serviço de Genética do IPO do Porto e revela que “os indivíduos que são portadores de uma fusão entre os cromossomas 15 e 21 têm uma predisposição muito aumentada (2.700 vezes) para aquele tipo de leucemia”.

“Este risco aumentado relaciona-se com o facto de aquele cromossoma alterado ter dois centrómeros, o que faz com que possa ser puxado simultaneamente para as duas células filhas durante a divisão celular. Este processo origina várias quebras cromossómicas que resultam em alterações genéticas mais complexas que depois originam a leucemia”, explicou o director do Serviço de Genética do IPO/Porto, Manuel Teixeira.

Esta descoberta “ajuda a perceber que quem tem estas alterações cromossómicas, que são herdadas, tem maior predisposição para este tipo de leucemia, permitindo, assim, que as pessoas fiquem mais atentas e possam fazer uma vigilância mais apertada”, disse Manuel Teixeira.

Os portadores dessa anomalia genética, “poderão fazer uma espécie de rastreio (uma análise ao sangue) regularmente para garantir que a doença é detectada o mais cedo possível, permitindo-lhes iniciar o tratamento precocemente”. O investigador Manuel Teixeira salientou que “não é certo que todos os indivíduos com esta alteração cromossómica venham a sofrer de leucemia, embora o risco seja muito elevado”.

Este trabalho mostra ainda que as pessoas que não têm aquela alteração cromossómica podem também desenvolver este tipo de leucemia por um mecanismo cromossómico ligeiramente diferente, mas a probabilidade de tal ocorrer é muito inferior.

A leucemia linfoblástica aguda é o tipo de cancro mais comum em crianças e o subtipo de leucemia associada a amplificação de genes do cromossoma 21 representa cerca de 2% dos casos.

Os tipos de leucemia mais comuns em crianças estão associados a outras alterações cromossómicas identificadas anteriormente e apresentam taxas de sobrevivência acima de 90%, mas o subgrupo causado por amplificação de genes do cromossoma 21 têm ainda relativamente mau prognóstico.

Por não ser uma alteração muito comum, o investigador explicou que foi necessário reunir vários casos, envolvendo a participação de laboratórios do Reino Unido, França, Bélgica, EUA e Portugal.

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InvestigaçãoUma equipa de cientistas australianos acredita ter descoberto a forma como as células cancerígenas enganam o sistema imunológico do organismo, levando-o a pensar que são inofensivas, noticiou ontem a cadeia australiana SBS.

A descoberta permite uma maior compreensão da forma como os glóbulos brancos, distinguem as células inofensivas das doentes e poderá levar ao desenvolvimento de novos tratamentos para os cancros mais agressivos e avançados, segundo o investigador principal do projecto, Mark Smyth.

"Diz-nos algo que não sabíamos antes. E tem também implicações nos vírus", disse Smyth, do Instituto Berghofer de Investigação Médica de Queensland (QIMR/Queensland Institute of Medical Research – Berghofer), na Austrália.

"Essencialmente mostra que o cancro 'sequestra' o sistema de reconhecimento e activação imunológica, o que lhe permite espalhar-se pelo corpo", acrescentou, considerando a descoberta "muito entusiasmante".

"Passei grande parte da minha carreira a tentar convencer as pessoas de que o sistema imunológico reage ao cancro", sublinhou, acrescentando: "O nosso trabalho é importante, mas é apenas uma pequena parte do retrato completo".

Os investigadores identificaram uma proteína conhecida como CD96, que se encontra nos glóbulos brancos e que tem como função evitar que estas células ataquem os tecidos saudáveis. Contudo, os cientistas descobriram que as células cancerígenas emitem uma molécula, reconhecida pela CD96, que impede a reacção dos glóbulos brancos.

A equipa conseguiu provar a sua teoria com experiências em laboratório. O próximo passo é fazer testes em células humanas. "Se resultar, faz sentido desenvolver anticorpos para bloquear a proteína CD96", disse Smyth, cuja descoberta foi publicada no jornal Nature Immunology.

"A imunoterapia revolucionou o tratamento do cancro. Algumas pessoas estão a sair dos tratamentos curadas", sublinhou.

O director do QIMR Berghofer Research Institute, Frank Gannon, adiantou que este progresso é o resultado de muitos anos de trabalho.

"É a coisa mais entusiasmante que vi nos últimos 20 anos", disse, adiantando que, dentro de cinco anos, será possível fazer testes em humanos.

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conceito - estetoscopioUma nova abordagem para destruir células cancerígenas que usa o sistema imunitário do próprio doente levou à remissão completa da leucemia em 14 dos 16 doentes adultos submetidos ao ensaio realizado nos Estados Unidos.

Este ensaio clínico, publicado no jornal científico Science Translational Medicine, envolveu 16 pessoas com um tipo de cancro no sangue denominado de leucemia linfoblástica aguda tipo B.

Catorze doentes tiveram uma remissão completa depois de células T serem geneticamente modificadas para que se focassem na erradicação do cancro.

Os doentes, com uma média de idades de 50 anos, eram todos considerados terminais, depois de terem tido uma recaída ou terem descoberto que a quimioterapia já não estava a funcionar.

Como acontece nalguns cancros tratáveis, os doentes com este tipo de leucemia acabam, por vezes, por tornar-se resistentes à quimioterapia.

De acordo com Renier Brentjens, o principal autor do estudo, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, sem esta terapia apenas 30% dos doentes responderiam à quimioterapia.

O processo envolvido neste ensaio clínico passa pela remoção das células T dos doentes, que são alteradas geneticamente para que possam atacar o cancro.

“O que fazemos é reeducar as células T em laboratório para reconhecer e matar as células cancerígenas”, explicou Renier Brentjens.

Depois de 15 anos de trabalho na tecnologia que permite esta modificação de células, “parece que está realmente a funcionar em doentes com este tipo particular de cancro”.

No ano passado, a equipa de Brentjens tinha anunciado os primeiros resultados considerados promissores em cinco adultos que tinham atingido a remissão completa.

Este tipo de tratamento insere-se na imunoterapia, que foi considerada pela revista Science como o avanço mais significativo de 2013.

 

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idosos3A coordenadora do Registo Oncológico Nacional (ROR-Sul) alertou hoje para o aumento dos casos de cancro do cólon nos homens que em 2030 serão quase o dobro dos registados em 2008.

Ana Miranda falava no simpósio sobre oncologia que decorre no Hospital da Luz, no âmbito do Congresso Clínico Internacional Leaping Forward, durante o qual divulgou os últimos dados deste registo, que abrange metade da população portuguesa.

Segundo Ana Miranda, o cancro do cólon conta do “top 10”, ocupando a terceira posição, num “ranking” liderado pelo cancro da mama.

Entre os países da União Europeia – numa lista em que não consta a Grécia por actualmente não dispor de registo oncológico – Portugal ocupa o quarto lugar dos países com mais novos casos de cancro do cólon.

Em Portugal, a taxa de incidência deste carcinoma nos homens passou de 35,52 por cem mil habitantes em 1998 para 43,58 em 2009. Nas mulheres, o aumento foi de 22,86 por cem mil habitantes em 1998 para 25,64 em 2009.

Em 2030, o aumento dos casos vai prosseguir, sendo maior nos homens que terão quase o dobro dos cancros do cólon do que os registados em 2008.

Em 2008, foram registados 1.277 novos casos de cancro do cólon nos homens, número que deverá ser de 2.385 em 2030. Nas mulheres, os 942 casos em 2008 deverão subir para 2.323 em 2030.

O cancro da mama continua a ser o que regista maior número de casos novos - 2.993 em 2009 – sendo o que mais atinge as mulheres, segundo Ana Miranda.

A coordenadora do Registo Oncológico Nacional (ROR-Sul) destaca a “estabilidade” neste carcinoma, que passou de 85,85 casos por cem mil habitantes em 1998 para 96,98 em 2009.

O cancro da próstata, que lidera os carcinomas nos homens, baixou de 86,87 (por cem mil habitantes) em 1998 para 85,37 em 2009.

Ao nível do cancro na traqueia, brônquios e pulmão, Ana Miranda referiu que existiu uma certa estabilidade no período em análise (1998-2009), excepto para as mulheres.

Nas mulheres a incidência deste cancro quase duplicou: 6,86 por cem mil habitantes em 1998 para 12,46 em 2009.

O decréscimo da incidência do cancro do estômago na região do ROR-Sul, a estabilidade do carcinoma do recto e o aumento do melanoma (cancro da pele) foram outros dos dados revelados por Ana Miranda.

 

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heloisaapoloniaO partido ecologista "Os Verdes" questionou hoje o primeiro-ministro sobre uma série de casos de cancro na Direcção-Geral de Energia e Geologia, alegadamente surgidos devido a exposição a amianto no local de trabalho.

"Isto é uma incúria grave", acusou a deputada Heloísa Apolónia, referindo-se a uma caso hoje noticiado pela TSF, que revela que os funcionários públicos da referida direcção geral estão alarmados com os casos de cancro recentes na entidade, 19 no total, tendo pedido a mudança de instalações.

Actualmente a trabalhar num edifício na Avenida 05 de Outubro, em Lisboa, os trabalhadores pediram a mudança de instalações, com o secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, a dizer à TSF que já deu ordens para que se troquem de instalações mas que devido à crise financeira do Estado a renda do novo edifício não poderá ser superior à que é paga hoje.

O primeiro-ministro disse esta manhã no debate quinzenal no parlamento desconhecer o "caso particular" apontado por Heloísa Apolónia, garantindo que se iria informar sobre o mesmo e prometendo acelerar o processo de inventariação dos edifícios com amianto.

"É verdade que relativamente ao inventário que necessitava de ser feito, esse inventário ainda não está realizado. E é verdade que as insuficiências de natureza financeira nos têm impedido de poder desempenhar de forma mais diligente estas obrigações", assumiu o líder da coligação PSD/CDS-PP.

"A resposta que o senhor primeiro-ministro deu é grave. Ela já foi ouvida da boca de outros membros do Governo, e não apenas por membros deste Governo", declarou depois a parlamentar d' "Os Verdes", reclamando maior acção e rapidez na inventariação dos edifícios. "Peço-lhe, por favor, acção", apelou Heloísa Apolónia.

 

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[caption id="attachment_6381" align="alignleft" width="300"]peixezebra Os peixes zebra são considerados uma das melhores espécies para se investigar sobre os genes humanos, porque os seus órgãos desenvolvem-se de maneira parecida[/caption]

Um estudo com peixes zebra identificou um novo oncogene, a proteína UHRF1, capaz de gerar cancro do fígado, revela hoje um estudo publicado na revista Cancer Cell.

Os peixes zebra são considerados uma das melhores espécies para se investigar sobre os genes humanos, porque os seus órgãos desenvolvem-se de maneira parecida.

No estudo, os cientistas, nomeadamente do Instituto de Investigações Biomédicas August Pi i Sunyer do Hospital Clínico de Barcelona, em Espanha, descobriram que a proteína UHRF1 e a sua exposição excessiva estão implicadas no desenvolvimento do carcinoma hepatocelular.

Nos humanos, a UHRF1 manifesta-se em excesso em 40 a 50 por cento dos doentes com cancro do fígado e está associada a um mal prognóstico.

O carcinoma hepatocelular é um tipo de cancro do fígado que representa cerca de 80 por cento dos tumores hepáticos malignos.

Após seis anos de trabalho, os investigadores, não só de Espanha, mas também do Reino Unido e dos Estados Unidos, identificaram, pela primeira vez, a proteína UHRF1 como um oncogene - gene relacionado com o aparecimento de tumores - combinando um modelo de cancro em peixe zebra, com dados de tumores humanos.

No estudo, 75 por cento dos 300 peixes zebra expostos em excesso a UHRF1 desenvolveram tumores em 20 dias, tendo os cientistas identificado uma sobreexposição ao mesmo oncogene em quase 50 por cento dos doentes com cancro do fígado, analisados, com pior prognóstico.

 

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É urgente desburocratizar os Cuidados de Saúde Primários
Editorial | Jornal Médico
É urgente desburocratizar os Cuidados de Saúde Primários

Neste momento os CSP encontram-se sobrecarregados de processos burocráticos inúteis, duplicados, desnecessários, que comprometem a relação médico-doente e que retiram tempo para a atividade assistencial.