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O serviço telefónico de auxílio à cessação tabágica só deverá arrancar em 2017, via Linha Saúde 24, estando os utentes atualmente apenas a ser encaminhados para os cuidados primários, adiantou hoje o enfermeiro coordenador daquele apoio.

Mais de um ano após a primeira data anunciada pelo Governo para o arranque da linha de cessação tabágica, e após sucessivos adiamentos, este serviço de apoio, via Linha Saúde 24, que deveria fazer um acompanhamento telefónico das pessoas ao longo no tempo, só deverá arrancar em 2017.

Em declarações hoje à agência Lusa, o coordenador da Linha, Sérgio Gomes, explicou que o que existe atualmente é o atendimento via Linha Saúde 24 (808 24 24 24) e depois um reencaminhamento para os serviços de saúde primários.

“Está tudo a trabalhar como previsto, ou seja, a Linha Saúde 24 está a receber chamadas (…) para outras situações, mas também para a cessação tabágica e, tal como a lei prevê, a chamada é transferida para um grupo de enfermeiros que faz uma pré-triagem, pré-avaliação, sendo depois dada orientação sobre programas disponíveis nos serviços de saúde, neste caso nos cuidados primários”, explicou.

Sérgio Gomes salientou que “havia uma expectativa anterior que tinha a ver com o atendimento e acompanhamento telefónico, que ainda não vai ser implementado”.

“O que estamos a fazer é aplicar a lei 109, na transposição da diretiva. Os utentes podem ligar o número da Saúde 24, que consta nos maços de tabaco, para saber quais os programas de cessação tabágica que existem nos centros de saúde”, sublinhou.

O coordenador da linha avançou que o serviço de apoio de acompanhamento telefónico que deverá arrancar em 2017 “vai existir sempre “dentro do centro de atendimento do SNS”.

A partir de hoje começam a ser vendidos maços de tabaco com imagens chocantes e frases de alerta.

As novas regras para a venda de tabaco constam de legislação publicada em agosto passado em Diário da República e que entrou em vigor no início de janeiro, determinando que as embalagens de produtos de tabaco para fumar (como cigarros, tabaco de enrolar e tabaco para cachimbo de água) devem apresentar “advertências de saúde combinadas”, incluindo texto e fotografias a cores.

A linha de cessação tabágica foi anunciada pela primeira vez no fim de agosto de 2014, com data prevista de arranque para final do mês seguinte (setembro).

No final de novembro, o então secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, anunciou para o início de 2015 o arranque da linha de cessação tabágica, bem como a revisão da lei do tabaco.

Em abril desse ano, a linha ainda não estava a funcionar e o Ministério da Saúde anunciou novamente o seu arranque para o dia 31 de maio, Dia Mundial Sem Tabaco.

No entanto, no final desse mês foi tornado público pela tutela que a linha de cessação tabágica ficaria afinal a aguardar a lei do tabaco, para fazer coincidir o seu lançamento com a publicação da legislação.

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Cigarro - 05

Quatro em cada cinco alunos que fumam querem deixar o hábito, mas não procuram ativamente ajuda, revela um estudo que analisou os comportamentos tabágicos dos jovens portugueses do terceiro ciclo e do secundário.

O estudo, apoiado pela Direção-Geral da Saúde, decorreu no ano letivo 2013/2014 e envolveu cerca de 4.000 alunos de 31 escolas do país, numa amostra representativa da população portuguesa.

Quando questionados sobre se pensam deixar de fumar, 20% dos jovens disseram que não, “dados muito próximos dos que encontramos nos adultos, onde, em geral, os estudos indicam que cerca de 70% dos fumadores querem deixar de fumar”, disse Paulo Vitória, coordenador do estudo e professor da Universidade da Beira Interior.

Os dados, que serão apresentados hoje no VII Congresso Internacional de Psicologia da Criança e Adolescente, apontam também que apenas 15% dos jovens disseram que nunca tentaram reduzir ou deixar de fumar, “o que sugere que existe potencial em termos de ajuda”.

“Os jovens precocemente manifestam descontentamento com o facto de fumarem e manifestam a intenção de reduzir ou deixar de fumar”, mas “não partem para a ação, não procuram ajuda, mas isso é normal nesta faixa etária”, disse o investigador.

Mesmo que os jovens pensem deixar de fumar, não lhes ocorre que podem pedir ajuda a um médico, uma situação que exige “mais proatividade dos profissionais de saúde”, que devem ir às escolas e explicar aos jovens que podem beneficiar de ajuda médica, “uma coisa que não se faz”.

“Quando muito vamos à escola fazer prevenção na perspetiva de evitar ou atrasar a iniciação, mas raramente vamos à escola com o objetivo de ajudar os jovens a deixar de fumar”, frisou.

Segundo Paulo Vitória, “os profissionais de saúde, em geral, quando trabalham na cessação tabágica desistem desta faixa etária com o argumento de que os jovens nesta faixa etária não procuram ajuda”, um preconceito que é preciso combater.

O estudo demonstrou também a necessidade de encontrar estratégias mais eficazes para a prevenção do tabagismo.

“Quando perguntamos coisas simples aos jovens como se está de acordo com a afirmação que fumar prejudica a saúde”, cerca de 10% disseram estar em total desacordo.

Estes jovens podiam responder não sei, mas respondem estar em desacordo, o que quer dizer que têm “uma opinião formada”, baseada “em crenças erradas, mas que para os jovens são crenças definidas”.

Para Paulo Vitória, estes dados reforçam a necessidade de um trabalho de “prevenção de continuidade a iniciar precocemente, o mais tardar no terceiro ciclo”, que deve ser realizado por professores e profissionais da saúde.

Os resultados do estudo confirmam ainda que a iniciação tabágica dispara entre o 7.º e o 9.º ano.

No 7.º ano, cerca 70 a 80% dos jovens nunca fumaram um cigarro, uma percentagem que baixa para os 40% no 9.º ano.

Estes dados demonstram que “é fundamental colocar barreiras à iniciação tabágica”, disse Paulo Vitória, lembrando que a iniciação precoce é uma “forte determinante do comportamento, do hábito e da dependência que pode verificar-se dois, três, quatro anos mais tarde”.

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terça-feira, 01 março 2016 11:54

Tabaco matou mais de 32 pessoas por dia em Portugal

Cigarro - 05

O consumo de tabaco matou mais de 32 pessoas por dia em 2013, tendo sido a primeira causa de morte em Portugal, mas no geral o número de fumadores tem vindo a diminuir, segundo um relatório hoje apresentado.

De acordo com o relatório “Portugal – Prevenção e Controlo do Tabagismo em Números 2015”, da Direção-Geral da Saúde (DGS), os últimos dados disponíveis sobre a mortalidade associada ao tabaco revelam que fumar foi a primeira causa de morte em Portugal em ambos os sexos, correspondendo a quase 11% do total de óbitos.

As estimativas do Institute for Health Metrics and Evaluation, citadas no relatório da DGS, apontam para mais de 12 mil óbitos em Portugal devido ao tabaco, incluindo a exposição passiva ao fumo.

Entre as mortes ocorridas devido ao consumo de tabaco, mais de metade foram em consequência de cancro e doenças respiratórias.

No total, o consumo de tabaco foi responsável por 21% do total de mortes por cancro, 31% das mortes por doenças respiratórias, 9% de óbitos por doenças do aparelho circulatório, 2,5% das mortes por diabetes e 10% do total de óbitos por tuberculose.

O relatório sublinha ainda que uma em cada cinco mortes ocorridas em pessoas com idades entre os 45 e os 64 anos são atribuíveis ao tabaco.

No que respeita à perda de anos de vida saudável devido ao tabaco, nos homens esta situação é provocada principalmente pelas neoplasias, seguidas das doenças do aparelho circulatório e as respiratórias crónicas.

Entre as mulheres, verifica-se que em primeiro lugar, na perda de anos de vida saudável, estão as doenças do aparelho circulatório, seguidas das respiratórias crónicas e só então as neoplasias.

No entanto, é em particular no sexo masculino que ocorre maior perda de anos vividos com saúde.

O relatório aponta ainda para a estimativa de 400 mortes por exposição ao fumo ambiental, em 2013, embora refira que este tipo de mortalidade “registou uma descida assinalável nos últimos anos”.

Ainda assim, em 2014, 8,6% da população com mais de 15 encontrava-se exposta diariamente ao fumo ambiental do tabaco, principalmente nos espaços de lazer (38,3%), em casa (31%) e no local de trabalho (20,5%).

Em descida está também o consumo global do tabaco, que registou uma ligeira diminuição (de 20,9% para 20%) nos consumidores com mais de 15 anos, entre 2005/2006 e 2014.

A prevalência de consumidores diários baixou quase 2 pontos percentuais (de 18,7% para 16,8%) e a percentagem de ex-fumadores aumentou quase 6 pontos percentuais (de 16,1% para 21,7%).

Discriminando por sexo os consumidores diários, o relatório revela que enquanto os homens estão a diminuir (de 27,5% para 23,5%), as mulheres estão a aumentar, ainda que ligeiramente (de 10,6% para 10,9%).

“Como nota menos positiva, a percentagem de pessoas que nunca fumaram diminuiu quase 5 pontos percentuais, de 62,9%, em 2005/2006, para 58,2% em 2014, o que traduz um aumento da experimentação do consumo”, sublinha o documento.

Este facto permite concluir que a redução na prevalência do consumo de tabaco foi conseguida sobretudo à custa do aumento do número de pessoas que deixaram de fumar.

A este propósito, o relatório revela que 92,1 por cento dos residentes em Portugal que deixaram de fumar fizeram-no sem qualquer apoio, enquanto 3,6% afirmaram ter recorrido a apoio médico ou a medicamentos.

O número de locais de consulta para apoio à cessação tabágica aumentou 10% entre 2013 e 2014, invertendo a tendência que se registava nos últimos anos.

Relativamente ao número de consultas realizadas para deixar de fumar, tem aumentado desde 2010, “com um crescimento assinalável em 2014”.

De acordo com o documento, o número de consultas subiu de 19.620 em 2010 para 22.358 em 2013, tendo depois dado um salto em 2014, para 26.008.

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Cigarro - 05

A proposta de lei do governo sobre o tabaco, que prevê a proibição de fumar em todos os espaços públicos fechados, foi aprovada hoje com votos favoráveis dos partidos da maioria.

A favor da proposta de lei, que ainda vai ser analisada em sede de comissão parlamentar de saúde, votaram PSD e CDS e ainda o deputado socialista Manuel Mota.

PS, PCP, Bloco de Esquerda e Partido Ecologista Os Verdes abstiveram-se, tal como a deputada do CDS Cecília Meireles.

O único voto contra foi o da deputada socialista Isabel Moreira.

A proposta de lei do governo, que transpõe duas directivas da União Europeia, determina a proibição de fumar nas áreas com serviço em todos os estabelecimentos de restauração e de bebidas, incluindo nos recintos de diversão, nos casinos, bingos, salas de jogos e outro tipo de recintos destinados a espectáculos de natureza não artística.

A proposta de lei tem previsto um período de moratória de cinco anos, até 2020, para se adaptarem os espaços públicos que investiram em obras para serem espaços com fumo.

Sobre os cigarros electrónicos, os que contêm nicotina passarão também a estar proibidos nos espaços públicos fechados.

Quanto aos maços de tabaco, a proposta prevê que continuem a ter advertências de saúde, passando a ser obrigatória a menção “Fumar mata – deixe já” e “O fumo do tabaco contém mais de 70 substâncias causadoras de cancro”.

Os maços passam ainda a ter uma fotografia a cores em ambos os lados, de uma lista de imagens onde figuram, por exemplo, um bebé com uma chupeta e cigarro na boca, um bebé numa incubadora, uma criança junto a uma lápide num cemitério ou um casal junto a um caixão de criança.

As imagens nos maços de tabaco levaram hoje a oposição a questionar a eficácia da medida, uma questão que deverá suscitar uma discussão pormenorizada quando o diploma for analisado na comissão parlamentar de saúde.

Ainda em relação à proposta de lei, no que respeita ao tabaco para cachimbos de água (narguilé), visto por vezes como menos nocivo, passa a ser abrangido por este regime de rotulagem, para evitar que os consumidores sejam induzidos em erro.

Contudo, prevê-se que possam ser comercializados até Maio de 2017 os maços rotulados nos termos da actual lei, desde que tenham sido produzidos ou importados para Portugal até 20 de Maio de 2016.

Pretende-se ainda proibir a venda de tabaco com aromatizantes “tais como filtros, papéis, embalagens, cápsulas ou quaisquer características técnicas que permitam modificar o odor ou o sabor dos produtos do tabaco em causa ou a intensidade do seu fumo”.

“Os produtos do tabaco com aromas distintivos passam a ser proibidos, sendo aplicável um período transitório até 20 de Maio de 2020, a contar da data da entrada em vigor da lei que resultar da presente proposta de lei, para os aditivos usados em produtos do tabaco cujo volume de vendas na União Europeia seja superior a 3 %, como é o caso do mentol”, refere ainda a proposta.

Os maços deixam ainda de poder usar termos como “light”, “suave”, “natural” ou “slim” para “não induzir os consumidores em erro, em particular os jovens, ao sugerir que esses produtos são menos nocivos”.

Organizações pedem alteração à Lei do Tabaco

Organizações Não-Governamentais representativas da sociedade civil na Luta contra o Tabagismo, apelam ao Parlamento para que melhore a proposta de alterações à lei de protecção ao fumo do tabaco apresentada pelo governo.

Precisamos de uma legislação baseada na evidência de saúde pública e no bem-estar e saúde dos cidadãos e não na salvaguarda dos interesses comerciais a fim de travar o tabagismo e proteger a saúde da população portuguesa.

O Movimento, que reúne dezenas de organizações, tem feito chegar desde anteontem a todos partidos e deputados da Assembleia da República (AR) um apelo à criação de espaços 100% livres de tabaco, sem excepções e de imediato, assim como a introdução das imagens nos maços de tabaco no mais curto espaço de tempo possível, no âmbito da discussão sobre as alterações à "Lei do tabaco”.

A Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo (COPPT), o Movimento das ONG Portuguesas pelo Controlo do Tabagismo (Mov.T), o Centro de Apoio, Tratamento e Recuperação (CATR) e a Comissão de Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, unidas à frente deste movimento que tem o apoio de muitas outras ONG, apelam à alteração do texto da proposta de lei como última opção e oportunidade de salvaguardar os princípios da lei que pretende proteger efectivamente a saúde dos cidadãos do fumo do tabaco, destacando que nenhuma das ONG que defendem o bem-público e os interesses dos cidadãos foi ouvida durante o processo que o governo empreendeu para elaborar essa proposta, mas que nos últimos meses, o governo consultou outras entidades do sector comercial e serviços, com interesses particulares, para formular a proposta.

Segundo Sofia Ravara, uma das coordenadoras do Movimento “A lei, tal como está, prejudica a saúde pública e reforça as desigualdades em saúde, é uma lei fraca, permissiva e desadequada”.

Segundo dados de um estudo populacional de 2012 a esmagadora maioria dos portugueses (86%) são a favor de uma proibição total de fumar em todos os locais públicos sem excepções.

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tabaco

A directora da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, apelou hoje para uma “acção global” para acabar com a indústria tabaqueira e elogiou os progressos mundiais feitos na luta contra o tabagismo.

Falando na Conferência Mundial do Tabaco, que decorre na capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi, Margaret Chan felicitou os vários países, como a Austrália, que introduziram embalagem simples nos pacotes de cigarros, exortando outros Estados a adoptarem a mesma decisão.

A responsável da agência da ONU assinalou que as empresas de tabaco “usam todo tipo de tácticas, incluindo o financiamento de partidos políticos e de políticos individualmente para trabalhar para elas” e que “não há nada que não explorem para prejudicar os governos na sua determinação de proteger o próprio povo”.

"Vai ser uma luta dura” mas “não devemos desistir até termos a certeza de que a indústria tabaqueira acabou", assegurou Margaret Chan.

Em 2014, a OMS lançou novas orientações, no âmbito da Convenção Quadro de Controlo do Tabaco, a exortar os Estados membros da ONU a aumentarem os impostos que incidem sobre produtos derivados do tabaco, produto que anualmente mata cerca de seis milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a agência.

"O tabagismo caiu em vários países maioritariamente graças às medidas legislativas”, afirmou Margaret Chan, apontando o mais recente relatório da OMS, em que se demonstra que a proporção de homens que fumam registou uma queda em 125 países.

Para a directora geral da OMS, ser não fumador "está a tornar-se uma norma”.

"Estamos felizes por ver esse progresso em tantos países”, disse à AFP à margem da conferência, onde instou as nações que produzem folhas de tabaco para "se moverem mais rápido” no combate ao tabagismo, estabelecendo parcerias com a Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO) e a OMS.

Na véspera da preparação da Conferência das Partes da Convenção Quadro para o Controlo do Tabaco da OMS (COP6), que decorreu em Outubro último na Rússia, diversos produtores africanos de tabaco mostraram-se alarmados com a suposta exclusão dos governos de África nos debates sobre políticas ligadas à indústria tabaqueira.

“As pessoas que definem estas políticas estão completamente alheadas da realidade e não conseguem reconhecer o contributo económico positivo da produção de tabaco em África”, disse na altura o presidente da Associação Internacional de Produtores de Tabaco (ITGA, sigla em inglês), François van der Merwe.

Aquele responsável afirmou que os produtores do Zimbabué, do Maláui, da Zâmbia, do Quénia e da África do Sul consideravam o tabaco “uma cultura de elevado valor comercial e bastante adequada à agricultura de pequena escala, tendo mudado para melhor a vida de muitos agricultores africanos”, pelo que os produtores exigiam a sua inclusão nos debates da OMS sobre as políticas do sector.

Até 2025, a OMS pretende reduzir para 30 por cento o consumo de tabaco, pelo que Margaret Chan afirmou que, apesar de uma queda no número de fumadores em muitos países é necessário fazer muito mais para conter a prática do uso de tabaco.

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Cigarro - 05

O Governo quer rever a lei do tabaco, reduzir em 2% os fumadores até 2016, aumentar o número de consultas de apoio intensivo para deixar de fumar e promover o aumento anual do preço do tabaco.

Estas são algumas das recomendações constantes do relatório da Direcção-geral da Saúde (DGS) “Portugal – Prevenção e Controlo do Tabagismo em Números 2014”, que é hoje apresentado em Lisboa.

Uma das recomendações é no sentido de promover a revisão da lei do tabaco, transpondo uma directiva europeia aprovada em Abril, com o objectivo de controlar o tabaco, garantindo a protecção da saúde e promovendo uma redução sustentada do consumo, em particular nos jovens.

Neste contexto, haverá alterações de rotulagem, de ingredientes e de comercialização dos produtos do tabaco e serão adoptadas medidas restritivas de proibição de fumar em locais de trabalho e outros locais fechados.

Alguns dos principais objectivos do Governo são reduzir a prevalência do consumo de tabaco (diário ou ocasional) na população com 15 ou mais anos em pelo menos 2%, até 2016, e eliminar a exposição ao fumo ambiental do tabaco.

A DGS recomenda também que seja definida uma rede de referenciação de apoio intensivo à cessação tabágica, que garanta uma resposta equitativa e ajustada às necessidades de saúde da população a nível de todos os agrupamentos de centros de saúde (ACES).

A medida visa criar “pelo menos uma consulta de apoio intensivo em todos os ACES que ainda não atingiram esse objectivo”.

Além disso, o Governo considera necessário melhorar a formação pré e pós-graduada dos profissionais de saúde na realização de intervenções breves e reduzir os custos das terapêuticas de cessação tabágica, para aumentar o incentivo dos fumadores para deixar de fumar.

Promover o aumento anual dos preços dos produtos do tabaco é outra das medidas em vista, dado tratar-se de uma medida de “reconhecida efectividade na redução do consumo, em particular nos jovens e nos grupos populacionais com menores recursos económicos”, bem como “adoptar medidas fiscais que possam ser consignadas ao combate ao tabagismo e ao tratamento das suas consequências”.

A DGS recomenda ainda que se melhore a monitorização do consumo de tabaco, que se desenvolva um sistema de informação para melhorar o conhecimento sobre o consumo e a exposição ao fumo ambiental e que se crie um módulo clínico para registo das intervenções breves e das actividades realizadas nas consultas de apoio intensivo à cessação tabágica.

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Figueiredo,Ana_SPP

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) quer mais consultas de cessação tabágica nos hospitais e centros de saúde para acabar com as listas de espera de meses que os fumadores têm de esperar para deixar de fumar.

Além disso, defende um maior envolvimento dos médicos de Medicina Geral e Familiar na prevenção e no encaminhamento dos seus doentes para as consultas de cessação tabágica.

“Existe uma lista de espera significativa nas consultas de cessação tabágica. É precioso disseminar as consultas para que haja maior acessibilidade da população. Não é compreensível que quem quer deixar de fumar esteja meses à espera”, disse à Lusa o médico Robalo Cordeiro, presidente da SPP.

Por isso, considera fundamentais os cuidados de saúde primários, pois é a este nível “que a prevenção faz sentido”. “O médico de família é o que tem maior proximidade com o doente conhece-o numa perspectiva global e é nessa perspectiva que o tabaco deve ser abordado e não apenas na vertente da doença respiratória”, defende. Também porque o tabaco é uma questão de saúde pública e por isso faz sentido a proximidade dos cuidados primários.

Para Robalo Cordeiro, é preciso aumentar a acessibilidade e a facilidade de recurso a essas consultas. “Não existe um número suficiente de consultas para permitir acesso de todos doentes”, sublinhou, descartando a possibilidade de centrar a consulta para deixar de fumar no médico de família.

Este é importante para o aconselhamento, para a prevenção, para o encaminhamento e para uma intervenção breve, mas deve haver a consulta específica e diferenciada, mesmo porque se trata de uma “consulta peculiar, uma intervenção dirigida, que exige formação específica”, destacou o médico.

Ana Figueiredo, presidente da Comissão de Tabagismo da SPP considera que “é fundamental tratar a dependência tabágica de uma forma multidisciplinar. Deixar de fumar é um processo que envolve inúmeras áreas da saúde passando pela Pneumologia, Psicologia até à Nutrição”.

Para este grupo de trabalho da SPP “é necessário questionar todos os fumadores quanto aos seus hábitos tabágicos e ser firme no que toca ao combate ao tabagismo. Seria importante que uma intervenção fosse realizada ao nível dos Cuidados de Saúde Primários, incutindo nos médicos de família a preocupação de orientar e motivar os fumadores para as consultas de cessação tabágica”.

A prevalência do tabagismo em Portugal é baixa, situando-se nos 23%, segundo dados do Eurobarómetro 2013, mas estudos portugueses apontam para um aumento da prevalência nos jovens, uma preocupação que leva a Comissão de Tabagismo a manter-se firme no que toca ao combate de qualquer forma de consumo de nicotina e a apostar na formação na área da cessação tabágica.

Apesar destes dados, o tabagismo continua a ser um tema pouco debatido e pouco ensinado, em todas as áreas da saúde. Em Portugal tem havido um esforço importante no sentido de aumentar o número de consultas de Cessação Tabágica, quer a nível hospitalar, quer dos Centros de Saúde, mas é no entanto notoriamente insuficiente, havendo ainda regiões do país em que o número de consultas é muito baixo ou mesmo inexistente.

Para Carlos Robalo Cordeiro “a luta contra o tabagismo tem sido uma das preocupações da Sociedade que tem mobilizado todos os meios para levar a cabo as mais eficazes políticas de prevenção das doenças respiratórias que têm no tabaco a principal causa”.

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[caption id="attachment_5625" align="alignleft" width="300"]tabaco Durante os últimos 32 anos, quatro países – Canadá, Islândia, México e Noruega – reduziram em mais de 50% a proporção de fumadores nas suas populações. Mas um forte aumento da população mundial desde 1980 contribuiu para um aumento global de 41 % nos homens e de 7% nas mulheres que fumam diariamente[/caption]

A proporção da população mundial que fuma diminuiu desde 1980, mas o número de fumadores tem aumentado significativamente devido ao crescimento demográfico, de acordo com um estudo divulgado dia 7.

Em 187 países, a prevalência de fumadores diminuiu 42 % entre as mulheres e 25% entre os homens no período 1980-2012, diz o estudo realizado pelo Institute for Health Metrics e Avaliação (IHME) da Universidade de Washington, publicado numa edição especial do Journal of the American Medical Association dedicada ao tabagismo.

Esta série de investigação assinala o 50.º aniversário do primeiro relatório dos Estados Unidos sobre Tabagismo e Saúde, de Janeiro de 1964.

Durante os últimos 32 anos, quatro países – Canadá, Islândia, México e Noruega – reduziram em mais de 50% a proporção de fumadores nas suas populações. Mas um forte aumento da população mundial desde 1980 contribuiu para um aumento global de 41 % nos homens e de 7% nas mulheres que fumam diariamente.

Em 2012, a prevalência do tabagismo era mais elevada entre os homens do que entre as mulheres em quase todos os países, com excepção da Suécia.

Mais de 50% dos homens fumam diariamente em vários países, incluindo Timor-Leste (61%), Rússia (51%), Indonésia (57%) e Arménia (51,7%).

A proporção da população feminina que fuma ultrapassa os 25 % em países como a Áustria (28,3 %), França (27,7 %), Chile (26 %), e Grécia (34,7 %).

A menor prevalência de fumadores do sexo masculino está nos Barbados, São Tomé e Nigéria, enquanto a Eritreia, Camarões e Marrocos são os países onde a proporção de mulheres fumadoras é mais baixa (menos de 1 %). "Apesar dos progressos muito significativos contra o tabagismo ainda há muito a fazer", disse Christopher Murray, director do IHME.

Mais pessoas fumam actualmente do que na década de 1980, numa altura em que a população aumenta e os cigarros ganham popularidade em países como a China, Índia e Rússia.

Por exemplo, a China tinha em 2012 quase mais 100 milhões de fumadores do que há três décadas, apesar da sua taxa de tabagismo ter caído de 30% para 24% nesse período, indica o estudo.

De acordo com o documento, a taxa de fumadores do sexo masculino era de 41% em 1980, mas desde então caiu para 31%. Entre as mulheres, a estimada prevalência do fumo diário de tabaco era 10,6% em 1980, e em 2012 caiu para 6,2%.

"Esta desaceleração na tendência global foi em parte devido ao aumento do número de fumadores desde 2006 em vários países populosos como o Bangladesh, China, Indonésia e Rússia", segundo o estudo.

A China tinha 182 milhões de fumadores em 1980, e perto de 282 milhões em 2012.

A Índia ganhou 35 milhões de fumadores – para um total de 110 milhões – apesar da taxa de tabagismo ter diminuído de 19% para 13% da população.

A Rússia, onde um terço da população é fumadora, somou um milhão de fumadores desde 1980. Globalmente, o número de fumadores cresceu de 721 milhões em 1980 para 967 milhões em 2012.

O número de cigarros fumados por ano também subiu 26% nas últimas três décadas.

De acordo com o estudo mais recente da Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo é responsável por 5,7 milhões de mortes por ano em todo o mundo, excluindo o fumo passivo.

 

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Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.