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Marcelo Rebelo de Sousa prometeu hoje fazer voluntariado no Hospital de Santa Maria quando terminar o seu mandato como Presidente da República e deixou uma crítica indireta à porta-voz do Bloco de Esquerda (BE) sobre trabalho voluntário.

"De quando em vez ouve-se uma ou outra voz na sociedade portuguesa, um pouco estranha, quase aberrante, a dizer: não é bom haver trabalho voluntário, deve haver prioridade ao trabalho pago", declarou Marcelo Rebelo de Sousa, na sessão comemorativa dos 20 anos da Associação dos Amigos do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

A 17 de abril, em Coimbra, a propósito da precariedade no mercado laboral português, porta-voz do BE, Catarina Martins, afirmou que "trabalho voluntário é uma treta" e defendeu que só deve existir "quando houver pleno emprego" em Portugal: "Até lá, só contratos de trabalho".

Nesta sessão no Hospital de Santa Maria, o chefe de Estado elogiou quem faz voluntariado, considerando que "a disponibilidade para os outros rejuvenesce" e é "a única forma de verdadeira realização pessoal".

"O trabalho voluntário, o voluntariado de que falamos vai para além da atividade profissional de muitos e, noutros casos, representa uma forma própria, autónoma, de realização pessoal que não tem a ver com atividades profissionais desenvolvidas no passado", acrescentou.

Antes de intervir, Marcelo Rebelo de Sousa foi desafiado para ser voluntário na Associação dos Amigos do Hospital de Santa Maria quando deixar a chefia do Estado.

O Presidente aceitou o desafio, sugerindo que só fará um mandato de cinco anos: "Está aceite. Cá estarei, convosco. É esperarem cinco anos, não é tanto assim".

No seu discurso, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que pertence "há muito tempo aos chamados voluntários informais", no domínio dos cuidados paliativos, noutras unidades de saúde.

"Tenho a exata noção do mérito da vossa atividade, e penso que ela é exemplar na sociedade portuguesa. Esse espírito é fundamental em todos os domínios da sociedade portuguesa: a abertura aos outros, a disponibilidade para os outros, o serviço dos outros, o ser capaz de ultrapassar os egoísmos", defendeu.

Em tom de brincadeira, durante a sua intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa disse que "o cargo de Presidente da República é às vezes uma forma de voluntariado", com "extraordinárias horas que ultrapassam aquilo que seria o estrito entendimento do exercício das funções".

"Não imaginam o que implica de compaixão, de atenção, de solidariedade, de capacidade para entender e para apoiar e para secundar, 24 horas por dia", descreveu, fazendo rir a assistência.

Está aceite o convite para depois do voluntariado político voltar a dedicar-me, e aí formalmente, ao voluntariado formal neste hospital", acrescentou.

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Hospital Santa Maria
O presidente de Santa Maria garantiu hoje que o seu hospital nunca foi contactado por São José para receber o jovem que morreu com um aneurisma, apesar de inicialmente ter tido a informação de que recusou ajuda que lhe foi pedida.

Ouvido hoje na comissão parlamentar de Saúde, a pedido do PCP, Carlos Martins explicou que pôs imediatamente o lugar à disposição porque foi contactado pelo ministro que lhe disse que “o presidente da Administração Regional de Saúde [ARS] se demitiu e que havia outras duas pessoas na mesma situação” [os presidentes dos hospitais de Santa Maria e São José].

O caso de David Duarte, que morreu na madrugada de 14 de dezembro após ter dado entrada no São José com um aneurisma roto, está hoje a ser apreciado na comissão parlamentar de saúde.

O presidente do conselho de administração do Hospital de Santa Maria entendeu então deixar total liberdade ao ministro para tomar as medidas que entendesse necessárias.

Até porque, acrescentou, nesse dia [22 de dezembro] “ao final de tarde, os dados disponíveis pelo ministro eram de que Santa Maria tinha sido acionado e não tinha respondido”.

Carlos Martins terá tomado por boa essa informação, mas à noite (nesse mesmo dia), o diretor de serviço disse-lhe “que Santa Maria não tinha disso acionado”, facto de que o presidente do Conselho de Administração disse ter provas.

O responsável deu ainda a entender que teria tido resposta para o jovem se tivesse sido contactado, já que desde 2008 aquele hospital dispõe de um sistema que funcionou sempre e que consiste numa “escala voluntária”, em que os profissionais sabem que podem ser chamados para comparecer no hospital e que têm um pagamento percentual estipulado

“De acordo com o relatório que solicitei, não temos nenhum registo de falha neste período de tempo, nenhum registo de morte ou recusa de qualquer profissional de comparecer no hospital em caso de necessidade. É essa a prática, diria que quase corrente, em Santa Maria”, afirmou.

O responsável sublinhou que “até prova em contrário, o sistema montado desde 2008 funcionou: prevenções para resposta quando necessário”.

Lusa

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Adalberto_Campos_Fernandes
O PS e o PCP aprovaram hoje um requerimento para ouvir o ministro da Saúde e os dirigentes da saúde demissionários na sequência da morte de um jovem com um aneurisma roto no Hospital de São José, em Lisboa.

O requerimento do PCP foi aprovado na Comissão Parlamentar de Saúde, com as abstenções do PSD e do CDS, disse fonte do grupo parlamentar comunista, acrescentando que o Bloco de Esquerda não estava presente.

O requerimento solicitava a audição urgente do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e dos demissionários presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa, Cunha Ribeiro, e presidentes dos conselhos de administração dos centros hospitalares de Lisboa Norte (CHLC), Carlos Martins, e de Lisboa Central (CHLC), que inclui o hospital de São José, Teresa Sustelo.

Em causa está a morte de David Duarte, de 29 anos, que deu entrada no hospital de São José numa sexta-feira a necessitar de “uma intervenção da área da neurocirugia", tendo acabado por não ser "intervencionado porque a equipa especializada neste tipo de intervenção, ao invés de estar ao serviço no hospital, como as boas práticas clínicas assim o exigiram, encontrava-se em situação de prevenção”.

O PCP lamenta que “apesar desta situação ser conhecida das várias entidades” só depois da morte do rapaz e da notoriedade adquirida pelo acontecimento é que os responsáveis “apresentaram a demissão”, tendo também posto o cargo à disposição o “Presidente do Conselho de Administração do centro Hospitalar de Lisboa Norte, que inclui o hospital de Santa Maria, por ter os mesmo problemas e as mesmas limitações”.

Para os comunistas, “esta situação não se desliga do desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde”, da “retração da sua capacidade de resposta”, da “desvalorização dos profissionais de saúde e das suas carreiras”.

O requerimento do grupo parlamentar do PCP foi assim justificado com a “gravidade da situação, que contraria plenamente todo o discurso propagandístico do anterior executivo quanto à capacidade de resposta do SNS,” e com a necessidade de debater as “consequências da política e das opções do anterior executivo”.

Lusa

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laço
Já arrancou o primeiro projeto do Fundo iMM Lisboa-Laço: A Caminho da Cura, uma parceria inovadora entre o Instituto de Medicina Molecular (iMM Lisboa) e a Associação Laço. Pioneiro em Portugal, este estudo tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento de tecnologia diagnóstica que permita tratar o cancro da mama com maior precisão.

Em comunicado, as duas instituições explicam que “o estudo consiste em pesquisar, em mulheres diagnosticadas com cancro da mama, um conjunto de alterações moleculares que até agora não eram objeto de análise”. Dentro de um ano os investigadores esperam poder demonstrar que estes novos testes poderão ser úteis para personalizar o tratamento e assim obter melhores resultados na luta contra esta doença, informa ainda a nota enviada às redações.

Maria do Carmo Fonseca, professora da Faculdade de Medicina e investigadora do iMM Lisboa, na área de biologia molecular e Luís Costa, diretor do Serviço de Oncologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria) serão os responsáveis pela seleção das mulheres que irão participar no estudo, assim como pelas decisões sobre o tratamento futuro destas doentes. Na fase inicial vão participar no estudo 90 mulheres seguidas na consulta de Oncologia do Hospital de Santa Maria.

“A Caminho da cura”

De acordo com os dados divulgados, o estudo tem como alvo dois grupos distintos de doentes: mulheres às quais foi detetado cancro da mama em fase inicial e mulheres com diagnóstico de cancro da mama metastático.

No primeiro grupo levanta-se a questão sobre o tipo de tratamento que poderá vir a ser aplicado a estas mulheres. Importa por isso fazer uma análise das moléculas presentes no tecido tumoral de cada uma delas e poder informar o clinico sobre o tipo de alterações detetadas. Com base nestas alterações é possível fazer uma previsão mais precisa do risco de recidiva, ou seja calcular uma probabilidade destas mulheres virem a desenvolver fases mais avançadas de cancro. Assim, a informação molecular obtida pode ajudar o médico a decidir se deve ou não prescrever quimioterapia para além de outros tratamentos que estejam indicados.

Em relação ao grupo de mulheres às quais foi diagnosticado cancro da mama metastático, a identificação de uma alteração molecular tratável pode significar um aumento na expectativa de sobrevivência assim como da qualidade de vida destas doentes. Existem cada vez mais medicamentos inovadores, mas é fundamental saber que doente vai beneficiar de um determinado tratamento. Conhecer em detalhe a composição molecular de um cancro aumenta a oportunidade de escolher o medicamento mais eficaz, mais preciso para aquele tumor e, talvez, evitar expor a doente a terapêuticas menos apropriadas e com maior toxicidade.

Na fase inicial vão participar no estudo 90 mulheres seguidas na consulta de Oncologia do Hospital de Santa Maria.

O Fundo iMM Lisboa-Laço: A Caminho da Cura contou com um donativo da Laço de 75 mil euros e espera receber mais apoio financeiro por parte de outras entidades de modo a permitir que mais mulheres possam beneficiar deste tipo de investigação.

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HospitalGarciadeOrta2

As listas de espera para determinadas operações no Hospital Garcia de Orta, em Almada, vão reduzir-se quase para metade por influência de um protocolo assinado na passada sexta-feira, dia 24 de julho, entre o Hospital e o Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN).

O protocolo permite que determinadas operações (tiroide, hérnia abdominal e vesícula) a doentes do Hospital Garcia de Orta possam ser feitas no Hospital de Santa Maria ou no Hospital Pulido Valente (do CHLN), baixando em 100 dias as listas de espera, disse à Lusa o presidente do Conselho de Administração do Garcia de Orta.

“Esperamos chegar aos 150 dias”, disse Daniel Ferro à Agência Lusa após a assinatura do protocolo, esclarecendo que a média atual é superior a 200 dias. O protocolo vai permitir “retirar 1.300 doentes das listas de espera” e entra em funcionamento já este verão.

“Houve nos últimos tempos um recrutamento de anestesistas desta casa que enfraqueceu o corpo clínico, e a maneira de complementarmos a resposta à população é não só aprofundar aqui, sobretudo em tempo extra, a atividade cirúrgica, como também pedir ajuda ao CHLN, que nos vai aumentar mais essa resposta”, explicou.

O tempo médio de espera para uma cirurgia tem vindo a “degradar-se” desde 2003 e nos últimos anos os anestesistas foram “reduzidos a metade”, disse.

A cerimónia de assinatura do documento foi presidida pelo ministro da Saúde, que à Lusa salientou o facto de ser uma cooperação que vai resultar em 1.200 cirurgias adicionais para os doentes do Garcia de Orta, no espaço de um ano.

Paulo Macedo congratulou-se por as duas entidades terem chegado a um entendimento para “um resultado muito concreto na vida de um conjunto significativo de portugueses” e acrescentou que é um modelo que “pode e que já está a ser replicado”.

O CHLN fez recentemente acordos de cooperação com o Centro Hospitalar do Oeste e com o Hospital do Litoral Alentejano, como o Hospital Universitário de Coimbra fez protocolos com os hospitais de Aveiro e Guarda, lembrou Paulo Macedo, acrescentando que é um tipo de cooperação a que se junta o programa de “cirurgia adicional” e que serve para “recuperar um número significativo de cirurgias e reduzir as listas de espera”.

O protocolo hoje assinado, garantiu à Lusa o presidente do Conselho de Administração do CHLN, Carlos Martins, não vai “em nenhuma circunstância” aumentar a lista ou os tempos de espera dos hospitais envolvidos da capital.

“Em nenhuma circunstância há aumento de tempo, ou de listas de espera, ou aumento de custos. Estamos é a gerir os nossos recursos humanos, a nossa tecnologia e a as nossas instalações da melhor forma possível, ao serviço do Serviço Nacional de Saúde e rentabilizando os recursos globais”, salientou.

Carlos Martins explicou que o protocolo contém um anexo onde se definem os tipos de operações que podem ser feitas e disse que esse anexo pode ser modificado em função das disponibilidades.

Para já são três as patologias contempladas e os doentes vão ser operados seja em cirurgia programada seja em cirurgia de ambulatório, num dos dois hospitais e com profissionais do CHLN, de acordo com as disponibilidades físicas e de equipas.

Câmara de Almada lamenta "perda de capacidade" do hospital Garcia de Orta

A Câmara Municipal de Almada emitiu um comunicado no qual aborda o protocolo estabelecido entre o hospital Garcia de Orta e o Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), no qual refere que existe uma "perda de capacidade" daquele Hospital, salientando que há um desinvestimento nos cuidados de saúde em toda a Península de Setúbal.

"A Câmara Municipal de Almada não pode, no entanto, deixar de expressar, uma vez mais, o seu profundo lamento, pelo facto desta situação ser consequência de uma política que teima em apostar no desinvestimento continuado nos serviços públicos de prestação de cuidados de saúde, em Almada e em toda a Península de Setúbal", refere a autarquia em comunicado.

A Câmara, liderada por Joaquim Judas (PCP), refere que existe uma "perda de capacidade de resposta" do Hospital Garcia de Orta em várias valências.

"Abdicaram da existência de uma urgência polivalente na Península de Setúbal, realidade que afeta muito negativamente a qualidade dos serviços de saúde prestados às populações da margem sul do rio Tejo", salienta.

O documento refere ainda que a cooperação entre o Hospital Garcia de Orta e a Centro Hospitalar Lisboa Norte sublinha também a necessidade de construção de um novo hospital no concelho do Seixal, “há muito reivindicado”.

"Continua a constituir uma prioridade absoluta, tendo em vista a melhoria da capacidade de resposta e da qualidade dos serviços de cuidados de saúde prestados às populações", concluiu.

A atual política na área da saúde “é desde há muito denunciada pelos utentes, pelas suas associações e pelas autarquias locais”, reforçou a Câmara de Almada.

Ainda em comunicado, o município de Almada reiterou que “em primeiro lugar, deve ser colocada, obviamente, a saúde dos cidadãos e a sua recuperação das situações de doença, não colocando em causa a bondade da cooperação entre hospitais”.

A Câmara de Almada lamentou o facto de esta situação ser consequência de “uma política que teima em apostar no desinvestimento continuado nos serviços públicos de prestação de cuidados de saúde, em Almada e em toda a Península de Setúbal”.

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Hospital Litoral Alentejano

O Hospital do Litoral Alentejano (HLA), no concelho de Santiago do Cacém, vai contar com médicos provenientes do Centro Hospitalar de Lisboa Norte, no qual se inclui o Hospital de Santa Maria, para colmatar as carências existentes.

A especialidade de Imuno-hemoterapia, que se dedica ao tratamento de doenças através da utilização de sangue ou derivados, é a primeira a ser beneficiada pela colaboração entre a Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) e o Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN), entidades que assinaram ontem um memorando de entendimento no HLA, sediado em Santiago do Cacém, no distrito de Setúbal.

De acordo com o presidente da ULSLA, Jorge Sanches, "este era o caso mais premente" a atender, uma vez que o único especialista de Imuno-hemoterapia do hospital local, Carlos Aldeia, passou a acumular, recentemente, a função de médico com a de director clínico dos cuidados de saúde hospitalares da instituição.

Jorge Sanches, que falava aos jornalistas à margem da cerimónia de assinatura do protocolo, indicou que "alguns profissionais" do Hospital de Santa Maria já se encontram no HLA para "iniciarem" serviço.

"A lógica é que eles possam, através de uma mobilidade parcial, ocupar uma parte da sua semana aqui", explicou o presidente da ULSLA, que iniciou funções há cerca de um mês.

Para o responsável, este é um "bom modelo", que poderá permitir a fixação de novos médicos nos serviços de saúde da costa alentejana.

A colaboração entre as duas instituições, disse, poderá estender-se a outras especialidades médicas, entre as quais a Psiquiatria.

No HLA "há um conjunto de especialidades que tem apenas um médico", referiu Jorge Sanches, o que compromete a prestação dos serviços em caso de "imprevistos".

"Nós não queremos estar tão dependentes assim dessas questões. Precisamos de ter alternativas, não só para melhorar o serviço, mas também para garantir que, a qualquer momento, não possa haver uma rutura", realçou.

Segundo o presidente do CHLN, Carlos Martins, a parceria com a ULSLA insere-se na missão de "proximidade" com as populações que a instituição prossegue e que se estende por alguns serviços de saúde nacionais.

Neste âmbito, exemplificou, o CHLN assegura, quatro dias por semana, as consultas de Psicologia e de Psiquiatria do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, no distrito de Leiria.

Para José Robalo, presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, o memorando de entendimento pode "fazer a diferença" para ultrapassar as carências de profissionais de saúde existentes na ULSLA, uma vez que as vagas que têm sido abertas nos concursos de colocação "ficam por ocupar".

Prestar no HLA um serviço "com a dignidade a que as pessoas têm direito" e evitar que os doentes "tenham de se deslocar" para receber assistência médica, bem como atribuir médico de família a todos os utentes, são os objectivos da ARS enunciados por José Robalo.

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Martins Carlos_Santa Maria

O presidente do Hospital Santa Maria, em Lisboa, admitiu hoje processar os autores do estudo encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, cuja análise apresenta esta unidade de saúde como estando minada pela corrupção.

“O que está em causa é toda uma instituição que é património de SNS e dos portugueses. Uma instituição como o Santa Maria não pode ser tratada desta forma, nem se pode reescrever a história”, disse Carlos Martins, em entrevista à agência Lusa.

Segundo o administrador, o hospital vai enviar o estudo para “as entidades que têm competência inspectiva e de auditoria externas” e para o escritório de advogados da instituição para que verifiquem de que forma é que podem “valer o bom nome da instituição”.

Questionado sobre a intenção de processar a Fundação Francisco Manuel dos Santos, Carlos Martins foi peremptório: “Não descarto nenhuma hipótese, nenhuma em absoluto”.

Segundo o estudo “Valores, qualidade institucional e desenvolvimento em Portugal”, encomendado pela fundação, o Hospital de Santa Maria está minado por uma teia de interesses e lealdades a partidos políticos, à maçonaria e organizações católicas.

“A Maçonaria, a Opus Dei e a ligação a partidos políticos ainda são três realidades externas que intersectam a esfera do Hospital de Santa Maria”, refere o estudo.

Carlos Martins, que desde 2013 dirige o conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN), de que fazem parte o Santa Maria e o Pulido Valente, recebeu as notícias sobre o estudo com “surpresa e indignação”.

“Surpresa porque, de acordo com o compromisso assumido pela equipa de investigadoras com esta instituição, o estudo tinha um âmbito académico, um grau elevado de confidencialidade, seguia as boas práticas científicas e seria do conhecimento do conselho de administração o seu relatório preliminar”.

A indignação do administrador deveu-se ao facto de, em termos de rigor científico e em relação ao compromisso entre a equipa de investigadores e a instituição, “nada disso foi cumprido”.

“Mais lamentável é que se coloque em causa, perante um país, uma instituição com 60 anos de serviço público”, afirmou.

Para Carlos Martins, este estudo “lança sobre toda a instituição uma imagem de más práticas de gestão, de interesses organizados, de captura, de orfandade, de abandono pelos accionistas da instituição”, o que “é de uma irresponsabilidade tremenda”.

“Quem diz que a instituição está órfã e está capturada tem de provar”, sublinhou.

O administrador reconhece que se vive hoje “um momento politicamente mais quente que o normal: estamos em ano de eleições legislativas”.

“Sei que, internamente, também é um momento com uma temperatura mais elevada, já que há eleições para a faculdade [de Medicina] – também visada no estudo – e o conselho de administração termina o seu mandato no final do ano”.

“Não acredito que há bruxas, mas começam a existir circunstâncias demasiado estranhas”, desabafou.

O estudo envolveu vários investigadores e foi coordenado pela professora da Universidade Nova de Lisboa Margarida Marques e pelo professor da Universidade de Princeton Alejandro Portes.

Entretanto, em comunicado, a Reitoria da Universidade Nova de Lisboa veio esclarecer que o estudo em causa “é da exclusiva responsabilidade dos investigadores envolvidos e não reflecte a posição institucional desta universidade”.

Também a organização Opus Dei desmentiu “categórica e integralmente” as afirmações que constam do estudo de que nos processos de nomeação dentro do Hospital de Santa Maria interferem "dinâmicas externas próprias à sociedade portuguesa — como (...) a Opus Dei".

Dados que apontam corrupção no Santa Maria assentam em metodologia científica

A investigadora da Universidade de Lisboa responsável pelo relatório sobre qualidade e funcionamento do Hospital de Santa Maria afirmou que os dados recolhidos que apontam para corrupção naquela instituição foram “cuidadosamente analisados, com base numa metodologia científica”.

Sónia Pires, que avaliou a qualidade e funcionamento daquele Hospital, no âmbito do estudo “Valores, qualidade institucional e desenvolvimento em Portugal, afirmou que “o estudo fundamenta-se em dados que foram recolhidos e, portanto, o material empírico foi feito com uma base científica”.

A investigadora reagia às declarações feitas pelo presidente do Hospital Santa Maria, que admitiu processar os autores do estudo.

“Os dados foram cuidadosamente analisados, foram feitos com base numa metodologia científica, pelo que estou particularmente surpreendida com esta reacção”, disse a investigadora.

“Aquilo que o ensaio escreve […] e os dados indicam que houve um processo durante largos anos de um fenómeno de corrupção em larga escala, mas isso, e eu quero frisar, que tudo o que está avançado foi feito com base em dados que foram recolhidos junto de agentes internos ao Hospital, bem como agentes externos do Hospital”, fundamentou Sónia Pires.

Fundação Francisco Manuel dos Santos recusa comentar eventual processo judicial

O presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos recusou comentar o eventual processo judicial de que poderá ser alvo por parte do Hospital de Santa Maria.

“Não me vou referir a processos judiciais dos quais não tenho nenhum conhecimento neste momento. Este estudo tinha um objectivo que era estudar a qualidade das instituições portuguesas. Seguiu o método etnográfico, chegou a bom porto, tem as suas conclusões publicadas, acho que se cumpriu a missão”, disse Nuno Garoupa.

Nuno Garoupa afirmou que, quer as reacções da Opus Dei, quer do Hospital de Santa Maria “não surpreendem no sentido em que são agentes do espaço público visados no trabalho e é normal que reajam ao trabalho”.

“O que não faz sentido é dizer que um estudo ia ser confidencial, a fundação não faz estudos para eles serem confidenciais. O que não quer dizer que as conclusões do estudo tenham de agradar a todos”, declarou o responsável,

Rejeitando que haja “censura” no seio da fundação, Nuno Garoupa afiançou que “a fundação não só não faz estudos confidenciais – o que não pode impedir de forma nenhuma – […] e nunca fez nem nunca faz censura aos estudos encomendados aos autores”.

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quarta-feira, 27 maio 2015 11:29

Interesses e corrupção no Hospital de Santa Maria

Hospital Santa Maria

O Hospital de Santa Maria, o maior do país, está minado por uma teia de interesses e lealdades a partidos políticos, à maçonaria e organizações católicas, conclui um estudo que avaliou a qualidade e funcionamento de seis instituições nacionais.

A análise ao Hospital de Santa Maria (HSM), a cargo de Sónia Pires, salienta que, “apesar das melhorias registadas a partir de 2005”, a unidade hospitalar “continua atravessada por fortes conflitos de interesse e actos nas zonas cinzentas ou silenciadas que se configuram como corrupção”.

“A Maçonaria, a Opus Dei e a ligação a partidos políticos ainda são três realidades externas que intersectam a esfera do HSM”, refere o estudo “Valores, qualidade institucional e desenvolvimento em Portugal”, encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que vai ser apresentado na quinta-feira.

A investigadora, que se baseou em questionários e entrevistas recolhidos entre 2012 e 2013, traça um retrato negro da instituição onde se entrecruzam os interesses públicos e privados de “grupos poderosos”, nomeadamente na classe médica e na direcção de serviços de apoio que condicionam o funcionamento dos serviços a nível de recursos humanos e aquisição de material clínico.

O diagnóstico era ainda pior há dez anos: “a situação estava fora de controlo, não havendo registos de utilização do equipamento e verificando-se roubos regulares, por parte de médicos e de outro pessoal, que se serviam a seu bel-prazer dos armazéns do hospital para fornecer as suas clínicas privadas”.

O fecho do hospital chegou a ser ponderado e foi necessária “a intervenção enérgica” do ministro da Saúde, que nomeou um novo conselho de administração e um novo presidente para salvar a instituição, refere o documento, acrescentando que esse dirigente e a sua família receberam ameaças de morte e chegaram a ser acompanhados por uma escolta policial.

Sónia Pires destaca que “as condições melhoraram” entretanto, mas continuam a ser “prática comum” pequenos actos de corrupção como, por exemplo, “troca de favores, fazendo passar à frente, nas listas de espera, amigos e familiares, e o médico assistente canalizar os pacientes que têm de fazer análises para laboratórios privados dos quais é sócio”.

A corrupção foi mais evidente até meados de 2000, e sofreu uma quebra com a reorganização dos serviços.

“Com efeito, a introdução da informatização dos serviços, as alterações nas chefias dos serviços de apoio (com a vinda de actores do sector privado bancário ou do sector dos seguros de saúde), a entrega de relatórios de contas por serviço, área ou departamento, ou a externalização de certos serviços (como a alimentação, a lavandaria ou obras de manutenção) fazem com que o despesismo seja mais controlado”, adianta o relatório.

O documento revela igualmente casos de absentismo de chefias médicas nos serviços de acção médica e nomeações dos directores de serviço feitas “à revelia das normas e regulamentos”.

Justifica, por outro lado, a permanência de alguns médicos no serviço público com o facto de “pertencer ao HSM ser útil para conseguir o estatuto social e simbólico próprio à profissão”, admitindo que, embora se mantenham os melhores elementos, há ausência de meritocracia, nas nomeações e na promoção.

“Os processos de nomeação não são claros e estão atravessados por outras dinâmicas como os jogos de interesse e as lutas entre professores na Faculdade de Medicina, e a presença de dinâmicas externas próprias à sociedade portuguesa – como a maçonaria, a Opus Dei e a ligação a partidos políticos (ligação mais recente, temporalmente, e com ênfase particular no Partido Comunista e no Partido Socialista)”, salienta a investigadora, baseando-se nas informações que recolheu.

Santa Maria foi a organização mais mal classificada entre as seis analisadas no estudo (Autoridade Tributária, ASAE, EDP, Bolsa de Lisboa, Hospital de Santa Maria e CTT), destacando-se essencialmente na avaliação sobre inovação e flexibilidade tecnológica.

No entanto, a partir de 2011, as restrições orçamentais no Serviço Nacional de Saúde condicionaram a introdução de maior flexibilidade tecnológica e inovação nos serviços, notou Sónia Pires.

O estudo envolveu vários investigadores e foi coordenado pela professora da Universidade Nova de Lisboa, Margarida Marques e pelo professor da Universidade de Princeton, Alejandro Portes.

Instituição “órfã” e suborçamentada

O Hospital de Santa Maria foi “abandonado à sua sorte” e está suborçamentado para fazer face aos elevados custos que tem com os seus utentes, devido ao seu estatuto de hospital de fim de linha.

Segundo Sónia Pires, as relações entre o Hospital de Santa Maria e os seus aliados naturais, o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças, deterioram-se nos últimos anos, num contexto de “sucessivos cortes orçamentais, que atingiram dezenas de milhões de euros” e passaram a ser “de confronto”.

“O Hospital de Santa Maria é, para todos os efeitos, uma instituição órfã”, diagnostica a investigadora, salientando que, “para fazer face à crise, o conselho de administração do Hospital foi abandonado à sua sorte, tanto pelos utentes, como pela Faculdade de Medicina, ou ainda as organizações profissionais médicas”.

Apesar das fortes restrições, o estudo destaca que o hospital procurou “manter os compromissos com os utentes, durante o período de governação interna de 2010-2012”, com o atendimento indiscriminado de utentes e a dispensa de medicamentos e tratamentos caros.

“É opinião unânime que o HSM é suborçamentado pelos custos elevados em medicação e que o seu estatuto de hospital de fim de linha deve ser considerado pela tutela para rever os pagamentos feitos em sede de contrato-programa”, sublinha Sónia Pires.

Por outro lado, apesar da percepção negativa do HSM e dos hospitais públicos, em geral, na opinião pública portuguesa devido às longas listas de espera para consultas e cirurgias, a investigadora valoriza “o trabalho árduo” em contexto de crispação económica grave, “nomeadamente no que diz respeito ao atendimento de todos os utentes (vindos do sector privado e do sector público, da região de referência ou fora dela, e dos PALOP) e no facto de contemplar os melhores cuidados possíveis” aos utentes.

O HSM assume “um papel fundamental” perante os doentes do sector privado, salientaram vários responsáveis ouvidos para este trabalho, já que os seguros de saúde só permitem tratamentos até um determinado nível de complexidade devido aos tectos de reembolso preestabelecidos, levando muitos utentes com doenças complexas a recorrer aos serviços públicos.

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Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.