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As autoridades venezuelanas anunciaram que vai ser alargado às farmácias o sistema de controlo biométrico em implementação nos supermercados públicos e privados para controlar as compras recorrentes do mesmo produto e combater o contrabando.

O anúncio foi feito pelo superintendente nacional de Preços Justos, Andrés Eloy Méndez, que disse estarem a decorrer conversações com várias das principais redes de farmácias do país.

A 19 de Agosto último as autoridades venezuelanas anunciaram a instalação de um sistema de controlo biométrico nos supermercados públicos e privados para controlar as compras recorrentes do mesmo produto pelo mesmo cliente e combater o contrabando.

O sistema deverá estar em funcionamento até ao final de Novembro e visa também combater a economia paralela.

O sistema biométrico consiste na atribuição de um cartão numerado com os dados do cliente, que estará associado às suas impressões digitais e à base de dados de cidadãos, do Conselho Nacional Eleitoral.

A instalação do sistema continua a ocasionar reacções, a favor e contra, em diversos sectores da sociedade venezuelana, com os opositores do executivo a questionarem a efectividade da medida no combate ao contrabando.

Para o ex-candidato presidencial Henrique Capriles Radonski, o mecanismo constitui "um racionamento já formalmente instalado, pelo que os venezuelanos devem erguer-se para lutar pelos seus direitos".

Por outro lado o autarca Henry Falcón, da oposição, é da opinião que a instalação do leitor de impressões digitais "não resolverá o problema de desequilíbrio" no abastecimento de produtos no país.

Entre as vozes discordantes está também o Partido Social Cristão Copei, que desafiou o Governo a criar um "cartão de compensação que implique o acesso real a produtos básicos" que escasseiam no país.

No passado dia 11, a Venezuela enviou pelo menos 17.000 militares para a fronteira com a Colômbia, no que representou uma de várias medidas para combater o contrabando de bens essenciais e de combustível, que gera prejuízos aos dois países.

O envio dos militares aconteceu horas antes de a Venezuela encerrar, pela primeira vez, a fronteira para combater o contrabando de produtos, num gesto contestado pelas autoridades colombianas.

Entretanto as autoridades venezuelanas proibiram o trânsito, pelo território nacional, de vários alimentos, bens de higiene pessoal, medicamentos, textos escolares, materiais para a construção civil, e produtos terminados, com fins de exportação.

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O presidente da Associação Venezuelana de Clínicas e Hospitais (AVCH) pediu hoje às autoridades que declarem o sector em "emergência humanitária" devido à "grave falta" de equipamentos, matérias-primas e medicamentos, alertando que mais de seis mil pacientes esperam por operações.

"Estamos a passar por uma crise humanitária. Trata-se da vida de seres humanos, de doentes. A saúde não tem ideologia [política] e estamos obrigados a atender todos (...). O problema no sector saúde é extremamente grave. Há mais de seis mil pacientes à espera para serem operados", disse Cristino García Doval.

Segundo o presidente da AVCH, o problema da carência de matérias-primas deriva da enorme dívida com fornecedores estrangeiros que abastecem 90% dos materiais e fármacos usados pelo sector, cujo pagamento tem sido dificultado pelas leis cambiais vigentes no país.

"Acumulámos uma dívida, na área de matérias-primas, que está à volta dos 363 milhões de dólares (272,9 milhões de euros) e na área dos fármacos, drogas e produtos terminados a dívida ascende a 970 milhões de dólares (729,3 milhões de euros). Isso motivou o fim do crédito e a perda de credibilidade", declarou.

Segundo a AVCH, em Julho passado foi entregue ao parlamento venezuelano um extenso relatório sobre a situação, que continha ainda detalhes sobre as preocupações do sector.

Desde 2003 que vigora na Venezuela um apertado sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país, obrigando os importadores a recorrerem ao Centro Nacional de Comércio Exterior, a fim de obterem autorização para aceder a dólares para pagar as importações.

São cada vez mais frequentes as queixas de cidadãos de dificuldades para conseguir medicamentos para várias doenças e dos laboratórios sobre atrasos na atribuição de dólares para aquisição de matérias-primas.

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Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.