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quarta-feira, 12 novembro 2014 14:03

Eliminadas as fontes de contaminação de legionella

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O secretário de Estado da Saúde afirmou hoje que as autoridades estão convictas de que eliminaram todas as fontes de contaminação de legionella em Vila Franca de Xira e que o assunto "está resolvido".

"Tanto quanto podemos afirmar, estamos convictos de que eliminámos as fontes que estavam necessariamente activas para gerar este surto", afirmou Fernando Leal da Costa à agência Lusa, no intervalo de uma conferência sobre combate à dependência de álcool e drogas nos países de língua portuguesa que decorre em Lisboa.

Quando questionado especificamente sobre a origem do surto, o governante disse apenas que "há um conjunto de investigações que estão a ser feitas", não apontando nenhum local concreto.

A identificação da fonte "é importante para não se voltar a repetir, mas o mais importante para o Ministério da Saúde era tratar as pessoas imediatamente, mesmo sem saber de onde era a fonte, actuando em todas as fontes possíveis".

O governante garantiu que as autoridades agiram segundo as boas práticas internacionais e salientou "as medidas que foram tomadas, independentemente da identificação da fonte, de termos actuado para melhorar, se é que era preciso, as condições de cloragem da água e de ter imediatamente procedido à desinfestação de todas as torres de refrigeração".

A estatégia das autoridades, assim, foi agir em todas as frentes: "tomámos as medidas de largo espectro que iriam prevenir a emissão de legionella a partir de todas as fontes", disse Leal da Costa.

Para o futuro próximo, o secretário de Estado espera "assistir à diminuição progressiva de novos casos", sublinhando: "brevemente esperamos começar a ter altas dos doentes internados e que a situação regresse à normalidade".

Surto já provocou sete mortos

O surto de legionella que desde sexta-feira atinge a zona de Vila Franca de Xira provocou até ao momento sete mortos, segundo fonte oficial.

Fonte do gabinete do ministro da Saúde disse à Lusa que as duas últimas vítimas mortais estavam internadas nos hospitais de Vila Franca de Xira e Pulido Valente, em Lisboa. Num balanço realizado no final do dia de terça-feira, a Direcção-geral da Saúde (DGS) apontava para 278 doentes infectados com legionella e cinco vítimas mortais.

A legionella, bactéria que provoca pneumonias graves e pode ser mortal, foi detetada na sexta-feira no concelho de Vila Franca de Xira.

Todos os casos, de acordo com a DGS, "têm ligação epidemiológica ao surto que decorre em Vila Franca de Xira".

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As autoridades de saúde já têm “uma ideia concreta” da origem do foco do surto de legionella que causou 235 doentes e cinco mortos, após conhecidos os resultados das análises à bactéria, segundo fonte oficial.

António Tavares, delegado de saúde regional de Lisboa e Vale do Tejo, disse à agência Lusa que as provas recolhidas desde sexta-feira apontam para uma origem na região de Vila Franca de Xira, razão de todos os infectados estarem ligados a esta zona.

Para o conhecimento do foco foi determinante “o estudo da direcção dos ventos”, que as autoridades de saúde solicitaram logo no início da investigação.

Desde sexta-feira que, paralelamente à recolha de amostras para análise, está a decorrer um inquérito epidemiológico que abrangeu “praticamente todos os 235 infectados”. “Nestas situações, faz-se sempre um inquérito epidemiológico. São solicitados dados dos doentes – como a profissão, morada, locais onde passaram – com o objectivo de se estabelecer uma ligação entre estas e a origem de situações”, explicou António Tavares.

Com estes dados, as análises preliminares, e as definitivas que deverão hoje ser conhecidas, bem como o resultado das vistorias efectuadas, as autoridades de saúde acreditam ter “provas muito concretas sobre a fonte” da infecção.

Segundo António Tavares, até hoje foram feitas cerca de 100 análises, cujos resultados serão conhecidos a partir de hoje.

Presença de legionella na Solvay Portugal

A Solvay Portugal confirmou ao Público que as primeiras análises feitas em duas das suas 12 torres de refrigeração na fábrica de Póvoa de Santa Iria acusaram a presença de vestígios de legionella, mas sublinha que esses primeiros testes foram também positivos noutras fábricas da região, cujas torres foram entretanto encerradas.

Graça Freitas, subdirectora-geral de Saúde, também confirmou ao Público essa informação e admitiu que este não é o único local do concelho de Vila Franca de Xira onde foram detectados vestígios da bactéria que provoca a doença do legionário. “Não foi o único local, mas não quero dar mais informações até as investigações estarem concluídas”, disse Graça Freitas, afirmando que não é possível ainda saber se foi este o foco do surto de legionella pneumophila.

Adubos de Portugal inspeccionada para averiguar eventual crime ambiental

O ministro do Ambiente anunciou hoje uma acção inspectiva extraordinária à empresa Adubos de Portugal, em Vila Franca de Xira, para averiguar um eventual crime ambiental.

Segundo o Jorge Moreira da Silva, a acção inspectiva vai decorrer "nas próximas horas" e será para averiguar “eventual crime ambiental por libertação de microrganismos para o meio ambiente”.

“Foi hoje decidido de manhã desencadear uma acção inspectiva extraordinária relativamente à empresa Adubos de Portugal. Essa acção inspectiva vai ocorrer nas próximas horas, para averiguação de eventual crime ambiental por libertação de microrganismos no meio ambiente”, afirmou o governante, em Leiria, sublinhando, contudo, não ser de “descartar definitivamente outras hipóteses”.

O ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e da Energia advertiu que se está “perante amostras e análises que estão ainda em cultura”, pelo que “os resultados definitivos ainda demorarão algumas horas”.

“Mas tendo em atenção as análises que foram feitas, tanto no sábado, como novamente no domingo, consideramos que um grau de probabilidade mais elevado está associado às torres de refrigeração e, no âmbito das torres de refrigeração, concretamente em relação a esta empresa”, explicou Jorge Moreira da Silva.

O governante sublinhou ainda que “o foco está controlado desde o momento em que se decidiu no terreno que as torres de refrigeração, mesmo sem análises comprovativas que apontassem para a presença de legionella”, fossem encerradas no domingo.

OMS considera surto uma "grande emergência de saúde pública" e tem peritos prontos para enviar a Portugal

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou hoje como “uma grande emergência de saúde pública” o surto da doença do legionário em Portugal que já matou cinco pessoas e afectou 235 em menos de uma semana.

“Este é o maior surto de doença do legionário em Portugal e é considerado uma grande emergência de saúde pública”, afirmou Christian Lindmeier, porta-voz da OMS, citado pela agência France Presse.

A Organização Mundial de Saúde tem peritos prontos para se deslocarem a Portugal para ajudar a lidar com o surto da doença. "Já identificámos os nossos peritos e eles estão prontos para se deslocarem" [a Portugal], disse à agência Lusa em Genebra o porta-voz da organização, Christian Lindmeier.

Lindmeier reiterou que, caso seja necessário, os especialistas da organização estão prontos para apoiar as autoridades sanitárias portuguesas, que já notificaram a OMS do surto.

O porta-voz da OMS destacou as medidas preventivas já tomadas pelas autoridades portuguesas e apontou que o risco de propagação internacional é mínimo, já que a zona afectada não é muito frequentada por turistas.

Christian Lindmeier lembrou que não ocorreu nenhum contágio "por consumo de água na zona afectada" e frisou que "não existe contaminação directa de pessoa para pessoa" na doença do legionário.

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terça-feira, 11 novembro 2014 09:40

Legionella: cinco mortos e 233 infectados

Legionella

A Direcção-geral da Saúde (DGS) revelou que até às 15H00 de ontem já tinham morrido cinco pessoas vítimas de legionella, havendo 233 casos registados. Em comunicado, a DGS adianta ainda que se encontram internadas nos cuidados intensivos 38 pessoas. Do total de 233 casos, 228 são na região de Lisboa e Vale do Tejo, três na região centro e dois na região norte.

“Todos os casos reportados têm ligação epidemiológica ao surto que decorre em Vila Franca de Xira. As freguesias de Vialonga, Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa são as que continuam a registar a maior incidência”, refere a nota.

A DGS reforça que não há qualquer problema com a ingestão de água nas áreas afectadas, embora ainda não seja conhecida a origem da infecção por legionella. “Também não existe qualquer risco de contágio pessoa a pessoa. A infecção apesar de ser grave tem tratamento”, acrescentam as autoridades.

A DGS continua a considerar que não há fundamento científico para encerrar escolas, lembrando que a legionella não infecta, em regra, crianças e jovens com idade inferior a 20 anos.

No âmbito da investigação para detectar a origem do surto, já foram realizadas mais colheitas nos domicílios, além da continuação dos inquéritos epidemiológicos, das medidas de reforço do cloro na água e da desactivação das fontes decorativas.

Há uma desaceleração mas são esperados mais casos

O ministro da Saúde disse ontem que há uma “desaceleração” dos casos de leggionella e que a questão está circunscrita, mas lembrou que nos próximos dias haverá mais casos.Paulo Macedo falou à agência Lusa no final de uma visita ao hospital de Vila Franca de Xira, onde estão internados muitos dos doentes que contraíram a doença.

“Podemos dizer que a questão está circunscrita, e isso é importante”, que a legionella não atinge as crianças, “e que temos uma desaceleração dos casos. Mas vamos ter mais casos nos próximos dias, porque estamos a tratar pessoas que ainda têm testes pendentes e que estão a ser tratadas e que podem revelar-se positivas”, disse.

A visita, disse o ministro, serviu essencialmente para transmitir o apoio aos profissionais e aos doentes. Aliás, acrescentou, que o hospital de Vila Franca, a Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo, a Direcção-geral da Saúde e outras entidades envolvidas no problema “têm sabido dar uma resposta efectiva e clara a esta situação”.

Além de percorrer várias áreas do hospital e de se inteirar das condições concretas dos doentes infectados com a bactéria, quer na urgência, quer no internamento (cuidados intensivos, intermédios e nas enfermarias), o ministro conheceu também as terapêuticas que estão a ser utilizadas e os seus efeitos, bem como os esforços de contenção que estão a ser feitos por parte da autarquia.

“Neste momento temos como uma probabilidade muito grande de quase circunscrição a esta zona. Quer as situações que foram detectadas em Castelo Branco e noutras partes, e quer um caso no Porto, que já teve alta, estão todas relacionadas com as freguesias de Santa Iria de Azóia, Vialonga e Forte da casa. Os dados que temos neste momento é de que a situação está concentrada nestas três localidades. Não se verificam outros casos noutros concelhos além dos esporádicos, que acontecem todos os meses e anos”, disse Paulo Macedo.

Nas três freguesias o Governo iniciou ontem uma nova fase de esclarecimento, directa, com reuniões com os habitantes, para que as pessoas dissipem todas as dúvidas, disse o ministro, notando como muito positivo o facto de, como notam os hospitais, as pessoas estarem a dirigir-se mais rapidamente (aos primeiros sintomas) aos serviços de Saúde.

O surto de legionella já levou à morte de cinco pessoas e há 233 pessoas infectadas, segundo os últimos números.

No hospital de Vila Franca de Xira, que recebeu até agora a maioria dos casos, Paulo Macedo ouviu os responsáveis clínicos dizerem que na quinta-feira da semana passada surgiram muitos casos e que na dúzia de doentes que está nos cuidados intensivos e intermédios “há uma evolução muito favorável na maior parte dos casos”.

Câmara de Loures adopta medidas de prevenção

A Câmara de Loures anunciou esta noite que também adoptou medidas de prevenção do surto de legionell’, nomeadamente o encerramento das piscinas de Santa Iria de Azóia e a monitorização diária da água da rede municipal.

Em comunicado, publicado já ao final desta noite na página da internet da autarquia, a Câmara de Loures refere que "não há nenhum indicador que aponte para a existência de um foco no concelho de Loures", mas que tomou medidas de prevenção.

"Foram feitas desde sexta-feira análises diárias, quer pela EPAL (Empresa Portuguesa das Águas Livres), quer pelos Serviços Intermunicipalizados de Água e Resíduos (SIMAR), à água fornecida aos munícipes que confirmaram a inexistência de contaminação da água potável fornecida aos concelhos de Loures e Odivelas", refere a comunicação.

A mesma nota informa que a autarquia pediu à EPAL para aumentar a dose de cloro na água fornecida aos SIMAR, "de forma a diminuir a possibilidade de haver qualquer contaminação através da rede pública".

A autarquia informa ainda que "foram desligadas todas as fontes ornamentais como forma de prevenir possíveis situações de propagação da bactéria" e suspensa "temporariamente" a actividade da piscina municipal de Santa Iria de Azóia, "face à proximidade aos locais onde o foco da doença se desenvolve".

No entanto, a Câmara de Loures esclarece que "são medidas preventivas que foram tomadas para precaver eventuais situações e que não decorrem de qualquer indicação ou suspeita de existir um foco no concelho".

Ainda não é conhecida a origem do surto que provocou a infeção de 233 pessoas, 228 da região de Lisboa e Vale do Tejo, três da região centro e dois da região norte.

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segunda-feira, 10 novembro 2014 12:28

Surto de legionella – actualização

Legionella

Duas pessoas infectadas com legionella estão internadas no Hospital Amato Lusitano de Castelo Branco (HAL) desde a manhã de domingo, disse hoje à agência Lusa fonte da Direcção-geral da Saúde (DGS).

"Posso confirmar que há dois casos [de infecção por legionella] em Castelo Branco que têm ligação a Vila Franca de Xira", confirmou o director-geral da Saúde.

Francisco George explicou ainda que a DGS teve conhecimento destes dois casos "desde ontem [domingo] de manhã" e adiantou que, neste momento, "é só esta informação” que pode disponibilizar.

O director-geral da Saúde revelou hoje que foram identificados casos de Doença do Legionário em várias outras regiões do país, como Barreiro e Porto, mas todos eles com “ligações claras” a Vila Franca de Xira.

No domingo, Francisco George admitiu que o surto de legionella, que já causou 160 infecções e quatro mortes confirmadas, possa estar “próximo do máximo”, explicando que só uma pequena percentagem das pessoas expostas ficarão doentes.

Em declarações aos jornalistas, o responsável afirmou ao início da noite de domingo que “do primeiro dia para o segundo dia há uma triplicação [do número de casos] e deste último dia para hoje [domingo] há uma duplicação”.

“O que quer dizer que poderemos estar – não quer dizer que estejamos – poderemos estar próximo do máximo, do pico deste processo. Mas não sabemos ainda”, referiu Francisco George, que falava aos jornalistas no final de uma reunião de emergência de quase cinco horas de diversas entidades para analisar o surto provocado pela infecção por legionella, bactéria que causa pneumonias graves.

O director-geral da Saúde explicou que noutros surtos registados na Europa, “muitas vezes, torres de refrigeração de unidades fabris ou de grandes espaços, nomeadamente comerciais, podem emitir gotículas que, desde que estejam contaminadas, podem ser inaladas e provocar uma infecção na árvore respiratória que está na origem da pneumonia”.

As autoridades esperam que surjam mais casos nas próximas semanas, mas o responsável sublinhou que “há milhares de pessoas expostas a este risco, mas só muito poucas ficarão doentes”, algo que é próprio desta doença.

Também no domingo, Francisco George disse que todos os casos de doentes infectados por legionella e que estão nos hospitais de Lisboa têm ligação a Vila Franca de Xira.

"Todos os casos, mesmo os de fora de Lisboa, têm uma ligação a Vila Franca de Xira, ou trabalham, ou estiveram lá, ou têm relações de qualquer tipo lá", disse Francisco George, sublinhando que "a grande maioria das situações aponta para Vila Franca".

O ministro da Saúde, também no domingo, anunciou que iriam ser encerradas as “principais torres de refrigeração” de empresas na área afectada pelo surto de legionella, em Vila Franca de Xira, enquanto estão a ser avaliadas casas particulares.

O governante disse que estão a ser feitos “todos estes esforços, por um lado, tendo em vista suspender potenciais focos da doença e, por outro lado, identificar a origem da doença”.

Hospitais da Grande Lisboa com capacidade para receber doentes

Paulo Macedo garantiu que os hospitais da Grande Lisboa têm capacidade para receber os doentes infectados pelo surto de legionella. Segundo o governante, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo tem “desviado doentes para que o hospital de Vila Franca de Xira [onde se registam a grande maioria dos casos] tenha sempre capacidade de receber doentes adicionais, ou seja, antes que seja esgotada a capacidade do hospital, que é um hospital médio”, disse o governante.

Há doentes a serem encaminhados para as unidades hospitalares de Lisboa Central e Lisboa Norte, afirmou o ministro, que sublinhou que não existe “neste momento qualquer problema com camas de ventilação”.

“Primeiro mobilizamos os hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo e ainda temos aqui capacidade”, assegurou, recordando que está no terreno “desde o início” um plano de contingência, que envolve ainda outros hospitais, como “o caso de Lisboa Ocidental e o Fernando da Fonseca [Amadora-Sintra]”.

“Estamos a abrir camas em algumas áreas, nomeadamente no Pulido Valente, e no hospital de Lisboa Central podemos abrir camas para doentes não ventilados”, mencionou o responsável da Saúde.

Os hospitais, acrescentou, “têm respondido exemplarmente”.

Segundo Macedo, os quatro óbitos causados pela infecção pela bactéria ocorreram em pessoas “com várias comorbilidades”, enquanto a quinta morte registada é uma “suspeita não confirmada” de ter sido causada por legionella.

Trata-se do caso de “uma pessoa que tinha também outro tipo de doenças, designadamente cardiopatias, hipertensão arterial e pneumonia”, pelo que “não ficou o caso confirmado, mas há um óbito de uma pessoa que tinha várias comorbilidades”, explicou.

Dos casos que chegam ao hospital, cerca de oito por cento são encaminhados para os cuidados intensivos ou para a ventilação, e muitos descem depois de gravidade, referiu o governante, que acrescentou que “já houve pessoas que melhoraram” e que a medicação, designadamente por antibióticos, está a fazer efeito.

O ministro mencionou ainda que a doença afecta principalmente pessoas entre os 30 e os 90 anos e que é “raríssimo haver casos em crianças”.

Câmara de Vila Franca de Xira suspende equipamentos desportivos e aulas de Educação Física

A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira encerrou provisoriamente os equipamentos desportivos e suspendeu as aulas de Educação Física nas freguesias mais afectadas pelo surto da legionella.

Em conferência de imprensa, Alberto Mesquita, presidente da Câmara, anunciou também que foram desligados os sistemas de rega e as fontes ornamentais das freguesias da Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa e Vialonga.

O autarca referiu, igualmente, que não existem "suspeitas" do que poderá estar a originar o surto de legionella, bactéria causadora de pneumonia, e que a autarquia manterá uma linha de emergência disponível 24 horas por dia.

"Apesar das análises regulares que fazemos nas nossas piscinas e pavilhões entendemos que de facto até informação em contrário será a de tomar esta posição. Mais vale durante algum tempo encerrar estes equipamentos", afirmou o autarca.

Alberto Mesquita esclareceu que apenas serão encerrados os equipamentos desportivos das três freguesias mais afectadas pelo surto, sendo que os restantes equipamentos "funcionarão sem alterações".

O autarca adiantou ainda que a Câmara sugeriu aos agrupamentos escolares das freguesias mais afectadas que suspendam provisoriamente as aulas de Educação Física, à semelhança daquilo que também tinha defendido o presidente da junta de freguesia de Vialonga.

Questionado hoje sobre o eventual encerramento de escolas no concelho de Vila Franca de Xira, o ministério da Educação disse que "internacionalmente não há recomendações para intervir em escolas".

"Os casos até agora reportados neste surto são todos em adultos com idade superior a 30 anos e noutros surtos só muito raramente e em condições clínicas muito especiais afectam crianças", refere o ministério.

Principais torres de refrigeração encerradas

As “principais torres de refrigeração” de empresas na área afectada pelo surto de ‘legionella’, em Vila Franca de Xira, foram encerradas, enquanto estão a ser avaliadas casas particulares.

O governante, Paulo Macedo, disse que estão a ser feitos “todos estes esforços, por um lado, tendo em vista suspender potenciais focos da doença e, por outro lado, identificar a origem da doença”.

“Foram feitas entre sábado e hoje várias vistorias pela autoridade de saúde em centros comerciais e hotéis, tendo em vista analisar diversos pontos potenciais de foco da legionella.

Por outro lado, acrescentou que as autoridades estão a fazer avaliações “junto de algumas casas dos moradores”, dado registar-se “uma concentração [de casos] em algumas ruas” do concelho de Vila Franca de Xira.

O ministro explicou que o Instituto Ricardo Jorge tem realizado análises a águas e a torres de refrigeração, mas que os resultados não são conclusivos, sendo necessário aguardar “entre cinco a dez dias” para obter dados mais fiáveis.

“Não podemos obviamente esperar estes cinco a dez dias para tomar medidas, enquanto temos pessoas que podem estar a ser contagiadas”, afirmou.

O governante mencionou que ainda esta semana a EPAL, que distribui a água para os concelhos da Grande Lisboa, realizou análises que não indicaram qualquer problema na qualidade.

Está também a ser realizada a “hipercloração da água”, indicou, acrescentando que “já foram medidos novamente os níveis de cloro em toda a rede daquela zona e já foram aumentados”.

Questionado sobre se terá havido alguma intervenção humana na causa deste surto, Paulo Macedo disse que “é uma probabilidade muito remota, mas os especialistas não a descartaram”.

O ministro afirmou que as autoridades estão empenhadas em determinar qual é o foco da infecção, mas referiu que há casos de surtos no mundo cuja causa nunca foi identificada.

Surto é inesperado e muito pouco frequente

O surto de legionella que está a afectar Vila Franca de Xira é uma "situação inesperada e muito pouco frequente" e a dificuldade em detectar o foco da infecção "é proporcional" à dispersão geográfica, de acordo com especialistas.

A bactéria legionella é responsável pela Doença dos Legionários, uma pneumonia grave, cuja infecção se transmite por via aérea (respiratória), através da inalação de gotículas de água ou por aspiração de água contaminada.

O professor de Saúde Pública Adalberto Campos Fernandes afirmou que se trata de "uma situação inesperada e muito pouco frequente" e mostrou-se expectante de que "o inquérito epidemiológico feito pela Direcção-geral de Saúde (DGS) permita identificar a origem do surto".

Sublinhando que é uma doença que pode levar à morte, o professor da Universidade Nova de Lisboa apelou a que "a população mantenha níveis de tranquilidade", considerando que "não há nenhum motivo para que se entre em pânico", uma vez que "a DGS tem tido um comportamento irrepreensível" e que "a resposta assistencial tem sido adequada".

Também o infecciologista Fernando Maltez destacou que é uma situação de "muita preocupação", mas defendeu que "a DGS e os organismos oficiais estão a tratar do assunto com máxima responsabilidade, a desencadear os meios necessários para se chegar à causa da epidemia e a acautelar o tratamento adequado para doentes infectados".

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LegionellaNos últimos quatro anos foram notificados em Portugal 284 casos de doença dos legionários, provocada pela bactéria legionella, com a região Norte a ser aquela que regista a maioria das situações.

Da análise feita pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), entre os anos de 2010 e 2013 evidencia-se que mais de 60 % dos casos notificados eram de residentes na região Norte, com destaque para os distritos do Porto e de Braga.

Segundo os resultados publicados no boletim de Março do INSA, na região de Lisboa e Vale do Tejo ocorreram um quarto das situações, particularmente nos distritos de Lisboa e Setúbal.

A região Centro regista, no período de quatro anos, oito por cento dos casos e o Alentejo e o Algarve apenas dois por cento cada.

A maioria do total de casos notificados em Portugal deu-se nos homens com mais de 30 anos, com o período do inverno e da primavera a serem os que registaram menos casos, “o que corresponde à distribuição sazonal esperada”.

Isto porque a multiplicação da legionella é favorecida pela temperatura e pela humidade. Aliás, estas bactérias podem existir em reservatórios naturais ou em artificiais, como humidificadores ou sistemas de ar condicionado, piscinas ou jacuzzis.

Nas conclusões do artigo, os investigadores do Instituto Ricardo Jorge alertam para a importância de se realizar uma “vigilância e uma investigação epidemiológica activas” que permitam uma “rápida identificação e controlo das fontes ambientais da infecção”.

É ainda salientado que a doença, apesar de ser de declaração obrigatória, estará a ser subnotificada e subdiagnosticada. Ainda assim, o número de casos tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos, tal como acontece no resto da Europa.

 

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You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade
Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade

No ano de 2021, foram realizadas 36 milhões de consultas médicas nos cuidados de saúde primários, mais 10,7% do que em 2020 e mais 14,2% do que em 2019. Ou seja, aproximadamente, a cada segundo foi realizada uma consulta médica.

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