Cancro metastático: Desenvolver novos tratamentos é fundamental para encontrar uma cura
DATA
17/10/2018 11:14:59
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Redação Jornal Médico
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Cancro metastático: Desenvolver novos tratamentos é fundamental para encontrar uma cura

A pergunta que se coloca é: o que leva umCancro (de Mama) a metastizar? O risco de metastizar está relacionado com o tipo de Cancro da Mama. 

Como explica a investigadora e diretora da Unidade de Mama do Centro Clínico Champalimaud (CCC), Fátima Cardoso, dependendo de várias características, há maior ou menor risco do cancro recidivar, mas a razão pela qual – seja Cancro da Mama ou outro – isso acontece é porque algumas das células tumorais são resistentes aos tratamentos que foram dados.

"A razão subjacente a qualquer recidiva é alguma resistência tumoral ao tratamento que foi dado", afirma.

O cancro diagnosticado numa fase mais precoce é tratado com cirurgias e, por vezes, com recurso – dependente do tipo de cancro – à quimioterapia, radioterapia ou hormonoterapia. Além da cirurgia, se esses tratamentos, dados para matar células tumorais que possam estar em circulação, forem eficazes e matarem todas elas, então, em princípio, o cancro não reaparece. O que acontece, muitas vezes, é que algumas dessas células são resistentes aos tratamentos administrados: não morrem, ficam dormentes, adormecidas durante um certo tempo – podem passar anos – e, mais tarde, por razões que a especialista diz que “não se conhecem ainda bem”, vêm a acordar e começam a desenvolver, dando as chamadas “recidivas”.

Não há uma cura para o cancro metastático. Uma vez que o cancro sai da mama, isto é, da região da mama e da axila – a axila corresponde a uma extensão da mama –, o cancro deixa de ser curável.  É uma doença para a qual existe tratamento, é tratada, no entanto, na fase metastática já não é curável. Fátima Cardoso chama a atenção para o facto que, mais uma vez, dependendo do subtipo de Cancro da Mama que se esteja a falar, esse controlo pode ser mais fácil ou mais difícil.

Quanto aos números, sabe-se quantas pessoas morrem, por ano, por Cancro da Mama. Novos dados, mais recentes, lançados no início de outubro, revelam que, neste momento, a nível mundial, o número de mortes por Cancro da Mama, por ano, está à volta das 700 mil. O que corresponde a mais de meio milhão de pessoas, a grande maioria delas mulheres, e sendo que, quase todas, morrem por causa do cancro se tornar metastático.

Também se sabe que são diagnosticados 2,1 milhões de novos casos, por ano. O que não se sabe? Qual o número de pessoas que vivem, atualmente, com Cancro da Mama metastático, ou seja, quantas estão vivas e em tratamento.

“Não sabemos porque a maioria dos registos oncológicos regista o diagnóstico e a morte, mas não regista a recidiva, logo não conseguimos saber quantos doentes há com a doença num determinado momento, ou num determinado país”, explica a diretora da Unidade de Mama do CCC.

A fim de melhorar estes números há muitas coisas que podem ser feitas, e nas quais os especialistas têm trabalhado. Uma delas é a deteção precoce, afinal, quanto mais cedo for diagnosticado o cancro, maior a probabilidade de poder ser tratado convenientemente e, talvez, nunca vir a recidivar.

Outra coisa que Fátima Cardoso refere é a importância do tratamento por pessoas especializadas em Unidades de Mama, isto é, por equipas multidisciplinares que tenham muita experiência e sejam especialistas em tratar Cancro da Mama. “Todos os estudos mostram que aqueles que são tratados por essas equipas obtêm melhores resultados”, afirma, alertando que os doentes não devem, assim, ser tratados por um médico isoladamente, sem discussão multidisciplinar, ou por alguém que não seja especialista nesta área.

“É preciso continuar a investigação para desenvolver novos tratamentos, porque, com os tratamentos atuais, o cancro metastático não é curável. Ainda assim, se todas as pessoas pudessem ter acesso ao melhor tratamento que já existe, a mortalidade seria muito menor. O número de mortos referido equivale ao mundo inteiro, e o acesso dos doentes aos tratamentos que existem a nível mundial é muito díspar, mesmo dentro de cada país”, garante a investigadora.

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