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A experiência de cada um – o Cancro da Mama hereditário
DATA
17/10/2018 11:19:31
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Redação Jornal Médico
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A experiência de cada um – o Cancro da Mama hereditário

A nível internacional estima-se que cinco a 10% dos casos de Cancro da Mama sejam hereditários, variando conforme as populações. 

A coordenadora da consulta de Risco Familiar de Cancro da Mama e Ovário do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, Fátima Vaz, afirma que na população portuguesa não há números fidedignos, mas avança que devem ser entre os cinco e oito por cento dos casos, mais perto dos 10 do que dos 5%.

Há várias formas de encaminhamento para uma consulta de Risco Familiar, sendo que uma delas é através dos critérios de referenciação, acessíveis a todos, no site do IPO de Lisboa. Habitualmente – explica Fátima Vaz –, a referenciação é médica, pelos médicos de família que identificam pessoas com vários casos de cancro na família. Existe, ainda, uma referenciação mais especializada dos médicos das Unidades de Mama de vários hospitais, alguns inclusive privados porque muitos seguros não pagam o teste genético ou as pessoas não o podem pagar.

“O IPO sempre teve esta política de não receber só doentes internos do hospital, porque sempre achámos que é um serviço público, nomeadamente numa altura em que muitas mulheres não tinham acesso ao teste”, garante.

Fátima Vaz explica que, quando uma mulher herda uma alteração genética, que lhe confere um risco alto de Cancro da Mama, teoricamente, tem duas alternativas. Pode fazer ressonância para detetar precocemente o cancro – o ideal é tão cedo que a cirurgia resolva, não precisando de fazer mais tratamentos; ou pode fazer mastectomia preventiva.

A verdade é que muitas doentes não querem fazer mastectomia preventiva. “É mais perfeita” porque impede que o cancro apareça, enquanto a ressonância deteta-o muito pequenino, mas ele já lá está. Também há muitas mulheres que querem fazer, imediatamente, mastectomia preventiva.

“A perceção que nós tínhamos – depois confirmada em estudos internacionais – é que as mulheres, que têm o teste positivo e querem fazer mastectomia preventiva, são aquelas em que os casos de Cancro da Mama da família correram pior e as mulheres morreram: a mãe, a irmã, a tia, a avó… São aquelas que têm a noção que, se vier um cancro da mama, vão deixar os filhos órfãos. É assim um bocado dramático, mas é verdade”, conta.

Cerca de 20% das mulheres identificadas com mutações BRCA-1 (Breast Cancer Susceptibility gene1) e BRCA-2 acaba por fazer mastectomia preventiva. As restantes decidem fazer a ressonância. “A decisão tem a ver com a experiência de cada um, é individualizada. Eu acho que é compreensível”, conclui.

No final do ano passado, o IPO de Lisboa tinha cerca de 700 e poucas mulheres com mutações BRCA-1 e 2 identificadas. Em 2018, ainda não foram feitas as contas, mas já podem ter ultrapassado um milhar.

Saúde Pública

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