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O despiste do Cancro da Mama e os médicos de família
DATA
17/10/2018 11:22:39
AUTOR
Redação Jornal Médico
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O despiste do Cancro da Mama e os médicos de família

O papel dos médicos de família no despiste do cancro da mama é "enormíssimo". O médico de família e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Rui Nogueira, di-lo de forma assertiva.

A função do médico de família – explica – é “determinante”, não só para sensibilizar as mulheres que têm de fazer a mamografia, mas, também, para monitorizar as que não fazem o exame, que falham o rastreio, que não respondem à convocatória, ou quando há algum problema que tenha de ser referenciado. “Isto é fundamental para depois encaminhar, explicar e acolher as pessoas, quando existem dúvidas ou necessidade de complementar com outros exames”.

Rui Nogueira alerta para o facto de os programas de rastreio terem sido revistos em setembro do ano passado. De acordo com o Despacho n.º 8254/2017, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 183, de 21 de setembro de 2017, os rastreios oncológicos de base populacional, realizados no Serviço Nacional de Saúde (SNS), destinam-se ao diagnóstico precoce dos Cancros da Mama feminina. O programa destina-se às mulheres, com idade igual ou superior a 50 anos e igual ou inferior a 69 anos. O teste primário é a mamografia com dupla leitura, a realizar de dois em dois anos.

O especialista acrescenta, ainda, que o médico de família também desempenha um papel importante junto das pessoas cujas idades estão fora do rastreio. O rastreio está preconizado começar aos 50 e terminar aos 69 anos, no entanto, tem-se assistido a muitos casos de cancro da mama depois dos 69 anos, o que “obriga” os médicos de família a estarem mais vigilantes.

“É prática comum continuarmos a fazer a mamografia, pelo menos mais uma depois dos 69 anos. Esta é uma atenção especial que nós temos de ter, porque o rastreio termina nessa idade, mas continuamos alerta, não só na vigilância da mama, mas também a fazer a mamografia dois anos após a última do rastreio”, assume.

Outro problema é nas jovens. Rui Nogueira diz que é prática recorrente começar o rastreio aos 45 anos, a ideia é ter todas as mulheres com uma mamografia feita aos 50 anos. Se os profissionais começarem a fazê-los cinco anos antes do que está indicado, é mais fácil conseguir o pleno ou uma boa taxa de cobertura aos 50.

“Na verdade, é prudente começar aos 45, tendo em conta a prevalência nesta faixa etária. A dificuldade é a mamografia – exame de eleição – ser razoavelmente efetiva nestas idades; pode ser um exame dúbio. A mama é muito densa em idades mais jovens e a mamografia pode deixar passar lesões. É, por isso, importante complementar a mamografia, principalmente nas mulheres mais novas, com a ecografia mamária”, explica.

Os médicos de família têm, assim, de estar atentos e acompanhar as mulheres, mesmo nas idades fora do rastreio, para que se consiga um diagnóstico precoce do Cancro da Mama e para encaminhar devidamente os casos.

Saúde Pública

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