Equilíbrio de eficácia e segurança no tratamento de miomas uterinos sintomáticos
DATA
02/11/2021 11:37:01
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Jornal Médico
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Equilíbrio de eficácia e segurança no tratamento de miomas uterinos sintomáticos

A propósito do lançamento do novo medicamento da Gedeon Richter, para o tratamento dos miomas uterinos sintomáticos, a coordenadora da unidade de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Lusíadas Lisboa, Fátima Faustino, e a diretora do Serviço de Ginecologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Fernanda Águas, partilharam a sua visão acerca da eficácia e segurança deste antagonista oral da GnRH.

 

Combinação tripla para miomas uterinos com benefícios na redução da hemorragia menstrual

“A terapêutica médica é a nossa luta permanente, com vista a conseguirmos encontrar algo que nos permita controlar os sintomas e se possível reduzir os miomas”. É desta forma que Fátima Faustino manifesta a motivação dos especialistas no tratamento dos miomas uterinos sintomáticos, demonstrando otimismo em relação aos resultados demonstrados pelo novo medicamento da Gedeon Richter, apresentado em Lisboa, marcando a sua introdução no mercado português.

Tendo sido a cirurgia a terapêutica tradicionalmente seguida nestes casos, mas com diversas limitações, a coordenadora da unidade de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Lusíadas Lisboa apresentou a sua visão relativamente à inovação no tratamento médico desta patologia, nomeadamente os benefícios deste novo fármaco, o Ryeqo ®.

Participando como palestrante no evento do dia 26 de outubro, em Lisboa, Fátima Faustino esclarece que, ao nível da terapêutica farmacológica, “os contracetivos orais podem reduzir a hemorragia, tal como o dispositivo intrauterino com levonorgestrel e o ácido tranexâmico.”

No entanto, estas opções “têm pouco efeito no tamanho dos miomas e na sua sintomatologia dolorosa e de compressão”, sublinha em declarações ao Jornal Médico.

Em contrapartida, os especialistas passam agora a dispor de uma “arma terapêutica, o Ryeqo ®. Engloba um antagonista oral da GnRH, que vai bloquear a produção de FSH e LH e consequentemente reduzir a produção endógena de estradiol e progesterona. No entanto, este efeito está compensado por uma terapêutica add-back, com uma dose baixa de estradiol progestativo, para compensar os efeitos adversos da terapêutica, como os sintomas vasomotores e a redução da densidade mineral óssea”.

A especialista em Obstetrícia e Ginecologia esclareceu ainda que, analisando os estudos de fase 3 que envolveram um grande número de mulheres, os resultados foram importantes e promissores, quer a nível da redução dos sintomas, quer a nível da ausência de efeitos adversos. “Pode ser uma terapêutica com uma ampla utilização e com bons resultados”, concluiu.

Este fármaco trata-se de uma tripla combinação (relugolix 40 mg, estradiol 1 mg e acetato de noretisterona 0,5 mg) sem limitação quanto à duração do uso, pelo que, como anunciou a companhia, é o primeiro e único tratamento oral, com dose única diária, de longo prazo, para tratamento de miomas uterinos na Europa, comprovado pelos dados de segurança e eficácia do programa LIBERTY de Fase 3.

 

Benefícios da nova terapêutica médica para tratamento de miomas uterinos sintomáticos

“A avaliação da segurança do medicamento é bastante tranquilizadora porque foram raros os efeitos adversos que obrigaram a uma suspensão do tratamento”. Palavras da diretora do Serviço de Ginecologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Fernanda Águas, que em entrevista ao Jornal Médico, a propósito do evento de lançamento de dia 27 de outubro, em Coimbra, falou sobre a sua visão no que toca à inovação no tratamento médico dos miomas uterinos sintomáticos, nomeadamente os benefícios deste novo fármaco, o Ryeqo®(relugolix 40 mg + estradiol 1 mg + acetato de noretisterona 0,5 mg).

Sobre os ensaios LIBERTY 1 e LIBERTY 2 terem demonstrado a eficácia de Relugolix TC (Terapia Combinada de Relugolix) no tratamento de fibromiomas uterinos sintomáticos, a especialista esclareceu que nos mesmos “o Relugolix TC reduziu o volume da hemorragia uterina anormal em mais de 80% e cerca de 73% das doentes reduziram as suas perdas de sangue menstruais para valores inferiores a 80 mL”. Frisou ainda que esta “redução da hemorragia uterina anormal, que é o principal sintoma dos miomas uterinos, reflete-se de forma positiva na recuperação dos valores da hemoglobina e na redução de mulheres com anemia”.

Houve uma “redução da dor associada e que foi avaliada através de uma escala numérica validada”, elucidou, acrescentando que perante a melhoria destes sintomas “é fácil entender o impacto positivo na qualidade de vida das mulheres, tanto na sua globalidade, mas também em parâmetros muito específicos como a ansiedade, o humor e a função sexual”.

Analisando os resultados de segurança destes ensaios, nomeadamente no que diz respeito à densidade mineral óssea, Fernanda Águas sublinhou que a avaliação da segurança do medicamento “é bastante tranquilizadora”, uma vez que “foram raros os efeitos adversos que obrigaram a uma suspensão do tratamento”. “Os efeitos secundários mais frequentes foram os afrontamentos e as enxaquecas que, no entanto, surgiram em percentagens semelhantes no grupo placebo”, revelou.

O valor da massa óssea foi avaliado através de “densitometria da coluna lombar realizada às 12 e 24 semanas de tratamento e verificou-se que a densidade mineral óssea se manteve estável ao longo dos 6 meses de tratamento com Relugolix TC”. A especialista nota que estes resultados “positivos” no que respeita à saúde óssea mantiveram-se na avaliação feita após dois anos de tratamento e “permitem recomendar este tratamento em regimes mais prolongados”.

 

O primeiro evento aconteceu em Lisboa a 26 de outubro e o segundo em Coimbra a 27 de outubro. 

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Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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