Miomas uterinos e a sua associação à infertilidade
DATA
05/11/2021 11:28:00
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Jornal Médico
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Miomas uterinos e a sua associação à infertilidade

Por ocasião do lançamento do novo medicamento da Gedeon Richter, para o tratamento dos miomas uterinos, na terceira e última sessão que se realizou no Porto, o palestrante Jacques Donnez, Professor Emérito da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, abordou a relação existente entre esta patologia e a infertilidade, assim como com as hemorragias menstruais abundantes.

O coordenador da Unidade de Cirurgia Minimamente Invasiva do Centro Materno-Infantil do Norte, Hélder Ferreira, também marcou presença no evento, incidindo a sua palestra no tratamento médico inovador dos miomas uterinos sintomáticos. O cirurgião comentou que “durante muitos anos, a cirurgia representou o único tratamento eficaz para os miomas uterinos sintomáticos”, mas nos últimos anos a terapêutica médica no tratamento desta patologia tem feito avanços notáveis, nomeadamente no uso de antagonistas da GnRH. A sua intervenção centrou-se depois no desenvolvimento clínico da combinação relugolix 40 mg, estradiol 1 mg e acetato de noretisterona 0,5 mg.

Em declarações ao Jornal Médico, o Professor Jacques Donnez comentou que, das 50-60% de mulheres que sofrem de miomas, cerca de 40% destas apresentam sintomas, tais como “hemorragias menstruais abundantes, pressão nos órgãos pélvicos, incluindo a bexiga (por vezes causando incontinência urinária), e infertilidade”, sendo que as “hemorragias menstruais abundantes podem levar a anemia e deficiência de ferro, e estas podem ser responsáveis por absentismo laboral em muitos casos”.

Quanto aos mecanismos através dos quais os miomas uterinos podem afetar a fertilidade, o especialista afirmou que “os miomas (em particular os submucosos) distorcem a cavidade uterina e podem ter o mesmo papel que um dipositivo intrauterino, dificultando a implantação do blastocisto. Outros mecanismos, tais como o fornecimento deficiente de sangue ao miométrio ou a contractilidade do miométrio também estão envolvidos. De importância, alguns fatores de crescimento como TGF-β são excretados pelo mioma, e estes impactam a recetividade do miométrio, que é crucial para a fertilidade”.

Segundo o ginecologista, nas mulheres que desejam preservar a fertilidade, as opções de tratamento para miomas uterinos sintomáticos podem ser a miomectomia por histeroscopia, no caso de miomas submucosos, ou a miomectomia por laparoscopia, no caso de miomas intramurais. Mas nestes últimos existem alguns riscos, como por exemplo “hemorragias durante a cirurgia, deiscência de cicatriz uterina, um miométrio mais frágil no caso de gravidez e a necessidade de repetir a cirurgia passados 5 anos”. No entanto, “se a terapêutica médica der bons resultados em termos de redução do tamanho do mioma, esta evita os riscos da cirurgia”.

Relativamente aos novos antagonistas orais da GnRH, Jacques Donnez comentou a sua combinação com terapêutica add-back de estradiol e acetato noretisterona, referindo como vantagens desta adição a minimização de sintomas de menopausa como os afrontamentos e a perda de densidade mineral óssea, sendo a sua desvantagem o facto de que a redução do tamanho dos miomas é muito menos pronunciada do que quando não se adiciona a terapêutica add-back.

Recorde-se que o fármaco apresentado — Ryeqo ® — comporta uma tripla combinação (relugolix 40 mg, estradiol 1 mg e acetato de noretisterona 0,5 mg) sem limitação quanto à duração do uso, pelo que, como anunciou a companhia, é o primeiro e único tratamento de longo prazo administrado por via oral, uma vez ao dia, para os miomas uterinos na Europa, comprovado pelos dados de segurança e eficácia do programa LIBERTY de Fase 3.  

O primeiro evento aconteceu em Lisboa a 26 de outubro, o segundo em Coimbra a 27 de outubro e o último no Porto a 28 de outubro.

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Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
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