10simposiobialComo é que a mente e a matéria estão relacionadas uma com a outra? Pode o pensamento comandar uma máquina? A criação de interfaces entre a actividade mental e computadores ou meios mecânicos, tais como robots, estará no centro da discussão do 10º Simpósio “Aquém e Além do Cérebro”, entre 26 e 29 de Março, na Casa do Médico, Porto. Uma iniciativa da Fundação Bial, que este ano comemora duas décadas de existência.

A comunidade científica debruça-se cada vez mais sobre os fenómenos que ocorrem ao nível da mente e que influenciam a matéria, e sobre a sua aplicabilidade a nível terapêutico. Lançando a discussão em torno das “Interações Mente-Matéria” e da nova área de investigação das interfaces cérebro-máquinas, a décima edição do Simpósio Bial abrange um amplo leque temático, com implicações que vão muito para além da esfera científica, e que contemplam questões de ordem ética, clínica e até social.

Para integrar os diferentes painéis do 10º Simpósio, a Fundação BIAL traz a Portugal alguns dos maiores especialistas mundiais na área das Neurociências para discutir as dimensões neurocientífica, parapsicológica, social e filosófica das relações entre a Mente e a Matéria.

Mind to Action

A Miguel Nicolelis, considerado no início da década passada um dos 20 maiores cientistas do mundo pela revista "Scientific American", caberá inaugurar o encontro, no dia 26, numa sessão intitulada “From Mind to Action” (Da Mente à Acção).

O investigador brasileiro tem dedicado o seu trabalho ao estudo de ferramentas robóticas que possam ser controladas neuralmente. Nicolelis sustenta o seu trabalho na convicção de que, independentemente dos mecanismos naturais que temos, há a possibilidade de influenciar a matéria através da actividade cerebral, o que se poderá traduzir no desenvolvimento de instrumentos e aplicações para a melhoria da qualidade de vida de pacientes com paralisias severas.

Miguel Nicolelis esteve em destaque quando apostou com a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que seria possível um paraplégico dar o pontapé de saída do Campeonato Mundial de Futebol de 2014. O jovem entrará em campo vestido com um fato robot, ou exoesqueleto, e os seus passos serão controlados por sinais motores originados no seu cérebro e transmitidos a uma unidade de computador, que traduzirá esses impulsos cerebrais eléctricos em comandos motores.

Um dos objetivos de Nicolelis é mostrar que o controlo cerebral de máquinas passou do laboratório - e de especulação futurista - para uma nova era, em que ferramentas capazes de trazer mobilidade a pacientes incapacitados por lesões ou doenças se tornam realidade.

Mente-Matéria e novas áreas do conhecimento

O simpósio “Aquém e Além do Cérebro” será repartido por três sessões agendadas para os dias 27, 28 e 29 de Março, com comunicações de um total de mais de 12 palestrantes.

O dia 27 será dedicado à dimensão neurocientífica das relações Mente-Matéria e abrirá com a intervenção do português Rui Costa, investigador do Programa Champalimaud de Neurociências, cujo trabalho pretende entender a base biológica do comportamento humano. O que acontece no nosso cérebro quando iniciamos uma determinada acção? Rui Costa incide os seus estudos nos mecanismos cerebrais que levam ao início voluntário de acções, suas implicações na aprendizagem e execução das mesmas, bem como na incapacidade de as realizar, observadas em distúrbios como as doenças de Parkinson e de Huntington.

Esta primeira sessão terá também a intervenção de Eberhard Fetz, investigador da Universidade de Washington, que tem centrado o seu trabalho na comunicação entre a máquina e o sistema biológico, concretamente na estimulação e reabilitação cerebral via interfaces cérebro-computador.

Entre as palestras do dia estarão ainda as de Nick Ramsey, Professor de Neurociência Cognitiva na Universidade de Utrecht, Holanda, e Ander Ramos-Murguialday, do Instituto de Psicologia Médica e de Neurobiologia Comportamental da Universidade Eberhard Karls, na Alemanha.

A vertente parapsicológica será analisada no dia 28 e contará com a intervenção de Peter Bancel, investigador doutorado em Física e mentor do Projecto da Consciência Global, experiência cuja finalidade é testar a hipótese de que a atenção focada por um grande número de pessoas durante eventos mundiais possa estar correlacionada com desvios numa rede global de geradores físicos de números aleatórios.

Segundo este investigador, num evento (como por exemplo o 11 de Setembro ou as eleições americanas de 2008) a propensão de várias pessoas pensarem na mesma coisa, ao mesmo tempo, não acontece por mero acaso, mas sim devido a uma consciência global, relacionada com o poder da mente.

No mesmo dia, Dean Radin, do Institute of Noetic Sciences da Califórnia, Harald Walach, Diretor do Institute of Transcultural Health Sciences da Universidade Europeia Viadrina, na Alemanha, e Stuart R. Harmeroff, Diretor do Centro para Estudos da Consciência da Universidade do Arizona, EUA, estarão também na lista de palestrantes.

O último dia do Simpósio será subordinado à dimensão social e filosófica das relações Mente-Matéria, com destaque para Steven Laureys, da Universidade de Liège, Bélgica. Laureys lidera o Grupo de Ciência do Coma e tem incidido a sua actividade científica na análise das capacidades cognitivas em doentes com pouca ou nenhuma evidência de comportamento consciente (caso dos pacientes em estado de coma).

Os últimos 15 anos proporcionaram um conjunto de descobertas científicas relevantes sobre a recuperação da consciência no cérebro humano na sequência de danos cerebrais graves. De entre estas descobertas, é possível destacar que doentes sem evidência comportamental de resposta consciente podem manter capacidades cognitivas críticas. Uma avaliação melhorada da função cerebral em estados de coma poderá alterar os cuidados médicos e proporcionar um diagnóstico e um prognóstico melhor documentado.

Rainer Goebel, da Universidade de Maastricht, Adolf Tobeña, da Universidade Autónoma de Barcelona e Patrick Haggard, da University College, em Londres, completam o leque de oradores da terceira sessão do encontro.

À semelhança das edições anteriores, o Simpósio inclui, no seu programa, com apresentações dos resultados de vários projectos de investigação de bolseiros da Fundação BIAL, que apresentarão os seus trabalhos em sessões de “posters” e em comunicações orais.

No dia 28 à noite haverá ainda espaço para a realização de um encontro/tertúlia conduzido pela artista Marta de Menezes em interacção com os neurocientistas Mário Simões e Miguel Castelo-Branco. Este será um espaço de discussão sobre como o cérebro pode ser iludido na interpretação do mundo material. Onde termina a realidade e começa a ilusão e como pode o contexto distorcer a forma como a mente imagina o mundo material serão os temas em análise.

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premiobialJá estão abertas as candidaturas à 16ª edição do Prémio BIAL, um dos maiores galardões internacionais na área da Saúde, e que este ano assinala os 30 anos da sua criação. Com um valor de 340 mil Euros, o Prémio BIAL contempla a investigação básica e a pesquisa clínica através de duas modalidades: o Grande Prémio BIAL de Medicina e o Prémio BIAL de Medicina Clínica.

“O Prémio BIAL nasceu para incentivar a investigação médica e promover a sua divulgação, primeiro em Portugal e, posteriormente, a nível internacional, acompanhando ao longo da sua história a evolução e as tendências da Saúde e da Medicina”, salienta o presidente da Fundação Bial. Em ano de aniversário, Luís Portela sublinha: “Hoje, 30 anos depois da primeira edição, a Fundação BIAL orgulha-se de promover um dos maiores galardões na área da saúde, capaz de atrair médicos e investigadores de diversos países e de premiar profissionais de referência mundial nas suas áreas de investigação”.

A 16ª edição do Prémio BIAL contempla duas modalidades: o ‘Grande Prémio BIAL de Medicina’ e o ‘Prémio BIAL de Medicina Clínica’. No valor de 200 mil Euros, o ‘Grande Prémio BIAL de Medicina’ distinguirá trabalhos de índole médica de grande qualidade e relevância científica. Já o ‘Prémio BIAL de Medicina Clínica’, no valor de 100 mil Euros, premiará um tema livre dirigido à prática clínica. No regulamento do concurso é ainda contemplada a possibilidade de atribuição de até quatro menções honrosas, no valor de 10 mil Euros cada.

Para além do valor monetário, o Prémio BIAL 2014 contempla igualmente a edição exclusiva, com uma tiragem entre cinco e quinze mil exemplares do trabalho vencedor do Prémio BIAL de Medicina Clínica e de algumas das obras galardoadas, para divulgação e distribuição gratuita junto dos profissionais de saúde. As candidaturas à 16ª edição deste galardão decorrem até dia 31 de Outubro.

O júri do Prémio BIAL 2014 é presidido pela Professora Catarina Resende de Oliveira e constituído por representantes das Escolas de Medicina Portuguesas, nomeadamente os Professores Manuel Antunes (Faculdade de Medicina – Universidade de Coimbra), Miguel Castelo-Branco (Faculdade de Ciências da Saúde – Universidade da Beira Interior), Rui Coelho (Faculdade de Medicina – Universidade do Porto), Jorge Correia-Pinto (Escola de Ciências da Saúde – Universidade do Minho), Emília Monteiro (Faculdade de Ciências Médicas – Universidade Nova de Lisboa), António de Sousa Pereira (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar – Universidade do Porto) e Rui Victorino (Faculdade de Medicina – Universidade de Lisboa).

Instituído em 1984, o Prémio BIAL é atribuído de dois em dois anos e já mobilizou 1315 investigadores, médicos e cientistas, autores de 580 obras candidatas. Nas 15 edições realizadas, distinguiu 231 autores (91 obras premiadas). Como resultado de 30 anos comprometidos com a investigação, foram editadas e distribuídas gratuitamente pela classe médica e científica mais de 30 obras premiadas, num total de mais de 300.000 exemplares.

A Fundação BIAL é uma instituição sem fins lucrativos, considerada de utilidade pública, criada em 1994 pelos Laboratórios BIAL em conjunto com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas. Tem como missão a promoção do estudo do Homem, distinguindo-se pelo seu papel incentivador da investigação médica e científica a nível internacional. Para além do Prémio BIAL, a Fundação BIAL atribui Bolsas de Investigação Científica na área das neurociências e organiza bianualmente o Simpósio Aquém e Além do Cérebro.

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COVID e não-COVID: Investimentos para resolver novos e velhos problemas
Editorial | Rui Nogueira, Médico de Família e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
COVID e não-COVID: Investimentos para resolver novos e velhos problemas

Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência terminou e o estado de calamidade passou, mas o problema de saúde mantem-se ativo. É urgente encontrar uma visão inovadora e adotar uma nova estratégia. As unidades de saúde precisam de encontrar respostas adequadas e seguras.

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