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mortalidade

A crise económica global de 2008-2010 está associada a 260 mil mortes por cancro a mais nos países da Organização para a Cooperação Económica e o Desenvolvimento (OCDE), conclui um estudo publicado na passado quarta feira na revista The Lancet.

O mesmo estudo sugere que, na União Europeia, a crise está relacionada com mais 160 mil mortes, naquela que é a primeira análise global sobre os efeitos do desemprego e da redução da despesa pública em saúde na mortalidade por cancro.

Segundo os cientistas, o desemprego e a redução da despesa pública em saúde estão associados a um aumento do número de mortes por cancro, mas essa diferença desaparece quando existe cobertura universal de saúde.

"Nos países que não têm cobertura universal de saúde, o acesso aos cuidados e saúde são muitas vezes garantidos por um pacote do emprego. Sem emprego, os pacientes são diagnosticados mais tarde e o tratamento é mais fraco e tardio", explicou o coautor Rifat Atun, da Universidade de Harvard, citado num comunicado da revista.

Os investigadores, das universidades de Harvard, nos EUA, e Oxford, Imperial College London e King’s College London, no Reino Unido, usaram informação do Banco Mundial e da Organização Mundial de Saúde para analisar a relação entre o desemprego, a despesa pública em saúde e a mortalidade por cancro em mais de 70 países, que representam mais de dois mil milhões de pessoas.

A análise cobriu as tendências ao longo de 20 anos, entre 1990 e 2010 e abrangeu os cancros da próstata nos homens, da mama nas mulheres, e o cancro colorretal e do pulmão em ambos os géneros.

Os cancros foram classificados como tratáveis (com taxas de sobrevivência superiores a 50%) ou não tratáveis (com taxas de sobrevivência inferiores a 10%).

"Concluímos que o aumento do desemprego está associado a um aumento da mortalidade por cancro, mas que a cobertura universal de saúde protege contra estes efeitos. Isto é especialmente verdade no caso dos cancros tratáveis, incluindo o cancro da mama, da próstata e colorretal", afirmou o autor principal do estudo, Mahiben Maruthappu do Imperial College de Londres.

O investigador acrescentou que também os gastos públicos em saúde "estão muito associados à mortalidade por cancro, o que sugere que os cortes na saúde podem custar vidas".

"Se os sistemas de saúde sofrerem restrições de financiamento, isso deve ser combinado com melhorias ao nível da eficiência para garantir que os pacientes recebem o mesmo nível de cuidados de saúde, independentemente do ambiente económico ou do seu estatuto laboral", defendeu.

O cancro provocou 8,2 milhões de mortes em 2012, e estima-se que o número de casos suba de 14 milhões em 2012 para 22 milhões em 2030.

"O cancro é uma importante causa de morte em todo o mundo, por isso é crucial entender como as mudanças económicas afetam a sobrevivência", disse Mahiben Maruthappu.

A crise económica internacional que começou em 2008 resultou num aumento substancial nas taxas de desemprego e levou muitos países a reduzirem a despesa pública na saúde.

Muitos estudos já demonstraram o impacto destas mudanças na saúde física e mental, nomeadamente no aumento do suicídio ou das doenças cardiovasculares.

Os autores ressalvam que o estudo publicado apenas mostra uma associação entre a mortalidade, o desemprego e a despesa pública em saúde, e não permite provar uma relação de causa e efeito.

No entanto, dizem ter detetado uma correlação cronológica: as mudanças no desemprego foram seguidas de mudanças na mortalidade por cancro, o que dizem apontar para uma relação causal.

Referem ainda que, como a informação de qualidade só está disponível até 2010, não foi possível analisar os efeitos de longo prazo das flutuações económicas na mortalidade por cancro.

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Alcoolismo1

Portugal surge como um dos dez países com maior consumo de álcool per capita do mundo, segundo dados de 2015 revelados hoje por um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O documento mostra que, no ano passado, foram consumidos o equivalente a uma média de 12,5 litros de álcool puro per capita em Portugal, que surge exatamente na mesma posição da Eslováquia, ambos no oitavo lugar entre os maiores consumidores da região europeia considerada pela OMS e que abrange 50 países.

Estes valores têm tido variações ligeiras em anos anteriores, mas Portugal tem surgido em posição semelhante comparativamente com os outros países. Em termos mundiais situa-se entre os dez maiores consumidores por pessoa.

A liderar a tabela da OMS está a Moldávia, com um consumo equivalente a 17,4 litros de álcool per capita, seguida da Bielorrússia, Lituânia, Rússia, República Checa, Sérvia e Roménia. Surge depois a Austrália, com 12,6 litros per capita, logo seguida de Portugal e da Eslováquia.

O relatório lembra dados de 2012 que mostram que 3,3 milhões de mortes em todo o mundo foram atribuíveis ao consumo de álcool, quase seis por cento de toda a mortalidade.

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Tuberculose 2

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou ontem um novo tratamento para a tuberculose multirresistente (TBMR), um passo decisivo para substituir uma terapia antiga e cara, que só é eficaz em cerca de 50% dos casos.

Calcula-se que cerca de 480.000 pessoas contraem TBMR todos os anos, o que representa mais ou menos 5% dos 9,6 milhões de casos de tuberculose registados anualmente.

A tuberculose multirresistente é muito difícil de tratar, ao contrário da tuberculose simples, exigindo que os pacientes tomem dolorosas injeções e milhares de comprimidos durante um período de 18 a 24 meses, por vezes com efeitos secundários graves, que podem incluir a surdez.

O antigo tratamento da TBMR “é praticamente uma tragédia”, disse Mario Raviglione, diretor do Programa Mundial de Luta Contra a Tuberculose da OMS.

O novo tratamento, que a OMS vai agora incentivar todos os países a adotarem, dura até nove meses e espera-se que cure mais de 80% dos casos.

Também é mais barato, devendo custar 400 dólares (350 euros) por paciente, comparado com os 1.500/3.000 dólares (1.315/2.630 euros) do tratamento antigo, disse Raviglione aos jornalistas.

Cerca de 30% dos doentes de TBMR com um tipo especialmente complicado da doença não poderão beneficiar do novo tratamento e para identificar a elegibilidade de um doente para a nova terapia a OMS também aprovou um novo teste de diagnóstico que indica a natureza exata de uma infeção de tuberculose no prazo de 48 horas.

A tuberculose é uma doença bacteriana que infeta sobretudo os pulmões e mata cerca de 1,5 milhões de pessoas anualmente, principalmente em países de rendimento baixo e médio. Calcula-se que 190.000 pessoas morram de TBMR todos os anos.

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criançasbrincando

Dois terços dos jovens dos 10 aos 24 anos vivem em países onde problemas evitáveis como o VIH, a gravidez precoce, a depressão ou a violência ameaçam o seu futuro, revela um relatório que é hoje apresentado.

A conclusão é de um estudo que a revista The Lancet apresenta hoje em Londres e resulta de um trabalho desenvolvido desde 2009 por 26 especialistas de 14 países, ao abrigo de uma comissão liderada por especialistas em saúde adolescente na Universidade de Melbourne, na Austrália, na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, na University College de Londres e na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Segundo o relatório agora publicado, os adolescentes de entre 10 e 24 anos representam mais de um quarto da população mundial, mas, porque a adolescência é normalmente considerada a fase mais saudável da vida, têm sido vítimas de décadas de negligência e falta de investimento, com consequências na sua saúde e bem-estar.

Esta faixa etária abrange 1,8 mil milhões de pessoas, 89% das quais vivem em países em desenvolvimento, e deverá abranger 2 mil milhões em 2032, mas os especialistas afirmam que tem a pior cobertura de cuidados de saúde de todos os grupos etários.

Com efeito, enquanto os esforços mundiais para melhorar a saúde das crianças até aos cinco anos levou a importantes melhorias, as causas de morte dos jovens de 10-24 anos pouco mudaram entre 1990 e 2013, mantendo-se no topo das causas os acidentes rodoviários, a automutilação, a violência e a tuberculose.

Os adolescentes enfrentam também novos desafios, como o aumento dos níveis de obesidade e doença mental, o elevado desemprego e o risco de radicalização.

Os especialistas lembram que os comportamentos que começam na adolescência podem determinar a saúde e o bem-estar para toda a vida, pelo que a comissão de especialistas espera que este relatório seja um grito de alerta para atrair mais investimento naquela que é a maior geração de adolescentes da história mundial.

Este investimento, garantem, terá benefícios em três fases: hoje, na idade adulta destes jovens e na próxima geração de crianças.

"Esta geração de jovens pode transformar o futuro de todos nós. Não há tarefa mais urgente na saúde global do que garantir que eles têm recursos para o fazer. Isto significa que é crucial investir urgentemente na sua saúde, educação, meios de subsistência e participação", disse o autor principal, George Patton, da Universidade de Melbourne, citado num comunicado da revista Lancet.

Segundo uma nova análise internacional dos dados do estudo Peso Global da Doença (Global Burden of Disease), realizada pelo Instituto para a Métrica e a Avaliação da Saúde (IMAS), da Universidade de Washington, em Seattle, as principais causas de morte dos jovens entre os 10 e os 14 anos são o VIH/SIDA, os acidentes rodoviários e os afogamentos, que juntos provocaram um quarto das mortes naquela faixa etária em 2013.

As doenças infecciosas do intestino, as infeções respiratórias e a malária contribuíram para outros 21% das mortes.

Já entre os 15 e os 24, as principais causas são os acidentes rodoviários, a automutilação e a violência.

A depressão resultou no maior peso da doença a nível mundial em 2013, afetando mais de 10% dos 10 aos 24 anos, seguida do aumento das doenças de pele, como o acne e a dermatite.

O fator de risco para a saúde dos adolescentes que mais aumentou nos últimos 23 anos foi o sexo desprotegido, enquanto o álcool continua a ser o maior fator de risco para os jovens adultos entre os 20 e os 24 anos, sendo responsável por 7% do peso da doença.

"Os nossos dados mostram uma clara necessidade de esforços renovados para melhorar a saúde e reduzir o peso da doença nos jovens. A inação continuada terá ramificações graves na saúde desta geração e da próxima", alertou Ali Mokdad, do IMAS.

A comissão conclui que algumas das medidas mais eficazes para melhorar a saúde e o bem-estar dos adolescentes pertencem a setores para além da saúde: "O melhor investimento que podemos fazer é garantir o acesso a educação secundária gratuita e de qualidade", explicou Patton.

"Cada ano de educação para além dos 12 anos de idade está associado a menos adolescentes a terem filhos e a menos mortes entre os rapazes e as raparigas. Uma força de trabalho saudável e instruída tem o potencial de moldar as perspetivas económicas de um país", acrescentou.

Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "os jovens são o maior recurso inexplorado do mundo".

Num comentário citado no comunicado da Lancet, Ban Ki-moon escreve que os adolescentes "podem ser a força motriz na construção de um futuro digno para todos", permitindo alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Os autores fazem uma série de recomendações para melhorar as perspetivas da saúde e bem-estar dos adolescentes, que vão na linha das orientações da Estratégia Global para a Saúde das Mulheres, das Crianças e dos Adolescentes, lançada em setembro do ano passado.

Alargar o ensino secundário gratuito; apostar a sério nas leis que protegem e dão poder aos adolescentes, como a que garante os 18 anos como idade mínima para o casamento; e continuar a reunir evidências que suportem a ação em torno da saúde mental e da violência são algumas das recomendações.

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gravidez tensão

Um estudo ontem divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que as doenças não transmissíveis, como a diabetes ou a hipertensão, são uma ameaça crescente para as grávidas e põem em causa os progressos alcançados na saúde materna.

Realizado por cientistas do México e dos EUA, o estudo surge numa edição especial do Boletim da OMS e revela que, embora o número de mulheres que morrem nos países de baixo e médio rendimento por causas relacionadas com a gravidez e o parto seja hoje mais baixo do que há dez anos, mais mulheres morrem de causas indiretas.

"Estamos a vencer a batalha contra as causas tradicionais de morte materna, como as hemorragias pós-parto, mas não contra as causas indiretas da mortalidade materna", disse o coautor do estudo, Rafael Lozano, do Instituto Nacional de Saúde Pública do México, citado num comunicado da OMS.

As conclusões agora divulgadas juntam-se a evidências crescentes sobre as causas de morte durante a gravidez no México e são consistentes com as mais recentes análises globais de que mais de um quarto das mortes maternas em todo o mundo se deve a causas indiretas.

A mortalidade materna, que corresponde às mortes de mulheres durante a gravidez, o parto ou nos 42 dias após dar à luz, é uma medida importante quando se calcula o nível de desenvolvimento humano de um país.

As causas diretas da mortalidade materna resultam de complicações obstétricas durante a gravidez e o parto, enquanto as causas indiretas resultam muitas vezes de doenças pré-existentes que se agravam com a gravidez e incluem doenças não transmissíveis como a diabetes ou problemas cardiovasculares, assim como doenças infecciosas ou parasitárias como o VIH, a tuberculose, a gripe ou a malária.

Os autores do estudo identificaram e reclassificaram 1.214 mortes como mortes maternas, revelando que a mortalidade materna no México tinha sido subestimada em cerca de 13%.

Como resultado, os números da mortalidade materna no México, no período do estudo, foram corrigidas de 7.829 para 9.043.

As mortes adicionais foram identificadas através de um novo método, desenvolvido pela equipa de Lozano, chamada Pesquisa Intencional e Reclassificação de Mortes Maternas.

Ao aplicar este método ao período em estudo, de oito anos, os autores concluíram que a mortalidade materna por causas obstétricas diretas diminuiu de 46,4 para 32,1 por 100.000 nados vivos, enquanto a mortalidade materna por causas indiretas aumentou de 12,2 mortes por 100.000 nados vivos, em 2006, para 13,3 mortes por 100.000 nados vivos, em 2013.

"As mortes maternas por causas diretas afetam mulheres nos municípios mais pobres, mas as mulheres que morreram de causas indiretas tinham menos gravidezes, tinham níveis mais elevados de educação e tendiam a viver em municípios mais ricos", disse Lozano.

Como muitos países de médio rendimento, o México tem registado um aumento rápido dos níveis elevados de colesterol e obesidade, deixando as mulheres em idade reprodutiva em maior risco de hipertensão e diabetes de tipo 2 pré-existentes.

A diretora-geral adjunta da OMS para a Saúde da Família, das Mulheres e das Crianças, Flavia Bustreo, lembrou que os programas de saúde materna se fortaleceram em pessoal mais qualificado nos serviços de partos e emergências obstétricas.

Mas estas medidas, que têm resultado numa redução da mortalidade materna em todo o mundo, não permitem reduzir a mortalidade por causas indiretas, sublinhou.

O estudo sublinha a necessidade de os serviços de saúde dirigidos às grávidas, recém-nascidos e crianças serem repensados para reagir a novos desafios, nomeadamente a emergente ameaça das doenças não transmissíveis para a saúde materna.

"Para reduzir a mortalidade materna indireta, os obstetras e outros profissionais de saúde que seguem mulheres durante a gravidez e o pós-parto têm de se treinar a olhar para a saúde da mulher holísticamente e não só para a sua gravidez", disse Bustreo.

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Por cada euro investido no tratamento da depressão e da ansiedade ganham-se quatro em saúde e capacidade de trabalho, revela hoje um estudo que estima em 870 mil milhões o custo anual das doenças mentais no mundo.

Publicado hoje na revista científica The Lancet Psychiatry e coordenado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o estudo estima, pela primeira vez, os benefícios de investir em tratamentos para as formas mais comuns de doença mental a nível global, tanto para a saúde, como para a economia.

"Sabemos que o tratamento da depressão e da ansiedade faz sentido em termos de saúde e bem-estar. Este novo estudo confirma que faz muito sentido a nível económico também", disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, citada num comunicado conjunto da OMS e do Banco Mundial.

Para a dirigente, é agora preciso "encontrar maneira de assegurar que o acesso aos serviços de saúde mental se torna uma realidade para todos os homens, mulheres e crianças, onde quer que eles vivam".

O número de pessoas que sofre de depressão e/ou ansiedade aumentou quase 50% entre 1990 e 2013, de 416 milhões para 615 milhões em todo o mundo.

Atualmente, cerca de uma em cada dez pessoas sofre de doenças mentais e estas representam 30% do peso global das doenças não fatais.

As situações de emergência e de conflito contribuem ainda mais para o problema, estimando a OMS que, durante essas crises, cerca de uma em cada cinco pessoas seja afetada por depressão e ansiedade.

O estudo agora publicado calcula os custos do tratamento e os respetivos benefícios em 36 países de baixo, médio e alto rendimento entre 2016 e 2030.

O custo de apostar no tratamento, sobretudo em aconselhamento psicossocial e medicação antidepressiva, é estimado em 147 mil milhões de dólares (128 mil milhões de euros).

No entanto, escrevem os autores do estudo, o retorno compensa largamente o custo.

Um aumento de cinco por cento na participação da força de trabalho e na produtividade é valorizada em 399 mil milhões de dólares (349 mil milhões de euros) e a melhoria na saúde equivale a mais 310 mil milhões de dólares (271 mil milhões de euros) em retorno.

O problema é que o investimento atual em serviços de saúde mental está muito abaixo das necessidades.

Segundo a OMS, os governos investem em saúde mental uma média de três por cento dos seus orçamentos para a saúde, variando entre menos de um por cento nos países de baixo rendimento e cinco por cento nos países de alto rendimento.

"Apesar de centenas de milhões de pessoas em todo o mundo viverem com doenças mentais, a saúde mental continua na sombra", disse o presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim, citado no mesmo comunicado.

"Não é apenas uma questão de saúde pública, é uma questão de desenvolvimento. Temos de atuar agora porque a perda de produtividade é algo que a economia global simplesmente não pode pagar".

Os resultados deste estudo estarão em debate numa série de eventos coorganizados pela OMS e pelo Banco Mundial, que decorrem entre quarta e quinta-feira em Washington, no âmbito das Reuniões de Primavera do Banco Mundial - Fundo Monetário Internacional.

Ministros das finanças, agências de desenvolvimento, especialistas em desenvolvimento, académicos e médicos vão discutir como colocar a saúde mental no centro da agenda da saúde e do desenvolvimento, tanto a nível global, como a nível nacional.

Durante estes eventos, alguns países que tiveram êxito a apostar na saúde mental, incluindo o Brasil que desenvolveu uma rede de cuidados psicossociais, vão partilhar os desafios que enfrentaram e como os ultrapassaram.

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quarta-feira, 06 abril 2016 15:48

Quase um milhão de portugueses com diabetes

Diabetes 3

Quase um milhão de portugueses com mais de 30 anos sofre de diabetes, doença que mata mais de 12 pessoas por dia em Portugal, segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), hoje divulgado.

De acordo com o primeiro relatório global sobre a Diabetes da OMS, a prevalência da diabetes tem vindo a aumentar nas últimas décadas e Portugal não é exceção, estimando-se que 9,2% dos portugueses (aproximadamente 952 mil pessoas) sofram desta doença, predominantemente homens (10,7%), mas também mulheres (7,8%).

Estes números são inferiores aos apurados pelo Observatório Nacional da Diabetes, relativamente a 2014, segundo os quais a prevalência estimada da doença na população portuguesa com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos foi de 13,1%, a que se juntam mais de 2 milhões de pessoas com pré-diabetes.

No que respeita à mortalidade, o relatório da OMS apresenta estimativas de morte por diabetes e por elevados níveis de glucose no sangue superiores a 4.500 óbitos por ano.

De acordo com aquele organismo, as mortes por diabetes atingem as 4.690, sendo que morrem mais homens por este motivo entre os 30 e os 69 anos e mais mulheres depois dos 70 anos, idade a partir da qual as mortes por diabetes disparam.

Entre os 30 e os 69 anos morreram por ano 660 pessoas devido à diabetes (410 homens e 250 mulheres), com mais de 70 anos morreram com esta doença 1.670 homens e 2.360 mulheres.

O número de mortes atribuíveis a elevados níveis de glucose no sangue é superior, chegando aos 6.770: entre os 30 e os 69 anos morreram 690 homens e 33 mulheres, números que sobem para 2.290 e 3.460, respetivamente, a partir dos 70 anos.

O relatório da OMS usa como estimativas para a mortalidade atribuível à diabetes e ao excesso de açúcar no sangue o período 2000-2012, baseado em tabelas estatísticas mundiais de saúde de 2014.

Aqui também os números do Observatório Nacional da Diabetes são menos animadores do que os da OMS, já que no que respeita à letalidade intra-hospitalar, o relatório revelava que em 2014, cerca de um quarto das pessoas que morreram nos hospitais tinham diabetes, correspondendo a 11.736 óbitos em números absolutos.

A OMS faz ainda um apanhado dos fatores de risco para a diabetes, apontando como mais prevalente o excesso de peso, seguido do sedentarismo e finalmente da obesidade.

O relatório indica que em Portugal 6,18 milhões de pessoas (59,8%) têm excesso de peso, mais de metade da população, sendo que esta prevalência é mais evidente nos homens (65%) do que nas mulheres (55%).

A obesidade tem uma prevalência mais baixa (22,1%), atingindo ainda assim quase 2,3 milhões de portugueses, sendo que é mais esbatida a diferença entre homens (21,4%) e mulheres (22,8%).

O sedentarismo, ou falta de atividade física, tem uma prevalência de 37,3% em Portugal, com 33,5% de homens e 40,8% de mulheres fisicamente inativos.

Número de adultos com diabetes quadriplicou desde 1980

Cerca de 422 milhões de adultos em todo o mundo viviam com diabetes em 2014, quatro vezes mais do que em 1980, revela também o estudo.

No mesmo período, informa o relatório, a prevalência da diabetes quase duplicou, de 4,7% para 8,5% da população adulta, o que reflete um aumento dos fatores de risco associados, como o excesso de peso e a obesidade.

"A diabetes está a aumentar. Já não é uma doença de países predominantemente ricos e a prevalência está a aumentar constantemente em todo o lado, mais marcadamente nos países de médio rendimento", escreve a diretora-geral da OMS no prefácio do relatório.

Com efeito, segundo os dados disponíveis no documento, na última década a prevalência da diabetes aumentou mais nos países de médio e baixo rendimento do que nos países ricos.

Mais de 80% das mortes por diabetes ocorrem em países de baixo e médio rendimento.

A OMS estima que em 2030 a diabetes seja a sétima maior causa de morte.

Em 2012, pode ler-se no relatório da OMS, a doença provocou 1,5 milhões de mortes, e o excesso de glucose no sangue causou mais 2,2 milhões de mortes, por aumentar os riscos de doenças cardiovasculares.

Quarenta e três por cento destas 3,7 milhões de mortes ocorrem antes dos 70 anos.

A diabetes é uma doença crónica e grave que ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente (diabetes tipo 1) ou quando o corpo não consegue usar eficazmente a insulina que produz (diabetes tipo 2).

Trata-se de um "importante problema de saúde pública", uma das quatro doenças não transmissíveis definidas como prioritárias pelos líderes mundiais.

Embora a OMS não possa distinguir os números de doentes com cada um dos tipos de diabetes - são precisos exames laboratoriais  para distingui-los, a maioria tem a diabetes tipo 2. Esta doença ocorria quase inteiramente em adultos, mas atualmente já aparece nas crianças.

Todos os tipos de diabetes, incluindo a diabetes gestacional, que aparece na gravidez, provocam complicações em diferentes partes do corpo e aumentam o risco de morte prematura.

Entre as complicações associadas à diabetes estão o ataque cardíaco, o acidente vascular-cerebral, a falência renal, a amputação de pernas, a perda de visão e os danos neurológicos.

Na gravidez, a diabetes gestacional não controlada aumenta o risco de morte fetal e outras complicações.

A OMS sublinha que, embora não se saiba como prevenir a diabetes de tipo 1, é possível prevenir a diabetes de tipo 2 e as complicações associadas a todos os tipos.

A prevenção, recorda a organização, passa por políticas que abranjam toda a população e que contribuam para a melhoria da saúde de todas as pessoas, tenham ou não diabetes, como fazer exercício regular, ter uma alimentação saudável, evitar fumar e controlar a tensão arterial e as gorduras no sangue.

"Não existe uma política ou uma intervenção para assegurar que isto acontece. É necessária uma abordagem de todo-o-governo e toda-a-sociedade", escrevem os autores do relatório da OMS, que recordam que a doença representa um peso económico substancial para os doentes e famílias, mas também para as economias nacionais, devido aos gastos médicos e aos dias de trabalho perdidos.

Quanto aos doentes com diabetes, a OMS diz que o ponto de partida para manterem a qualidade de vida é um diagnóstico precoce, já que quanto mais tempo uma pessoa vive com diabetes não diagnosticada, piores são as suas perspetivas.

A OMS defende por isso o acesso a meios de diagnóstico básicos nos serviços de saúde primários.

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Ebola_virus_em
A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou ontem que a epidemia do vírus Ébola na África Ocidental deixou de ser uma situação de emergência de saúde pública internacional.

"A epidemia de Ébola na África Ocidental já não representa uma emergência de saúde pública de alcance internacional", declarou a diretora da OMS, Margaret Chan, numa conferência de imprensa em Genebra.

A epidemia de Ébola que surgiu em 2013, o mais mortal dos surtos da doença tropical, foi declarada emergência internacional em agosto de 2014 e fez, até finais de 2015, mais de 11.300 mortos, a maioria na Guiné-Conacri, na Libéria e na Costa do Marfim, em cerca de 28.000 casos registados.

Chan sublinhou que esses três países da África ocidental continuam vulneráveis a um ressurgimento do vírus, como é o caso do que se está a registar na Guiné-Conacri, onde há vários casos em observação e cinco pessoas já morreram.

O risco de alastramento internacional é agora baixo, e os países têm atualmente capacidade para responder rapidamente a novas emergências do vírus”, disse a dirigente da agência especializada das Nações Unidas para a Saúde Pública.

A responsável alertou ainda para os perigos de complacência em relação ao vírus, que continua “no ecossistema” na África Ocidental, e insistiu em que a vigilância é fundamental, incluindo resposta rápida a novos casos.

“Particularmente importante será garantir que as comunidades podem rápida e totalmente participar em qualquer resposta futura e que futuros casos são rapidamente isolados e tratados”, acrescentou Margaret Chan.

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Crónicas de uma pandemia anunciada
Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

Era 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de Pandemia por COVID-19 e a organização dos serviços saúde, como conhecíamos até então, mudou. Reorganizaram-se serviços, redefiniram-se prioridades, com um fim comum: combater o SARS-CoV-2 e evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde, que, sem pandemia, já vivia em constante sobrecarga.

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