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Ataque cardíaco

Mais de 80% das mortes em Portugal resultam de doenças crónicas não transmissíveis, com as patologias cardiovasculares a surgirem como as principais responsáveis, segundo um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo o documento, datado de Julho e que analisou 178 países, em Portugal a probabilidade de morrer entre os 30 e os 70 anos de uma das quatro principais doenças crónicas não transmissíveis situa-se nos 12%. Doenças cardiovasculares, diabetes, cancros e doenças crónicas respiratórias são consideradas as principais patologias crónicas não contagiosas.

De acordo com o documento, com dados de 2000 até 2012, as doenças cardiovasculares são responsáveis, em Portugal, por 32% da mortalidade, os tumores por 28%, as doenças crónicas respiratórias representam uma fatia de 6% e a diabetes de 5%.

Num total de 97 mil mortes, as doenças crónicas não transmissíveis representam 86%.

“A prevenção é a única forma de travarmos estas doenças crónicas não transmissíveis. Enquanto os nossos governantes não entenderem que a maior fatia do investimento em saúde deve ser feito na prevenção, e não no tratamento, nunca teremos, por um lado, a diminuição da doença e, por outro, a diminuição dos encargos na saúde”, refere em comunicado a Ordem dos Nutricionistas, num comentário ao relatório da OMS.

Os nutricionistas lembram a “grande relação” entre a alimentação desadequada e o aparecimento de doenças como as cardiovasculares, frisando a necessidade de “uma política alimentar e nutricional que envolva todos os intervenientes”.

De acordo com o documento da OMS, todos os anos morrem 38 milhões de pessoas de doenças crónicas não contagiosas, 28 milhões deles nos países desenvolvidos.

Do total de mortes, 16 milhões são consideradas prematuras, ou seja, ocorrem antes dos 70 anos.

“O número de doenças crónicas não transmissíveis aumentou em todo o mundo desde 2000, sobretudo nas regiões do Sudeste Asiático e do Pacífico Ocidental”, refere a OMS.

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camelo

A Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS-CoV), mais conhecido como novo coronavírus, infectou mais de 700 pessoas, das quais 249 faleceram, anunciou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera a transmissão do vírus "preocupante" mas não uma emergência.

O director-geral adjunto da OMS, Keiji Fukuda, apresentou hoje em conferência de imprensa os últimos resultados sobre o MERS, que surgiu pela primeira vez na Arábia Saudita em 2012, e que desde então foi registado em pelo menos quinze países.

Os 16 membros do Comité de Emergência sobre o MERS reuniram-se hoje pela sexta vez, e durante quatro horas analisaram a situação e a gravidade da expansão do vírus.

Os especialistas concluíram de forma unânime que apesar da gravidade, não estão reunidas as condições para declarar uma emergência de saúde pública de alcance internacional.

O facto de o número de casos não ter aumentado consideravelmente, como sucedeu em meados de Abril, e também por "não haver provas" da transmissão entre humanos na comunidade fazem descartar, por agora, a declaração de emergência.

Até à data, detectaram-se duas formas de transmissão: de humanos a camelos, e em infecções hospitalares.

"O facto de ainda desconhecermos com exactidão como o vírus se infecta exactamente, obriga-nos a determinar que a situação é preocupante", afirmou Fukuda.

As principais recomendações são para que as pessoas que se relacionem com camelos aumentem as precauções, e que os enfermeiros e pessoal sanitário que frequenta os centros de saúde seja extremamente cuidadoso.

O comité disse também que não se pode baixar a guarda porque o vírus "ainda mata um número significativo de pessoas que são infectadas". Por agora, a taxa de mortalidade é de 36%.

Outro aspecto reforçado pelo comité foi o perigo que o aumento das viagens à Arábia Saudita constitui, já que se esperam milhões de pessoas para as peregrinações a Meca durante o Ramadão.

Neste caso, a OMS solicita que se transmita informação entre os peregrinos para que estejam conscientes do perigo que enfrentam e para que tomem medidas de precaução adequadas.

Para já detectaram-se casos na Argélia, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos da América, Filipinas, Grécia, Holanda, Irão, Jordânia, Kuwait, Líbano, Malásia, Omã, Qatar e Iémen.

O comité voltará a reunir-se para avaliar o impacto do novo coronavírus em Setembro, excepto no caso de existir alguma situação extraordinária.

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mortalidade-omsNo grupo dos 22 países que integram a Europa Ocidental, Portugal é o que apresenta a melhor evolução no que se refere à redução da mortalidade infantil. E foi o que registou a maior redução média anual entre 1990 e 2013. Hoje, o país ocupa a sexta posição do ranking dos melhores classificados da região, à frente de países como a Bélgica, Dinamarca, Áustria, França Alemanha ou Holanda, revela o maior estudo alguma vez realizado sobre o tema, cujos resultados foram publicados há dias no Lancet. Já a nível global, Portugal ocupa a 10ª melhor posição no que se refere à taxa de mortalidade de crianças com menos de cinco anos de idade, entre os 188 países que subscreveram, em Setembro de 2000, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).

O estudo, financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates e que envolveu centenas de investigadores de todo o mundo, apresenta alguns resultados que surpreendem, também, pela negativa. É o caso do Reino Unido (RU), normalmente apresentado como “exemplo a seguir” e que tem aquele que é considerado por muitos como o melhor serviço nacional de saúde do mundo. Pois bem, pese a fama, a verdade é que regista uma das mais elevadas taxas de mortalidade de crianças com menos de cinco anos de idade da Europa Ocidental, só ultrapassada pela registada em Malta.

De salientar que entre 2003 e 2013, apenas oito países viram aumentadas as suas taxas de mortalidade infantil, entre os quais, os Estados Unidos da América, que a par com o Canadá e o Reino Unido, dificilmente irão cumprir a meta de 4,4% fixada nos ODM, para 2015. 

Reino Unido: a desilusão europeia…
Os resultados do novo estudo coordenado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) da Universidade de Washington, oferecem uma nova imagem global dos progressos registados ao nível da redução da mortalidade infantil, alguns surpreendentes. É o que acontece com o Reino Unido, que não obstante apresentar em termos de padrão global, taxas de mortalidade infantil bastante baixas, no contexto da Europa Ocidental, o país apresenta taxas de mortalidade infantil superiores às registadas em todos os demais 22 países da região, à excepção de Malta, o pior classificado. A taxa de mortalidade em crianças com menos de cinco anos de idade é, no Reino Unido, de 4,9 mortes por mil nascimentos, mais do dobro da registada na Islândia (2,4/1000), o país com a mais baixa taxa de mortalidade naquela faixa etária. Neste parâmetro, Portugal regista 3,5 mortes por mil nascimentos, ocupando o sexto lugar no ranking dos países com melhores resultados.

A média dos 22 países que integram a região é de 3,9 mortes por 1000 nascimentos.

Outro dado perturbador é o que informa que em 2013, morreram no Reino Unido 3800 crianças com menos de cinco anos de idade, o valor mais elevado, em termos absolutos, registado na região.

No que se refere às taxas de mortalidade nos diferentes escalões etários pediátricos os resultados mostram, uma vez mais, que o Reino Unido apresenta um dos piores cenários regionais no que toca à mortalidade neonatal (0 a seis dias), pós-neonatal (28 a 364 dias) e o pior resultado de entre todos os países da região no que se refere ao número de óbitos em crianças com entre 1 e 4 anos de idade.

A taxa de mortalidade infantil no escalão “menos de cinco anos de idade” do Reino Unido, é comparável com a de países como a Sérvia e a Polónia.

Já quando se comparam os dados britânicos com os registados no resto do mundo, é de assinalar que os mesmos são piores do que os encontrados na Austrália, Israel, Japão, Singapura ou na Coreia do Sul.

Ainda assim, não tão maus como os de países como o Canadá (5,4/1000) ou os Estados Unidos da América (6,6/1000). Aliás, importa salientar que à excepção de Malta e da Grécia (e aqui, apenas no que toca à mortalidade entre os 7 e os 28 dias), todos os países da Europa Ocidental apresentam, em todas as faixas etárias, melhores resultados do que os registados nos EUA e no Canadá.

“Ficámos surpreendidos com os resultados uma vez que o Reino Unido protagonizou enormes avanços ao nível da Saúde Pública ao longo dos anos”, comentou Christopher Murray, director do IHME e principal autor do estudo. “As taxas de mortalidade infantil mais elevadas do que era esperado registadas no Reino Unido, lembram-nos a todos de que não obstante assistirmos a uma redução global da mortalidade infantil, os países devem examinar o que estão a fazer para garantir que mais crianças cheguem à idade adulta”.

Globalmente, as taxas de mortalidade têm registado um declínio constante desde 1990, com uma taxa mais acentuada de declínio em muitos países sob observação desde que foram estabelecidos os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), em 2000. No Reino Unido, não obstante o número de mortes de crianças por mil nascimentos ter diminuído de uma forma geral entre 1990 e 2013, a verdade é que esse declínio abrandou para metade entre 2000 e 2013 do que o registado entre 1990 e 2000.

“Estes números mostram o impacto significativo para a saúde que as crianças representam no Reino Unido, quando comparado com o registado noutros países vizinhos europeus. As razões para este facto aparentam ser complexas, mas certamente incluem uma má organização dos serviços de saúde pediátricos do Reino Unido. Até que os nossos políticos comecem a encarar de forma mais séria a saúde infantil – a saúde da próxima geração de cidadãos britânicos – recém-nascidos e crianças mais velhas continuarão a sofrer e a morrer desnecessariamente,” defendeu, a propósito do estudo, Richard Horton, Editor-chefe do The Lancet.

Considerando a Europa no seu todo, os piores índices de mortalidade infantil registam-se em países da Europa Central (6,7 mortes por mil nascimentos) e da Europa de Leste (9,7 mortes por mil nascimentos).

Melhorias, ainda longe dos objectivos dos ODM
Os resultados agora conhecidos integram um estudo patrocinado pela Fundação Bill & Melinda Gates, realizado à escala global, regional e nacional, que avaliou a mortalidade infantil, em diferentes escalões etários, entre 1990 e 2013.

De entre os resultados obtidos, destaca-se, pela negativa, o facto de, não obstante 137 países terem registado reduções mais significativas da mortalidade infantil entre 2003 e 2013 do que entre 1990 e 2003, a verdade é que apenas 40 cumpriram a meta nº 4 dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, estabelecidos em 2000, que estipula uma redução, em dois terços, da mortalidade nesse escalão etário, algo só possível com reduções anuais de 5,5% ao ano em ambos os intervalos temporais.

De 1990 a 2013, a Albânia, Bósnia, Estónia, Lituânia, Letónia, Polónia, Roménia, Roménia, Rússia e Bielorrússia, ultrapassaram as metas propostas pela OMS, com decréscimos superiores a 5,5%/ano. Na Europa Ocidental, Portugal foi o único país que cumpriu a meta.

Entre 2003 e 2013, apenas oito países viram aumentadas as suas taxas de mortalidade infantil. Foram eles o Afeganistão, El Salvador, Guiné-Bissau (que apresenta o pior perfil mundial, com 152,5 mortes por mil nascimentos), Grécia, Seicheles, Sudão do Sul e… Estados Unidos da América.

No estudo, estima-se que em 2003, tenham morrido 6,3 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade. Um número desesperante, mas ainda assim muito inferior ao que se registava em 1970 quando o número de mortes atingia 17.6 milhões de crianças.

Em 2013, a mortalidade neonatal representava 41,5% das mortes de crianças com menos de 5 anos de idade. Em 1990, esse peso era de 37.4%.

Em 2013, 26 países foram responsáveis por 80% do total de mortes registadas em todo o mundo: Afeganistão, Angola, Bangladesh, Brasil, Burkina Faso, Camarões, Chade, China, Costa do Marfim, República democrática do Congo, Etiópia, Gana, India, Indonésia, Quénia, Malawi, Mali, Moçambique, Níger, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Somália, Sudão, Tanzânia e Uganda.

Apenas nove países foram responsáveis por dois terços da redução global de 3,1 milhões de mortes de crianças em 2013, relativamente a 2000: India, China, Etiópia, Bangladesh, Indonésia, Paquistão, Brasil, Afeganistão e Nigéria.

Com base nos índices de redução registados entre 1990 e 2013, os investigadores estimam que apenas 27 dos 138 países em vias de desenvolvimento deverão atingir a meta número 4 dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, de redução, em dois terços, da mortalidade infantil entre 1990 e 2015. São eles: Arménia, Bahrain, Bangladesh, Benin, Butão, Brasil, Burma, China, Egipto, El Salvador, Federação de Estados da Micronésia, Irão, Líbano, Libéria, Líbia, Maldivas, Nepal, Nicarágua, Oman, Peru, Arábia Saudita, Sri Lanka, Tailândia, Timor-Leste, Tunísia, Turquia e Emirados Árabes Unidos.

De acordo com os investigadores, que suportam a sua análise no seu estudo e em estudos anteriores, a maioria dos 188 países signatários da Declaração de Objectivos do Milénio não conseguirá atingir a meta relativa à mortalidade infantil no prazo previsto (2015). De acordo com projecções realizadas no âmbito do estudo, em 2030 nove países (República Central Africana, Chade, República Democrática do Congo, Guiné-Bissau, Lesoto, Mali, Nigéria, Serra Leoa e Somália) manterão taxas de mortalidade superiores a 70 mortes por mil nascimentos, sendo que em dois deles, a Guiné-Bissau e o Chade, essa taxa será superior a 100 mortes/1000.

Referência:

Global, regional, and national levels of neonatal, infant, and under-5 mortality during 1990—2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013.
The Lancet, Early Online Publication, 2 May 2014; doi:10.1016/S0140-6736(14)60497-9

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JM_025 - 1A Comissão de Emergência da Organização Mundial de Saúde, reuniu hoje, de emergência para avaliar a propagação da síndrome respiratória por coronovírus no médio oriente (MERS-CoV, na sigla inglesa) tendo manifestado grande preocupação com o aumento do número de casos.

A reunião contou a presença de três especialistas na área e de representantes dos 13 países actualmente afectados.

Até ao momento já se registaram 145 pessoas.

Em comunicado, a organização informa que a comissão “enfatizou que a sua preocupação com a situação aumentou significativamente”.

As preocupações centram-se no rápido aumento do número de casos, na fragilidade sistémica na prevenção e controlo da infecção, assim como nas falhas existentes na informação clínica e na possível exportação de casos para países especialmente vulneráveis.

Ainda assim, e apesar de “a seriedade da situação ter aumentado em termos de impacto para a saúde pública”, a OMS sublinha que não há evidência de transmissão sustentada entre humanos. Deste modo, a Comissão de Emergência deliberou que não estão ainda reunidas as condições para uma Emergência de Saúde Pública de Envergadura Internacional (PHEIC), figura definida pelo Regulamento Internacional de Saúde que permitiria a emissão de recomendações temporárias aos Estados membros.

Ainda assim, a Comissão “apelou fortemente” aos países, particularmente os que já registaram casos, que tomem medidas imediatas para melhorar as políticas para a prevenção e o controlo da infecção.

Iniciar e acelerar a investigação para entender a epidemiologia, os factores de risco e a eficácia das medidas de controlo; apoiar países particularmente vulneráveis, especialmente na África Subsaariana; reforçar a identificação e gestão de casos e melhorar a sensibilização e a comunicação do risco ao público, profissionais de saúde, grupos de risco e decisores políticos são outras recomendações da OMS, que apela ainda à disseminação de informação em caso de grandes concentrações de pessoas para evitar o contágio.

O coronavírus do MERS é considerado um 'primo', mais mortal mas menos contagioso, do vírus responsável pela Síndroma Respiratória Aguda Severa, que em 2008 vitimou cerca de 800 pessoas em todo o mundo.

Tal como aquele vírus, o MERS-CoV provoca uma infecção pulmonar e os afectados sofrem de febre, tosse e dificuldades respiratórias, não havendo por enquanto tratamento preventivo para a doença.

O último balanço mundial aponta para 538 casos de infecção, 145 mortais, a maioria dos quais na Arábia Saudita, que regista já 450 casos e 112 mortos

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vacina_polio

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou hoje uma emergência sanitária mundial devido ao aumento dos contágios de poliomielite nos últimos seis meses, depois de detectar casos em mais de uma dezena de países.

A decisão foi tomada após várias reuniões no seio do Comité de Emergência da OMS, formado por especialistas na matéria, que recomendaram a declaração do estado de emergência porque estes contágios podem representar uma ameaça para o resto do mundo, afirmou Bruce Aylward, director-geral adjunto da OMS.

Em comunicado, a Organização Mundial da Saúde especifica que a propagação internacional da poliomielite até agora “constitui um ‘evento extraordinário’ e um risco público de saúde para outros Estados, para o qual é essencial uma resposta internacional coordenada”.

“A situação actual é um forte contraste em relação ao estado de quase-cessação da propagação do poliovírus selvagem desde Janeiro de 2012 até à época de baixa transmissão (de Janeiro a Abril) de 2013. Se nada for feito, esta situação pode resultar na impossibilidade de erradicar globalmente uma das doenças mais graves e evitáveis por vacina”, refere o comunicado do Comité, que revela ter considerado estarem reunidas as condições para decretar uma emergência de saúde pública.

No final de 2013, 60 por cento dos casos de pólio tinham origem na propagação internacional do poliovírus selvagem, e existiam provas de que os viajantes adultos contribuem para esta propagação, segundo a OMS.

Já este ano, mesmo durante a época de baixa transmissão, houve contaminação internacional de três dos dez países onde existem actualmente infecções: na Ásia central (do Paquistão ao Afeganistão), no Médio Oriente (da Síria ao Iraque) e na África central (dos Camarões à Guiné Equatorial).

“Uma resposta internacional coordenada é considerada essencial para travar esta propagação e para prevenir nova contaminação, tendo em vista o período de elevada transmissão, em Maio e Junho. Medidas unilaterais podem ser menos eficazes”, sustenta o Comité de Emergência da OMS.

As consequências de mais casos de propagação internacional são particularmente graves actualmente, tendo em conta o elevado número de países livres de pólio, mas alvos de conflitos e frágeis, onde os serviços de imunização foram “severamente comprometidos” e, por isso, “correm o risco de uma reinfecção”, refere.

Segundo a OMS, a prioridade máxima dos países infectados deve ser a de interromper a transmissão desta doença no interior das fronteiras “o mais rapidamente possível” através da “imediata e total aplicação das estratégias de erradicação, entre as quais campanhas de imunização suplementar com vacina oral, vigilância do poliovírus e imunização de rotina”.

Os países que a organização considera representarem o maior risco para a transmissão internacional são o Paquistão, Camarões e Síria, aos quais a OMS recomenda que declarem o estado de emergência de saúde pública e garantam que a população e visitantes de mais de quatro semanas recebem vacinação antes de viagens internacionais, devendo também os visitantes, pelo menos, ser vacinados aquando da partida.

Quanto aos países infectados, mas que não estão actualmente a exportar a doença – Afeganistão, Guiné Equatorial, Etiópia, Iraque, Israel, Somália e Nigéria – a OMS recomenda que declarem também o estado de emergência e recomendem a vacinação.

Os especialistas do Comité deverão voltar a avaliar a situação dentro de três meses.

A poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é uma doença infecciosa viral aguda transmitida de pessoa a pessoa, principalmente pela via fecal-oral. Atinge em particular crianças com menos de cinco anos.

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medicamentos

Infecções consideradas actualmente como menores podem voltar a matar se nada for feito com urgência a nível global para lutar contra a resistência aos antibióticos, alertou hoje a Organização Mundial de Saúde (OMS).

No primeiro relatório sobre a resistência aos antibióticos a nível mundial, a OMS afirma que “esta grave ameaça já não é uma previsão, mas uma realidade em cada uma das regiões do mundo e todos, independentemente da idade e do país, podem ser afectados”.

Considerados pela OMS como um dos pilares da saúde, os antibióticos permitem-nos viver mais tempo e com melhor saúde, mas a sua utilização incorrecta tornou-os praticamente ineficazes em algumas décadas.

“A não ser que os numerosos actores envolvidos ajam urgentemente, de modo coordenado, o mundo caminha para uma era pós-antibióticos, onde infecções comuns e feridas menores que têm sido tratadas há décadas podem voltar a matar”, advertiu Keiji Fukuda, subdiretor-geral da OMS para a segurança sanitária.

“Se não tomarmos medidas significativas para evitar as infecções, mas também para alterar o modo como produzimos, receitamos e utilizamos os antibióticos, vamos perder pouco a pouco esses benefícios para a saúde pública mundial e as consequências serão devastadoras”, afirmou.

O relatório, com dados de 114 países, indica que existe resistência a numerosos agentes infecciosos, mas centra-se na resistência aos antibióticos de sete bactérias responsáveis por doenças comuns como as infecções hematológicas (septicemia), diarreias, pneumonias, infecções das vias urinárias e gonorreia.

A OMS, que classifica os resultados de “muito preocupantes”, considera como uma das principais causas da resistência a incorrecta utilização dos antibióticos: nos países pobres as doses administradas são demasiado fracas e nos países ricos a utilização é excessiva.

A organização critica também a falta de vigilância do uso dos antibióticos nos animais destinados ao consumo humano.

O estabelecimento de sistemas de vigilância do fenómeno, a prevenção das infecções e a criação de novos antibióticos são as recomendações feitas pela OMS.

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Poluição do Ar

Cerca de sete milhões de pessoas morreram em 2012 por exposição à poluição do ar, que se transformou no maior factor de risco ambiental para a saúde no mundo, alerta hoje a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A conclusão resulta de novos dados hoje divulgados, segundo os quais uma em cada oito mortes em 2012 se deveu à exposição à poluição do ar, dado que mais do que duplica as estimativas anteriores e confirma que a poluição do ar é agora o maior factor de risco ambiental para a saúde humana.

Reduzir a poluição do ar poderia salvar milhões de vidas, escreve a OMS num comunicado.

“Os riscos da poluição do ar são agora muito maiores do que se pensava, particularmente no que respeita a doenças coronárias e AVC”, disse Maria Neira, directora do departamento da OMS para a saúde pública, ambiente e determinantes sociais da saúde. “Poucos factores de risco têm hoje maior impacto na saúde global do que a poluição do ar; as evidências alertam-nos que é preciso uma acção concertada para limpar o ar que respiramos”, acrescentou.

Segundo as estimativas agora divulgadas, a poluição do ar interior esteve ligada a 4,3 milhões de mortes em 2012 em lares com fogões a carvão, lenha ou biomassa. Já a poluição do ar exterior terá estado na origem de 3,7 milhões de mortes em todo o mundo. Como há muitas pessoas expostas à poluição interior e exterior, a mortalidade associada às duas fontes não pode ser simplesmente adicionada, daí a estimativa de sete milhões de mortes em 2012.

Os novos dados, adianta a agência da ONU para a saúde, revelam uma ligação mais forte entre exposição à poluição do ar interior e exterior e as doenças cardiovasculares, como AVC e cardiopatia isquémica, assim como a poluição do ar e o cancro. Estas ligações juntam-se ao papel da poluição do ar no desenvolvimento de doenças respiratórias, incluindo infecções respiratórias agudas e doenças pulmonares obstrutivas crónicas.

As novas estimativas baseiam-se, não só em mais conhecimento sobre as doenças causadas pela poluição do ar, mas também em avaliações mais rigorosas da exposição humana aos poluentes, através de melhores medições e tecnologias. Estas melhorias permitiram aos cientistas analisar mais detalhadamente os riscos para a saúde numa cobertura geográfica mais ampla.

Em termos regionais, os países de baixo e médio rendimento na região do sudeste asiático e do Pacífico ocidental foram as que registaram maior número de mortes associadas à poluição do ar, com um total de 3,3 milhões de mortes ligadas à poluição do ar interior e 2,6 milhões de mortes associadas à poluição do ar exterior.

“Limpar o ar que respiramos previne doenças não transmissíveis e reduz as doenças entre as mulheres e os grupos vulneráveis, como as crianças e os idosos”, disse Flavia Bustreo, directora-adjunta da OMS para a saúde da família, mulheres e crianças, citada no comunicado da OMS. “As mulheres e as crianças pobres pagam um preço elevado pela poluição do ar interior porque passam mais tempo em casa a respirar os fumos e fuligens de fogões a carvão e a lenha”, acrescentou.

Segundo os dados da OMS, 80 % das mortes associadas à poluição do ar interior devem-se a doenças cardiovasculares como a cardiopatia isquémica (40 %) e o acidente vascular cerebral (40 %). Já a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é responsável por 11 % das mortes ligadas à poluição interior, enquanto o cancro do pulmão (6 %) e as infecções respiratórias agudas em crianças (3 %) são responsáveis pelo restante.

No que diz respeito à poluição do ar exterior, 34 % das mortes devem-se a AVC, 26 % a cardiopatia isquémica, 22 % à DPOC, 12 % a infecções respiratórias agudas em crianças e 6 % ao cancro do pulmão.

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Tuberculose 2Quase nove milhões de pessoas são infectadas com tuberculose todos os anos, mas cerca de três milhões não chegam aos serviços de saúde, por falta de acesso ou de diagnóstico, alerta a Organização Mundial de Saúde (OMS). "Alcancemos os três milhões" é o lema da campanha da OMS para o dia mundial da tuberculose, que se assinala no dia 24 de Março.

Os sistemas de saúde dos países notificam [à OMS] cerca de seis milhões de casos de tuberculose, isso quer dizer que outros três ficam sem detectar", informou hoje em conferência de imprensa Mario Raviglione, director do departamento dedicado à doença na OMS.

Além disso, acrescentou, dos seis milhões detectados estima-se que entre 450.000 e 500.000 sejam casos de tuberculose multirresistente (MDR-TB, na sigla em inglês). Destes, apenas 90 mil são diagnosticados, "o que é muito alarmante, porque é um número muito baixo", alertou o especialista.

A OMS declarou no ano passado que a MDR-TB é uma "crise sanitária” e deveria ser abordada "com urgência", recordou hoje Raviglione.

A agência da ONU para a saúde aplicou em 27 países em desenvolvimento o programa EXPAND TB, que visa melhorar as técnicas de detecção e diagnóstico da tuberculose em general e da multirresistente em particular.

Este programa permite que o diagnóstico se faça em duas horas, e não em dois meses como acontece em vários países, especialmente os mais pobres, que têm apenas um laboratório central ou que têm de enviar as amostras para outro país.

Segundo os primeiros resultados, nos países onde o projecto está em vigor, triplicou o número de casos detectados.

"Sem diagnóstico, a medicina é cega. O projecto EXPAND TB é crucial para aumentar a capacidade de detectar tuberculose multirresistente", disse, por seu lado, Catherina Boehme, directora executiva do FIND's, uma organização não-governamental que participa no projecto.

Os 27 países onde o programa foi aplicado representam 40 % dos casos estimados de tuberculose multirresistente no mundo.

Até agora, o projecto teve "enormes resultados", já que mais de 30 % dos casos de MDR-TB detectados a nível mundial, em 2012, resultaram do EXPAND TB.

Com efeito, entre 2009 e 2013 triplicou o número de casos detectados de tuberculose multirresistente nos 27 países do projecto.

Na Índia, graças ao projecto, foram detectados 90 % dos casos de tuberculose multirresistente.

Perante estes resultados, a OMS pede à comunidade internacional mais fundos para financiar o projecto na sua estrutura actual de 92 laboratórios e poder expandi-lo para alcançar os três milhões de casos no mundo que continuam fora dos sistemas de saúde.

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Um ano depois…
Editorial | Susete Simões
Um ano depois…

Corria o ano de 2020. A Primavera estava a desabrochar e os dias mais quentes e longos convidavam a passeios nos jardins e nos parques, a convívios e desportos ao ar livre. Mas quando ela, de facto, chegou, a vida estava em suspenso e tudo o que era básico e que tínhamos como garantido, tinha fugido. Vimos a Primavera através de vidros, os amigos e familiares pelos ecrãs. As ruas desertas, as mensagens nas varandas, as escolas e parques infantis silenciosos. Faz agora um ano.

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