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Em Portugal existem perto de 13 mil pessoas com Parkinson, a segunda doença neurodegenerativa com maior prevalência no país, revela um estudo pioneiro que faz pela primeira vez este levantamento.

O Estudo Epidemiológico de Avaliação da Prevalência da Doença de Parkinson em Portugal concluiu ainda que a maioria dos doentes identificados eram homens com mais de 65 anos, que apresentavam sintomas moderados e estavam fisicamente independentes.

De acordo com Joaquim Ferreira, neurologista e coordenador científico do estudo, o número obtido (1,29 por cada mil pessoas) ficou aquém das expectativas, que até agora se baseavam na extrapolação de estudos europeus. “Achávamos que a prevalência era mais alta, porque há uma mutação genética que causa a doença e que é particularmente prevalente na população portuguesa”, explicou.

Ou seja, este estudo não sugere que esta alteração genética condicione um aumento global da prevalência da doença em Portugal, comparativamente com outros países ocidentais. A hipótese colocada pelos investigadores para explicar estes resultados inferiores ao esperado é a de poder haver muitos doentes de Parkinson precocemente institucionalizados, já que neste estudo apenas se incluiu visitas domiciliárias. “Este número pode estar mascarado por muitos doentes estarem institucionalizados. A ser assim, como o estudo foi feito porta a porta, se os doentes forem precocemente institucionalizados, não estão no domicílio e, por isso, geram números mais baixos”, disse Joaquim Ferreira, alertando para a possibilidade de os doentes estarem a ser “colocados em lares mais precocemente do que necessitariam ou do que acontece noutros países”.

Contudo, o neurologista salvaguardou tratar-se de uma mera hipótese, que será clarificada num estudo a ser feito posteriormente junto de doentes com Parkinson internados.

Para já, o próximo passo será planear os cuidados de saúde a distribuir em termos nacionais: “quantos doentes em cada zona, quantas consultas e onde devem acontecer”. “Com este trabalho de campo, a sociedade pode agora planear melhor o tratamento destes doentes”, “Agora podemos propor ao Ministério da Saúde quais os recursos a alocar para os doentes”, explicou.

O estudo, que se baseou num questionário aplicado a uma amostra de 5.042 indivíduos com 50 ou mais anos, foi promovido pela Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson, com o apoio da Direcção-Geral da Saúde.

As conclusões deste trabalho vão ser apresentadas no sábado, durante o Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa das Doenças do Movimento, que decorre entre os dias 28 e 30 de Março, no Vimeiro.

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Farmácia 2O Ministério da Saúde reconheceu que um medicamento genérico para doentes de Parkinson esteve indisponível nas farmácias "durante algum tempo", numa resposta ao Bloco de Esquerda (BE), ontem divulgada, mas alegou que o tratamento dos pacientes não foi afectado.

Os deputados João Semedo e Helena Pinto questionaram, a 14 de Fevereiro, o Ministério da Saúde sobre a falta nas farmácias, desde Novembro, do medicamento Pramipexol, exigindo medidas.

Na pergunta dirigida à tutela, o BE descrevia que os doentes se viram obrigados a ir ao estrangeiro para comprar o medicamento em falta ou foram confrontados com a alteração da sua medicação, com a substituição do Pramipexol por um outro fármaco, o Ropinirol, que não tem a mesma substância activa.

Numa carta dirigida na terça-feira ao BE, e ontem divulgada pelo partido, o Ministério refere que o fármaco "não esteve disponível no mercado durante algum tempo", embora assegure que tal facto "não colocou em causa a saúde pública, atendendo à existência de outros medicamentos no mercado para a mesma indicação terapêutica".

A tutela apresenta como justificação para a indisponibilidade temporária do medicamento nas farmácias o "encerramento do local de fabrico em Espanha e a respectiva transferência para um novo local de fabrico em Portugal".

O Pramipexol voltou a estar disponível a 19 de Fevereiro, assinala o Ministério, acrescentando que, face ao sucedido, "foi autorizada a comparticipação de outro medicamento genérico (Pramipexol Aurobindo), pelo que se prevê que o abastecimento no mercado nacional seja brevemente reforçado através de duas origens distintas".

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investigação 2A investigadora da Universidade de Coimbra Sandra Morais Cardoso é a vencedora do Prémio Janssen Neurociências, de 50 mil euros, pela identificação de novas possibilidades terapêuticas para a doença de Parkinson.

O trabalho científico, que está a ser desenvolvido desde 2009, permitiu, numa primeira instância, descobrir a principal causa da doença de Parkinson, que será a disfunção da mitocôndria, responsável pela produção de energia nas células.

sandramoraiscardosoA equipa liderada por Sandra Morais Cardoso (na imagem) e composta pelas alunas de doutoramento Ana Raquel Esteves e Daniela Arduino identificou duas estratégias diferentes que permitem "diminuir as lesões patológicas", a partir dessa primeira descoberta.

Uma das estratégias passa pela inibição da enzima Sirtuína 2 que, quando activada erradamente, é responsável pela modificação da tubulina, uma componente fundamental nas "auto-estradas" do neurónio, explicou a investigadora.

Outro alvo terapêutico passou pela utilização de uma molécula que liga os microtúbulos do neurónio (as auto-estradas) e que leva a que estes "funcionem melhor", aclarou.

"Esperemos que as terapêuticas sejam aplicadas a doentes de Parkinson", afirmou Sandra Morais Cardoso, considerando, contudo, que não quer dar "falsas esperanças". Recordou que, "no mínimo dos mínimos", levará mais dez anos até que a descoberta possa ser aplicada em humanos, tendo que haver antes ensaios com animais.

A investigadora sublinhou que "quanto mais conhecimento há da doença mais fácil será chegar-se a um alvo terapêutico".

Sandra Morais Cardoso frisou também que "os cortes na investigação científica fazem com que seja muito difícil trabalhar", lembrando que agora a equipa terá que voltar "a pedir financiamento para continuar o projecto".

O prémio de 50 mil euros "vai para apoiar os investigadores do grupo, para não ficarem desprotegidos", disse, manifestando o seu "orgulho" aquando da recepção da notícia.

A equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra teve "colaborações pontuais com outros grupos do mundo", informou Sandra Morais Cardoso.

Na nota de imprensa relativa ao prémio é afirmado que o trabalho desenvolvido pelo grupo da Universidade de Coimbra é "uma descoberta científica pioneira a nível mundial".

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[caption id="attachment_5727" align="alignleft" width="300"]parkinson A terapia genética, denominada "ProSavin", usa um vírus inerte que leva genes correctivos directamente à zona do cérebro que controla o movimento e foi desenhada para converter as células do sistema nervoso em fábricas de dopamina (neurotransmissor responsável por várias funções do cérebro como a memória ou o movimento)[/caption]

Um novo tratamento genético permite "melhorias no controlo do movimento" ao doentes de Parkinson, noticia hoje a revista britânica "The Lancet".

Um grupo de investigadores franceses, liderado por Stephane Palfi, professor dos hospitais universitários Henri-Mondon de Créteil, França, administrou o novo tratamento a quinze doentes com Parkinson em estado avançado entre os 48 e os 65 anos que não respondiam aos tratamentos convencionais.

A terapia genética, denominada "ProSavin", usa um vírus inerte que leva genes correctivos directamente à zona do cérebro que controla o movimento e foi desenhada para converter as células do sistema nervoso em fábricas de dopamina (neurotransmissor responsável por várias funções do cérebro como a memória ou o movimento).

Os doentes de Parkinson sofrem uma perda desse neurotransmissor, o que lhes causa tremores, lentidão dos movimentos e rigidez muscular, entre outros sintomas.

Depois de testar a terapêutica durante um ano nos 15 pacientes escolhidos, os cientistas comprovaram que o novo tratamento é "eficaz, seguro e bem tolerado" pelos doentes.

Durante o estudo foram avaliadas funções motoras como a fala, os tremores, a rigidez, o movimento dos dedos, a postura, a forma de andar e a lentidão, tendo sido observadas melhorias importantes depois de seis meses de tratamento.

"O ProSavin é seguro e foi bem tolerado pelos doentes em estado avançado de Parkinson. Melhorias no controlo dos movimentos foram registadas em todos eles", afirmou Palfi, ressalvando que os resultados são limitados e, apesar de promissores, devem ser "interpretados com precaução".

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Editorial | António Luz Pereira
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