Molinar 184 SPG mesa


“Défice de vitamina D – epidemia dos tempos modernos?” foi o tema do simpósio Tecnimede, que decorreu a 11 de março, em Évora, no âmbito da 184.ª Reunião da Sociedade Portuguesa de Ginecologia. O Dr. Daniel Pereira da Silva, presidente da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia (FSPOG), marcou presença na dupla qualidade de moderador e preletor com o tópico “Vitamina D – Qual a realidade?”. A Eng. Clarisse Penedo, da Unidade de Investigação & Desenvolvimento (I&D) do Grupo Tecnimede, desvendou como decorreu a investigação e o desenvolvimento do Molinar®, uma formulação inovadora da Tecnimede.

Vitamina D – Qual a realidade?

Imagine o seguinte caso clínico: a primeira consulta de uma paciente ocorreu a 24 de janeiro de 2016. Anote as características: 60 anos de idade, professora do ensino secundário, menarca aos 13 anos e aos 52 menopausa espontânea, 76 kg distribuídos por 1,63 metros. Antecedentes pessoais de hipotiroidismo (faz levotiroxina sódica), ingere diariamente duas unidades de lacticínios e os seus hábitos são sedentários. Sem antecedentes familiares com relevância clínica, faz 1 mg de 17-beta estradiol associado a 5 mg de didrogesterona há seis meses. Voltou a ter afrontamentos e piorou a qualidade do sono. A avaliação revelou uma mamografia normal – BIRADS 2 – e rotinas com ficha lipídica normal. A dúvida é a seguinte: pedia a avaliação dos níveis de vitamina D? A resposta mais correta é sim: após o teste, a paciente revelou ter 17 ng/ml de 25(OH)D (o parâmetro de avaliação dos níveis de vitamina D no organismo).

Foi com este caso clínico que o Dr. Daniel Pereira da Silva iniciou a palestra sobre o tema “Vitamina D – Qual a realidade?” perante uma sala cheia, no Simpósio Tecnimede.

A riqueza da vitamina D é diversificada e foi amplamente abordada ao longo da apresentação do especialista. A possibilidade de fazer suplementação desta vitamina vem responder a uma necessidade que se estima afetar a vida de mil milhões de pessoas a nível mundial, estando confirmada uma prevalência superior de défice de vitamina D em pessoas institucionalizadas e em mulheres depois da menopausa.

Com um papel fundamental na homeostase do cálcio e do fósforo e, consequentemente, no metabolismo ósseo, é igualmente importante na área imunológica, prevenindo infeções. A vitamina D regula ainda a ativação de proteína cinase e de fosfoquinase “e mesmo em relação ao cancro colorretal há uma associação positiva com uma mutação específica. Verifica-se também que há uma maior incidência de todo o tipo de neoplasias em indivíduos com carência de vitamina D, encontrando-se uma redução de 11% de incidência nos indivíduos com valores séricos iguais ou superiores a 50 nmol/l de 25-hidroxivitamina D (25OHD)”.

A sua principal fonte é a exposição solar (80-85%) e, em parte, a alimentação (15-20%). O palestrante reiterou a necessidade de existir uma metodologia mais exigente, que avalie com maior rigor o seu papel em determinadas patologias. São diversas as recomendações internacionais adequadas à idade: 400 Unidades Internacionais (UI) diárias entre os 51 e os 70 anos pelo Instituto de Medicina dos Estados Unidos da América e Canadá; entre 800 e 1.000 UI/dia depois dos 50 anos, de acordo com a National Osteoporosis Foundation (NOF); alguns grupos de peritos europeus, a par da Direção-Geral da Saúde, defendem entre 700 e 800 UI/dia nas mulheres com mais de 65 anos e nas mais jovens só quando há fatores de risco de osteoporose. E, é claro, as recomendações nacionais: 700-800 UI/dia.

Do ponto de vista epidemiológico há diversas patologias associadas aos défices de vitamina D, além das causas específicas que derivam da presença de outras doenças, como as renais, a má absorção ou determinados fármacos. “Cada vez mais é associada à vitamina D a esclerose múltipla e a diabetes”, assegura.

Provou ainda evidência científica nos indivíduos institucionalizados, com mais de 70 anos de idade, que a vitamina D desempenha um papel importante nas funções imunológicas face às agressões ambientais e na “interferência na doença cardiovascular, nos miócitos, e mesmo a nível das células vasculares na redução da tensão arterial, por vasodilatação, pela interferência no sistema renina-angiotensina-aldosterona ou por uma atividade anticoagulante de base anti-inflamatória (neste caso anti-aterosclerótica) que parece ter importância na génese das neoplasias. O défice de vitamina D está associado a vários tipos de eventos cardiovasculares”.

Molinar 184 SPG sala

Molinar® – uma formulação inovadora

A condução da segunda parte do simpósio coube à Eng. Clarisse Penedo, representante da Unidade de I&D do Grupo Tecnimede. Consciente do progressivo aumento da importância da vitamina D na saúde das pessoas, o desafio colocado ao departamento de I&D do Grupo Tecnimede foi o de desenvolver um medicamento contendo vitamina D3, com formulação que promovesse o aumento da compliance por parte do doente, contribuindo para a redução do défice de vitamina D e que apresentasse inovação comparativamente às soluções existentes no mercado. A solução proposta foi a de um medicamento sob a forma de comprimidos revestidos (forma farmacêutica oral sólida, de fácil administração e de maior aceitação), com 22.400 UI (560 μg) de colecalciferol para uma administração mensal (a cada 28 dias, equivalente a 800 UI/dia)  – o Molinar®.

De acordo com a Eng. Clarisse Penedo, o desenvolvimento de Molinar® apresentou importantes desafios de natureza tecnológica (formulação de uma dose elevada de vitamina D3 num comprimido) e de natureza química (estabilização da vitamina D3 – hidrólise, oxidação, luz, temperatura – numa formulação oral sólida). Ultrapassadas as dificuldades, Molinar® apresenta-se como uma terapêutica simples de administrar, porque é uma formulação oral sólida (a maioria dos medicamentos no mercado são formulações líquidas orais oleosas) e que favorece a adesão terapêutica pela administração uma vez por mês.

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O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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