Dinheiro e Saúde
As despesas de saúde privada em Portugal e na Grécia tiveram o maior crescimento da área da OCDE desde 2009 a 2013, significando já um terço da despesa total em saúde, segundo um relatório hoje divulgado.

As “Estatísticas de Saúde 2015” da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) mostram que a despesa de saúde continuou a tendência decrescente em Portugal, Grécia e Itália no ano 2013.

“A maioria dos países membros da OCDE da União Europeia indicou gastos com a saúde per capita abaixo dos níveis de 2009. Fora da Europa, estas despesas aumentaram a uma taxa de 2,5% ao ano desde 2010”, refere a OCDE.

Três quartos dos gastos com a saúde continuam a ser financiados por fontes públicas nos países da OCDE, “mas as medidas de contenção de custos tomadas por alguns estados levaram a um aumento do consumo privado”, seja através de seguros de saúde ou de pagamentos diretos pela família.

“Na Grécia e em Portugal, a participação das despesas de saúde privada cresceu quatro pontos desde 2009, o que representa o maior aumento na área da OCDE, e significa que um terço da despesa total em saúde foi financiado por fontes privadas em 2013”, refere uma síntese da organização.

A OCDE destaca mesmo que “alguns dos países mais atingidos pela crise tiveram aumentos significativos” nos pagamentos diretos no momento de utilização dos cuidados de saúde (pagamentos out-of-pocket).

Como exemplos surgem Portugal e a Grécia, que entre 2009 e 2013 viram as despesas de saúde privada aumentarem, respetivamente, para 28% e 31% do total.

Sobre os gastos gerais com saúde per capita, Grécia, Itália e Portugal são os países apontados como tendo quedas consecutivas nos últimos anos.

Na Grécia, a queda de 2,5% em termos reais em 2013 significou a quarta baixa consecutiva nas despesas de saúde, deixando os níveis per capita a cerca de 75% dos de 2009.

Já em Portugal e em Itália, os gastos com saúde decresceram por três anos consecutivos.

Em Portugal a despesa com saúde diminuiu 4,8% em 2010/2011, reduziu 5,8% em 2011/2012 e voltou a decrescer 3,7% em 2012/2013.

No global, dos 34 países que integram a OCDE, os gastos com saúde tiveram um aumento real de um por cento em 2013, acima dos 0,7% que tinham sido registados em 2012. Contudo, a organização salienta que as taxas de crescimento em 2013 se mantiveram bem abaixo dos níveis pré-crise: entre 2000 e 2009 o crescimento médio das despesas de saúde tinha atingido os 3,8%.

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quarta-feira, 08 abril 2015 15:00

UE elogia Portugal por mudanças na Saúde

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O Comité de Política Social da União Europeia (UE) elogiou as mudanças feitas em Portugal na saúde e nas pensões de reforma, mas contrapôs a necessidade de garantir uma adequada cobertura da assistência social.

A análise da aplicação das recomendações específicas do Conselho Europeu de 2014, no âmbito dos Programas Nacionais de Reforma, foi disponibilizada na noite de terça-feira pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), no seu site.

Da reforma do sistema de saúde diz-se que “continua a produzir resultados”.

A DGS adiantou que a avaliação decorreu nos dias 24 a 26 de Março de 2015, na Comissão Europeia, em sede conjunta do Comité de Protecção Social e do Grupo de Alto Nível de Saúde Pública do Conselho Europeu.

No entendimento dos analistas da situação portuguesa – Dinamarca e Comissão Europeia –, as “mudanças no sector hospitalar” e a “optimização de custos” permitiram poupanças. As principais medidas apontadas foram progressos na reforma hospitalar, racionalização de custos operacionais, centralização de aquisições, a publicação de Normas de Orientação Clínica que incluem análise de custos, a aplicação de um sistema de avaliação de tecnologias da saúde, o combate à fraude, o aumento de adesão dos médicos e doentes aos medicamentos genéricos, com a DGS a especificar o acordo celebrado entre o Ministério da Saúde e a indústria farmacêutica para baixar o custo dos medicamentos.

No texto considerou-se também que a aplicação do programa de ajustamento trouxe “desafios crescente em termos de intervenção pública, em particular quanto ao alcance da protecção social e inclusão social”.

O documento realçou que uma “parte importante” de desempregados que não tem qualquer cobertura de apoio. Os analistas terminaram o seu texto com a recomendação de que Portugal “precisa de continuar a fazer esforços para garantir que as reformas estruturais conduzam a uma cobertura adequada da assistência social, incluindo o rendimento mínimo”.

António Arnaut apela a Cavaco para travar "colapso no Serviço Nacional de Saúde"

O ex-ministro António Arnaut apelou ao Presidente da República, Cavaco Silva, para intervir de modo a preservar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), alertando que se vive uma “situação trágica”, muito perto “do colapso”.

“A situação em que vivemos é trágica, estamos a aproximar-nos do colapso do Serviço Nacional de Saúde”, disse o ex-governante socialista, que assumiu a pasta dos Assuntos Sociais no II Governo Constitucional, liderado por Mário Soares.

Para António Arnaut, as reformas da saúde em Portugal resultaram na expansão do sector privado, à custa da destruição do serviço público.

“Isto é uma questão política de primeira linha, porque tem a ver com a democracia portuguesa”, defendeu aquele que é classificado como o “pai” do SNS.

“Deixemos os estudos. Sou utente do SNS e conheço o que se passa aqui e noutros sítios. O grande problema é que há uma política premeditada, a nível europeu e também em Portugal, de destruir o Estado social e aquilo que pode ser objecto de negócio, de mercantilização, a saúde e a escola pública”, acusou.

O grande problema, prosseguiu, não será tanto o ministro da Saúde, Paulo Macedo, mas “o primeiro-ministro”, Pedro Passos Coelho, que classificou como “um neoliberal assanhado”.

António Arnaut recorreu a estudos já publicados para recordar que o sector público perdeu 3.000 camas nos últimos quatro anos, enquanto o privado ganhou 2.000, com novas unidades a abrir todos os dias.

“Isto é uma situação muito preocupante, porque sendo Portugal um país com dois milhões de pobres e outros dois milhões em risco de pobreza, com o desemprego que temos, se lhes falta o SNS que lhes presta assistência médica numa situação de aflição, então receio que haja realmente uma convulsão social”, declarou.

António Arnaut voltou a apelar ao Presidente da República para intervir: “isto é uma questão de dignidade nacional, de respeito pela Constituição da República”.

“Se o Presidente interveio quando era ministro da Saúde Correia de Campos e provocou a queda do ministro, estranho muito o seu silêncio, que é um silêncio cúmplice do actual governo”, sublinhou.

“Tem de chamar a atenção para a situação que se verifica na saúde, porque o colapso que se verificou nas urgências mostra como o SNS está completamente debilitado em recursos humanos e técnicos", exemplificou.

Portugal, afirmou, é dos países que “menos gasta em saúde” (cerca de 800 euros per capita).

“Os médicos e enfermeiros trabalham até à exaustão e, dentro dessa falta de recursos humanos, verificou-se a destruição de equipas médicas, sobretudo de urgência, que funcionavam exemplarmente”, apontou António Arnaut, para quem o Chefe de Estado não pode furtar-se a uma intervenção.

“A realidade é esta: muitas pessoas não vão às consultas ou às urgências porque não têm dinheiro para pagar as taxas moderadoras”, lamentou.

Para o ex-político, trata-se de “uma situação calamitosa” que põe em causa “a saúde dos portugueses, os princípios da igualdade, a coesão social e a paz social”, um bem público.

Movimento de Utentes da Saúde diz que a situação se agrava a cada dia

O Movimento de Utentes da Saúde defendeu hoje que a situação se agrava a cada dia para quem recorre ao serviço de cuidados públicos e considerou que relatórios feitos sem ouvir todas as partes resultam em “falta de realismo”.

Manuel Villas-Boas, do Movimento de Utentes, afirmou: “aquilo que verificamos em Portugal é que a situação se agrava, e é curioso porque ainda ontem (terça-feira) tivemos oportunidade, e hoje também, de assistir a protestos das populações porque umas não têm médico de família, outras tinham o centro de saúde a funcionar, mas deixou de funcionar por falta de médicos”.

“Dá ideia que as pessoas que fizeram esse relatório não andaram no terreno a ver aquilo que efectivamente se passa”, criticou o representante dos utentes.

“Pode vir o senhor ministro da Saúde dizer que está tudo bem, mas o que é certo é que ainda ontem se mostrou muito constrangido relativamente a uma estatística do INE que nos dizia que, em 10 anos, os serviços de urgência nos centros de saúde passaram de 276 para 94 unidades e portanto não percebo como é que um relatório de um organismo responsável da União Europeia pode passar por cima destas dificuldades todas sem uma palavra”, acrescentou.

Os utentes querem ser ouvidos quando estiverem em causa avaliações aos serviços públicos, contrapondo que se essa informação não for recolhida os relatórios não reflectem toda a realidade, mas apenas um lado, que “será o mais conveniente”.

“Não vamos à situação real do sistema de saúde em Portugal e aí é que deviam incidir os cuidados”, disse Manuel Villas-Boas.

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Venenos

A exposição diária a produtos químicos presentes em alimentos e produtos quotidianos pode estar a custar anualmente até 31 mil milhões de euros à União Europeia, indica um relatório divulgado hoje pela organização Health and Environment Alliance (HEAL).

De acordo com uma nota da HEAL, problemas de cancro, diabetes, obesidade e infertilidade poderiam ser evitados se as pessoas reduzissem a exposição aos produtos químicos que desestabilizam as hormonas, evitando-se, deste modo, perda de milhões de euros relacionados com estas doenças.

Baseando-se num novo estudo, a HEAL refere que o cálculo é baseado numa lista de doenças e condições que os cientistas envolvidos na pesquisa identificaram como estando "relacionadas com o sistema endócrino".

Segundo o documento, os investigadores destacaram nesta lista os problemas reprodutivos e de fertilidade, incluindo baixa contagem de espermatozóides, as anormalidades do pénis e testículos nos mais novos, o cancro da mama e próstata, os distúrbios de comportamento das crianças, como o autismo, défice de atenção e hiperactividade, bem como a obesidade e as diabetes.

“À excepção de países como a Holanda e Áustria, todos os países da UE estão a enfrentar fortes aumentos de casos de cancro da próstata e os Estados-Membros da UE da região do Leste e do Sul da Europa estão a assistir a um aumento dramático no cancro da mama”, indica a nota.

Por outro lado, “a prevalência do autismo é agora alarmante”, assinala a organização Europeia que analisa a forma como o ambiente afecta a saúde.

No entanto, a Organização Mundial da Saúde observou que o "fardo ambiental das doenças ligadas aos produtos químicos deverá estar a ser subestimada devido à falta de dados, posição que é corroborada pelos economistas ambientais Alistai Hunt, da Universidade de Bath, e Julia Ferguson, da Cranfield School of Management, que calcularam que os custos totais associados com estas condições podem ascender aos 630 mil milhões de euros por ano.

O director executivo da HEAL, Genon K Jensen, considerou que “a UE deve colocar a saúde em primeiro lugar e eliminar gradualmente estas substâncias, adoptando medidas céleres que poderiam evitar grande sofrimento humano e perda de produtividade a cada ano” na União Europeia.

Citado na nota, o responsável referiu que a HEAL pretende ver reformuladas as leis europeias “visando à redução da exposição das pessoas aos desreguladores endócrinos. A UE deve também estabelecer um calendário específico pelo qual desreguladores endócrinos devem ser identificados e substituídos por alternativas mais seguras”.

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quinta-feira, 13 fevereiro 2014 12:10

Nova vacina contra tuberculose será testada em humanos

[caption id="attachment_6730" align="alignleft" width="300"]vacinabcg O projecto, que deverá terminar no dia 28 de Fevereiro, está centrado nas formas de bloqueio da transmissão da doença, bem como na prevenção da infecção latente para que esta não se transforme numa verdadeira tuberculose[/caption]

Uma nova vacina contra a tuberculose poderá ser brevemente testada em humanos, prevêem os resultados de uma pesquisa desenvolvida por cientistas de 35 organizações mundiais de investigação e desenvolvida com o apoio da União Europeia, revelou hoje a Horizon-Magazine.

Segundo a publicação da União Europeia, a potencial vacina contra a doença, que anualmente mata 1,3 milhão de pessoas no mundo, está a ser desenvolvida por cientistas do Reino Unido, Alemanha, Argentina e Coreia do Sul.

O projecto, que deverá terminar no dia 28 de Fevereiro, está centrado nas formas de bloqueio da transmissão da doença, bem como na prevenção da infecção latente para que esta não se transforme numa verdadeira tuberculose.

O projecto descobriu cerca de 40 potenciais vacinas de tuberculose, das quais quatro foram legalmente certificadas para início de testes em seres humanos.

Ouvido pela Lusa, o director do programa nacional de tuberculose em Moçambique, Ivan Matsinhe, considerou hoje que a descoberta de uma vacina seria “uma grande vantagem” para países como Moçambique que integra a lista dos 22 estados que a nível mundial contribuem para 80% da doença.

“A descoberta de uma vacina que possa ter um efeito profiláctico e eventualmente terapêutico seria para países como Moçambique, que tem um alto peso da doença, uma grande vantagem”, disse Ivan Manhiça.

Anualmente, Moçambique detecta cerca de 50 mil casos de tuberculose e, a nível mundial, 3,5 milhões de pessoas são diagnosticadas com novos casos da doença, segundo o responsável pelo programa de tuberculose no país.

“A descoberta desta vacina seria naturalmente um grande avanço, pois iria contribuir para alcançar não só os cerca de 3,5 milhões de casos que são perdidos anualmente, mas também poderíamos pensar numa possível eliminação de doença”, afirmou.

Moçambique ainda não tem uma vacina profiláctica para a tuberculose, possuindo somente a BCG (Bacilo Calmette-Guérin), vacina utilizada para a prevenção da tuberculose, que é administrada em crianças, conferindo alguma protecção em relação ao desenvolvimento de formas maios graves da epidemia.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, na União Europeia, sete pessoas morrem por hora devido a tuberculose e cerca de um terço da população mundial está infectada com o bacilo de Koch.

“As novas vacinas são a única solução sustentável que pode ter um impacto significativo no combate à epidemia global da tuberculose”, considerou o director da Iniciativa Vacina para Tuberculose (TBVI, na sigla em inglês), Jelle Thole, citado no artigo da Horizon-Magazine da União Europeia.

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Uma oportunidade de ouro
Editorial | Nuno Jacinto
Uma oportunidade de ouro

O ano que agora terminou foi sem dúvida atípico, fora do normal e certamente ficará para sempre na nossa memória individual e coletiva. Mas porque, apesar de tudo, há tradições que se mantêm, é chegada a hora de fazer um balanço de 2020 e perspetivar 2021.

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