Jornal Médico Grande Público

A (in)certeza da diabetes! Para onde caminhamos…
DATA
15/11/2018 12:07:18
AUTOR
Tiago A. Fernandes
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A (in)certeza da diabetes! Para onde caminhamos…

A prevalência da diabetes tem vindo a aumentar e estima-se que atinja, entre adultos dos 20 aos 70 anos, 438 milhões em 2030, o que representa mais 153 milhões que em 2010.

Esta patologia afeta 13,3% dos portugueses. A diabetes é uma doença crónica multifatorial, na qual o controlo glicémico se encontra desregulado e cujas complicações podem ser inúmeras.

O aumento da prevalência da diabetes depende de inúmeros fatores, nomeadamente, genéticos, ambientais, socioculturais, entre outros. As crescentes mudanças comportamentais vividas na nossa sociedade não auguram um futuro risonho.

A era da informática, dos tablets, computadores e smartphones contribui cada vez mais para o sedentarismo e com ele o aumento de outros fatores de risco cardiovascular. Atualmente, a maioria da população não consegue passar umas horas sem percorrer as mais variadas páginas de Internet e aceder às redes sociais. Na maior parte das grandes cidades, perdeu-se a autonomia das crianças e jovens em se deslocarem a pé para as escolas, fruto da insegurança e dos perigos. As atividades ao ar livre, na natureza, cada vez são menos realizadas.

A qualidade da alimentação dos portugueses continua a deixar muito a desejar... Embora a dieta mediterrânica seja tão famosa, por que continuam os produtos mais calóricos a ocupar um lugar de destaque nas prateleiras dos nossos supermercados e o seu preço a ser “tão acessível”? É preciso pensarmos em mudanças radicais ou chegamos lá apenas com campanhas de promoção de alimentação saudável?

A obesidade e o excesso de peso estão intimamente ligados à diabetes. O conceito de “magreza” continua a ser ainda bastante discutido e basta olharmos para o exemplo das crianças para percebermos a realidade da nossa sociedade. Os pais e familiares procuram insistentemente o aumento de peso das suas crianças, muitas vezes não dando importância aos alertas transmitidos pelos profissionais de saúde. Todo este aporte calórico excessivo é um excelente contributo para o desenvolvimento de patologias no futuro, nomeadamente da diabetes. Será que as recentes estratégias para aumentar as cirurgias de correção da obesidade, não deveriam também ser canalizadas para a edução das populações? Será que os média poderiam ter um papel ainda mais ativo neste campo?

Será que a diabetes e suas complicações estarão a ser desvalorizadas pela população? O “fácil” acesso a terapêutica farmacológica está a mudar a forma como as pessoas encaram a doença? A “terrível” doença que no passado era temida por todos, que causava amputações e cegueira, já para não falar das complicações renais, é atualmente banalizada por grande parte da população: “é mais um comprimido; não me dói nada”. Estarão as pessoas devidamente consciencializadas sobre esta temática?

As mudanças comportamentais são a base para o sucesso e para a prevenção desta patologia, na maioria dos casos. Podemos alterar este caminho! A cooperação entre as equipas de saúde, educação, entidades governamentais e os média constituí a alavanca necessária e imprescindível, para a diminuição desta doença crónica.

Até lá, cabe-nos a nós profissionais de saúde, médicos, enfermeiros e todos os que lidam com a comunidade, reforçarmos a cada dia que passa, de forma sistemática e enérgica, a importância de se adotar estilos de vida saudáveis, prevenindo assim a doença.

Saúde Pública

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