Novas tecnologias em idade pediátrica
DATA
04/11/2019 14:47:41
AUTOR
Teresa Rei Silva
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Novas tecnologias em idade pediátrica

Vivemos na era digital, em que o desenvolvimento tecnológico levou à proliferação de dispositivos e aplicações eletrónicas.

Atualmente, é frequente observarmos adultos sentados numa mesa sem comunicarem entre si, fixados num ecrã. Por outro lado, nem as crianças escapam às transformações consequentes à era moderna. De facto, o uso destes dispositivos é cada vez mais precoce, podendo assumir implicações sérias e, como tal, merece ser discutido.

O tempo de ecrã definido como o tempo gasto com qualquer ecrã (smartphones, tablets, televisões, videojogos, computadores ou outras tecnologias) associou-se, em diversos estudos, a atraso no desenvolvimento emocional e da linguagem, a dificuldades na atenção e aprendizagem, bem como a efeitos deletérios no sono. Demonstrou, ainda, estar associado ao aumento do risco cardiovascular, diabetes mellitus, excesso de peso e obesidade.

Além destas consequências no desenvolvimento psicomotor e na saúde futura, o tempo de ecrã tem outras implicações, nomeadamente no contexto social, podendo substituir tanto o tempo em família como as brincadeiras com outras crianças, essenciais para o desenvolvimento enquanto indivíduos.

Contudo, não poderemos intuir que tudo serão malefícios. Partindo do pressuposto que a tecnologia será neutra e que o que lhe confere um ónus positivo ou negativo é o fim a que a destinamos, o uso de tecnologias poderá assumir diversos benefícios. Em idade pediátrica, quando utilizada de forma adequada, poderá facilitar e promover a aprendizagem e incentivar a função executiva, idealmente acompanhada de interação social. Nos adolescentes poderá ter um papel na educação para a saúde, constituindo um instrumento privilegiado de disseminação de informação. Adicionalmente, poderá representar um meio de comunicação entre amigos e familiares distantes com redução do isolamento social.

Deste modo, importa conhecer as recomendações para fomentar o uso ponderado e disciplinado das novas tecnologias, capacitando os seus utilizadores e incentivando a parentalidade positiva.

De acordo com as recomendações mais recentes da American Academy of Pediatrics até aos 18 meses deve ser reforçada a evicção de qualquer ecrã, excetuando as videochamadas. Dos 18 aos 24 meses apenas devem ser visualizados programas de elevada qualidade e na presença dos pais. Entre os dois e os cinco anos está recomendada no máximo uma hora por dia, de forma ocasional, através de programas de alto valor educacional e acompanhados pelos pais ou educadores; após os seis anos, devem ser estabelecidos limites claros e bem definidos, sendo que esta exposição nunca deve interferir com a alimentação, o sono ou a atividade física.

Acima de tudo, os pais deverão constituir um modelo a seguir, devendo ser incentivado o diálogo frequente e a definição de regras. A supervisão do uso das novas tecnologias é fundamental, de modo a garantir a correta adequação dos conteúdos e alertar para os eventuais perigos como por exemplo o sexting e o cyberbullying.

Os médicos que têm responsabilidade no bem-estar das crianças – nomeadamente, pediatras e médicos de família – devem estar sensibilizados para esta problemática, avaliando, na consulta, os hábitos de tempo de ecrã e assumindo uma atitude pedagógica, de modo a transmitir aos pais e às crianças as potenciais consequências e as recomendações apropriadas.

Referências biliográficas:

  1. AAP Council on communications and media. Media and Young Minds. Pediatrics. 2016;138(5): e20162591.
  2. Canadian Paediatric Society, Digital Health Task Force, Ottawa, Ontario. Screen time and young children: Promoting health and development in a digital world. Paediatr Child Health.2017;22(8):461-477.
  3. Radesky J, Moreno M. How to Consider Screen Time Limits…for Parents. JAMA Pediatr.2018;172(10):996.
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