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Jornal Médico   |  ATUALIDADE TERAPÊUTICA



         tornam  diabéticos  quando  atingem  a  idade                                   tro sobre o peso corporal; à comprovação
         avançada, apresentando, habitualmente, va-                                      da segurança cardiovascular; ao facto de na
         lores mais baixos de hemoglobina glicada,                                       doença renal e com doses  ajustadas apre-
         maior probabilidade de resposta aos anti-                                       sentarem um perfil de segurança favorável,
         diabéticos orais, menor prevalência de com-                                     nem perda da eficácia terapêutica; por apre-
         plicações crónicas da diabetes, presença de                                     sentarem interações medicamentosas míni-
         comorbilidades e de síndromes geriátricas. A                                    mas, bem como uma  formulação oral que
         outra realidade é marcada pela complexidade                                     no idoso é conveniente;  por permitirem  a
         da abordagem terapêutica, pelo descontrolo                                      supressão do glucagon”, conclui o Dr. Pedro
         metabólico frequente e maior necessidade de                                     Marques da Silva.
         insulinoterapia, doença micro e macrovascu-
         lar mais prevalente e pela presença de comor-  De acordo com o Dr. Pedro Marques da Silva, no contexto   EXAMINE COMPROVA SEGURANÇA
         bilidades e de síndromes geriátricas.     do idoso diabético, a alogliptina demonstrou ser eficaz e bem   CARDIOVASCULAR DE ALOGLIPTINA
                                                    tolerada, com melhor controlo glicémico em monoterapia   NO IDOSO DIABÉTICO
         COMO ATUAR PERANTE                        ou combinada com metformina ou com pioglitazona. “O estudo
         ESTE TSUNAMI SILENCIOSO?                   EXAMINE confirmou que a alogliptina não está associada   “Quando olhamos para a classe terapêu-
                                                    a maior risco de eventos cardiovasculares na DMT2 e SCA.   tica dos inibidores  da DPP-IV existem
         Na abordagem destes doentes, prossegue o        Acresce o efeito ponderal e o baixo risco   algumas diferenças entre as várias subs-
         preletor, “é imprescindível levar a cabo uma   de hipoglicemia, que fazem da alogliptina uma opção útil   tâncias. Desde logo, a seletividade com-
         avaliação geriátrica compreensiva global,    no tratamento da DMT2”, salientou o especialista  parada, que  é  extremamente  marcada
         procurando  aumentar a  precisão do  diag-                                      para a alogliptina”, descreve o médico do
         nóstico e do prognóstico, evitar a iatrogenia   PAPEL DOS INIBIDORES DA DPP-IV   HSM. “No que concerne à comparação das
         e planear as medidas preventivas, permitir  NA PREVENÇÃO DA HIPOGLICEMIA        caraterísticas farmacodinâmicas e em ter-
         a escolha fundamentada de intervenções                                          mos de redução da hemoglobina glicada, te-
         e  de  medidas  assistenciais, coadjuvar  no  Sabendo que  a idade  modula a resposta  mos que ter em conta os valores basais dos
         acompanhamento  dos  cuidados  de  saúde,  à  glicemia,  o  risco de  hipoglicemia  é  uma  estudos e perceber que quanto maior for a
         melhorando a qualidade de vida”.        preocupação especial na população dos ido-  hemoglobina glicada, maior a efetividade
         Há ainda a considerar, sublinha, os efeitos da  sos diabéticos, por todas as caraterísticas   terapêutica de qualquer fármaco hipoglice-
         fragilidade  na  diabetes.  A  saber:  menos  hi-  já referidas. A este  propósito, o Dr. Pedro   miante”, acrescentou,  sublinhando  que “a
         perglicemia, maior mortalidade, promoção  Marques da Silva alerta para o facto de “os   vildagliptina e a alogliptina são as que con-
         da normoglicemia, maior tendência para hi-  sintomas aparecerem com glicemia mais   seguem maiores reduções em monoterapia
         poglicemia, alteração regressiva da história  baixa e serem globalmente menos intensos;  da hemoglobina glicada em estudos contra
         natural da diabetes, variação da dinâmica in-  manifestações  neuroglicopénicas são mais   placebo”.
         sulina/glicose, ascensão de diabetes burnout.   importantes que as adrenérgicas; há uma  A evidência disponível (Adaptado de Kea-
         Mas, igualmente  importantes  são os efeitos  frequente confusão com doença neurológi-  ting  GM,  Drugs.  2015; 75: 777-96) mostra
         da diabetes na fragilidade e que contemplam  ca, nomeadamente com AVC e com acidente   que, no doente idoso diabético, a alogliptina
         o aumento da sarcopenia, a redução da sínte-  isquémico transitório (AIT); bem como uma  “melhora  o  controlo glicémico na  DMT2  e
         se proteica muscular, a maior degradação da  deterioração mais precoce da coordenação   reduz a HbA1c, dependendo do valor inicial,
         proteína do músculo, a acumulação lipídica  psicomotora e maior risco de disfunção cog-  mas persistindo ao longo do tempo, com ex-
         intramuscular, a redução da qualidade do  nitiva e funcional, de ECV e de disfunção au-  creção renal, em dose ajustada e sem com-
         músculo e a diminuição da força muscular.  tonómica”.                           promisso da eficácia ou segurança”.
         No meio deste tsunami, e na falta de evidência   São fatores de risco para hipoglicemia o uso  Na  diabetes de  longa  duração,  adiantou  o
         clínica de suporte que permita a estrutura-  de insulina ou de secretagogos, a duração  preletor, “[a alogliptina] tem efeitos no con-
         ção de recomendações fundamentadas – pela   da diabetes (> 5-10 anos), antecedentes  de   trolo glicémico, incluindo em doentes medi-
         ausência de idosos diabéticos nos estudos de  hipoglicemias,  refeições  erráticas, esforço   cados com  insulina,  podendo  depender  do
         intervenção (em particular idosos frágeis) –,   físico  extremo,  consumo  de  álcool,  insufi-  efeito sobre a célula α (supressão pós-pran-
         o Dr. Pedro Marques da Silva recomenda que  ciência renal e hepática  e medicamentos  dial do glucagon), com boa tolerabilidade e
         a decisão terapêutica dependa da qualidade  como  anti-inflamatórios  não  esteroides  e   baixo risco de hipoglicemia e de DDI, tão im-
         do ato médico, devendo a individualização  antidepressivos. Segundo o internista, con-  portante face à polimedicação frequente”.
         do tratamento ser ponderada com base nos  vém não esquecer que a hipoglicemia tem  No plano da segurança cardiovascular, o
         níveis de disfunção cognitiva e funcional do   consequências, entre as quais risco de ECV  ensaio EXAMINE  (N Engl J  Med  2013; 369:
         doente. No que concerne à disfunção cogniti-  ou de disfunções físicas e cognitivas. A este   1327-35) comprovou que  “na  DMT2  com
         va, importa ter em conta o risco aumentado  respeito, o especialista adverte que “quanto  RCV  elevado, a  alogliptina  é segura e uma
         de hipoglicemia, e consequentemente, o agra-  maior é o declínio da função renal, maior  alternativa terapêutica comprovada”.
         vamento do risco de demência, bem como a  é o risco de hipoglicemia”, que “os anti-  Em jeito de conclusão, e de acordo com o Dr.
         não adesão ao tratamento e a maior frequên-  diabéticos orais têm que ser ajustados de  Pedro Marques da Silva, no contexto do ido-
         cia de descontrolo metabólico. Na disfunção  acordo com a função renal e que os mais  so diabético,  a alogliptina  demonstrou ser
         funcional, é preciso valorizar a menor aptidão   recentes inibidores da SGLT2 não atuam  eficaz e bem tolerada, com melhor controlo
         física, as condições médicas diversas coexis-  quando a taxa de filtrado glomerular é <   glicémico em monoterapia ou combinada
         tentes,  a  neuropatia  periférica,  dificuldades  60 ou a 45 ml/min”.          com  metformina  ou  com  pioglitazona (ou
         visuais e auditivas, alterações do equilíbrio e  O paradigma  dos inibidores da  DPP-IV  tripla). “O estudo EXAMINE confirmou que a
         da marcha ou atrofia muscular.          emerge, desta forma, devido à sua “exce-  alogliptina não está associada a maior risco
         Nesta individualização do tratamento do ido-  lente relação  benefício-risco;  possibilidade  de eventos cardiovasculares na DMT2 e SCA.
         so diabético, o preletor salienta, ainda, a im-  de promover uma estimulação da insulina  Acresce o efeito ponderal e o baixo risco de
         portância de considerar três dimensões cara-  dependente da glicemia, fazendo diminuir  hipoglicemia, que fazem da alogliptina uma
         terísticas desta faixa etária: a depressão, as   o risco de  hipoglicemia  e aumentar  a  sua  opção útil no tratamento da DMT2”, salien-
         alterações da nutrição e as quedas/fraturas.  efetividade terapêutica; ao seu  efeito neu-  tou o especialista.


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