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ATUALIDADE TERAPÊUTICA   |  Jornal Médico



         eventos isquémicos e coronários; os indiví-  tudo ACCORD-Lipid (N Eng J Med 2010; 362:
         duos com níveis de c-LDL ≥ 130 mg/dl apre-  1563-1574)  e numa meta-análise (Sacks  et
         sentam risco acrescido de AVC.          al. N Eng J Med 2010; 363-692) “que mostrou
         Já em 1994, o estudo 4S (Scandinavian Sim-  uma redução de 35% em termos de eventos
         vastatin Survival Study), havia demonstrado  coronários  na DL aterogénica (pelos crité-
         que doentes com o c-LDL em níveis desejá-  rios ACCORD)”, referiu o preletor, adiantan-
         veis, mas com o c-HDL baixo e TG elevados,   do que os resultados do estudo ACCORDION
         tinham mais eventos major e mais morte co-  confirmaram  os  resultados  do  ensaio  AC-
         ronária, pelo que “a redução do c-LDL não  CORD: “doentes com DL aterogénica man-
         é suficiente para a prevenção do RCV”, aler-  tiveram  os benefícios com o mesmo trata-
         tou o especialista.                     mento (estatina + fenofibrato)”.            Em doentes com DMT2, hiperlipidemia mista e doença
         Para enfatizar a importância da redução dos  Em jeito de conclusão, o Dr. Alberto Mello e   cardiovascular que não atingiram os valores-alvo de c-LDL
         TG nesta estratégia de prevenção do RCV, o  Silva passou em revista a evidência clínica   e de c-não-HDL com 20 mg de sinvastatina em monoterapia,
         médico do HEM apontou dados de um outro  sobre a combinação fixa pravastatina + fe-  a terapêutica de pravastatina + fenofibrato e ezetimiba,
         grande estudo com mais de quatro mil doen-  nofibrato, nomeadamente sobre a eficácia e   em comparação com terapêutica dupla de sinvastatina
         tes – o PROVE IT-TIMI 22 –, os quais demons-  segurança da terapêutica tripla de Pravafe-  e ezetimiba, foi associada a efeitos benéficos significativos
         traram que a redução dos TG (< 150 mg/dl),  nix  com ezetimiba em doentes com DMT2,   nas concentrações de c-HDL, apoA-I e TG, salientou
                                                    ®
         a par da redução do c-LDL (< 70 mg/dl), “é  hiperlipidemia mista e doença cardiovascu-     o Dr. Alberto Mello e Silva
         uma boa estratégia terapêutica para doen-  lar que não atingiram os valores-alvo de c-L-
         tes após síndrome coronária aguda (SCA)”.  DL (≥ 70 mg/dl ou 1,8 mmol/l) e de c-não-H-
         Igualmente crucial neste contexto é a ava-  DL (≥ 100 mg/dl ou 2,59 mmol/l) com 20 mg
         liação do colesterol não-HDL (c-não-HDL)  de sinvastatina em monoterapia, em compa-
         que “não é nada mais do que a soma de  ração com a terapêutica dupla de sinvasta-
         todas  as lipoproteínas  potencialmente  tina e ezetimiba (Farnier M. et al, Diabetes   habituados,  na  medida  em  que,  apesar de
         aterogénicas  para além do c-LDL” e que  Vascular Disease Research 2012, Jan on-line).   específica, é muito menos sensível, devido à
         “se obtém  subtraindo  o colesterol total ao  Neste grupo de doentes não controlados, a   presença de anemia e de doença renal”, ex-
         c-HDL”, explicou o preletor, acrescentando  terapêutica de pravastatina 40 mg + feno-  plica o especialista, com base na literatura
         que  “o c-não-HDL  tem  uma  recomendação  fibrato  60  mg  e  10  mg  de  ezetimiba,  bem  disponível (Sinclair AJ, et al., Brocklehurst’s
         1C em doentes com TG elevados, na medida  como a terapêutica dupla de sinvastatina 20   Textbook of Geriatric Medicine and Geronto-
         em que encerra aquilo que não está visível  mg e 10 mg de ezetimiba induziram decrés-  logy, 8  Edition, 2017; 747 -56), acrescentan-
                                                                                              th
         nas  análises habituais.  A  evidência  mos-  cimos complementares significativos nos ní-  do que “os sintomas estão ausentes em 50%
         tra que doentes com valores-alvo do c-LDL  veis de c-não-HDL (e apoB), sem diferenças   dos doentes, sendo os sintomas osmóticos
         apresentaram um risco acrescido de ECV de  significativas entre ambas as estratégias; a   (síndrome poliúria-polidipsia) menos proe-
         32%, caso não tivessem atingido também  proporção de doentes que atingiu os valores   minentes e os sintomas inespecíficos (mal-
         valores-alvo do c-não-HDL (Boekholdt SM et  alvo de c-LDL e/ou C-não-HDL foi semelhan-  -estar, fadiga  e letargia) muitas vezes atri-
         al., JAMA 2012; 307(12): 1302-9).       te, tanto com a terapêutica de pravastatina   buíveis à idade”. Para além disso, a diabetes
         O Dr. Alberto Mello e Silva salientou que “a  + fenofibrato e ezetimiba, como com a tera-  no idoso tem “a hiperglicemia hiperosmolar
         prevalência da  diabetes  aterogénica não é  pêutica de sinvastatina e ezetimiba.  como apresentação e o diagnóstico inicial é
         despiciente, mesmo em doentes submetidos  Este estudo permitiu ainda apurar que a te-  habitualmente  realizado enquanto doença
         a tratamento com estatinas”. No entanto, la-  rapêutica dupla foi mais eficaz na redução   aguda ou após um perfil analítico periódico/
         mentou, “esta é uma condição subtratada e  do c-LDL. Em contraste, porém, a terapêu-  de rotina”.
         subcontrolada, ainda que seja prevalente a  tica  tripla  foi  associada  a  efeitos  benéficos   O preletor apelida a realidade da diabetes no
         existência de TG elevados e c-HDL baixo em  significativos  nas  concentrações  de  c-HDL,   idoso de “tsunami silencioso” (Marques da Sil-
         doentes tratados  com  estatinas, incluindo  apoA-I e TG (a diferença  entre as terapêu-  va P, Da insulina ao pâncreas artificial, 2016:
         nos que têm diabetes”.                  ticas  apresentou  significância  apenas  para   62-3 PREVADIAB – SPD, 2016), mas há quem
                                                 os TG). A segurança e tolerabilidade da tera-  já a tenha já designado por diabetes tipo 3, em
         EFICÁCIA E SEGURANÇA                    pêutica tripla foram semelhantes às obser-  grande parte devido à sua fisiopatologia parti-
         DA TERAPÊUTICA TRIPLA                   vadas com a terapêutica dupla.          cular, que se carateriza por “heterogeneidade
         DE PRAVAFENIX                                                                   fisiológica, maior resistência à insulina e me-
                        ®
         COM EZETIMIBA                           DMT2 NO IDOSO: NUANCES                  nor secreção de insulina (em parte diabetes
                                                 DIAGNÓSTICAS E CLÍNICAS                 tipo 2, em parte diabetes tipo 1), bem como
         “O que  podemos então fazer  para  mudar                                        fatores genéticos e ambientais moduladores”.
         este panorama?”, questionou o internista,  “Um em cada quatro portugueses com mais   De acordo com o médico do HSM, são fato-
         para evidenciar que “a modificação do esti-  de 65 anos é diabético”. Quem o diz é o inter-  res  influentes  na  intolerância  à  glicose  no
         lo de vida – com diminuição do consumo de  nista do Hospital de Santa Marta (HSM), Dr.   idoso “a diminuição da função das células-β,
         álcool e controlo ponderal –, bem como tera-  Pedro Marques da Silva, que na sua inter-  a redução da massa de células-β, o aumen-
         pêuticas redutoras de TG (fibratos, ácido ni-  venção sobre a eficácia e segurança cardio-  to da gordura visceral, a redução da massa
         cotínico, ácidos ómega-3), mostraram resul-  vascular no controlo da glicemia, começou   muscular,  a  disfunção mitocondrial,  a  me-
         tados mistos na redução de ECV em estudos  por apontar algumas das nuances diagnós-  nor concentração de adiponectina, a maior
         clínicos passados”, mas que “terapêuticas  ticas e clínicas da diabetes na pessoa idosa.  concentração de TNF-α, a menor concentra-
         redutoras de TG com fenofibrato adicionado  Desde logo, “a glicemia em jejum está nor-  ção de IGF-1, a redução da concentração de
         a uma estatina no subgrupo de doentes com  mal em cerca de um  terço dos doentes e   leptina, a inatividade física (sedentarismo) e
         TG elevados e/ou TG elevados + c-HDL baixo  temos que recorrer à prova de tolerância à  a alteração do metabolismo lipídico”.
         tiveram benefícios clínicos acrescidos  com   glicose oral (PTGO) ou à glicemia pós-pran-  Segundo  o  Dr.  Pedro  Marques  da  Silva,  “há
         uma redução de ECV”.                    dial como provas de diagnóstico mais con-  dois tipos de diabetes no idoso: a diabetes
         Os efeitos da  terapêutica  de combinação  fiáveis,  até  porque  a  hemoglobina  glicada   incidente e a diabetes de longa duração”. O
         lipídica na DMT2 são demonstrados no es-  neste grupo não é tão boa quanto estamos  primeiro  diz  respeito  aos  indivíduos  que  se


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