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Jornal Médico | ESPECIAL – 8.º CONGRESSO DE PNEUMOLOGIA DO CENTRO
HOT TOPICS EM PNEUMOLOGIA
Telessaúde e espirometrias
nos CSP: expetativa versus realidade
permitiram avaliar sinais e sintomas respi-
ratórios para posterior envio de informação
para o centro de controlo remoto, diminuin-
do assim o número de hospitalizações e de
admissões na sala de emergência.
Uma outra área que considerou promissora
foi a da Telereabilitação no fornecimento
de tratamentos de reabilitação respiratória
remotamente a doentes que se encontram
em casa ou em outros ambientes, de forma
a manter benefícios e aumentar a acessibili-
dade e inclusão de doentes.
É URGENTE E NECESSÁRIA
Os temas “quentes” da especialidade estive- sões hospitalares, deslocações e recursos; A IMPLEMENTAÇÃO DE REDE
ram em destaque na sessão Hot Topics em e a melhoria da gestão da doença crónica DE ESPIROMETRIAS NOS CSP
Pneumologia, que contou com a moderação conseguida através da partilha digital de in-
da Dr.ª Lourdes Barradas e do Dr. Luís Fer- formação e o acesso a outras especialidades. O tema “Rede de Espirometria” ficou a cargo
reira. A primeira intervenção, a cargo da “O que a TeleSaúde pretende é a equidade da pneumologista do CHUC, Dr.ª Alexandra Ca-
Dr.ª Cidália Rodrigues, versou sobre o tema na saúde, não só em termos de acessibilida- tarino, que sublinhou a importância da sua im-
“Telesaúde”. A pneumologista do Centro Hos- de, mas também na qualidade dos serviços plementação com vista ao diagnóstico precoce
pitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) prestados”, defendeu. de uma doença subdiagnosticada em Portugal
começou por distinguir os conceitos de Te- No que diz respeito às principais barreiras e e um pouco por todo o mundo: a DPOC.
lesaúde e de Telemedicina, recordando que limitações à implementação de projetos nes- Segundo dados de um estudo recente, há cer-
são inúmeras vezes erradamente aplicados ta área, a Dr.ª Cidália Rodrigues recordou a ca de 800 mil doentes no país, uma doença
como sendo sinónimos. Contudo, e apesar falta de conhecimento e sensibilização sobre responsável por 8.161 hospitalizações, sendo
das diferenças, ambos partem de duas pre- Telesaúde por parte de doentes e profissionais segunda causa de internamento por doença
missas comuns: os cuidados de saúde presta- de saúde; a falta de infraestruturas, quer do em Portugal e tendo, inclusivamente, provo-
dos à distância e a utilização das tecnologias ponto de vista dos equipamentos, quer das cado 2.720 mortes em 2013. Estima-se que
de informação e comunicação (TIC). conectividades; o financiamento e respetivo em 2014 apenas 117.807 doentes estivessem
De acordo com a definição da Organização reembolso insuficientes; a evidência (ainda) inscritos nos cuidados de saúde primários
Mundial da Saúde (OMS), a Telesaúde con- limitada de custo/eficácia, geradora de dificul- (CSP) com diagnóstico de DPOC dos quais
siste na “prestação de cuidados de saúde na dade de inclusão destes serviços nos sistemas apenas 9,3% tinham obtido a confirmação do
qual os utentes e os prestadores estão sepa- de saúde; a dificuldade em implementar este seu diagnóstico através de uma espirometria.
rados pela distância, utilizando as TIC para tipo de programas devido aos custos iniciais Na opinião da especialista, a realização de
a partilha de informação no diagnóstico e elevados; e os diferentes acessos às TIC, em espirometrias direcionadas a populações-
tratamento de doenças e lesões, na investi- virtude de fatores sociais e geográficos. -alvo na qual se evidenciem fatores de risco
gação, na avaliação e educação contínua dos Sublinhou ainda a importância de ter sem- e sintomatologia sugestiva de DPOC é a res-
profissionais de saúde”. pre presente que, na utilização das TIC, im- posta ao problema da falta de diagnóstico
Por sua vez, “a Telemedicina é centrada nos porta tomar em consideração alguns fatores precoce da doença.
serviços clínicos, nomeadamente na pre- ligados ao doente, de entre os quais “a ida- Nas suas conclusões, a Dr.ª Alexandra Cata-
venção diagnóstico e tratamento da doença, de, literacia, experiência, capacidade visual, rino recordou que há estudos que indicam
ao passo que a TeleSaúde tem uma interven- motora e cognitiva, fonação e ambiente fa- que os custos de diagnóstico e estadiamento
ção mais abrangente, para além dos servi- miliar” que podem ou não ser propícios a da DPOC representam apenas 5-6% do total
ços clínicos inclui áreas como educação e este tipo de utilização. de gastos dos sistemas de saúde nesta doen-
formação, saúde pública e administração da A propósito das doenças respiratórias cró- ça, o que representa um baixo investimento
saúde”, explicou a palestrante. nicas, a especialista recordou a pertinência na prevenção e diagnóstico de estádios li-
De entre os principais objetivos e benefícios da Telemedicina no apoio à autogestão da geiros a moderados da doença e um maior
trazidos pela Telesaúde, a palestrante desta- doença e especificamente na melhoria do investimento na reparação dos danos.
cou o aumento da acessibilidade aos cuida- controlo da asma através de intervenções de Investir no diagnóstico da DPOC em estádios
dos de saúde em alternativa às deslocações autogestão digitais. Já no âmbito das doen- ligeiros a moderados permitirá acompanhar
dos doentes e dos profissionais de saúde; a ças neuromusculares, a Teleassistência/Te- e tratar mais precocemente a doença, redu-
maior rapidez de resposta; a redução dos lemonitorização junto de doentes com com- zindo exacerbações, internamentos hospita-
custos em saúde em situações como admis- promisso da tosse e ventilados no domicílio lares e custos em saúde.
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Julho 2017

