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EM FOCO   |  Jornal Médico


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                                                                                         da dignidade
                                                                                         não deve ser uma
                                                                                         panaceia universal (...).
                                                                                         Trata-se de um
                                                                                         trabalho adicional
                                                                                         importante a toda
                                                                                         a evidência existente

                                                                                         a nível mundial”

















                                                                                         falta  de  formação  por  parte  dos  profissio-
                                                                                         nais de Medicina Paliativa.
                                                                                         Sobre os avanços parlamentares daquilo
                                                                                         que são os direitos das pessoas em fim de
                                                                                         vida, projeto liderado pelo CDS, Miguel Ju-
                                                                                         lião garante que após ter lido o documento
                                                                                         “só posso sublinhá-lo e concordar com ele”,
                                                                                         embora nele conste algo que qualquer pa-
                                                                                         liativista com formação faz na sua leges ar-
                                                                                         tis. O que este diploma vem trazer de dife-
                                                                                         rente é a discussão, a necessidade de olhar
                                                                                         forma mais consciente para as pessoas em
                                                                                         fim de vida e as respetivas famílias. Temos
         aplicada a terapia da dignidade e ao outro a                                    de falar, escrever, discutir verdadeiramen-
         intervenção  paliativa multidisciplinar com                                     te os seus direitos. A forma como trabalha-
         médicos, psicólogos, assistentes espirituais,                                   mos em Medicina Paliativa resolve preco-
         fisioterapeutas, fisiatras, entre outras.                                       cemente o sofrimento das pessoas, através
         Nas conclusões do ensaio, o investigador re-                                    do trabalho em equipa multidisciplinar e
         gistou  que  “os doentes a  quem  fazíamos a                                    o recurso a determinadas intervenções. O
         terapia da dignidade versus o grupo de con-                                     mais importante é trazer à discussão de
         trolo  tinha uma redução estatisticamente                                       forma mais institucional aquilo que já são
         significativa da depressão, da ansiedade, da                                    as boas práticas dos paliativistas e da Me-
         desmoralização, do  desejo de  antecipação                                      dicina Paliativa, que é uma área de com-
         de morte, uma melhoria franca da qualida-  “É o reconhecimento de uma investigação pioneira a nível mundial,   petência  científica,  ancorada  num  sentido
         de  de vida,  do  sentido de  dignidade,  tudo   a partir de problemas identificados na prática clínica e que a investigação   humano e de compaixão profundos”.
         isto acompanhado  também  por  um  outro      transforma em algo benéfico para a vida das pessoas”  A surpresa da distinção foi, para o investiga-
         objetivo, que consistia em perceber se estes                                    dor português, o reconhecimento de um tra-
         doentes viviam mais do que os outros. Con-                                      balho feito com sacrifício e em benefício das
         cluímos que os doentes que faziam terapia                                       pessoas. Por outro lado, esta é também uma
         da dignidade tinham maior sobrevida, me-                                        forma de dizer à Europa e ao mundo que,
         lhor qualidade de vida e mais conforto”.  evidência existente a nível mundial e, sobre-  apesar da falta de apoio financeira, é possí-
         Questionado sobre a  forma como gostaria  tudo, portuguesa”.                    vel desenvolver um trabalho de qualidade
         de ver espelhadas as principais conclusões   Um outro impedimento à criação de serviços   (embora não seja defensor desta corrente).
         da  sua investigação na prática clínica, Mi-  deste tipo de psicoterapia identificados pelo   “É o reconhecimento de  uma investigação
         guel Julião sublinha que “a terapia da dig-  entrevistado poderá estar relacionado com   pioneira a nível mundial, a partir de proble-
         nidade não deve ser uma panaceia univer-  a falta de terapeutas  formados nesta área,  mas identificados na prática clínica e que a
         sal. Existem pessoas para  quem  a  terapia  um processo  longo (bem como o processo   investigação  transforma  em  algo  benéfico
         da dignidade não faz sentido, há quem não   da terapia propriamente dita), exigindo do  para a vida das pessoas”, justifica, certo de
         aceite por considerar que  a resolução da  terapeuta uma entrega quase total. “Em Me-  que,  perante  este  “voto  de  confiança”  das
         sua vida está para além de qualquer inter-  dicina Paliativa, o tempo é algo que assume  pessoas,  irá continuar a desenvolver  um
         venção externa que possamos efetuar como  uma importância particular, na medida em  trabalho de qualidade, com significado, “be-
         terapeutas e como profissionais. Trata-se de  que a situação de cada pessoa pode agravar  néfico e que alivie o sofrimento das pessoas
         um trabalho adicional importante a toda a  rapidamente”, afirma acrescentando que há  e das suas famílias”.


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