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Jornal Médico | CRÓNICA
MITOS E REALIDADES
Termalismo em Portugal
MARIA INÊS OLIVEIRA
Interna de formação
específica em Medicina
Geral e Familiar
USF Lagoa, ULS Matosinhos
O Termalismo foi desde sempre da seja senso comum associar medicamento para solucionar
uma prática muito comum em o conceito de termalismo a um o problema em questão. Con-
Portugal. Durante décadas, as es- centro de massagens, quando os tudo, há que quebrar este ciclo
tâncias termais eram alvo de mui- seus objetivos terapêuticos vão viciante e instituir a prevenção
ta procura em determinados pe- muito para além do relaxamen- quaternária, incentivando ou-
ríodos sazonais, sobretudo pelas to físico e mental. tras terapêuticas, sem fármacos
faixas etárias mais velhas, e eram Em suma, todos os profissionais associados, que trazem tantas
consideradas, a nível social, férias de saúde deveriam incentivar ou mais vantagens para a saú-
de elevado estatuto e qualidade. a medicina termal como uma de, como a medicina termal.
Perante estes factos, eis que prática a adotar em determi- Por fim, é de referir que o terma-
surge a seguinte questão: afinal nadas doenças. Infelizmente, lismo atualmente já não benefi-
o termalismo representa uma como interna de Medicina Ge- cia de comparticipação por par-
atividade de lazer ou uma me- ral e Familiar, tenho vindo a te do Estado, pelo que se deve
dida terapêutica? constatar a necessidade cres- enfatizar a sua importância não
Embora o intuito, por parte de cente, quer por parte do utente, só junto dos profissionais de
uma grande amostra popula- quer por parte do médico (este saúde e da população em geral,
cional, fosse usufruir de um pe- último, muitas vezes, numa como também junto das autar-
ríodo relaxante e de convívio, a tentativa de adesão por parte quias e de todas as entidades go-
medicina termal apresenta inú- do paciente) de prescrever um vernamentais nacionais.
meros benefícios para a saúde,
não só para os grupos etários
mais velhos, mas também para
a população pediátrica.
Após ter concluído a pós-gra-
duação em Climatologia e Hi-
drologia na Faculdade de Medi-
cina da Universidade do Porto,
pude constatar tais benefícios,
não só devido aos conhecimen-
tos teóricos abordados, mas
também através da deslocação a
determinadas termas, onde tive
oportunidade de realizar alguns
dos tratamentos proporciona-
dos por estas.
De facto, a Hidrologia é uma
área que intervém em várias
patologias, incluindo as osteoar-
ticulares, músculo-reumatológi-
cas, cardiovasculares e também
as do foro respiratório, como a
sinusite, rinite e asma. Assim, é
lamentável que hoje em dia ain-
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