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Jornal Médico | ESPECIAL 33.º CONGRESSO DE PNEUMOLOGIA
Colaboração internacional na investigação
é chave para o sucesso
A “investigação transnacional” esteve em destaque no 33.º Congresso de Pneumologia,
numa mesa-redonda sobre «Oportunidades de Investigação Clínica Transeuropeia», onde
foram apresentados programas de investigação, apoios financeiros e áreas de potencial
interesse comum, nos quais se pretende que os pneumologistas portugueses possam vir
a desenvolver investigação em network com colegas estrangeiros. O objetivo: a participação
global, ativa e profícua de todos os pneumologistas, de forma a aumentar a produção
científica e melhorar a massa crítica da Pneumologia portuguesa.
Carlos Egea, da Sociedad Española de “Quando alguém se
Neumología y Cirugía Torácica (SEPAR), e
Carlos Lopes, da Sociedade Portuguesa de propõe a concretizar
Pneumologia (SPP), estão de acordo quanto investigação clínica,
ao caminho para o sucesso da Pneumolo- deve preocupar-se
gia: passa pela colaboração internacional
na investigação, e pela uniformização das em eleger áreas-
práticas clínicas. alvo”, sublinhou o
Segundo o especialista espanhol, “para al-
cançar a uniformização, temos de fazer to- pneumologista da SPP,
dos o mesmo e da mesma maneira, cada um Carlos Lopes
em função das suas especificidades”. Focan-
do-se na área da ventilação mecânica, Car-
los Egea referiu que os objetivos desta ho-
mogeneização passam por, essencialmente,
melhorar o nível de cuidado prestados aos
doentes, assegurando um marco uniforme
de qualidade, mas também por disponibi-
Carlos Egea lizar recursos e facilitar a gestão dos mes-
Sociedad Española de Neumología mos, e por promover planos formativos em
y Cirugía Torácica ventilação mecânica e avançar com o con-
ceito de “acreditação do conhecimento”.
Simultaneamente, pretende-se potenciar a de igual modo, prontos para qualquer tipo
colaboração com os profissionais de outras de atividade de assistência, ensino ou in-
disciplinas clínicas e promover a investiga- vestigação, relacionada com a prevenção,
ção em ventilação domiciliária. o diagnóstico e o tratamento de qualquer
Para tal, a SEPAR criou um grupo de tra- patologia que possa ser tratada com venti-
balho para a acreditação em ventilação lação domiciliária.
não invasiva (VNI), dividido em três áreas, Quanto ao nível básico, trata-se uma uni-
como explicita o responsável: alta comple- dade cujo responsável é um especialista
xidade, especializada e básica. em Pneumologia, que dedica muito tempo
As unidades de alta complexidade são do- do seu trabalho à ventilação domiciliária.
tadas de recursos humanos e materiais su- Estas unidades dispõem de recursos hu-
ficientes, de modo a estarem preparadas manos básicos e de um número mínimo
para qualquer tipo de atividade de assis- de pacientes para manter um nível ade-
tência, ensino ou investigação, relacionada quado de experiência em ventilação do-
com a prevenção, o diagnóstico e o trata- miciliária. Devem, também, manter uma
mento de qualquer patologia que possa ser relação com as unidades de maior com-
tratada com ventilação domiciliária. plexidade, para consulta e passagem de
Já a especializada diz respeito a centros doentes mais complexos.
de menor complexidade, que dispõem de De acordo com o representante da SEPAR,
recursos humanos e materiais que lhes os benefícios desta colaboração passam
possibilitam prestar uma atenção espe- por um maior número de centros e de
cializada, a pacientes com patologias que doentes e por uma alargada possibilidade
necessitam de apoio complementar. Estão, de financiamento.
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Janeiro 2018

