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ESPECIAL 33.º CONGRESSO DE PNEUMOLOGIA  |  Jornal Médico



         Por sua vez, Carlos Lopes focou-se na sua
         área de interesse – as bronquiectasias – ex-
         plicando que o EMBARC é um dos maiores
         projetos no âmbito desta patologia respira-
         tória, ultrapassando as fronteiras da Euro-
         pa. “Neste momento, há mais de 30 países
         a participar, mais de 200 centros envolvi-
         dos. Trata-se de uma rede para o estudo de
         bronquiectasias não fibrose quística criada
         em 2012”, sublinhou.
         De acordo com o representante da SPP, tra-
         ta-se de “um projeto multidimensional que
         compreende várias vertentes”, consideran-
         do que, provavelmente, a mais importan-
         te é o registo europeu de bronquiectasias.
         “Veio dar uma noção da realidade destes
         doentes  que  andavam  um  pouco  espalha-
         dos por todas as áreas da Pneumologia
         geral e, portanto, veio suprir as carências
         em termos de informação, nomeadamente,
         epidemiológica e, por outro lado, pôr uma
         networking de comunicação em funciona-
         mento entre investigadores e especialistas
         clínicos”, explica.
         Esta colaboração é sobretudo importante
         quando se trata de doenças raras como es-
         tas, em que o número reduzido de casos
         por  centro  não  permite  tirar  conclusões
         e, portanto, é necessária a partilha global
         da informação. “Só assim conseguimos o
         objetivo  final,  que  é  melhorar  a  qualida-
         de  dos  cuidados  assistenciais  aos  nossos
         doentes”, expôs.                                                                          Carlos Lopes
         Simultaneamente, as bronquiectasias fo-                                                   Sociedade Portuguesa de Pneumologia
         ram ignoradas durante bastante tempo,
         devido ao facto de os doentes serem muito
         heterogéneos.  Assim,  “não  eram  encara-  dados microbiológicos em termos de exa-
         dos como um grupo, o que levou a que a   cerbações”, o que permite uma harmoniza-
         abordagem diagnóstica e terapêutica fosse  ção dos protocolos e uma centralização da   “Educar” os doentes sobre
         inconsistente, resultando numa grande ca-  investigação científica, conforme defende o   os benefícios da investigação
         rência  de  tratamentos  específicos”,  notou   representante da SPP.
         Carlos Lopes, acrescentando que existe   A plataforma do registo é simples e já estão   “Quando alguém se propõe a concretizar
         também “uma carência de evidência cien-  registados 212 centros, mas no que respeita   investigação clínica, deve preocupar-se em eleger
         tífica a suportar estas áreas”.         à realidade nacional, Carlos Lopes lamenta   áreas-alvo, assim como em fomentar a comunicação
         No fundo, o EMBARC juntou um grupo de  que apenas constem “10% dos doentes em    entre investigadores e clínicos, pois tem que
         investigadores europeus que se prestou a   seguimento”. “Não é fácil participarmos   existir uma ponte entre a ciência básica e a
         dar resposta a estas questões, contando já   nestas redes europeias por falta de recur-  investigação clínica para se conseguir a translação
         com 10 mil doentes no seu registo. “É um   sos  humanos  e  este  problema  também  se   do conhecimento”.
         mecanismo  paradigmático  de  uma  colla-  coloca quando nos candidatamos a proje-
         borative  research e é  fundamental para  tos de investigação”, refere.          O alerta partiu de Carlos Lopes, que advoga ainda
         nós. Não podemos trabalhar sozinhos, tra-  No  que  respeita  à  fibrose  quística,  existe   a imperativa necessidade de integrar uma equipa
         balhamos em rede, uma rede de investiga-  uma  ampla  tradição  de  investigação,  pela   multidisciplinar, que “vai alargar a base do nosso
         dores e especialistas clínicos multidiscipli-  Sociedade Europeia de Fibrose Quística,   conhecimento”, reconhece. Simultaneamente,
         nares”, garantiu.                       que está dividida e bem organizada numa   deve procurar-se a integração através de modelos
         No  que  respeita  à  vertente  do  registo,  o   rede de ensaios clínicos, num registo de   de investigação translacional, sendo que existem
         responsável explicou que o objetivo passa   doentes com a patologia – com 42.054 regis-  programas disponíveis e os benefícios são muitos:
         por analisar e avaliar as diferenças na prá-  tos, o que para uma doença rara é um nú-  “ao trabalharmos em rede é possível suprir as
         tica clínica de bronquiectasias na Europa,   mero considerável –, e em grupos de traba-  carências”, defende.
         uma vez que existe uma grande assimetria   lho, esclareceu Carlos Lopes. O resultado,
         entre os países do Norte, do Sul e do Leste,  garante, são “recomendações que definem   Quanto à questão da necessária participação dos
         que possuem práticas clínicas totalmente   o diagnóstico, a monitorização e a terapêu-  doentes nos ensaios clínicos, Carlos Lopes defende
         diferentes.  Depois  de  reunidos  os  dados   tica, segundo o Estado da Arte”.  que é fundamental educá-los “sobre os benefícios
         epidemiológicos, o objetivo é “encontrar  Relativamente à discinesia ciliar primária   da investigação, para eles e para os outros”. Por
         áreas-alvo para conseguirmos uma melho-  (DCP), o especialista revelou que é onde   fim, devem procurar-se ligações a grupos-chave
         ria na investigação e nos cuidados”. Obtém-  existe mais caminho a percorrer, assim, foi   de interesse, como sociedades, fundações e
         se,  deste  modo,  “informação  demográfica,   já criada uma rede multidisciplinar com   associações de doentes.
         quanto  à  gravidade  da  doença  e  também  uma ênfase especial na formação.


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