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Jornal Médico   |  ESPECIAL 33.º CONGRESSO DE PNEUMOLOGIA



         TRANSPLANTE PULMONAR

         Portugal conta uma história de sucesso






         A pneumologista Luísa Semedo foi a Albufeira contar a “história de sucesso” do transplante pulmonar
         em Portugal. A responsável pela equipa de transplantação pulmonar do Hospital de Santa Marta,
         em Lisboa, apresentou números que colocam o nosso país no topo do ranking europeu e mundial neste
         domínio. O 30.º transplante de pulmão realizado este ano naquela instituição hospitalar, poucos dias
         após o 33.º Congresso de Pneumologia, marcou a agenda mediática, na medida em que coloca Portugal
         no grupo dos países que mais cirurgias deste tipo realiza.







                                                 ses da Europa, estão “ao nível do Reino Unido e   meses é de 90%, no primeiro ano é de 81/82%,
                                                 da Itália” e imediatamente atrás da “Áustria, da  ao quinto ano é de 66% e ao oitavo é de 61,2%”.
                                                 Bélgica e de Espanha que lideram no número  No que respeita à comparação dos resultados
                                                 de transplantes”. Assim, “em relação às estatís-  dos transplantes bi-pulmonares, com os uni-
                                                 ticas  internacionais,  fazemos  parte  do  grupo   -pulmonares, “a sobrevida é muito idêntica”,
                                                 da frente”, sublinhou a especialista.   já em relação às patologias, a fibrose quística
                                                                                         apresenta os melhores níveis, já que se tratam
                                                 PERFIL DO DOENTE TRANSPLANTADO          muitas vezes de doentes mais jovens, confor-
                                                                                         me expôs a pneumologista, e a DPOC os piores.
                                                 Luísa Semedo traçou, ainda, o perfil do doente  A responsável alertou para a importância de
                                                 português transplantado, que é, quanto ao local   os doentes serem referenciados o mais cedo
                                                 de origem, sobretudo, da zona Norte, seguin-  possível, explicando que, quando chegam à
                                                 do-se a região de Lisboa e Vale do Tejo. Existe,   consulta, é feita uma seleção com base em
                                                 também, um predomínio do sexo masculino –   normas  de  orientação  clínica  específicas,  po-
                                                 cerca de 63% – e, quanto à faixa etária, a maior  dendo ficar em lista de espera ou em follow-
                                                 incidência é entre os 50 e os 60 anos, sendo que   -up, caso não cumpram ainda os critérios ne-
                                                 a doente transplantada mais jovem tinha 13, e  cessários. Luísa Semedo sublinhou, também, a
                                                 o mais velho 66, existindo oito transplantados   relevância do acompanhamento do doente de-
                                                 com idades inferiores a 18 anos, revelou.   pois da intervenção: “tem de existir um trans-
                                                 Já no que respeita às patologias, cerca de 50%  plante e um pós-transplante”.
             Luísa Semedo                        dos doentes sofriam de doenças do interstício
             Hospital de Santa Marta             pulmonar – e, dentro destas, as duas maiores  CRITÉRIOS PARA TRANSPLANTAÇÃO
                                                 causas são a fibrose pulmonar idiopática e a   E DESAFIOS FUTUROS
                                                 pneumonite de hipersensibilidade –, aproxi-
         Com 29 intervenções realizadas ao longo deste   madamente 22% teriam DPOC, sensivelmente   No que respeita aos critérios, estes pren-
         ano e com um nível de sobrevida ligeiramente   15%  teriam  sido  diagnosticados  com  fibrose   dem-se, essencialmente, com a  sobrevida
         superior à média europeia, Portugal tem vin-  quística  e,  por  fim,  cerca  de  11%  com  bron-  expectável, apostando-se na  “equidade  e
         do a ocupar, internacionalmente, um lugar de   quiectasias, de acordo com a pneumologista.  eficiência”, uma vez que “os órgãos são es-
         destaque no que respeita ao transplante pul-                                    cassos e devem ser destinados a quem tire o
         monar. O percurso teve início em 2001 e, desde   SOBREVIDA PÓS-TRANSPLANTE      melhor partido deles”.
         então, 179 doentes foram transplantados.                                        Em  relação  aos  dadores,  os  critérios  têm
         O primeiro transplante pulmonar em Portu-  Importa, de igual modo, compreender quais  vindo a ser alargados e, durante este ano,
         gal foi realizado em 2001, pelo cirurgião car-  são as principais causas de morte após o trans-  foram  indicados  86  dadores,  com  mortes,
         díaco Rui Bento, no Hospital de Santa Marta,   plante pulmonar, sendo que, “no primeiro mês,  maioritariamente,  causadas  por  AVC  (cerca
         a um doente com cardiopatia congénita, que   estão ligadas à disfunção primária do enxerto   de 60%). No entanto, apenas 33 foram aceites
         apresentava já alterações a nível pulmonar,   e a infeções; no primeiro ano são, também, as   e, aquando da colheita, só 29 foram aprovei-
         contou  a  responsável  pela  equipa  de  Trans-  infeções a principal causa; e, mais tardiamen-  tados, de acordo com os dados apresentados
         plantação  Pulmonar  do  Hospital  de  Santa   te, aponta-se a disfunção crónica do enxerto, a   pela pneumologista.
         Marta, Luísa Semedo.                    bronquiolite obliterante e a síndrome restriti-  “Começámos com poucos casos, tivemos uma
         Inicialmente, os números foram baixos, mas   va do enxerto”, salientou.         faze de aprendizagem, fomos sempre resilien-
         nos últimos anos os resultados são já “bastan-  “A doente com maior sobrevida foi uma mu-  tes às contrariedades e conseguimos alcançar
         te sólidos”, sendo que, ao longo de 2017, foram   lher  com  fibrose  quística,  transplantada  em   resultados”, quando ao futuro, Luísa Semedo
         efetuados 29 transplantes, explicou Luísa Se-  2004, aos 29 anos e que, hoje, aos 43, se en-  assumiu, mais do que como um objetivo, como
         medo, acrescentando que, ao longo destes 16   contra muito bem”, recordou Luísa Semedo,   uma  “obrigação”,  a necessidade de  formar  e
         anos, foram alvo de cirurgia 179 doentes.  sublinhando que Portugal tem “uma sobrevi-  atualizar a sua equipa, aumentar o espaço de
         De acordo com a responsável, estes números,   da ligeiramente superior aos registos interna-  trabalho, assim como o número de transplan-
         quando comparados com os dos restantes paí-  cionais: no primeiro mês é de 93,8%, aos três   tes e de dadores.


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