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Jornal Médico   |  CRÓNICA




                                       rINItE alérGICa

                                       voltou com a primavera






                                       Com a chegada da primavera e dos pólenes, nas diversas especialidades
                                       – principalmente nas de Medicina Geral e Familiar, Otorrinolaringologia,
                                       Pneumologia e Serviço de Urgência – deparamo-nos com um boom de
                                       queixas múltiplas que traduzem a rinite alérgica.







         SuSaNa vIlar SaNtoS           A rinite alérgica surge, habitual-
                                       mente,  em  indivíduos  atópicos,
         Interna de Formação           atingindo cerca de 15% da popu-
         Específica                    lação, com maior incidência nas
                                       áreas urbanas.
         USF Terras do Ave             É  geralmente  sazonal  pela  sua
                                       relação com os aero-alergéneos
                                       e,  eventualmente,  com  exacer-
                                       bações sazonais.
                                       As  manifestações  clínicas  mais
                                       comuns são as crises esternuta-
                                       tórias,  rinorreia  serosa,  obstru-
                                       ção  e  prurido  nasal,  lacrimejo,
                                       prurido ocular e olho vermelho,
                                       prurido do palato ou faríngeo e
                                       odinofagia, sensação de pressão
                                       no peito que pode acompanhar-
                                       se de sibilos.
                                       Além  desta  sintomatologia  afe-
                                       tar a qualidade de vida, surgem
                                       repercussões  socioeconómicas
                                       negativas  como:  custos  diretos
                                       em  consultas,  exames  comple-
                                       mentares  de  diagnóstico,  inter-
                                       namento;  custos  indiretos  por
                                       absentismo  laboral,  diminuição
                                       da produtividade/aproveitamen-
                                       to escolar, estratégias de evicção
                                       antigénicas.  Neste  sentido,  tor-  Além das medidas de evicção, a  gicos locais têm uma ação limi-
                                       na-se pertinente o diagnóstico e   lavagem nasal deve ser de roti-  tada por não terem efeito sobre
                                       tratamento corretos e a tranqui-  na  e  frequente  para  remover   os espirros, prurido e congestão
                                       lização do doente.            as  secreções  e  os  alergénios.  O  nasal;  os  corticoides  sistémicos
                                       O  diagnóstico  baseia-se  na  co-  tratamento mais eficaz é o cor-  apenas  se  justificam  em  situa-
                                       lheita minuciosa e orientada da  ticoide nasal que, quando usado  ções de maior gravidade.
                                       história e observação clínicas e   regularmente, alivia os sintomas  A  imunoterapia  tem  sido  con-
                                       nos prick test positivos para al-  nasais. Os anti-histamínicos, por  siderada,  unanimemente,  um
                                       guns dos alergénios testados.  via sistémica, têm efeitos nítidos  método  terapêutico  importan-
                                       A  profilaxia  das  rinites  alérgi-  nos espirros, prurido e secreção   te e com excelentes resultados
                                       cas começa, como é lógico, pela   nasal, mas devem ser utilizados  nas polinoses.
                                       evicção antigénica. Por isso, um  por  curtos  períodos  de  tempo,  Em  suma,  uma  vez  que  esta
                                       ambiente  desprovido  de  aler-  durante as crises.         doença crónica causa incómodo
                                       génios era desejável, mas não é  Outros   tratamentos   menos   no dia a dia, deve fazer-se edu-
                                       exequível. Durante a primavera,  usuais,  como  os  vasoconstrito-  cação para a saúde, com vista a
                                       sobretudo,  evitar  caminhar  no   res  (tópicos  ou  orais),  também  que o doente aprenda a gerir a
                                       campo,  fazer  campismo,  caça   devem  ser  restringidos  a  um  doença, atendendo a que a ade-
                                       ou pesca e ter a atenção de usar  curto  período,  devido  aos  seus  são  a  todas  as  medidas  profilá-
                                       óculos.  De  modo  a  prevenir  os  efeitos colaterais; o cromoglica-  ticas  e/ou  disponíveis  permite
                                       sintomas,  pode  consultar-se  o  to  dissódico  de  aplicação  local  prevenir e controlar os sintomas
                                       Boletim Polínico e a previsão se-  só  tem  ação  profilática  a  nível  de forma aceitável, melhorando
                                       manal dos pólenes em Portugal,   dos espirros, prurido, obstrução   significativamente  a  qualidade
                                       por região.                   e  hipersecreção;  os  anticolinér-  de vida.


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