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jornal médico   |  esPeciaL – xxiv congresso De PneumoLogia Do norte



         Coração E pulmão

         Haverá necessidade de seguir os doentes



         com embolia pulmonar aguda?















                                                 coube à coordenadora da unidade de Hipertensão Pulmonar
                                                 do Hospital garcia de orta, maria josé Loureiro, responder a
                                                 esta questão, com base na evidência disponível, numa mesa-
                                                 redonda que procurou promover o debate interespecialidades.
                                                 temas como a hipertensão pulmonar tromboembólica crónica
                                                 e a insuficiência cardíaca mereceram destaque nesta sessão,
                                                 que contou ainda com a participação de um convidado de
                                                 renome internacional, o professor de neurologia e medicina
                                                  do sono da universidade de Liège, jean-Louis Pépin.



                                                 Maria  José  Loureiro  debruçou-se  sobre  o  agudo, particularmente nos primeiros dois
                                                 mecanismo  fisiopatológico  que  conduz  a  anos. “Lembrem-se que a HPTEC após even-
                                                 episódios de TEP (sejam estes de risco eleva-  to afeta até 9% destes indivíduos”, advertiu.
                                                 do ou não) e à possibilidade de estes doentes   Devido  ao  facto  de  a  dispneia  ser,  por  si
                   maria José loureiro           virem a desenvolver doença embólica cró-  só,  uma  queixa  bastante  prevalente,  a  es-
                   Coordenadora da unidade       nica  ou  alteração  hemodinâmica  da  árvo-  pecialista  admite  que  acrescentaria  a  este
                   de Hipertensão pulmonar       re  arterial  pulmonar,  definida  por  HPTEC,  algoritmo  um  electrocardiograma  e  um
                   do Hospital Garcia de orta    começando  por  destacar  que  a  incidência  NT-proBNP.
                                                 cumulativa de HPTEC após TEP sintomático  Assim,  o  diagnóstico  de  HPTEC  baseia-se
                                                 (dois anos) é de 0,1% a 9,1% e que a incidên-  nos seguintes critérios: ≥ três meses de anti-
                                                 cia anual é de cinco a 28 casos/milhão.  coagulação oral; PAPm ≥ 25 mmHg; PCWP <
                                                                                         15 mmHg (HP pré-capilar); um ou mais de-
                                                 rastreio sistemático De HPtec           feitos (segmentares) de perfusão detetados
                                                 não está recomenDaDo                    na cintigrafia de perfusão ou obstrução das
                                                                                         artérias pulmonares visualizada na angioTC
                                                 “Haverá  necessidade  de  seguir  os  nossos   multicortes ou angiografia convencional.
                                                 doentes  com  embolia  pulmonar  aguda?”  é
                                                 a questão que se coloca e que não pode ser   aLgoritmo De tratamento
                                                 respondida  de  forma  simplista.  Ao  refor-  Da HPtec
         “São  vários  os  aspetos  que  preocupam  o   mular a pergunta para “Devemos fazer um
         médico  no  seguimento  dos  doentes  após  rastreio  sistemático  de  HPTEC  a  todos  os   O tratamento da HPTEC obedece a um algorit-
         tromboembolismo  pulmonar  (TEP),  sendo  doentes com TEP”, a resposta é não, adianta  mo (ver caixa) em que a cirurgia se apresenta
         a  hipertensão pulmonar tromboembólica  crónica   a médica, esclarecendo que “não há evidên-  como a única hipótese curativa ou potencial-
         (HPTEC) apenas um deles”, destacou a car-  cia que o justifique”, para além de que “não   mente curativa, com normalização hemodi-
         diologista Maria José Loureiro.         existe um método de rastreio custo-efetivo”   nâmica e recuperação funcional total.
         De acordo com a especialista, após TEP, de-  e  que  “25%  dos  casos  de  HPTEC  sem  TEP  No caso dos doentes não elegíveis para cirur-
         vem ser avaliados aspetos como os fatores   prévio”.                            gia (até 40%)  e  daqueles que permanecem
         predisponentes,  a  adequação  da  terapêuti-  Assim sendo, as normas de orientação clíni-  com HP residual pós-cirurgia (30%), o trata-
         ca  anticoagulante  (com  monitorização  dos  ca (NOC) de 2014 e 2015 para HPTEC e embo-  mento médico, com base num vasodilatador
         níveis  terapêuticos  no  caso  dos  antagonis-  lia pulmonar (EP) contraindicam o rastreio  pulmonar específico  ou numa angioplastia
         tas  da  vitamina  K),  possíveis  complicações   sistemático de todos os doentes assintomá-  pulmonar por balão, “deve visar a melhoria
         da  terapêutica  anticoagulante,  a  migração,   ticos sobreviventes de uma EP aguda. Con-  da capacidade funcional e da qualidade de
         infeção,  extração  ou  outras  complicações   tudo, ressalva Maria José Loureiro, a HPTEC  vida”,  aponta  a  coordenadora da  unidade
         associadas  a  dispositivo  implantado,  a  re-  deve  ser  excluída  e  rastreada  em  doentes   de Hipertensão Pulmonar do Hospital Gar-
         corrência precoce (ainda durante o período   com dispneia persistente ou sinais de insu-  cia de orta.
         de hipocoagulação) e a recorrência tardia e   ficiência cardíaca (IC) direita, após três me-  A cirurgia – tromboendarterectomia pulmo-
         existência ou não de diagnóstico de HPTEC.  ses de anticoagulação eficaz e após evento   nar – é, assim, a abordagem terapêutica gold


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