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jornal médico | esPeciaL – xxiv congresso De PneumoLogia Do norte
patoloGIa obStrutIva
Atualizar e uniformizar critérios de atuação
“Controvérsias na Patologia de orientação clínica (NOC) mais recentes, em 2013, permanecendo em vigor até hoje.
Obstrutiva” foi o tema da mesa- nomeadamente da República Checa, já utili- Segundo avança Miguel Guimarães, “está
-redonda moderada por Mafalda zam o limite inferior normal. Espanha tam- já em preparação uma nova atualização
bém propõe uma alternativa ao critério de da norma, que trará algumas novidades,
van Zeller e Jorge Ferreira, que diagnóstico espirométrico usual, que é uti- nomeadamente quanto à realização da es-
contou com a participação de lizar o limite inferior normal nos extremos pirometria, que deverá ser feita obrigatoria-
Miguel Guimarães, da Prof.ª etários, o que para o especialista “faz todo o mente por técnicos de Cardiopneumologia e
Dr.ª Marta Drummond e de sentido, já que o FEV e FVC vão diminuindo em que todo o processo tem de ser coorde-
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com a idade e, por isso, ao utilizarmos um nado por um Pneumologista”.
Aurora Carvalho. A sessão rácio fixo estamos a subdiagnosticar os mais “É incontornável falar de guidelines sem
teve como objetivo atualizar e novos e a hiperdiagnosticar os mais velhos”. falar do projeto GOLD”, revelou o especia-
uniformizar critérios de atuação No âmbito da estratificação da gravidade lista. O GOLD 2017 introduz uma nova defi-
relativos à patologia obstrutiva, dos doentes, Miguel Guimarães destacou nição da DPOC, “que chama a atenção para
o que considera ser uma “abordagem de
a importância dos sintomas respiratórios e
nomeadamente da DPoc. futuro da DPOC”, que é utilização de uma alterações estruturais”. As recomendações
estratégica fenotípica. Uma vez mais, o es- deste ano indicam ainda que “a espirome-
pecialista destacou as NOC espanholas, que tria é absolutamente necessária para o diag-
Segundo Miguel Guimarães, “as guidelines dividem os doentes por grupos de fenótipos. nóstico, para o prognóstico e para a escolha
da doença pulmonar obstrutiva crónica O especialista realçou ainda que estas NOC terapêutica não farmacológica” da DPOC.
(DPOC) nos vários países da Europa são di- “foram das primeiras a apresentar uma No que respeita à avaliação sintomatológi-
ferentes”. Para sustentar a sua afirmação, questão que tem sido muito pouco debati- ca, o GOLD 2017 recomenda “um mMRC ≥
apresentou um estudo de 2016, que abran- da e que precisa de ser colocada na agenda, 2, o que corresponde a um CAT de 18 e um
geu 11 países europeus, incluindo Portugal. que é a questão da DPOC em fim de vida”. questionário clínico da DPOC (CCQ) de 1.9 ou
No que diz respeito ao critério de diagnós- Em Portugal, a norma que fez parte do es- um Saint George Respiratory Questionnaire
tico espirométrico, o estudo revelou que a tudo foi a NOC, que foi criada no contexto (SGRQ) de 46”. No âmbito das comorbilida-
maioria dos países continua a utilizar o rá- do Programa de Assistência Económica e des, o especialista alertou que “não há mo-
cio fixo do FEV e FVC, mas algumas normas Financeira em 2011, tendo sido atualizada tivo, hoje em dia, para os betabloqueantes
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