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jornal médico   |  esPeciaL – xxiv congresso De PneumoLogia Do norte



         dESafIoS Em pNEumoloGIa

         O flagelo das infeções hospitalares e a



         complexidade da tuberculose multirresistente







         a pneumologista do Hospital dos Lusíadas Porto, aurora carvalho, e o colega de especialidade
         do Hospital Pulido valente e consultor da Direção-geral da saúde para a área das Doenças
         Respiratórias e Vacinação, Filipe Froes, moderaram uma mesa-redonda sobre os desafios
         atuais na prática clínica em Pneumologia. nesta sessão, a coordenadora do centro de
         referência regional para a tuberculose multirresistente da região norte (crrtm-norte) e
         médica da comissão de trabalho de tuberculose da sociedade Portuguesa de Pneumologia
         (ctt-sPP), raquel Duarte, abordou a complexidade associada ao tratamento da tuberculose
         em doentes multirresistentes. Por sua vez, o diretor do serviço de Doenças infeciosas do
         Hospital de são joão, antónio sarmento, orientou os colegas no sentido de uma resposta o
         mais rápida e eficaz possível em caso de surto por infeção hospitalar, situação que classifica
         de “pesadelo dos serviços”.
















                                                 As infeções associadas aos cuidados de saú-  da  tuberculose  extremamente  resistente
                                                 de (IACS) e as resistências antimicrobianas   (com resistência simultânea à isoniazida e
                                                 (RAM) são uma temática na ordem do dia e  à  rifampicina  e  às  quinolonas  e  injetáveis
                                                 uma ameaça real à saúde pública.        de segunda linha) e o risco da tuberculose
                                                 Para Filipe Froes, “corremos o risco de per-  totalmente resistente “para a qual não dis-
                                                 der umas das classes terapêuticas mais efi-  pomos  de  qualquer  tratamento”,  alerta  a
                                                 cazes no combate à infeção e de entrarmos   especialista.
                                                 em breve numa era pós-antibiótica”. Impor-  Segundo a médica da CTT-SPP, “todos os ca-
                                                 ta por isso debater as repercussões que as   sos de TB devem ser estudados, em primeiro
                                                 IACS  e  as  RAM  já  têm  e  continuarão  a  ter   lugar, de forma adequada, nunca descartan-
                                                 na qualidade de vida, esperança média de  do a hipótese de TBMR. Todo o doente deve
                                                 vida e sobrevida de muitos doentes respira-  ter  uma  confirmação  diagnóstica  (cultura
                                                 tórios (e da população em geral), sublinhou   positiva) e um teste de sensibilidade feno-
                                                 na apresentação da mesa-redonda Desafios   típica para perceber qual o perfil de susce-
                                                 em Pneumologia, apresentando as “duas re-  tibilidade  daquela  estirpe.  Todo  o  doente
                                                 ferências nacionais e europeias” nestas te-  com risco de resistências deve ser sujeito a
                                                 máticas, convidados a abordar o assunto no   um teste molecular de resistências”. Só as-
                                                 XXIV Congresso de Pneumologia do Norte:   sim, explica, “se pode tratar o doente conve-
                            antónio Sarmento     Raquel Duarte e António Sarmento.       nientemente, com os fármacos adequados,
                            diretor do Serviço    À  coordenadora  do  CRRTM-Norte  coube  durante  o  tempo  adequado  ao  doente  e  à
                            de doenças Infeciosas    orientar  os  colegas  no  sentido  de  quando,   estirpe que temos à nossa frente”.
                            do Hospital de São João  onde e como tratar a tuberculose em doen-
                                                 tes multirresistentes.                  onDe e como tratar os Doentes
                                                 Por  definição,  a  tuberculose  multirresis-  com tbmr?
                                                 tente (TBMR) é a tuberculose (TB) resisten-
                                                 te  isoniazida  e  à  rifampicina.  De  acordo  A especialista esclareceu que “o doente com
                                                 com  Raquel  Duarte,  “a  nível  mundial  não  TBMR deve ficar internado até à sua nega-
                                                 identificamos  todos  os  casos  de  TBMR,   tivação”: por um lado, para tentar cortar a
                                                 conseguimos  tratar  muito  poucos  e  des-  cadeia de transmissão da infeção, por outro,
                                                 tes  só  conseguimos  curar  metade  (52%)”.   porque o doente está a ser submetido a um
                                                 Assim  sendo,  a  TBMR  é  uma  ameaça  real,  esquema terapêutico com efeitos adversos
                                                 começando  atualmente  a  surgir  a  ameaça   graves  e,  como  tal,  deve  ser  monitorizado


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