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jornal médico | esPeciaL – xxiv congresso De PneumoLogia Do norte
Em dEbatE
Quais os desafios da pneumologia do século XXI?
mologia em geral”. Em primeiro lugar, a espe-
cialista referiu que com o crescente aumento
“das doenças ligadas a fatores de risco, que
têm tendência a aumentar, como o tabagismo,
a obesidade e o próprio envelhecimento da
população”, o desafio imposto à resposta que
a especialidade terá de dar será enorme. O nú-
mero cada vez maior de doentes complexos em
Pneumologia foi outra tendência identificada
pela palestrante, o que impõe “a necessidade
de pneumologistas cada vez mais diferencia-
dos, mas a trabalhar em equipas multidiscipli-
nares”. Paula Simão afirmou ainda que está a
ser dado “ao médico de família a capacidade de
fazer exames que antigamente só podiam ser
realizados dentro do hospital”. Identificadas as
tendências, a especialista concluiu que os de-
safios futuros da Pneumologia vão passar por
uma “ponte entre os pneumologistas e os cui-
dados de saúde primários”, “uma reorganiza-
ção dos serviços hospitalares” que respondam
às tendências atuais e “o desenvolvimento dos
A jornalista de saúde Marina Caldas moderou Os desafios futuros serviços da especialidade”, no que diz respeito
uma sessão dedicada à Pneumologia do sécu- a recursos humanos e a equipamentos.
lo XXI. As tendências, problemas, perspetivas da Pneumologia “Alguns componentes da Pneumologia,
e desafios da especialidade foram os assuntos vão passar por uma nomeadamente a broncologia e a fisiopa-
abordados pelo Prof. Doutor Agostinho Mar- “ponte entre os tologia respiratória, deveriam ser autóno-
ques, João Cunha, Paula Simão, Pinheiro Bra- mos”. Foi desta forma que Pinheiro Braga
ga e pelo Prof. Doutor Venceslau Hespanhol. pneumologistas e iniciou a sua intervenção, defendendo que
Marina Caldas introduziu o tema do deba- os cuidados de saúde “há muitas patologias que podem ser parti-
te, que pretendeu traçar o panorama atual lhadas com outras especialidades, mas há
da Pneumologia em Portugal. O objetivo foi primários”, “uma outras que devem ser autónomas”. Assim,
perceber como se tem delineado o caminho reorganização o especialista referiu que “o Colégio da Es-
dos pneumologistas e com que desafios se dos serviços pecialidade de Pneumologia deve ser mais
têm deparado. austero em algumas destas questões”. Pi-
O Prof. Doutor Agostinho Marques iniciou o hospitalares” que nheiro Braga fez ainda referência ao facto
debate referindo que “há um número total respondam às de, dado o envelhecimento progressivo da
de pneumologistas publicado pela Ordem população, haver cada vez mais doentes
dos Médicos, que corresponde a mais de tendências atuais respiratórios, mas menos camas e falta de
600”, mas muitos desses médicos estão re- e “o desenvolvimento equipamentos, pois não tem havido inves-
formados. “Quando se vai ver o número de dos serviços da timento suficiente.
médicos que trabalham efetivamente nos Para finalizar o debate, o Prof. Doutor Ven-
hospitais, o número é menos de metade”, especialidade” ceslau Hespanhol falou sobre a intervenção
acrescentou. Isto corresponde a um número da Sociedade Portuguesa de Pneumologia
insuficiente de pneumologistas, o que leva a (SPP) no desenvolvimento da especialida-
que “os médicos atualmente trabalhem mui- de, que passa por fornecer aos médicos “os
to mais horas do que aquelas que lhes são que “a Pneumologia tem vindo a desenvol- meios científicos para serem utilizados na
pagas”, sendo que “esta sobrecarga significa ver-se em áreas novas” e que, comparativa- prática clínica”. Neste sentido, o especialis-
risco para os doentes e burnout para os mé- mente há 10 anos, a especialidade ganhou ta aponta como principais objetivos “facili-
dicos”. O especialista referiu ainda que “é “novos equipamentos, novos meios, novos tar a investigação médica”; criar condições
terrível as autoridades de saúde felicitarem- espaços, nova organização e mais forma- para que haja uma atualização científica
se com o facto de conseguirem fazer mais ção”. João Cunha alertou também para as permanente, dado o “grande dinamismo
com menos médicos”. listas de espera muito demoradas para con- da Medicina hoje em dia”; e fomentar cam-
Em concordância com o já exposto, João sultas primárias de apneia do sono, uma panhas de sensibilização dentro da área
Cunha referiu que no local onde trabalha realidade presente em todo o país. médica, que promovam o conhecimento.
também sente que “são pneumologistas a Paula Simão interveio no debate, identi- Segundo o presidente da SPP, estas iniciati-
menos para o rácio de população que esta- ficando algumas tendências que acredita vas visam facilitar aos clínicos “meios para
mos a tratar”. Contudo, o especialista realça “trazerem grandes desafios para a Pneu- que eles possam ser ainda melhores”.
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