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NACIONAL | Jornal Médico
34.º ENCoNtro NaCIoNal da apmGf
Grünenthal oferece quadro
sobre dor crónica
“Muitas vezes, sentimos que
o doente tem dificuldade em
exprimir o que é a dor crónica
e a sensação causada ou
explicar como é viver com dor
crónica”, afirma ana martins,
diretora-geral da Grünenthal
a diretora-geral da Grünenthal, ana martins,
entregou ao presidente da direção da apmGf,
rui Nogueira, o quadro sobre dor crónica
Expressar a dor crónica sentida pelo doen- A opção pelo encontro que reúne os especia-
te nem sempre é fácil. Consciente desta di- listas de MGF não foi aleatória, visto ser o
ficuldade e do papel que o especialista de primeiro contacto de um doente com quei-
Medicina Geral e Familiar desempenha no xas de dor. “Tendo em conta que os especia-
acompanhamento de todo este processo, a listas de Medicina Geral e Familiar serão, em o artista telmo alcobia foi
Grünenthal lançou o desafio ao artista Tel- cerca de 90% dos casos, os primeiros a ouvir desafiado pela Grünenthal
mo Alcobia de expressar esta vivência numa as queixas de dor dos doentes, entendemos a materializar a dor crónica
tela entregue à Associação Portuguesa de que não podia haver melhor destino do que numa tela
Medicina Geral e Familiar (APMGF) no en- oferecer esta obra à APMGF”, sublinha.
cerramento do seu trigésimo quarto encon- O artista Telmo Alcobia conta que este
tro nacional. convite surgiu com o objetivo de “materia-
Nas palavras da diretora-geral da Grünen- lizar a dor numa imagem que espelhasse
thal, Ana Martins, “muitas vezes, sentimos a sua dimensão na vida dos doentes. Por
que o doente tem dificuldade em exprimir norma, criamos mais empatia com uma
o que é a dor crónica, a sensação causada imagem do que com a comunicação ver-
ou explicar como é viver com esta patolo- bal, pelo facto de a primeira gerar uma
gia, muitas vezes invisível para os outros. reação mais emocional”.
Acreditamos que este cruzamento entre a O quadro foi “construído” num local de pas- artística de Kadinsky, o qual sentiu necessi-
Ciência Médica e a arte ajudam a transmitir sagem, ao ritmo da própria reunião, o que dade de tornar a cultura mais inclusiva, sob
sentimentos e a sensibilizar a comunidade não passou despercebido aos congressistas. o mote ‘Acolher o futuro’”. O presidente da
médica para o que é viver com dor todos “A própria forma como o quadro foi concep- associação acredita que o facto de o artista
os dias”. tualizado permitiu às pessoas irem vendo ter pintado durante o encontro deu mais
A representação de um indivíduo isolado na aparecer musculatura, traços leves, tons expressão a esta vertente, “encaixando tam-
tela deve-se ao facto de o doente se sentir, escuros, o corpo foi sendo construído aos bém num filme que projetámos em estreia
inúmeras vezes, sozinho e incompreendido poucos. As interseções gráficas transmitem nacional (“Médico de província”). O papel
na sua dor. “Existe sempre uma sensação a ideia de dor, explica Telmo Alcobia. do médico é o de encontrar recursos que
de que os outros não o entendem. O qua- De acordo com o presidente da direção da permitam minimizar a solidão do doente.
dro ajuda-nos a nós, que não sofremos de APMGF, Rui Nogueira, a entrega deste qua- A expressão do quadro é representativa da
dor crónica, a estarmos mais próximos e a dro à associação que dirige é bem acolhi- dor solitária, encoberta, e muitas vezes, de
tentar evitar que o doente se sinta desta for- da pela “feliz coincidência de a imagem do costas voltas para a realidade. Cumpre-nos a
ma”, destaca a responsável. encontro deste ano representar a corrente nós descobrir a parte oculta da dor”.
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Março 2017

