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Jornal Médico   |  CRÓNICAJornal Médico   |  ATUALIDADES NO DIAGNÓSTICO IN VITRO


         Custos com IACS representam 3%




         do orçamento da Saúde em Portugal










                                                 No  final  do  ano  passado,  um  relatório  da   “O principal estudo
                                                 Associação Portuguesa da Indústria Farma-  realizado em Portugal
                                                 cêutica  (APIFARMA),  coordenado  pelo  an-
                                                 tigo  ministro  Correia  de  Campos,  concluía  sobre o tema avaliou
                                                 que falta ao Serviço Nacional de Saúde (SNS)   em 280 milhões de euros
                                                 uma estratégia clara e global de combate às
                                                 infeções  associadas  aos  cuidados  de  saúde  os custos associados
                                                 (IACS)  e  à  resistência  dos  microrganismos   às IACS, ou seja,
                                                 aos antimicrobianos (RAM).              aproximadamente 3%
                                                 O documento – intitulado “Infeções Associa-
                                                 das  aos  Cuidados  de  Saúde:  Contributo  da   do orçamento do SNS”
                                                 Indústria  de  Meios  de  Diagnóstico  in Vitro
                                                 para  o  seu  controlo”  –  preconiza  a  neces-
                                                 sidade de implementar, no âmbito do SNS,
                                                 uma visão estratégica e de médio prazo so-
                                                 bre o investimento em inovação tecnológi-  avaliar os custos adicionais por doente para
                                                 ca  nos  meios  de  diagnóstico  e  terapêutica,  um  hospital  específico  do  SNS.  De  acordo
                                                 o planeamento antecipado da tecnologia, a  com  Julian  Perelman,  “esta  análise  encon-
                                                 recolha constante de informação e a compa-  trou  custos  adicionais  por  utente,  devido
                                                 rabilidade de resultados.               às IACS, de 7.930,84€ a 11.230,42€, com um
             JULIAN PERELMAN                     Apesar de existir, em Portugal, o Programa  maior tempo de internamento entre 20 e 25
             Professor de Economia da Saúde      de  Prevenção  e  Controlo  de  Infeções  e  de  dias extra, o que se traduziu num custo adi-
             da Escola Nacional de Saúde Pública  Resistência  aos  Antimicrobianos  (PPCIRA),  cional anual para o hospital entre 715 mil e
             Consultor do relatório “IACS:       “bem desenhado e que lentamente tenta dis-  um milhão de euros”.
             Contributo da Indústria de Meios    seminar-se”, não há, de acordo com os auto-
                                                 res do estudo, “um sentido de determinação  PERDA DE PRODUTIVIDADE
             de DiV para o seu controlo”         nacional para um problema que continua a  POR CONTABILIZAR…
             – Correia de Campos Consultores     revelar-se de dimensão assustadora”.
                                                 O  que  também  faz  falta  a  nível  nacional,  Nos Estados Unidos da América, têm sido le-
                                                 reconhece o economista de Saúde e um dos  vadas a cabo várias análises sobre o impacto
                                                 consultores responsáveis pelo referido rela-  socioeconómico das IACS, que sugerem que
                                                 tório, Julian Perelman, são estudos sobre o  a principal fonte de despesa neste contexto
                                                 impacto económico das IACS/RAM, que ava-  são as infeções relacionadas com cirurgias.
                                                 liem os custos diretos e indiretos deste enor-  No âmbito da União Europeia, o estudo mais
                                                 me problema de saúde pública que, segundo  conhecido  foi  realizado  pelo  Centro  Euro-
                                                 a Organização Mundial da Saúde, em 2050,  peu para a Prevenção e Controlo de Doenças
                                                 será responsável por 10 milhões de mortes,  e  pela  Agência  Europeia  do  Medicamento,
                                                 em todo o mundo.                        tendo  obtido  para  as  IACS  um  custo  total
                                                                                         adicional de 937 mil milhões de euros, aos
                                                 DESPESA HOSPITALAR COM IACS             quais se acrescentaram custos relacionados
                                                 A NÍVEL NACIONAL: 280M€                 com perdas de produtividade (ausências ao
                                                                                         trabalho  e  mortalidade  prematura)  na  or-
                                                 “O principal estudo realizado em Portugal so-  dem dos 595 mil milhões de euros.
                                                 bre o tema avaliou em 280 milhões de euros  Na ótica de Julian Perelman, é essencial que
                                                 os  custos  associados  às  IACS,  ou  seja,  apro-  em Portugal seja levado a cabo um estudo
                                                 ximadamente  3%  do  orçamento  do  SNS”,  semelhante,  “capaz  de  avaliar  não  apenas
                                                 adianta  o  professor  da  Escola  Nacional  de  os custos hospitalares (o que seria simples,
                                                 Saúde  Pública  (ENSP),  remetendo  os  custos  com as bases de dados existentes), mas tam-
                                                 associados às IACS para “os testes de diagnós-  bém  as  perdas  de  produtividade  relacio-
                                                 tico e tratamentos extras que têm de ser pres-  nadas com as IACS”. Para tal, realça, “seria
                                                 tados”, bem como para “o aumento do tempo  necessária uma monitorização dos doentes
                                                 de internamento, o isolamento, as comorbi-  após a alta hospitalar, para conhecer as con-
                                                 lidades e complicações após alta hospitalar”.  sequências da infeção em termos de faltas
                                                 Um  outro  estudo,  realizado  por  Francesca  ao  trabalho,  necessidades  de  cuidados  e
                                                 Fiorentino  e  Pedro  Pita  Barros,  procurou  mortalidade prematura”.



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