Page 14 - JM n.º 79
P. 14
Jornal Médico | NACIONAL
“O Ministério da Saúde está sob a ditadura
do Ministério das Finanças”, lamentou
o secretário--geral do SIM, Jorge Roque
da Cunha, enquanto que o presidente
da FNAM, Mário Jorge Neves, lamenta o
“desmembramento acelerado do SNS” e as
condições de trabalho que se vão degradando,
sublinhando que “a força política atualmente
no poder, que se arroga de ter lançado
os fundamentos do SNS, arrisca-se a ficar
na história como o seu coveiro”
SINDICATOS MÉDICOS REAFIRMAM INTENÇÃO DE GREVE
“A força política que se arroga
pai do SNS arrisca-se a vir a ser
o seu coveiro!”
Os sindicatos médicos reafirmaram a inten- “Existe um acordo de princípio que os sindi- listas que “a força política atualmente no po-
ção de fazer uma nova greve nacional após catos médicos pretendem honrar e que indica der, que se arroga de ter lançado os funda-
as eleições autárquicas, caso o Ministério que até ao fim de setembro iriam decorrer as mentos do SNS, arrisca-se a ficar na história
das Saúde se mantenha sem apresentar con- negociações tendentes a encontrar uma plata- como o seu coveiro”.
trapropostas às reivindicações sindicais. forma de entendimento”, acrescentou. Os sindicalistas insistem que as matérias
“Os sinais são muito negativos”, afirmou o que, defendem, não são reivindicações de
secretário-geral do Sindicato Independente TUTELA ESTÁ “SOB DITADURA aumentos salariais, mas antes questões es-
dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, DAS FINANÇAS” truturais de defesa do SNS. E frisam que se
aos jornalistas no final da última reunião trata de “repor matérias que existiam no
do Fórum Médico. Também o presidente da Os sindicatos apresentaram uma proposta plano legal antes da troika” e da assistência
Federação Nacional dos Médicos (FNAM), negocial em meados de abril e dizem que financeira a Portugal.
Mário Jorge Neves, declarou que “se vão até ao momento não receberam qualquer Em causa está a redução da lista de utentes
acumulando as evidências” de que o Gover- contraproposta por parte da tutela. “O Mi- por médico de família, que atualmente se si-
no “está a empurrar os sindicatos” para uma nistério da Saúde está sob a ditadura do Mi- tua nos 1.900 utentes por médico, enquanto
nova greve, que seria a segunda este ano, já nistério das Finanças”, lamentou Roque da os sindicatos pretendem regressar a um má-
que os médicos cumpriram dois dias de pa- Cunha, secundado pelo representante da ximo de 1.500.
ralisação nacional em maio. FNAM, para quem “há uma política de dita- A limitação do trabalho suplementar a 150 C
“Já havíamos anunciado a intenção de greve dura das Finanças sobre a Saúde”. horas anuais, em vez das atuais 200 e a im-
M
para depois das autárquicas”, reafirmou o res- Mário Jorge lamentou ainda o “desmem- posição de um limite de 12 horas de traba-
ponsável da FNAM, indicando que se até ao fim bramento acelerado do Serviço Nacional de lho em serviço de urgência são outras das Y
de setembro se mantiver o impasse negocial Saúde (SNS)” e as condições de trabalho que matérias essenciais para os sindicatos e que CM
os médicos marcarão as datas da paralisação. se vão degradando, sublinhando aos jorna- já estiveram na origem da greve de maio. MY
CY
14
Agosto 2017 CMY
K

