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Jornal Médico   |  ESTADO DA ARTE NA DOR CRÓNICA




         DR. RAUL MARQUES PEREIRA
         Palexia  retard: Um avanço
                                 ®


         no tratamento da dor crónica









                                                 ma de saúde pública, na medida em que a   A eficácia,
                                                 sua prevalência  é muito elevada e apenas
                                                 comparável à da hipertensão arterial. A evi- segurança e boa
                                                 dência  científica  demonstra  ainda  que  um   tolerabilidade de
                                                 grande número destes doentes não está bem   Palexia retard
                                                                                                    ®
                                                 controlado e nem tem acesso à terapêutica
                                                 mais eficaz, com todas as complicações ine- refletem-se
                                                 rentes, nomeadamente em termos de custos   positivamente
                                                 acrescidos para o Serviço Nacional de Saú-
                                                 de. Um passo importante para a validação  na adesão à
                                                 desta vontade de tratar melhor a dor seria   terapêutica e,
                                                 criar um indicador de qualidade/desempe-  consequentemente,
                                                 nho nos CSP associado a esta doença.
                                                 Ainda que o diagnóstico da dor crónica pos-  na melhoria da
                                                 sa colocar algumas dificuldades aos médicos   qualidade de vida
                                                 de família – sobretudo com a incapacidade
                                                 de grande parte dos doentes para explicar  do doente
                                                 a sua dor – é no tratamento que residem os
         Dr. Raul Marques Pereira                grandes desafios. Geralmente, os doentes re-
         Médico de família                       ferenciados para a Consulta de Dor da USF
         USF Lethes – ULS Alto Minho             Lethes apresentam um diagnóstico correto,
                                                 mas  não  estão devidamente  controlados,
                                                 apesar de muitos terem mais de 20 anos de
                                                 evolução da doença. Este contexto deve-se,   dolorosas, como a lombalgia, a osteoartrose
                                                 em grande parte, a alguns mitos que ainda  ou a polineuropatia diabética.
                                                 subsistem, entre profissionais de saúde e en-  A grande mais-valia de Palexia  retard face
                                                                                                                   ®
         A  dor  será  o  principal  motivo  de  consulta   tre doentes, no que concerne à utilização de   aos demais é o facto de ser bem tolerado
         nos Cuidados  de Saúde  Primários (CSP)  e   fármacos opioides.                 pelos doentes. Trata-se um fármaco de for-
         cabe ao especialista em Medicina Geral e Fa-  A  evidência  científica  demonstra  que  os   mulação oral e posologia de duas tomas diá-
         miliar (MGF) o dever de, em primeira mão,   opioides são fundamentais para o controlo   rias (bid), que  proporciona uma  analgesia
         tentar aliviar a dor do seu doente. Sabendo   da dor crónica, tratando-se de fármacos se-  ao longo de 24 horas. Em doentes naïve de
         que  aproximadamente  37%  dos  portugue-  guros e eficazes quando utilizados de forma  opioides é possível iniciar o tratamento com
         ses sofre de dor crónica e que as Unidades   adequada,  como parte de uma estratégia  uma dosagem baixa de Palexia  retard para
                                                                                                                   ®
         de Dor hospitalares não têm capacidade de   global multifacetada. A par da eficácia e da  obter uma melhoria nos scores de intensida-
         resposta  para a totalidade destes  doentes,   segurança, estes fármacos apresentam um  de da dor. Se necessário, é possível aumen-
         a USF Lethes, em Ponte de Lima, criou, em   excelente  perfil  de  tolerabilidade,  sendo   tar a dose, sem condicionar o aparecimento
         2014, uma Consulta da Dor pioneira no âm-  bastante fácies de manejar pelos médicos –  de efeitos secundários. A eficácia, segurança
         bito dos CSP. Esta é uma consulta que tem   muitas vezes, com um opioide em dosagens   e boa tolerabilidade de Palexia  retard refle-
                                                                                                                   ®
         vindo a crescer em número de doentes, com   mais  baixas  é  possível obter  rapidamente  tem-se positivamente na adesão à terapêu-
         impacto muito positivo nos scores de dor e   uma grande melhoria na qualidade de vida  tica e, consequentemente,  na melhoria da
         nos outcomes clínicos.                  do doente. Inclusivamente, e de acordo com  qualidade de vida dos doentes.
         De facto, os médicos de família estão cada   a EFIC  - European Pain Federation, a utili-
                                                      ®
         vez mais sensibilizados para o problema da   zação de  opioides poderá  ser  considerada
         dor crónica e para a importância do seu con-  como um indicador de qualidade dos siste-  MECANISMO DE AÇÃO
         trolo, conscientes de que se trata de um de-  mas de saúde.                      DE PALEXIA  RETARD
                                                                                                   ®
         safio premente, responsável por um grande
                                                         ®
         défice  de  qualidade  de  vida  na  população.   PALEXIA  RETARD                Palexia  retard combina dois mecanismos de ação
                                                                                               ®
         Não obstante, o tratamento da dor crónica                                        numa única molécula, atuando como agonista dos
         apresenta algumas particularidades que   Dentro desta  classe terapêutica,  a  prática   recetores µ opioides e inibidor da recaptação da
         elevam o desafio. Desde logo, a necessidade   clínica demonstra que Palexia  retard é um                ®
                                                                           ®
         de tempo de consulta para ouvir o doente e   fármaco com um bom perfil de eficácia, se-  noradrenalina. Desta forma, Palexia  retard reduz o
         a formação médica na área da dor.       gurança e tolerabilidade  no tratamento da   sinal da via ascendente da dor e potencia a inibição
         Importa também reconhecer – de uma vez   dor crónica moderada a intensa. Por atuar   descendente, atuando na componente nocicetiva e na
         por todas! – a dor  crónica como uma doen-  nas componentes nocicetiva e neuropática   componente neuropática da dor.
         ça e, ao mesmo tempo, como um  proble-  da dor, pode ser usado em várias condições


                                                                   20
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