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Jornal Médico | ENTREVISTA
ROBERT LASEK, COUNTRY LEAD
DA TAKEDA PORTUGAL
“MELHORAR O ACESSO
À INOVAÇÃO
E AOS MEDICAMENTOS
INOVADORES É O GRANDE
DESAFIO EM PORTUGAL”
Está em Portugal há pouco mais de um ano, depois de 15 anos
a trabalhar na indústria farmacêutica (IF), sempre nos Estados
Unidos da América (EUA), e reconhece o acesso à inovação como o
grande desafio do mercado nacional. Na bagagem, o country lead da
Takeda no nosso país, Robert Lasek, trouxe uma vasta experiência no
desenvolvimento de evidência de mundo real, determinante para uma
resposta mais adequada às necessidades dos doentes. Conversámos
com o responsável na sede da companhia, em Lisboa, onde se respira
o “Takeda-ismo”, filosofia entroncada na herança japonesa com 235
anos e sustentada em quatro valores: Integridade, Justiça, Honestidade
e Perseverança.
JORNAL MÉDICO | Num artigo sobre a ex- JM | O que trouxe na bagagem, da sua responsabilidade… E não apenas do Estado!
periência de viver e trabalhar fora do seu experiência profissional de 15 anos no se- É da competência da Takeda trabalhar em
país, que escreveu e partilhou na sua pá- tor, que possa ser importado com sucesso conjunto com o Infarmed de forma a fazer
gina de LinkedIn, diz que é amiúde ques- para a realidade lusa? as terapêuticas inovadoras chegarem o mais
tionado sobre se o mercado português é RL | Tenho tido, nestes anos de trabalho na precocemente possível a quem delas neces-
mais fácil ou mais difícil do que o norte- indústria farmacêutica (IF), um conjunto de sita, de uma forma custo-efetiva.
-americano. Invariavelmente responde que excelentes experiências, ao trabalhar com De um ponto de vista social, uma das gran-
“cada mercado tem os seus próprios desa- equipas globais, muito especificamente no des diferenças que identifiquei face aos
fios e oportunidades únicas”. Pergunto-lhe desenvolvimento de evidência de mundo EUA, está na forma como os doentes se re-
como está a adaptar-se a Portugal e quais real (RWE, na sigla inglesa). Este é um as- lacionam com o médico. De onde venho, os
são os desafios e oportunidades que identi- peto fundamental, porque a evidência dos doentes são demasiado exigentes e desafia-
fica no nosso mercado? ensaios clínicos permite-nos aprovar os dores, na maioria das vezes não ouvem o
ROBERT LASEK (RL) | Considero que estou medicamentos, mas há uma lacuna no que que o médico lhes diz. Em Portugal, man-
a adaptar-me bem. Nos primeiros dois meses concerne à evidência na prática clínica, es- tém-se um grande nível de respeito pelo mé-
quis, essencialmente, ouvir os nossos clientes, sencial para que os médicos possam tratar dico e pelos seus conselhos, o que considero
parceiros e colaboradores para me inteirar de os seus doentes da forma mais adequada e muito positivo.
como funciona o sistema de saúde em Portu- eficaz. A minha experiência nesse domínio
gal, uma vez que a nossa missão é ajudar os permitir-me-á ajudar a nossa equipa nacio- JM | Considera que é fácil ser-se inovador
doentes da melhor forma que pudermos. nal a desenvolver esta evidência, em parce- em Portugal?
Uma das grandes diferenças – positivas! ria com os médicos portugueses. RL | Acho que há, em Portugal, espaço para
– da Saúde em Portugal face aos EUA é o se ser inovador. O portefólio da Takeda é
acesso universal aos cuidados de saúde. JM | No nosso país, quais são os fatores marcado pela inovação, com produtos para
Portugal faz, a este nível, um trabalho mui- socioeconómicos e culturais que, no seu a doença de Crohn, colite ulcerosa, linfoma
to mais equilibrado e é muito mais eficien- entender, podem influenciar o processo de Hodgkin e mieloma múltiplo.
te na gestão do orçamento, havendo muito de tomada de decisão e a adoção de deter- Penso que tudo depende do que temos para
menos desperdício. minadas estratégias de negócio? oferecer… Se tivermos uma terapêutica ino-
Quanto aos desafios, penso que o principal RL | Julgo que temos que nos centrar no vadora, que chega onde até então existe uma
é o de melhorar o acesso à inovação e aos acesso à inovação. É aí que temos que traba- necessidade por responder e que é mais efi-
medicamentos inovadores. lhar. E essa é também nossa missão e nossa caz do que as terapêuticas disponíveis, mais
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Dezembro 2017

