Page 16 - JM n.º 82
P. 16

Jornal Médico   |  ENTREVISTA



         ROBERT LASEK, COUNTRY LEAD

         DA TAKEDA PORTUGAL
         “MELHORAR O ACESSO



         À INOVAÇÃO



         E AOS MEDICAMENTOS



         INOVADORES É O GRANDE



         DESAFIO EM PORTUGAL”





         Está em Portugal há pouco mais de um ano, depois de 15 anos
         a trabalhar na indústria farmacêutica (IF), sempre nos Estados
         Unidos da América (EUA), e reconhece o acesso à inovação como o
         grande desafio do mercado nacional. Na bagagem, o country lead da
         Takeda no nosso país, Robert Lasek, trouxe uma vasta experiência no
         desenvolvimento de evidência de mundo real, determinante para uma
         resposta mais adequada às necessidades dos doentes. Conversámos
         com o responsável na sede da companhia, em Lisboa, onde se respira
         o “Takeda-ismo”, filosofia entroncada na herança japonesa com 235
         anos e sustentada em quatro valores: Integridade, Justiça, Honestidade
         e Perseverança.




         JORNAL MÉDICO | Num artigo sobre a ex-  JM | O que  trouxe  na bagagem, da sua  responsabilidade… E não apenas do Estado!
         periência de viver e trabalhar fora do seu  experiência profissional de 15 anos no se-  É da competência da Takeda trabalhar em
         país,  que  escreveu  e  partilhou  na  sua  pá-  tor, que possa ser importado com sucesso  conjunto com o Infarmed de forma a fazer
         gina  de  LinkedIn,  diz  que  é  amiúde  ques-  para a realidade lusa?         as terapêuticas inovadoras chegarem o mais
         tionado  sobre  se  o  mercado  português  é  RL | Tenho tido, nestes anos de trabalho na   precocemente possível a quem delas neces-
         mais  fácil  ou  mais  difícil  do  que  o  norte-  indústria farmacêutica (IF), um conjunto de   sita, de uma forma custo-efetiva.
         -americano. Invariavelmente responde que  excelentes  experiências, ao  trabalhar  com  De um ponto de vista social, uma das gran-
         “cada mercado tem os seus próprios desa-  equipas  globais,  muito  especificamente  no   des  diferenças  que  identifiquei  face  aos
         fios e oportunidades únicas”. Pergunto-lhe  desenvolvimento  de evidência de mundo  EUA, está na forma como os doentes se re-
         como está a adaptar-se a Portugal e quais  real  (RWE,  na  sigla  inglesa).  Este  é  um  as-  lacionam com o médico. De onde venho, os
         são os desafios e oportunidades que identi-  peto fundamental, porque a evidência dos  doentes são demasiado exigentes e desafia-
         fica no nosso mercado?                  ensaios  clínicos permite-nos aprovar os   dores, na  maioria das  vezes não ouvem o
         ROBERT LASEK (RL) | Considero que estou   medicamentos, mas há uma lacuna no que   que  o médico lhes diz.  Em  Portugal, man-
         a adaptar-me bem. Nos primeiros dois meses  concerne à evidência na prática clínica, es-  tém-se um grande nível de respeito pelo mé-
         quis, essencialmente, ouvir os nossos clientes,   sencial para que os médicos possam tratar   dico e pelos seus conselhos, o que considero
         parceiros e colaboradores para me inteirar de   os seus doentes da forma mais adequada e  muito positivo.
         como funciona o sistema de saúde em Portu-  eficaz. A minha experiência nesse domínio
         gal, uma vez que a nossa missão é ajudar os   permitir-me-á ajudar a nossa equipa nacio-  JM | Considera que é fácil ser-se inovador
         doentes da melhor forma que pudermos.   nal a desenvolver esta evidência, em parce-  em Portugal?
         Uma  das  grandes  diferenças  –  positivas!   ria com os médicos portugueses.  RL | Acho que há, em Portugal, espaço para
         – da Saúde em Portugal face aos EUA é o                                         se ser inovador. O portefólio da  Takeda  é
         acesso universal aos cuidados de saúde.   JM | No nosso país, quais são os fatores  marcado pela inovação, com produtos para
         Portugal faz, a este nível, um trabalho mui-  socioeconómicos e culturais que, no seu  a doença de Crohn, colite ulcerosa, linfoma
         to mais equilibrado e é muito mais eficien-  entender,  podem  influenciar  o  processo  de Hodgkin e mieloma múltiplo.
         te na gestão do orçamento, havendo muito  de tomada de decisão e a adoção de deter-  Penso que tudo depende do que temos para
         menos desperdício.                      minadas estratégias de negócio?         oferecer… Se tivermos uma terapêutica ino-
         Quanto aos desafios, penso que o principal  RL  |  Julgo  que  temos que  nos centrar  no  vadora, que chega onde até então existe uma
         é o de melhorar o acesso à inovação e aos   acesso à inovação. É aí que temos que traba-  necessidade por responder e que é mais efi-
         medicamentos inovadores.                lhar. E essa é também nossa missão e nossa  caz do que as terapêuticas disponíveis, mais


                                                                   16
                                                               Dezembro 2017
   11   12   13   14   15   16   17   18   19   20   21