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NACIONAL   |  Jornal Médico



                                                 Assim,  e  especificamente  para  esta  popu-  “Cerca de um quinto
                                                 lação de doentes, as normas de orientação   de todos os doentes
                                                 clínica internacionais e nacionais são ine-  oncológicos terão o
                                                 quívocas e unânimes ao classificar as hepa-
                                                 rinas de baixo peso molecular (HBPM) como   diagnóstico de TEV
                                                 tratamento de primeira linha, devendo ser   durante a evolução
                                                 administradas em monoterapia entre três a
                                                 seis meses.                             da sua doença”



                                                   SÉRGIO BARROSO, ONCOLOGISTA E PRESIDENTE DO GESCAT:
                                                   “ESPECIALISTAS DE MGF TÊM UM PAPEL DETERMINANTE
                                                   NA MELHORIA DA ADESÃO À TERAPÊUTICA EM DOENTES COM CAT”


                                                                                         sionais de Oncologia. Para tal, temos
                                                                                         apostado na divulgação, esclarecimento,
                                                                                         formação e informação como estratégia
                                                                                         para melhores cuidados de saúde.

                                                                                         JM | Há formas de prevenir a CAT? O que
                                                                                         recomendam as  normas de orientação
                                                                                         clínica para a abordagem destes doentes?
                                                                                         SB | A CAT pode ser prevenida, bastando
                                                                                         para tal avaliar o risco trombótico espe-
                                                                                         cífico  de  cada  doente  com  cancro.  Para
                                                        SÉRGIO BARROSO, PRESIDENTE DO GESCAT  isso, devem ser tomados em considera-
                                                                                         ção determinados parâmetros, tais como
                                                   JORNAL MÉDICO (JM) | Qual a preva-    o tipo de cancro, a presença de obesida-
                                                   lência  da  trombose  associada  ao  cancro   de ou resultados analíticos específicos. O
                                                   (CAT) a nível nacional?               médico assistente, em particular o onco-
                                                   SÉRGIO BARROSO (SB)  | Um em cada     logista responsável pela avaliação clíni-
                                                   cinco doentes  com cancro  apresenta  um   ca, deverá proceder a esta avaliação du-
                                                   episódio de trombose no decurso da doen-  rante a consulta.
                                                   ça. O risco de trombose no doente com
                                                   cancro é quatro a sete vezes superior à po-  JM | Qual o principal objetivo do “White
                                                   pulação em geral, com um risco acrescido   Book” recentemente apresentado pelo
                                                   de recorrência e de hemorragia.       GESCAT?
                                                   A CAT é a segunda causa de morte no   SB | O Livro Branco da Trombose As-
                                                   doente oncológico e uma causa conside-  sociada ao Cancro é uma iniciativa eu-
                                                   rável  de  morbilidade,  o  que  justifica  a   ropeia  que  pretende  consciencializar  a
                                                   necessidade  de  olhar  de modo  distinto   sociedade civil para esta questão. Chama
                                                   o doente com cancro. É um problema de   a  atenção  para  um  problema  relativa-
                                                   saúde pública crescente, potencialmen-  mente comum que afeta o doente onco-
                                                   te fatal e com impacto incontornável no   lógico e que pode ser evitado ou tratado
                                                   sistema nacional de saúde, impondo uma   com  eficácia.  Pretende  ainda  facilitar  o
                                                   reflexão sobre a forma de o abordar, em   acesso dos  doentes aos  melhores  cuida-
                                                   termos clínicos e económicos.         dos e medicamentos.
           TROMBOSE ASSOCIADA AO CANCRO
           UMA CAUSA NEGLIGENCIADA DE MORTE
           POR CANCRO: AÇÕES NECESSÁRIAS           JM | Este é um problema subvalorizado,   JM | Qual o papel do especialista de Medi-
           PARA MELHORAR OS RESULTADOS EM          até mesmo entre a própria classe médica.   cina Geral e Familiar (MGF) neste contex-
           SAÚDE E REDUZIR A MORTALIDADE           Porque é que isto acontece e como se com-  to da CAT?
                                                   bate essa subvalorização?             SB | Os médicos de família devem estar aler-
           Relatório das conclusões da reunião     SB | Em 2014 era claro que a comunida-  ta para esta questão, tomar consciência do
           de um Grupo de Especialistas em Trombose e Cancro.
                                                   de em geral e um número significativo de   risco  aumentado  de  trombose  nos  doentes
                                                   profissionais de saúde, inclusive aqueles   com cancro e das especificidades inerentes
                                                   que lidam diretamente com o doente on-  à sua prevenção e tratamento.
                                                   cológico,  estavam pouco sensibilizados   A necessidade de recurso,  com  frequên-
                                                   para esta problemática.               cia, a tratamentos prolongados com hepa-
                                                   Foi um dos objetivos fundadores do Gru-  rinas de baixo peso molecular – que con-
                                                   po de Estudos de Cancro e Trombose    sistem em pelo menos uma administração
                                                   (GESCAT) promover a consciencializa-  injetável subcutânea por dia  – constitui
                                                   ção dos diferentes intervenientes nesta   um dos exemplos em que precisamos da
                                                   temática. Da prevenção ao diagnóstico   colaboração dos colegas  da MGF. O seu
                                                   e tratamento, queremos que estes temas   papel é determinante na melhoria da ade-
                                                   estejam  no  topo  da  agenda  dos  profis-  são dos doentes à terapêutica.
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