Page 28 - RPGS n.º 21
P. 28
apoiada por um conjunto de sistemas e normalizada implementação de um
informáticos geridos pela Administra- Sistema de Informação em Enfermagem
ção Central do Sistema de Saúde (ACSS), com recurso a um registo de atividades
que coexistem a nível particular de cada de enfermagem uniformizado, através Em Portugal, e no
instituição de saúde, as quais podem da utilização da Classificação Internacio- âmbito do setor
apresentar sistemas próprios desenvol- nal para a Prática de Enfermagem. Pro-
vidos ou adquiridos posteriormente. São gramas promissores como o Sistema de público, a gestão
exemplos o Sistema de Apoio ao Médico Classificação de Doentes em Enferma- de informação é
(SAM), o Sistema de Apoio à Prática de gem (SCD/E) apresentam-se enquanto
Enfermagem (SAPE), o Sistema de Ges- ferramentas facilitadoras da GC em to- fortemente apoiada
tão de Doentes Hospitalares (SONHO), o dos os níveis organizacionais. Os dados por um conjunto
Sistema de Informação para as Unidades e informações disponibilizados podem
de sistemas
de Saúde (SINUS) e o Registo de Saúde auxiliar Enfermeiros e Gestores Hospita-
Electrónico (RSE), entre outros (Frederico lares na optimização de recursos de en- informáticos geridos
e Cruz, 2013; Frederico e Cruz, 2015). fermagem disponíveis, identificação ne- pela Administração
De acordo com Frederico e Cruz (2013), cessidades em recursos de enfermagem,
Central do Sistema
e no caso concreto da Enfermagem, têm adequação a dotação de Enfermeiros em
vindo a ser desenvolvidas orientações serviços/departamentos e até no planea- de Saúde
no sentido de se promover uma correta mento de cuidados. Todavia, é imperati-
vo que todos os atores organizacionais
sejam ativos na sua utilização, e que os
mecanismos e finalidades de todos os cuja interacção entre diferentes interve-
processos sejam transparentes e avalia- nientes, o tipo de actividades e especifi-
dos regularmente para efeitos de contro- cidade de tarefas envolvidas, o elevado
lo de qualidade. Os Sistemas de Informa- grau de desenvolvimento técnico-cientí-
O novo mercado ção e Classificação não são uma fonte de fico dos atores organizacionais e o tipos
conhecimento por si só; é a sua análise de produtos e bens oferecidos é patente.
global de saúde
e compreensão que capacita os atores As organizações em Saúde constituem
apresenta, de organizacionais, a nível administrativo, um destes exemplos, sendo crucial aos
forma sem intermédio e operacional, na resolução gestores em saúde reconhecerem as van-
de problemas ou criação de novas alter- tagens desta vertente da Gestão de forma
precedentes, uma nativas sustentáveis e competitivas. a assegurarem a eficácia e eficiência dos
realidade marcada serviços, a rentabilidade dos variados re-
CONCLUSÃO cursos, a produtividade dos departamen-
pela competição
tos, a qualidade dos cuidados de saúde
de instituições As estratégias organizacionais são es- prestados e a satisfação dos profissionais
públicas e privadas, tratégias de conhecimento, na medida e utentes, atingindo os objectivos macro
onde a inovação e em que resultam de decisões e esco- e micro traçados. O novo mercado global
lhas, conscientes ou não, baseadas no de saúde apresenta, de forma sem pre-
sustentabilidade são conhecimento dos atores organizacio- cedentes, uma realidade marcada pela
imprescindíveis para nais, principalmente gestores. Ainda que competição de instituições públicas e
transversal a todas as organizações, a privadas, onde a inovação e sustentabi-
a sobrevivência e
implementação de programas de GC tor- lidade são imprescindíveis para a sobre-
obtenção de utentes na-se vital para organizações complexas, vivência e obtenção de utentes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Cardoso, L. - Gestão do conhecimento e competitividade organizacional: um modelo estrutural. Comportamento Organizacional e Gestão, vol. 13 - nº2. 2007.
Cardoso L., Gomes, A. D., & Rebelo, T. - Gestão do conhecimento: Dos dados à informação e ao conhecimento. Comportamento organizacional e Gestão, 1(9), 55-84. 2003.
Cardoso L., Gomes, A. D., & Rebelo, T. - Para uma conceptualização e operacionalização da gestão do conhecimento. Psychologica, 38 23-44. 2005.
CRUZ, S. - Gestão do conhecimento em instituições de saúde com diferentes modelos de gestão (Tese de Doutoramento). Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real. 2013.
[Consult. 26 de Abril de 2016] Disponível em WWW: <http://hdl.handle.net/10348/3392>
Frederico, M. & Cruz, S. - Gestão do conhecimento e Tecnologias da Informação e Comunicação em Instituições Públicas de Saúde: um estudo em Enfermeiros. [Em linha] Revista
Investigação em Enfermagem. 2013. [Consult. 19 Abril 2016] Disponível em WWW: <https://www.researchgate.net/publication/281936307_Gestao_do_conhecimento_e_tecnolo-
gias_da_informacao_e_comunicacao_em_instituicoes_publicas_de_saude_um_estudo_em_enfermeiros>
Frederico, M. & Cruz, S. - Perceção de cultura organizacional e de gestão do conhecimento em hospitais com diferentes modelos de gestão. [Em linha] Revista Referências. Coimbra.
2015. [Consult. 19 Abril 2016] Disponível em WWW: <http://dx.doi.org/10.12707/RIV14065>
Santos, A. - Gestão Estratégica: conceitos, modelos e instrumentos. Escolar Editora. Lisboa, 2008. ISBN 978-972-592-229-3
28 REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 21

