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Paulo J. S. Costa
Enfermeiro
Mestre em Enfermagem na Área de
Especialização Gestão de Unidades
de Cuidados da Escola Superior de
Enfermagem de Coimbra
Gestão do conhecimento em organizações de saúde
Um conceito indispensável
para a gestão em
Enfermagem
INTRODUÇÃO IMPACTO NAS ORGANIZAÇÕES jectivos traçados; estrutura organi-
Contemporaneamente, vivemos numa E DINÂMICAS ORGANIZACIONAIS zacional, com a revisão e criação das
sociedade do conhecimento onde este Não é clara a forma como as organi- estruturas organizacionais passíveis de
é a fonte de qualidade e poder/domí- zações podem gerar e gerir o seu co- criar um fluxo de conhecimento para
nio. Num mundo onde os mercados, nhecimento, sendo deficitária a sua a transferência de boas práticas em
produtos, tecnologias, competidores e compreensão. Identifica-se um fraco termos horizontais e verticais; gestão
até as sociedades se transformam ve- reconhecimento da dinâmica inerente do desempenho, com a definição e co-
lozmente, a inovação contínua e o co- ao processo de criação e GC por parte municação de objectivos, indicadores
nhecimento que permite tal inovação dos intervenientes organizacionais, e metas do programa de GC, focando
tornaram-se fontes vantajosas para sendo este processo comummente, a atenção dos stakeholders para políti-
uma competição sustentável (Nonaka, e de forma errada, associado a meros cas de recompensa e reconhecimento;
Toyama e Konno, 2000). processos de gestão de informação cultura organizacional, na medida em
A emergência do conceito de Gestão (Cardoso, 2007). que se deverá ter em consideração cul-
do Conhecimento (GC) e a sua actual Para Walker (2006) apud Santos (2008) turas e valores partilhados pelos atores
relevância prendem-se com a impor- o sucesso de um programa de GC as- organizacionais de forma a assegurar
tância atribuída pelas organizações senta, em parte, num processo de uma participação adequada pelos mes-
à capacidade de identificar quais os implementação composto por doze mos; tecnologia, incidindo em formas
atributos responsáveis pela criação e pontos-chave a serem tidas em aten- que visam o suporte do programa de
manutenção de conhecimento, reco- ção pelos gestores: proposição de valor, GC, que deverão estar integradas nas
nhecendo-lhe valor, raridade, inimita- com a definição, clarificação e comuni- infraestruturas organizacionais e pla-
bilidade e insubstituibilidade (Cardo- cação de benefícios e aspectos críticos taformas informáticas; criação de co-
so, Gomes e Rebelo, 2003). Todavia, e relativo à adopção de um programa nhecimentos, com a clarificação dos
de acordo com Frederico e Cruz (2015), estruturado junto dos stakeholders de atores organizacionais de que tipo de
embora o conceito de GC seja reco- forma a motivar e envolver os mesmos; conhecimentos são valiosos para a
nhecido e aceite, este ainda se encon- alinhamento estratégico, com a esti- organização, qual o âmbito e propó-
tra envolto numa “franca opacidade”, pulação das necessidades da organi- sito da sua criação, que recursos são
quanto ao seu conteúdo e natureza zação, considerando-se as estratégias necessários na consecução deste pro-
efetiva do seu significado e potencial fundamentais e criação das condições cesso, entre outros; definição da estru-
de aplicabilidade. indispensáveis à consecução dos ob- tura dos conhecimentos, de forma a
26 REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 21

