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jornal médico   |  em Debate










































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                              movImENto CívICo “dIrEIto a morrEr Com dIGNIdadE”
                        “Insistir em colocar cuidados



             paliativos versus despenalização


                                    da MMA não faz sentido”







                                                 jornaL  mÉDico  |  o  nome  do  movimen-  jm | além de uma questão de cidadania, é
                                                 to cívico do que integra faz-nos pensar na  uma questão de dignidade?
                                                 vida e na morte como direitos. considera  jes | Por todas as razões. Não posso impor
                                                 que são, de facto, direitos? a quem perten-  aos outros os meus critérios e os outros tam-
                                                 cem?  ao  próprio  indivíduo,  à  sociedade  bém não o podem fazer. É uma regra básica
                                                 onde se insere ou à sua família?  e como  de  vida  numa  sociedade  livre  e  democráti-
                                                 contrapomos este direito com um outro, o  ca. Esta é uma prática que não obriga nem
                                                 da liberdade?                           prejudica ninguém, não viola a consciência
                                                 jorge esPÍrito santo | A morte não é um   de  terceiros  e  não  impõe  nenhum  tipo  de
                                                 direito, é uma inevitabilidade.         regra. Sob essa perspetiva, não entendo por
                                                                                         que devo ser sujeito a uma norma imposta
                                                 jm | mas a dignidade que é conferida a es-  por  outros  para  seu  próprio  uso.  Tenho  de
                                                 ses momentos é um direito?              ser respeitado desde que nasci, mas quantas
                                                 jes | É um dever de cidadania.          crianças  passam  fome  neste  país?  Quantas
                                                                                         não têm acesso a coisas básicas, como Saú-
                                                 jm | Por parte de quem?                 de e Educação? Quantos destes adolescentes
                                                 jes | Da sociedade. As pessoas que hoje “ar-  e  jovens  adultos  têm  oportunidade  de  de-
                                                 rancam”  cabelos  em  defesa  da  vida  talvez   senvolver  as  suas  capacidades  e  potencia-
                                                 não  prestem  muita  atenção  à  forma  como   lidades?  Quantos  destes  adultos  vivem  em
                                                 algumas pessoas vivem. Não basta dizer que   condições  de  dignidade?  Quantos  têm  em-
                                                 a vida é inviolável. Obviamente que o é, na  prego ou o suficiente para se bastarem a si
                                                 perspetiva do próprio. Ninguém pode tirar a  próprio? Quantos têm proteção na doença e
                                                 vida de outrem, mas isto não implica que, no   no infortúnio?                                  >>
                                                 fim dessa vida, o seu detentor não tenha o di-
                                                 reito de escolher como é que quer morrer.                     continua na página 8


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                                                                Março 2017
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